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(Parte 4 de 5)

THURALSINGHAM, R. Management of hypertension in renal disease. MedicineVolume 43, Issue 7, July 2015, Pages 417–418.

UNIFESP, Universidade Federal de São Paulo. Fatores de risco. 2004. Disponível em: http://www.unifesp.br/denf/NIEn/CARDIODITE/hiperten.htm Acessado em: 04/05/15.

WHO, World Health Organization. 2008-2013. Action Plan for the Global Strategy for the Prevention and Control of Noncommunicable Diseases.WHO Global Report, 2005. . XUE, J.L.; MA, J.Z.;LUIS, T.A.;COLLINS, A.J. Forecast of the number of patients with end-stage renal disease in the US to year 2010. Journal of the American Society of Nephrology. Dec;12 (12):2753-8. 2001.

CAPÍTULO 2

ADOECIMENTO: ExPERIÊNCIA E REVISÃO INTEGRATIVA

Tamires Layane de Lima

Maria José Melo Ramos Lima Pedro Braga Neto

A gravidez é um evento fisiológico que faz parte da vida de um grande número de mulheres. É uma fase de profundas alterações, no âmbito social, psicológico e físico da gestante. Toda gravidez, no entanto, apresenta um risco potencial à saúde da gestante, por ser um dos momentos de maior sobrecarga cardíaca na vida da mãe (GAMA PINTO et. al., 2007).

Segundo Custódio et al. (2008), dentre as diversas modificações hemodinâmicas esperadas durante a gestação, pode-se citar: o aumento do volume sanguíneo, a queda da pressão arterial e resistência vascular sistêmica e o aumento na frequência cardíaca e débito cardíaco. Além disso, durante o trabalho de parto e puerpério, ocorrem aumento adicional do débito cardíaco e da pressão arterial, principalmente relacionado às contrações uterinas.

Entretanto, algumas das alterações podem ocorrer menos usuais. Dentre as mais raras, tem-se a miocardiopatia periparto (MCPP) que é uma doença de etiologia desconhecida, com maior incidência em mulheres de raça negra, multíparas e com idade superior a 30 anos. Caracteriza-se pela presença de insuficiência cardíaca (IC) materna, no último mês de gestação ou até cinco meses após o parto, com disfunção ventricular sistólica esquerda, na ausência de outras causas de insuficiência cardíaca e em mulheres previamente saudáveis (GAMA PINTO et. al., 2007).

Já Sliwa e Bohm (2014), trazem como definição que a cardiomiopatia puerperal é uma doença do miocárdio associada à gravidez com significativa morbidade e mortalidade. Uma declaração Européia recente da Sociedade de Cardiologia do Grupo de Trabalho sobre cardiomiopatias periparto definiu a doença como uma “cardiomiopatia idiopática apresentada com insuficiência cardíaca secundária à disfunção sistólica do VE no final da gravidez ou nos meses após o parto, quando não há nenhuma outra causa de insuficiência cardíaca”, e esta pode ser difícil de distinguir de outras formas de cardiomiopatia, tais como familiar ou cardiomiopatia dilatada idiopática, préexistente que geralmente se apresenta pré-parto no segundo ou terceiro Sintomas trimestre, e são semelhantes às de outras formas de insuficiência cardíaca, definição esta que é também citada por Huisman et. al. em seu estudo de coorte realizado em 2013.

A Sociedade Europeia de Cardiologia de Trabalho de Grupo em cardiomiopatia periparto recentemente expandiu a definição para “uma cardiomiopatia idiopática apresenta com IC secundária a disfunção sistólica do ventrículo esquerdo no final da gravidez ou nos meses após o parto, em que nenhuma outra causa é encontrada, sendo que os fatores de risco atualmente aceites associado com o desenvolvimento da cardiomiopatia puerperalincluem idade materna avançada, Africano-Americano raça, hipertensão crônica, pré-eclâmpsia, gestações múltiplas e uso prolongado de tocolíticos” (KOLTE et. al., 2014).

