Livro de Fruticultura Geral

Livro de Fruticultura Geral

(Parte 2 de 6)

- Necessidade de temperatura média anual entre 5 e 15°C para crescimento e desenvolvimento.

As principais plantas frutíferas de clima temperado são pessegueiro, macieira, pereira, videira, ameixeira, marmeleiro, quivi, cerejeira, nogueira-pecan, entre outras.

Tabela 4 - Principais frutíferas cultivadas e nativas que produzem frutas comestíveis

Macieira Pereira Marmeleiro Nêspera-japonesa Nêspera-comum

Malus domestica Pyrus communis Cydonia oblonga Eryibotria japonesa Mespilus germanica

Rosácea Rosácea Rosácea Rosácea Rosácea

Pomoidea Pomoidea Pomoidea Pomoidea Pomoidea

Pessegueiro Nectarineira

Ameixeira japonesa Ameixeira européia Damasqueiro Amendoeira

Prunus persica Prunus persica var. Nucipersica Prunus salicina Prunus domestica Prunus armeniaca Prunus amygdalus

Rosácea

Rosácea Rosácea Rosácea Rosácea Rosácea

Prunoidea

Prunoidea Prunoidea Prunoidea Prunoidea Prunoidea

Romãzeira Punica granatum Punicácea FRUTAS EM BAGAS

Videira européia Videira americana Groselheira Quivizeiro

Vitis vinifera Vitis labrusca Ribes grossularia Actinidia deliciosa

Vitácea Vitácea

Saxifragácea Actinidácea Ribesoidea

Laranja doce Limoeiro Tangerineira Cidreira Laranja azeda Toranja

Citrus sinensis Citrus limon Citrus reticulata Citrus medica Citrus aurantium Citrus grandis

Rutácea Rutácea Rutácea Rutácea Rutácea Rutácea

Auranteoidea Auranteoidea Auranteoidea Auranteoidea Auranteoidea Auranteoidea

Framboesa Rubus spp. Rosácea Rosoidea FRUTAS COMPOSTAS

Figueira Amoreira branca Amoreira-preta

Ficus carica Morus alba Morus nigra

Morácea Morácea Morácea

Artocarpoidea

Moroidea Moroidea

Nogueira européia Nogueira americana Castanheira

Juglans regia Carya illinoensis Castanea sativa

Jungladácea Jungladácea Fagácea

Bananeira Abacaxizeiro Mangueira Mamoeiro Maracujazeiro Goiabeira Abacateiro americano Abacateiro antilhano Abacateiro guatemalense Caquizeiro

Musa spp. Ananas comosus Mangifera indica Carica papaya Passiflora edulis Psidium guajava Persea americana Persea americana Persea nubigena Diospyrus kaki

Musácea Bromeliácea Anacardiácea Caricácea Passiflorácea

Mirtácea Laurácea Laurácea Laurácea Eberácea

Quaresmeira Araticum Jabuticabeira Guabiju Cerejeira Uvalheira Pitangueira Guabirobeira Guamirim Goiabeira serrana Araçazeiro Sete capotes Amoreira Butiazeiro Ingazeiro Pinheiro brasileiro

Rollinia exalbida Rollinia regulosa Myrciaria jaboticaba Myrcianthes pungens Eugenia involucrata Eugenia uvalha Eugenia uniflora Campomanesia rhombea Myrcia bombycina Feijoa sellowiana Psidium cattleyanum Campomanesia guazumifolia Rubus spp Butia capitata Inga uruguensis Araucaria angustifolia

Anonácea Anonácea Mirtácea Mirtácea Mirtácea Mirtácea Mirtácea Mirtácea Mirtácea Mirtácea Mirtácea Mirtácea Rosácea Palmácea

Leguminosácea Araucariáceas b) Frutíferas de clima subtropical - as principais características apresentadas por essas plantas são: - Nem sempre apresentam hábito caducifólio;

- Mais de um surto de crescimento;

- Menor resistência a baixas temperaturas;

- Pouca necessidade de frio no período de inverno;

- Necessidade de temperatura média anual de 15 a 22°C. As principais frutíferas de clima subtropical são as plantas cítricas, abacateiro, caqui, jabuticaba, nespereira, entre outras. c) Frutíferas de clima tropical - as principais características apresentadas por essas plantas são: - Podem apresentar mais do que um surto de crescimento;

- Apresentam folhas persistentes;

- Não toleram temperaturas baixas;

- Necessidade de temperatura média anual entre 2 e 30°C. As principais frutíferas de clima tropical são bananeira, cajueiro, abacaxizeiro, mamoeiro, mangueira, maracujazeiro, coqueiro da bahia, entre outras.

