Livro de Fruticultura Geral
(Parte 1 de 6)
Engenheiro Agrônomo - Doutor em Agronomia Professor Titular do Departamento de Fitotecnia da FAEM/UFPel
Engenheiro Agrônomo - Doutor em Agronomia Pesquisador da Embrapa Clima Temperado
Engenheiro Agrônomo - Doutor em Agronomia Professor Aposentado do Departamento de Fitotecnia da FAEM/UFPel
Pelotas 2008
Este livro é destinado a estudantes das ciências agrárias, profissionais de agronomia, produtores e todos aqueles que gostam do cultivo de plantas frutíferas.
Quando pensamos em instalar um pomar, devemos responder alguns questionamentos: O que plantar? Onde plantar e como cuidar? Qual será o mercado existente ou potencial? Em quanto tempo teremos o retorno do investimento? A leitura dos diferentes capítulos irá permitir que se obtenha respostas às questões formuladas.
Hoje, a fruticultura deve ser vista como um negócio e, assim, todas as etapas que envolvam questões técnicas, econômicas e ecológicas devem ser consideradas antes da decisão de plantar um pomar, pois os custos são elevados e os mercados são, cada vez mais, exigentes em qualidades, além de muito competitivos.
Nos vários capítulos que formam o livro, é possível encontrar informações sobre situação da fruticultura no Brasil, técnicas para produção de mudas, cuidados na instalação do pomar, manejo do solo e das plantas, características e controle das principais doenças e pragas, colheita e armazenamento de frutas, entre outras.
Os autores
| CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO À FRUTICULTURA | 8 |
| 1.1 SITUAÇÃO DA FRUTICULTURA NO BRASIL | 8 |
| 1.2 IMPORTÂNCIA DA FRUTICULTURA | 12 |
| 1.3 CONCEITOS | 12 |
| 1.4 CLASSIFICAÇÃO DAS PLANTAS FRUTÍFERAS | 13 |
| 1.5 TIPOS DE POMARES | 15 |
| 1.6 PRINCIPAIS PROBLEMAS DA FRUTICULTURA | 16 |
| CAPÍTULO 2 PRODUÇÃO DE MUDAS | 17 |
| 2.1 VIVEIRO | 17 |
| 2.2 ESCOLHA DO LOCAL | 17 |
| 2.3 MERCADO | 19 |
| 2.4 INFRA-ESTRUTURA | 19 |
| 2.5 FORMAÇÃO DA MUDA | 19 |
| 2.6 TRANSPLANTE | 29 |
| 2.7 VIVEIRISTA | 30 |
| CAPÍTULO 3 INSTALAÇÃO DE POMARES | 31 |
| 3.1 REQUISITOS BÁSICOS | 31 |
| 3.2 CUSTO DE IMPLANTAÇÃO | 31 |
| 3.3 LOCAL PARA O CULTIVO DE FRUTÍFERAS | 3 |
| 3.4 SELEÇÃO DAS ESPÉCIES A SEREM PLANTADAS | 42 |
| 3.5 PREPARO DO SOLO PARA O PLANTIO | 43 |
| 3.6 CORREÇÃO DO SOLO | 43 |
| 3.7 AQUISIÇÃO DE MUDAS | 43 |
| 3.8 SISTEMAS DE ALINHAMENTO E MARCAÇÃO DO POMAR | 4 |
| 3.9 PLANTIO | 50 |
| CAPÍTULO 4 MANEJO DO SOLO E IRRIGAÇÃO EM POMARES | 54 |
| 4.1 INTRODUÇÃO | 54 |
| 4.2 PREPARO DO SOLO ANTES DO PLANTIO | 54 |
| 4.3 SISTEMAS DE CULTIVO DO POMAR DEPOIS DO PLANTIO DAS MUDAS | 57 |
| 4.4 RESULTADOS COM SISTEMAS DE MANEJO DO SOLO E DA COBERTURA VEGETAL EM POMARES | 64 |
| 4.5 IRRIGAÇÃO EM FRUTICULTURA | 6 |
| CAPÍTULO 5 NUTRIÇÃO E ADUBAÇÃO DE PLANTAS FRUTÍFERAS | 71 |
| 5.1 INTRODUÇÃO | 71 |