A insuficiência cardíaca resulta de um defeito de contração e/ou de uma disfunção no enchimento das cavidades cardíacas. Assim, existe a insuficiência quando o coração não pode se esvaziar corretamente devido a um déficit de contração ou quando o órgão não pode se encher corretamente. Frequentemente, as doenças que resultam em insuficiência cardíaca acontecem no próprio músculo cardíaco. Outros problemas podem ter consequências análogas, como as doenças do pericárdio e as doenças das valvas (ISNARD; KOMAJDA, 2009).

O diagnóstico é estabelecido através de exames complementares, com destaque para o RX de tórax, eletrocardiograma (ECG) e ecocardiograma (ECO). Já a terapêutica farmacológica consiste no suporte inotrópico, redução da pré e pós-carga cardíaca e anticoagulação, estando à terapêutica cirúrgica, com transplante cardíaco, reservada para casos graves e refratários à terapêutica médica (GAMA PINTO et. al., 2007).

Segundo Huisman et. al. (2013), a doença cardiovascular complica aproximadamente 1-3% de gravidezes e é responsável por 10 a 15% da mortalidade materna. No Reino Unido identificaram que as doenças cardiovasculares são cada vez mais uma causa importante de morte materna indireta. Nos dois últimos triênios terminando em 2005 e 2008, a doença cardíaca foi à causa mais frequente e indireta de morte materna com uma taxa de mortalidade materna de 2,27 e 2,31 por 100.0 maternidades, respectivamente. A mortalidade materna por doenças cardíacas adquiridas (AHD) aumentou de 3,8 por milhão em 1996 para 21,8 por milhão de maternidades em 2008. Na Holanda, a doença cardiovascular foi a principal causa da mortalidade materna indireta (1,6 por 100.0 nascidos vivos) entre 1993 e 2005, e aumentou significativamente em comparação e 1983 a 1992, quando era a segunda causa mais frequente (0,6 por 100.0 nas- cidos vivos), após doenças cerebrovasculares.

O prognóstico depende da recuperação da função ventricular esquerda, ao final de seis meses, apresentando uma taxa de mortalidade materna que pode atingir os 50%. Em casos de persistência de disfunção cardíaca, gestações futuras não são recomendadas. Não é surpresa a recomendação de alguns especialistas que, além de contraindicar uma nova gravidez, sugiram o término, já que o risco materno de óbito pode variar de 8% a 35% (CUSTÓDIO et. al., 2008).

Huisman et. al. (2013) também relata que quando ocorrem os óbitos maternos indiretos, estes são resultantes de uma doença ou doença preexistente que se desenvolve durante a gravidez, não devido a causas obstétricas diretas, mas que é agravada pelos efeitos fisiológicos da gravidez. Ao olhar para todas as causas de mortalidade materna, a doença cardiovascular aumentou da quarta para a segunda causa mais frequente após a pré-eclâmpsia.

Para detectar as manifestações da MCPP e consequentemente tratá-la de modo correto, são necessários que se conheçam os fatores que levam uma gestante a desenvolver esta patologia com prognóstico sombrio. O alto índice de óbitos de gestantes e parturientes relatadas na literatura vigente e as experiências vividas por nós enquanto profissionais assistenciais em unidades de terapia intensiva coronarianas, desperta cada vez mais o interesse de conhecer mais sobre essa patologia tão pouco explorada e ao mesmo tempo tão grave.

Justifica-se, então, a realização desta pesquisa pela necessidade de que sejam desenvolvidos mais estudos sobre essa temática, se revela uma escassez de estudos que aprofundem e que abordem esse assunto na dimensão que essa patologia alcança em um momento que deveria ser único e feliz na vida da mulher.

Essa percepção despertou em nós o interesse em desenvolver um estudo que levantasse informações sobre essa doença tão temida e tão pouco conhecida.

