Versao Final de Monografia Ivaristo Americo Mboa Junior

Versao Final de Monografia Ivaristo Americo Mboa Junior

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De acordo com Santos (1990), o milho (Zea mays) é considerado a cultura alimentar mais importante em Moçambique. De outro lado, IIAM (2006), vem destacar ainda que o milho faz parte das primeiras duas culturas juntamente com a mandioca que totalizam 50% do valor da produção da agricultura em pequenas e médias empresas em Moçambique.

Em Moçambique, o sector familiar destaca-se mais na produção de milho, com aproximadamente 95% da área cultivada. Esta é a principal cultura alimentar e de rendimento para o sector familiar em Moçambique representando 35% a 50% da dieta média em todo país (MOISÉS, 2002).

2.1.3 Principias pragas que afectam o milho De acordo com IIAM (2006), As principais pragas de controlo de milho são: Broca (Bussela fusca, Sesamia calamistis e Chilo partelluus), Roscas (Agrotis ssp) e a Lagarta-do-cartucho (Spodopterra frugiperda). A lagarta e a Rosca baixam o rendimento mais estes dependem da infestação e da severidade de ataque pelas mesmas (MOISÉS, 2002).

Para o controlo mais eficiente da Broca recomenda-se semear o milho antes da época chuvosa, aumentar o número de sementes na sementeira, desbaste das plantas atacadas (inteirar ou queimar), rotação de cultura com plantas não gramíneas (GASPAR, 2010).

2.2. Descrição geral da Lagarta-do-cartucho Segundo Cruz et al. (1995), A lagarta-do-cartucho (Spodopterra frugiperda), também designada de lagarta militar, é um tipo de praga que causa graves prejuízos económicos, na busca de mecanismos de controlo, verifica-se aumento de custos no tratamento fitossanitário.

A grande preocupação na actualidade, está aliada ao desenvolvimento de populações resistentes a produtos químicos, verificado em algumas regiões, e a diminuição sensível da diversidade de agentes de controlo biológico, em consequência do mau uso dos agrotóxicos (MONTEIRO, 2004). Portanto, já é hora de os agricultores pensarem em adoptar um programa de maneio integrado, principalmente para restabelecer o equilíbrio ecológico dentro do sistema de produção (ALVES, 1992).

2.2.1 Ciclo de vida da lagarta-do-cartucho Segundo Cruz et al. (1995), A lagarta-do-cartucho inicia o seu ciclo de desenvolvimento pelo ovo, lagarta, pupa e adulto. A duração da fase de ovo é de 2 a 3 dias, o período larval de 12 a 30 dias, variando conforme a temperatura, e a transformação em pupa ocorre no solo, de 20 a 50 dias, até emergir o adulto que vai acasalar e dar continuidade ao ciclo da praga.

Depois de eclodida, as lagartas de primeiro ínstar começam a raspar a folha para se alimentar, caminhando em direcção ao cartucho da planta, destruindo-o completamente. Geralmente é muito grande a quantidade de excrementos deixados pela lagarta no interior do cartucho da planta. Geralmente é encontrada apenas uma lagarta/cartucho, pois essa praga apresenta canibalismo na fase larval (ALVES, 1992; CRUZ et al., 1995; GALLO, 2002).

2.2.2 Sintomas e danos Segundo Cruz et al. (1995), As lagartas iniciam a alimentação raspando os tecidos verdes de um lado da folha, deixando intacta a epiderme membranosa do lado oposto. Lagartas maiores, dirigem-se para o interior do cartucho onde fazem buracos na folha, podendo destruir completamente pequenas plantas ou causar severos danos em plantas maiores (ALVES, 1992). As larvas também penetram no colmo através do cartucho, causando o sintoma conhecido como “coração morto”, devido a danos ao ponto de crescimento da planta. Quando atacam as espigas, ocasionam má formação ou mesmo impedem a formação de grãos. O ataque deste insecto, causa danos directos às plantas, através de sua penetração nos tecidos.

Onde deixam orifícios que constituem-se porta de entrada para fungos, bactérias e outros agentes causadores de várias doenças, que acabam diminuindo o potencial de produção e a qualidade dos grãos (GALLO, 2002). O estádio mais sensível ao ataque é o de 8-10 folhas. A época ideal de realizar para o controlo é quando 17% das plantas estiverem com o sintoma de folhas raspadas (MONTEIRO, 2004).