| 5.2 DISTRIBUIÇÃO DO SISTEMA RADICULAR E EXPORTAÇÃO DE NUTRIENTES | 71 |
| 5.3 AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL DAS PLANTAS | 73 |
| 5.4 ADUBAÇÃO DE PLANTAS FRUTÍFERAS | 7 |
| 5.5 COLETA DE AMOSTRA E INTERPRETAÇÃO DE ANÁLISE FOLIAR | 82 |
| CAPÍTULO 6 MORFOLOGIA E FISIOLOGIA DAS PLANTAS FRUTÍFERAS | 8 |
| 6.1 INTRODUÇÃO | 8 |
| 6.2 SISTEMA RADICULAR | 8 |
| 6.3 PARTE AÉREA | 8 |
| 6.4 FLORAÇÃO E FRUTIFICAÇÃO | 89 |
| 6.5 DESENVOLVIMENTO DA FRUTA | 90 |
| 6.6 QUEDAS FISIOLÓGICAS DAS FRUTAS | 91 |
| CAPÍTULO 7 PODA DAS PLANTAS FRUTÍFERAS | 93 |
| 7.1 INTRODUÇÃO | 93 |
SUMÁRIO 4
| 7.3 IMPORTÂNCIA DA PODA | 93 |
| 7.4 OBJETIVOS DA PODA | 93 |
| 7.5 FUNDAMENTOS DA PODA | 94 |
| 7.6 HÁBITO DE FRUTIFICAÇÃO DAS PRINCIPAIS ESPÉCIES FRUTÍFERAS | 95 |
| 7.7 MODALIDADES DE PODA | 97 |
| 7.8 SISTEMAS DE CONDUÇÃO DA PLANTA | 98 |
| 7.9 ÉPOCA DE PODA | 101 |
| 7.10 INTENSIDADE DE PODA | 102 |
| 7.1 INSTRUMENTOS DE PODA | 102 |
| CAPÍTULO 8 RALEIO | 103 |
| 8.1 INTRODUÇÃO | 103 |
| 8.2 OBJETIVOS DO RALEIO | 103 |
| 8.3 ÉPOCA DE REALIZAÇÃO DO RALEIO | 105 |
| 8.4 INTENSIDADE DO RALEIO | 105 |
| 8.5 TIPOS DE RALEIO | 109 |
| CAPÍTULO 9 FITORREGULADORES EM FRUTICULTURA | 114 |
| 9.1 INTRODUÇÃO | 114 |
| 9.2 AUXINAS | 114 |
| 9.3 GIBERELINAS | 116 |
| 9.4 CITOCININAS | 116 |
| 9.5 ÁCIDO ABSCÍSICO | 117 |
| 9.6 ETILENO | 118 |
| CAPITULO 10 PRINCIPAIS PRAGAS DAS PLANTAS FRUTÍFERAS | 121 |
| 10.1 INTRODUÇÃO | 121 |
| 10.2 PESSEGUEIRO, AMEIXEIRA E NECTARINEIRA | 122 |
| 10.3 CITROS | 128 |
| 10.4 MACIEIRA E PEREIRA | 133 |
| 10.5 VIDEIRA | 134 |
| 10.6 FIGUEIRA | 137 |
| 10.7 GOIABEIRA | 138 |
| CAPÍTULO 1 PRINCIPAIS DOENÇAS DAS PLANTAS FRUTÍFERAS | 139 |
| 1.1 INTRODUÇÃO | 139 |
| 1.2 PESSEGUEIRO, AMEIXEIRA E NECTARINEIRA | 139 |
| 1.3 CITROS | 143 |
| 1.4 MACIEIRA | 148 |
| 1.5 VIDEIRA | 153 |
| 1.6 GOIABEIRA | 155 |
| 1.7 FIGUEIRA | 157 |
| CAPÍTULO 12 COLHEITA E ARMAZENAMENTO | 158 |
| 12.1 INTRODUÇÃO | 158 |
| 12.2 PARÂMETROS PARA DETERMINAÇÃO DO PONTO DE COLHEITA | 160 |
| 12.3 COLHEITA | 163 |
| 12.4 SELEÇÃO E CLASSIFICAÇÃO | 165 |
| 12.5 ARMAZENAMENTO | 166 |
| CAPÍTULO 13 PRODUÇÃO INTEGRADA DE FRUTAS (PIF) | 169 |
| 13.1 INTRODUÇÃO | 169 |
| 13.2 PRODUÇÃO INTEGRADA DE FRUTAS (PIF) | 169 |
| 13.3 DEFINIÇÃO DA PRODUÇÃO INTEGRADA | 170 |
| 13.4 PRODUÇÃO INTEGRADA X PRODUÇÃO ORGÂNICA | 170 |

| 13.6 RASTREABILIDADE PARA FRUTAS IN NATURA E INDUSTRIALIZADAS | 173 |
| 13.7 RESULTADOS E DESAFIOS | 175 |
13.5 BENEFÍCIOS AMBIENTAIS E RESULTADOS COM A PRODUÇÃO INTEGRADA DE PESSEGUEIRO..............................................172 6
Esta obra traz informações importantes sobre o panorama da fruticultura brasileira, a classificação das plantas frutíferas, produção integrada de frutas (PIF), os tipos de pomares e os principais problemas da fruticultura no Brasil.