Realizamos este estudo com o intuito de revisar os conhecimentos a respeito da miocardiopatia puerperal e seus fatores associados, contribuindo assim, para uma assistência de qualidade aos pacientes cardiopatas em unidades de terapias intensivas, assim como, proporcionarem uma maior realização enquanto profissional da saúde.

Foram objetivos do estudo: conhecer a incidência e os fatores predisponentes para o desenvolvimento da miocardiopatia puerperal; enumerar os principais sinais e sintomas da miocardiopatia puerperal associada à insuficiência cardíaca e identificar os fatores de risco associados ao desenvolvimento da MCPP.

A metodologia adotada foi a pesquisa bibliográfica para a construção de um artigo de revisão integrativa da literatura que é definida como uma revisão em que conclusões de estudos anteriores são sumarizadas, de maneira sistemática, a fim de que se formulem inferências sobre um tópico específico e, assim, atender aos objetivos propostos (SOUSA; SILVA; CARVALHO, 2010).

Para esta revisão utilizamos leitura sistemática de alguns estudos a fim de definir as categorias necessárias ao aprofundamento e discussão acerca da miocardiopatia puerperal associada á insuficiência cardíaca.

Esse tipo de revisão obedece a seis etapas. são elas: 1) elaboração da pergunta norte adora; 2) busca na literatura; 3) coleta de dados; 4) análise crítica dos estudos incluídos; 5) discussão dos resultados e 6) apresentação da revisão integrativa. (SOUSA; SILVA; CARVALHO, 2010).

Para iniciar este estudo, partiu-se da seguinte questão norteadora: Nos últimos 15 anos, como alguns estudos realizados contemplam a etiologia e desenvolvimento da miocardiopatia puerperal?

Após esse questionamento ter sido formado, realizamos uma busca nas bases de dados do sítio da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) — BIRE ME: LILACS (Literatura Latino-Americano e do Caribe, em Ciências da Saúde) e SCIELO (Scientific Eletronic Library Online), utilizando nos DeCS (Descritores específicos das Ciências da Saúde), utilizando as palavras-chave:- miocardiopatia periparto: cardiomiopatia e período pós-parto, e acrescentamos artigos para título de comparação aos artigos nacionais encontrados após busca no Pubmed, recurso de livre acesso que é desenvolvido e mantido pela NCBI, na NLM (U.S. National Library of Medicine), localizado na National Institutes of Health (NIH), onde foram usadas as palavras-chave: peripartum e cardiomyopathy. Então, foram selecionados alguns artigos publicados nos últimos 15 anos, na íntegra, nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola, todos artigos disponíveis em meio eletrônico.

Foram utilizados os seguintes critérios de exclusão: artigos publicados há mais do que 15 anos; artigos publicados em outras línguas que não a portuguesa, inglesa e espanhola e artigos que não seguiam a temática proposta pelas palavras-chave.

A busca nas bases de dados recuperou nove artigos. Desses, quatro na língua portuguesa, quatro na língua inglesa e um em espanhol, todos da autoria de médicos intensivistas, cardiologistas e residentes de unidades coronarianas.

Em relação ao delineamento dos estudos analisados, encontramos estudos não experimentais e experimentais, distribuídos em descritivos sendo um ensaio clínico, duas coortes, três revisões de literatura e três casos clínicos ou relatos de caso. Dos artigos analisados, o ensaio clínico, uma revisão de literatura e dois dos casos clínicos ou relatos de caso estão na língua portuguesa, duas revisões de literatura e os dois estudos de coorte estão na língua inglesa, e um caso clínico está na língua espanhola.

Após a seleção dos artigos, os mesmos foram organizados em quadros, contendo a síntese dos artigos que foram utilizados, contemplando os seguintes aspectos considerados pertinentes: nome da pesquisa, nome dos autores, objetivos e/ou resultados e conclusões.

A apresentação dos resultados e discussão dos dados obtidos foi feita de forma descritiva, possibilitando ao leitor a avaliação da aplicabilidade da revisão integrativa elaborada, de forma a atingir o objetivo desse método, ou seja, conhecer de forma prática e científica a miocardiopaia periparto positivamente na qualidade da prática e assistência ao paciente.