2.2.3 Importância económica da lagarta-do-cartucho Segundo Monteiro (2004), A lagarta-do-cartucho, (Spodoptera frugiperda) é a principal praga da cultura do milho (Zea mays), capaz de reduzir entre 17,7 a 5,6% o rendimento de grãos. Seu controle tem sido realizado essencialmente com insecticidas, cujo grupo químico nem sempre é selectivo aos agentes de controlo biológico, além do elevado número de aplicações, em alguns casos, de 10 a 14.

O plantio sucessivo da cultura do milho, promove o aumento da lagarta-do-cartucho, (Spodoptera frugiperda) por causa da sua ocorrência generalizada e por atacar todos os estágios desenvolvimento da planta (CRUZ, et al., 1995). O ataque na planta ocorre desde a sua emergência até o pendoamento e espigamento. As perdas devido ao ataque da lagarta podem reduzir a produção em até 34% (ALVES, 1992).

2.3 Uso de Pesticidas químicos Segundo Machado e Cabral (2007), é frequente o uso de produtos químicos no controlo de pragas agrícolas, pois estes são mais eficientes para matarem os organismos que causam prejuízos as culturas, porem são tóxicos para o homem e assim como para o meio ambiente.

2.4. Uso de Pesticidas botânicos Segundo Buss & Brown, (2002), é extremamente relevante o uso de produtos alternativos, menos agressivo ao homem e à natureza, com função de repelência, insecticida e fungicida. Aliado ao maneio adequado do solo, planta e água, garante a produção de alimentos orgânicos, sem resíduos tóxicos e que preserva a saúde do produtor. Dessa forma, os sistemas de controlo assim concebidos procuram não eliminar, mas contribuir para o equilíbrio entre doenças, pragas e seus inimigos naturais (KATHRINA & ANTONIO, 2004).

A produção orgânica, têm como objectivo a preservação do meio ambiente, da saúde humana, pelo uso de meios naturais que garantam a produtividade económica das culturas sem causar, danos expressivos ao solo, à água e sobre tudo a qualidade dos alimentos (BUSS & BROWN, 2002). Neste sistema de produção o controle de doenças e pragas pode e deve ser feito sem o uso de agrotoxicos sintéticos, os quais contribuem, significativamente para a contaminação do ambiente e dos alimentos produzidos (WIESBROOK, 2004).

2.4.1 Vantagens dos pesticidas botânicos

Degradação rápida: são rapidamente degradados pela luz solar, ar, humidade, chuva e enzimas desintoxicantes (BUSS & BROWN, 2002);

Acção rápida: Embora a morte possa não ocorrer em poucas horas ou dias, os insectos podem parar de se alimentar quase que imediatamente após a aplicação do insecticida botânico.

Baixa a moderada toxicidade: Muitos insecticidas botânicos têm baixa a moderada toxicidade aos mamíferos, baseando-se na DL50 oral;

Selectividade: os insecticidas botânicos mais selectivos a certos insectos praga e menos prejudiciais aos insectos benéficos (WIESBROOK, 2004);

Fitotoxicidade. Muitos insecticidas botânicos não são fitotóxicos (tóxicos para as plantas) nas dosagens recomendadas (KATHRINA & ANTONIO, 2004);

Custo e disponibilidade: podem ser fabricados na propriedade rural a baixo custo quando se dispõe de material vegetal e que as substâncias sejam solúveis em água.

2.5. Calda de alho A calda de alho é um biopesticida natural de fabrico caseiro com efeito insecticida e repelente no controlo de pragas tais como: pulgas, mosquitos, besouros, formigas, cochonilhas, brocas, roscas e lagartas, etc., (SOUZA & SOARES, 2010). Para reduzir a dependência do uso de pesticidas químicos no controlo de pragas agrícolas, pode-se usar caldas ou extractos vegetais (WIESBROOK, 2004).