Apresenta informações sobre como produzir uma muda frutífera, os cuidados na instalação e no planejamento de pomares, bem como as técnicas de manejo do solo, da planta e das frutas, antes e depois da colheita; informações sobre fisiologia e reguladores vegetais.
São listadas, também, as principais doenças e pragas que ocorrem nos pomares, bem como seus respectivos métodos de controle. Ao longo do texto são apresentadas tabelas e figuras que procuram ilustrá-lo. É uma obra básica para ser utilizada por produtores, técnicos e estudantes.
CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO À FRUTICULTURA
1.1 Situação da fruticultura no Brasil
O Brasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas, com 42 milhões de toneladas produzidas de um total de 340 milhões de toneladas colhidas em todo o mundo, anualmente. Apesar deste lugar de destaque, amarga com o 12o lugar nas exportações de frutas. Deste volume total de produção, acredita-se que as perdas no mercado interno possam chegar a 40%. Contribuem com estes números o mau uso das técnicas de manejo do solo e da planta, falta de estrutura de armazenamento, logística, embalagens inadequadas e a própria desinformação do produtor.
Na América do Sul, o Chile e a Argentina são grandes produtores e exportadores de frutas frescos, ao ponto de ser um dos pilares da economia chilena, tradicional exportador de frutas de alta qualidade para o Brasil, Europa e EUA.
Pela diversidade de climas e solos, o Brasil apresenta condições ecológicas para produzir frutas de ótima qualidade e com uma variedade de espécies que passam pelas frutas tropicais, subtropicais; e temperadas. Apesar desde quadro favorável, ainda importamos volumes significativos de frutas frescas e industrializadas, como acontece com a pêra, ameixa, uva, quivi, maçã, entre outras
Na Tabela 1 é mostrada a área plantada com as principais frutíferas cultivadas no Brasil e no Rio Grande do Sul.
Tabela 1 - Área plantada das principais espécies frutíferas no Brasil e no Rio Grande do Sul, em hectares, no ano de 2006

Fonte: IBGE (2007)
A Tabela 2 dá uma dimensão do que é a área cultivada com frutas no Brasil, de acordo com o clima, onde se verifica que os maiores volumes de produção ocorrem em climas tropicais e subtropicais.
Tabela 2 - Área total produtora das principais frutas no Brasil, de acordo com o clima.
FRUTASÁREA (ha)
Tropicais 1.034.708 Subtropicais 928.552 Temperadas 135.857
Total 2.099.117 Fonte: IBGE (2007).
A citricultura brasileira é a maior do mundo e o Brasil é o maior exportador de sucos concentrados. O aumento do consumo de frutas “in natura” e de sucos naturais é uma tendência mundial que pode ser aproveitada pelo Brasil como forma de incentivar o aumento da produção e a qualidade das frutas.
No caso das frutas tropicais frescas, as barreiras impostas pelos países importadores, sob a forma de regulamentos sanitários e normas técnicas, também constituem um importante exemplo de restrições que limitam significativamente o desempenho do setor no mercado externo. Os padrões internacionais são extremamente rígidos, havendo grande preocupação com as diferentes espécies de moscas-das-frutas. Japão e EUA impõem severas restrições à importação de frutas tropicais, proibindo a entrada de produtos oriundos de áreas infestadas. O bloqueio pode ser rompido, desde que o país exportador consiga estabelecer em seu território
“áreas livres de pragas e doenças”. Este conceito consta do Art. 6° do Acordo sobre a Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias do Gatt, que prevê a concessão de acesso razoável para o membro importador, para fins de inspeção, teste e outros procedimentos relevantes.
A banana é outro exemplo típico onde o Brasil desponta como sendo o maior produtor mundial e também o maior consumidor. As bananas produzidas encontram dificuldades para competir no mercado internacional com países como o Equador. As técnicas de cultivo e o manejo das frutas, desde a colheita até o mercado, são ainda muito deficientes no Brasil, com isso a banana chega ao mercado com baixa qualidade.