O 1. A pr esentação da síntese de ar tigos incluídos na r evisão integrativ a

O b JETIV

Características Clínicasassociadas à evolução desfav oráv el na

M iocar diopatia P eripar to

M or eira,C.C.

Zanati, S.G.Medeir os, V

G uimarães,C. S imões, E.F . M atsubara,B.B.

Avaliar as características clíni - cas de miocar diopatia peripar - to e verificar as características associadas á ev olução desfa - v oráv el.

Tratou-se de um ensaio clínico com 12 pacientes, no qual apenas 50% dos casos apr sentaram ev olução fav oráv el depois de instituída uma tera- pia medicamentosa. Levando em consideração sua evolução clínica após o diagnóstico, achados de exames comple- mentares, assim como, dados obstétricos e sociais.

Pacientes com miocardiopatia peripar to pr évia apr esentam ev olução desfav oráv el associa da á raça negra e alterações car díacas iniciais mais acen tuadas e a ev olução fav oráv el está associada á redução da massa cardíaca e aumento da espessura r elativ a da par ede

O 2: NOME DO AR

O b JETIV

Cardiomiopatia P eripar

F eitosa,H.N. M or eira,J.L.C.

D iógenes,I.M.S. V ieira,M.F . E leutério,F gia, diagnóstico, evolução clínica, tratamento e pr ognóstico da car - diomiopatia peripar to .

Apresenta etiologia desconhecida, diagnóstico estabelecido através de exames complementar es, al - terações na contratilidade v entri - cular, tratamento medicamentoso para IC.

M ulher es com CMPP dev em ser aconselhadas quanto ao risco de uma futura gravide z e aler tadas a possibilidade de r ecorr ência da do ença. P acientes com história pr évia que desejam engravidar devem ser encaminhadas a centr os ter ciários de assistência perinatal e pacientes cuja função e tamanho do v entrícu - lo esquer do não v oltaram ao normal dev em ser desencorajadas de engra vidar .

O 3:

O b JETIV

Peripartum Car diomy opathy

R odrígue z- González, M.A.

M edina-R uíz, A

É uma r evisão do cr escimento atual da etiologia, Diagnóstico, tratamento e pr ognóstico da CMP

, apr esentando a necessidade de mais pesquisas. O estudo relata o National H ear t L ung einstituto do sangue e do es critório dedoenças raras dos institutosnacionais de saúde, que r ealizaram uma r evisão mul - tidisciplinar do conhecimento existente sobr e CMP e desenv olv eu r ecomendações para futuras pesquisas e educação .

Enfatiza a associação da car diomio - patia peripar to com pr olongado a ex

-posição à materna terapia tocolítica. Concluíram o aconselhamento con - tra gestações subseqüentes por medo de uma incapacidadede tolerar a carga de trabalho Car dio v ascular

O risco de lesão car díaca irr ev ersív el pode aumentar com cada gravide z, por tanto gestações subseqüentes devem ser evitadas e se isso não for possív el eles dev em ser ger enciados em um centr o de alto risco perinatal.

O b JETIV

Miocardiopatia P eripar to, P atologia

Infrecuente de Dificil D iagnostico

Candia,J.P . S uaz oR.P .

Um caso de Cardiomiopatia periparto em uma paciente de 17 anos com trabalho de par to pr ematur e ruptura espontânea de membranas, par vaginal, com quadro de hipotensão, taquicar dia e congestão pulmonar

U m quadr o complicado, que associou terapia farmacológica e conv ersão elétrica.

A função ventricular do paciente r ecuper ou, mas este ficou apresentando síncope, arritmias e o tratamento constou de antiarrítmicos após a alta hospitalar

Concluiu-se que uma doença rara contribui para um diagnóstico difícil. Este r elato de caso nos trás complicações difícil de manusear

Os exames complementares são de grande impor tância para diagnóstico definitiv o.

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