2.5.1 Acção insecticida da calda de alho Segundo Souza & Soares (2010), o alho (Allium sativum) possui duas substâncias distintas alinase e aliina que são tóxicas e repelentes sobre várias pragas agrícolas, essas substâncias são armazenadas de formas distintas. Ao romperem as membranas celulares, as duas substancias formam a alicina, substancia que da o aroma característico da planta e que também actua na defesa da mesma (MASUM, 2009).

10 CAPÍTULO I

3. Matérias e métodos

3.1. Localização da área de estudo O estudo foi realizado no bairro de Madjone, a 6 km da sede do Distrito de Chongoene, a Sul da província de Gaza em Moçambique. Segundo Gaspar (2010), O Distrito situa-se entre as latitudes 25o Norte e 25o 10’ Sul e entre as Longitudes 45o 29’ Este e 33o 30’ Oeste. Os limites geográficos, a Norte o Distrito de Chibuto, a Leste o Distrito de Manjacaze, a Sul o Oceano Índico e a Oeste o Distrito de Bilene Macia (Vide Mapa de localização em ANEXOS). De acordo com INE (2006), O Distrito de Chongoene possui uma superfície de 1739 km² de área e uma população recenseada em 2007 de 212 459 habitantes. Chongoene encontra-se dividido em três postos administrativos: Chongoene, Mazucane e Nguzene.

3.1.1 Características da área de estudo Clima De acordo com INE (2006), O clima do Distrito de Chongoene é tropical húmido caracterizado por duas estações, (quente de Abril a Outubro. e chuvosa ou fria que ocorre de Novembro a Março). Durante a época quente, esta área é influenciada por depressões tropicais continentais que se formam no Sudeste e trazem chuvas fortes.

A distribuição irregular das precipitações ao longo do ano resulta em deficiências hídricas no período seco. As temperaturas máximas variam numa média de 30º C a 35º C, em Fevereiro e Março, as mínimas de atingem uma média de 20º C a 25º C. No período frio, os anticiclones dos Oceanos Atlântico e Índico determinam o clima seco (GASPAR, 2010).

Solo O local do experimento pertence a região Agro-ecológica 2, cujos solos são arenosos, de textura média a fina, dos aluviões do rio intercalados com os solos hidromórficos (machongos) onde o clima predominante é do tipo sub-húmido seco. As principais culturas agrícolas deste distrito são: a mandioca e o milho. As cidades de Chibuto e Manjacaze exercem grande influência sobre a economia local desta zona. Esta área é densamente provada (INE, 2006).

Topografia O Distrito de Chongoene é caracterizado por zonas acidentadas e em algumas partes com fracas pendências, inferiores a 5% e fortes pendências superiores a 5%, estas últimas favorecem a ocorrência da erosão, enquanto as inferiores com uma aptidão boa para habitação, bem como para implantação de equipamentos e infra-estruturas (INE, 2006).

Precipitação A precipitação nesta zona atinge nédias de cerca de 750-1250 m por ano, de Outubro a Março e a época seca é normalmente de Abril a Setembro.

Vegetação Chongoene possui diferentes tipos de vegetação: Arbustos, floresta artificial mista e floresta natural, em constante transformação devido a sua exploração para aquisição do material de construção, lenha e prática de artesanato (INE, 2006).

3.2. Procedimentos metodológicos 3.2.1 Delineamento experimental O delineamento experimental usado no ensaio foi o de blocos completamente casualizados (DBCC). Neste delineamento as condições experimentação são heterogéneas, há redução do erro experimental, através da eliminação da contribuição das fontes de variação conhecidas nas unidades experimentais (MAPOSSE & DISTA, 2010). O ensaio foi constituído por quatro (4) blocos e cinco (5) tratamentos, organizados nomeadamente: 1. TA: sem nenhuma aplicação (testemunha); 2. TB: 120g/l da calda de alho; 3. TC: 170g/l da calda de alho; 4. TD: 200g/l da calda de alho; 5. TE: Cipermetrina 20% EC 1ml/l.

3.2.2 Unidade experimental e tratamentos

A área total do campo de ensaio foi de 242,25m2 (Cumprimento=17m e largura=14,25m). A área total ocupada pelas plantas foi de 135m2

. A área de cada parcela foi de 6,75m2 e a área amostral foi de 10,5m2 . A bordadura do ensaio teve 1m de extensão, o espaçamento entre blocos foi de 1m e entre parcelas foi de 0,5m. O compasso usado foi de (25x70) cm.