O mercado internacional é altamente competitivo e exige ofertas em qualidade e quantidade. Mesmo assim, existem espaços para colocação de frutas “in natura”, particularmente na entre safra do hemisfério norte, com espécies de clima tropical, como melão, abacaxi, banana, manga, mamão, e de clima temperado, como uva, maçã, figo, morango, entre outras. Noventa por cento dos grandes mercados estão localizadas no hemisfério Norte e esta condição precisa ser melhor explorada.
Nesse contexto o Brasil tem conseguido aumentar e diversificar a oferta de frutas produzidas em clima semi-árido. Com isso vem aumentado as exportações de frutas como o melão, mamão, manga, mamão e uva. Nessa condição a videira pode produzir, em média, mais de duas safras por ano, permitindo que se tenha uvas de boa qualidade e com altos rendimentos por área em épocas que os preços no mercado internacional é mais atrativo.
Dentre as espécies de clima temperado, a maçã passou a ser um negócio altamente competitivo, pois num espaço de pouco mais de 30 anos, o Brasil passou de importador para exportador. No ano de 1970 a produção nacional representava apenas 10% do consumo, hoje são mais de 36.000ha que produzem o suficiente para atender o mercado interno e até permitir a exportação de maçãs de alta qualidade. Principalmente porque o Brasil produz as cultivares do grupo Gala e Fuji, maçãs de alta aceitação no mercado internacional.
A viticultura fica mais vulnerável ao Mercosul, uma vez que 60% da nossa produção é baseada em uvas americanas comuns e são utilizadas para produção de vinhos para atender o mercado interno. Na Argentina e no Chile estas videiras americanas são proibidas de serem plantadas.
A área cultivada com pêssego para conserva teve uma diminuição de sua área e produção, devido a problemas conjunturais e à importação de compotas com subsídios, porém a área com pêssego para o consumo “in natura” vem aumentando, desde o Rio Grande do Sul até Minas Gerais.
O negócio fruticultura, além de se preocupar com o mercado de exportação para a
Europa e Ásia, deve estar atento para o MERCOSUL, que se constitui num mercado de mais de 200 milhões de habitantes que não deve ser desprezado. O consumo de frutas no Brasil é da ordem de 57kg habitante ano-1, ao passo que na Europa o consumo supera aos 100kg habitante ano-1, ou seja, existe um grande potencial a ser atingido.
Esta atividade poderá ser explorada com sucesso nos mercado estaduais, regionais e locais. Para tanto, além das técnicas de cultivo, o setor deverá ter e formar parcerias entre produtores, pesquisa, extensão, distribuidores e o próprio consumidor, procurando-se obter frutas de boa qualidade, oferta regular, livre de resíduos de agrotóxicos e a preços competitivos. A organização dos produtores, distribuidores e exportadores poderão encurtar o caminho para que as nossas frutas possam atingir novos mercados e dar garantias ao setor.
Os exemplos dados pelos produtores de maçãs no Sul, os produtores de frutas tropicais no Vale do São Francisco e a citricultura no Estado de São Paulo são uma demonstração que as dificuldades impostas pelos importadores e o próprio mercado interno podem ser vencidas através de parcerias entre todos os setores envolvidos.
O Brasil possui condições ecológicas para produzir uma gama de frutas tropicais, subtropicais e temperadas e situações especiais que permitem que possamos produzir o ano todo. Apesar de todas estas condições favoráveis, o Brasil ainda importa várias frutas que poderiam ser produzidas aqui, entre elas se destacam a pêra, uva para mesa e passas, ameixas, quivi, cerejas e maçã na entre safra. Os nossos principais fornecedores são a Argentina, o Chile e o Uruguai.
No Rio Grande do Sul, a situação não é diferente somos tradicionais importadores de frutas de outros países e/ou estados. Mesmo no caso das plantas cítricas, o Estado só consegue atender 60% do consumo nas épocas de maior demanda e tem dificuldade de abastecer e fornecer a matéria-prima para suprir as três indústrias concentradoras de sucos nele instaladas. Portanto a área de laranjas necessitaria ser ampliada, já que os cerca de 28.000ha são insuficientes para atender a demanda. No caso da frutas tropicais, o maior volume vem de outros Estados, mesmo assim o RS possui microclimas que podem produzir mangas, bananas, maracujá, abacaxi entre outras. O Estado produz quantidade suficientes de uva para vinhos, pêssego para mesa e conserva, ameixa, maçã, figo, goiaba, e esta ampliando a área de quivi na Serra Gaúcha e plantas cítricas sem sementes na Metade Sul.
A fruticultura é uma atividade que utiliza grande quantidade de mão de obra e atende a necessidade de viabilizar as pequenas propriedades e a fixação do homem no meio rural. Para tanto, é necessário o incentivo e o estabelecimento de parcerias com os setores de produção e comercialização, envolvendo setores públicos e privados para que os produtores possam produzir para o mercado interno, buscar novos mercados e aproveitar os excedentes nas agroindústrias.