Para cada parcela foram necessárias 24 plantas, onde em cada côvacho foram introduzidos duas (2) sementes. Cada parcela teve quarenta e oito (48) sementes, sendo que para todos os tratamentos foram necessários, nove centos e sessenta (960) sementes. Não foram contadas as plantas próximas da bordadura na avaliação por causa da influência que sofrem junto às parcelas vizinhas, o que se caracteriza por competição interparcelar.

Das vinte e quatro (24) plantas da parcela, dezasseis (16) encontravam-se próximas a bordadura, restando oito (8) plantas, onde foram escolhidas aleatoriamente quadro (4) para fazerem parte da amostra. Essa escolha aumenta a heterogeneidade entre as unidades experimentais, por causa da baixa influência (COSTA & ZIMMERMANN, 1998).

Os cinco (5) tratamentos foram aplicados aos 15 dias após a emergência da semente, logo no inicio da ocorrência da lagarta-do-cartucho na cultura do milho. As pulverizações foram efectuadas normalmente nas primárias horas do dia ou no final do dia, com vista a diminuição da acção negativa dos raios solares sobre o produto a ser aplicado.

3.2.3 Determinação da amostra Para a determinação da amostra, baseou-se em dados tabelas, onde apresentam intervalos de população e amostras definidos (Vide em ANEXOS: Determinação da amostra). Associandose a regra de três simples foi possível determinar uma amostra de 16,67%, extraída numa população de 480 unidades, correspondente a oitenta (80) plantas.

A técnica de amostragem usada foi aleatória simples onde cada indivíduo da população, têm a mesma oportunidade de fazer parte da amostra. O sorteio foi feito sobre os elementos da população da área útil, onde foram seleccionados em cada parcela quatro (4) plantas), por meio de pequenos pedaços de papel enumeradas e devidamente selados, foram seleccionados aleatoriamente.

3.3. Condução de experimento As actividades iniciam logo na primeira semana de Janeiro de 2017, onde fez-se o teste do poder germinativo tendo-se obtido 95% de sementes germinadas, na semana seguinte procedeu-se com a preparação do campo de ensaio e seguiu-se ate ao mês de Maio com a colheita. As práticas culturais decorrentes no ensaio foram as seguintes: regas, controlo, sachas, amontoas, adubação e desbanderammento.

3.3.1 Preparação da calda Para a preparação da calda, os ingredientes foram adquiridos no mercado da Cidade de Xai- Xai, nomeadamente: alho, cebola, pimento, óleo mineral, Sabão líquido (Sun light). Foram usados os seguintes materiais: balança, pilão e pau-de-pilar, faca, garrafas, baldes e rede. O alho não descascado foi picotado no pilão juntamente com 10g de cebola, 10g do pimento (figura A), depois colocados num recipiente, onde foram adicionados 20 ml de oleio mineral, 10 ml de sabão líquido (Sun light) e 1 litro de água fervida, deixados repousar por 24 horas (figura B).

Figura 1: Processo de picotamento (A), conservação da calda (B). Fonte: AUTOR. 2017.

Passado 24 horas, mexeu-se a calda de alho e foi tapada. No dia seguinte, utilizando uma rede (Figura C), o líquido foi filtrado e introduzido em garrafas (figura D), onde permaneceu precisamente 48 horas antes da aplicação. Para todo o experimento foram necessários 3920g de alho correspondente, (TB=960g, TC=1360g. TD=1600g), para a preparação das caldas.

Figura 2: Rede usada (C), processo de filtração da calda (D). Fonte: AUTOR. 2017.

3.3.2 Formulação da solução As diferentes dosagens de calda de alho (TB=120g/l, TC=170g/l e TD=200g/l) foram diluídos em 10 litros de água, obtêm-se 80 litros de solução em cada tratamento. Deste modo para os três tratamentos obteve-se 240 litros de solução de calda de alho. No tratamento usando a Cipermetrina foi usado uma dosagem de 5ml e diluído em 5 litros para cada aplicação. O total da droga usada foi de 20 ml e o total da solução foi de 20 litros.

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