Dispõe-se de tecnologias e material genético apropriados para produzir nas diferentes condições de clima e solo do Brasil. Não bastam só as potencialidades, são necessários incentivos e políticas que permitam um planejamento a médio e longo prazo, já que os pomares necessitam de, no mínimo, 2 anos para iniciar a produção e os investimentos iniciais costumam serem elevados e o retorno só ocorre depois do 6 da implantação do pomar.
É necessário que, ao par da produção, todo o setor esteja de olhos abertos para as tendências mundiais, onde o consumidor não pode ser desconsiderado e a busca de produtos diferenciados através da produção orgânica e integrada de frutas (PIF) e que podem representar dividendos adicionais para o setor de produção e comercialização.
Em países europeus, asiáticos e mesmo nos Estados Unidos, a fruticultura se caracteriza por ser uma atividade rentável e que utiliza com vantagens a produção integrada, buscando produtos de qualidade, minimizando riscos ao homem e ao ambiente.
No Brasil, a Produção Integrada de Frutas (PIF) está sendo utilizadas por produtores de frutas de diversas regiões, principalmente naquelas áreas destinadas à exportação, como é o caso da maçã, melão, manga, uva, mamão, entre outras.
O consumo de frutas visando os aspectos funcionais e/ou nutracêuticos também é um fator que pode contribuir para a elevação do consumo e, consequentemente, o aumento das áreas plantadas de diversas frutas, inclusive frutas nativas das mais diferentes regiões do Brasil.
1.2 Importância da fruticultura
O cultivo de plantas frutíferas se caracteriza por apresentar aspectos importantes no contexto sócio-econômico de um país, tais como:
a) Utilização intensiva de mão-de-obra; b) Possibilita um grande rendimento por área, sendo por isso uma ótima alternativa para pequenas propriedades rurais; c) Possibilita o desenvolvimento de agroindústrias, tanto de pequeno quanto de grande porte; d) Contribui para a diminuição das importações; e) Possibilita aumento nas divisas com as exportações; f) As frutas são de importância fundamental como complemento alimentar, sendo fontes de vitaminas, sais minerais, proteínas e fibras indispensáveis ao bom funcionamento do organismo humano, entre outras. Na Tabela 3 é mostrado o valor nutricional das principais frutas consumidas no Brasil.
Tabela 3 - Composição de algumas frutas por 100g de parte comestível
FRUTACal.Água (g)Prot. (g)Fibra (g)Cálcio (mg)Fósf. (mg)Ferro (mg)Vit. (AUI)B2 (mg)Niacina (mg) C (mg)

Fonte: MANICA (1987)
1.3 Conceitos
A fruticultura pode ser conceituada como sendo o conjunto de técnicas e práticas aplicadas adequadamente com o objetivo de explorar plantas que produzam frutas comestíveis, comercialmente. Segundo Tamaro (1936), fruticultura é a arte de cultivar racionalmente as plantas frutíferas.
Além do conceito de fruticultura, o conceito de fruta e fruto também é variável conforme o autor. Segundo Ferreira (1993), fruta é a designação comum às frutas, pseudofrutos e infrutescências comestíveis, com sabor adocicado. Já o fruto é o órgão gerado pelos vegetais floríferos, e que conduz a semente, portanto resulta do desenvolvimento do ovário depois da fecundação. Para facilitar a leitura, no decorrer de todos os capítulos, será adotado o termo fruta.
1.4 Classificação das plantas frutíferas
A maioria dos frutos é o resultado do desenvolvimento do ovário da flor após a fecundação, originando, assim, as sementes. Algumas frutas, porém, resultam do amadurecimento do ovário mesmo sem fecundação, produzindo frutos partenocárpicos, como é o caso da banana, do abacaxi e de algumas cultivares de uvas e citros.
Na Tabela 4 são apresentadas as principais espécies frutíferas cultivadas com o respectivo nome científico, nome da família e sub-família
As plantas frutíferas podem ser classificadas de diferentes formas, as principais são quanto ao clima, hábito de vegetativo e tipo de fruto.
1.4.1 Quanto ao clima a) Frutíferas de clima temperado - as principais características apresentadas por essas plantas são: - Hábito caducifólio;
- Um único surto de crescimento;
- Necessidade de frio com temperaturas ≤ 7,2°C, para superação do estádio de repouso vegetativo; - Maior resistência às baixas temperaturas;
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