1.4.2 Quanto ao hábito vegetativo a) Arbóreas - apresentam grande porte e tronco lenhoso. Exemplos: mangueira, abacateiro, nespereira, jaqueira e nogueira-pecan. b) Arbustivas - apresentam porte médio e caule menos resistentes. Exemplos: figueira, amoreira, mamoeiro e romãzeira. c) Trepadeiras - apresentam caule sarmentoso e provido de gavinhas. Exemplos: videira, maracujazeiro e quivi. d) Herbáceas - apresentam porte baixo, rasteiras ou com pseudo-caules. Exemplos: bananeira, morangueiro e abacaxizeiro.

1.4.3 Quanto ao tipo de fruta a) Frutas com sementes - maçã e pêra b) Frutas com caroços - pêssego e ameixa c) Frutas com sementes carnosas - romã d) Frutas em bagas - uva, groselha e quivi. e) Frutas em espirídio - citros f) Frutas agregadas - framboesa g) Frutas compostas - figo h) Frutas secas – noz pecan e pistáchio. i) Frutas tropicais e subtropicais - banana e abacaxi j) Frutas nativas comestíveis - araçá, pitanga, araticum

1.5 Tipos de pomares a) Pomares domésticos ou caseiros - são aqueles pomares que se caracterizam por apresentarem um grande número de espécies e cultivares.

b) Pomares comerciais - são aqueles formados por um pequeno número de espécies e cultivares, há um escalonamento da produção, sendo que esta pode ser destinada à industrialização ou ao consumo “in natura”.

c) Pomares experimentais - são aqueles que apresentam um grande número de espécies e cultivares.

d) Pomares didáticos - são aqueles que apresentam um grande número de espécies e variedades, onde são executadas as práticas corretas e incorretas, pois o fim único é o aprendizado.

1.6 Principais problemas da fruticultura

A fruticultura é uma atividade com características bastante regionalizadas, o que faz com que, em cada região onde ocorre predominância pelo cultivo de uma ou outra espécie, surjam problemas diferentes dos de outras regiões. Existem, no entanto, problemas principais que são geralmente comuns a todas as espécies e regiões, como, por exemplo: a) Produção de mudas de qualidade, principalmente no que se refere à falta de controle do material utilizada e fiscalização dos produtores, comerciantes, transportadores, entre outros; b) A comercialização é uma etapa muito pouco eficiente, ocorrendo muitas perdas das frutas antes de chegarem ao consumidor; c) Falta de transporte, armazenamento, assistência técnica e linhas de crédito compatíveis; d) Falta de informação e organização dos produtores, principalmente dos pequenos produtores; e) Baixa renda da população, o que faz com que o consumo per capita de frutas seja muito baixo, no Brasil; f) Plantio muitas vezes em regiões marginais (Figura 1); g) Falta de culturas adaptadas às condições locais; h) Manejo inadequado do solo e da planta; i) Elevados custos de implantação e produção; j) Condições climáticas desfavoráveis em muitas regiões produtoras.

Figura 1 – Macieira com brotação irregular devido à falta de frio no período de dormência. Foto: José Carlos Fachinello

CAPÍTULO 2 PRODUÇÃO DE MUDAS

2.1 Viveiro

Viveiro é uma área de terreno convenientemente demarcada, onde as mudas frutíferas são obtidas e conduzidas até o momento do transplante. Para algumas espécies, entre elas as plantas cítricas, em função de doenças e pragas, todo o processo de obtenção de mudas é realizado em telados a prova de insetos.

Por muda, entende-se toda a planta jovem, com sistema radicular e parte aérea, com ou sem folhas, obtida por qualquer método de propagação, utilizada para a implantação de novos pomares. No caso de mudas obtidas por enxertia, as mudas são formadas pela combinação de duas ou mais cultivares diferentes.

Muda de pé-franco, é a denominação utilizada para designar aquelas mudas obtidas, normalmente por estaquias, as quais são tem o sistema radicular e a parte aérea formadas por uma única cultivar. Em alguns estados, como em São Paulo, a denominação de pé-franco é utilizada para aquelas mudas oriundas de sementes.

2.2 Escolha do local

Para o estabelecimento do viveiro, interferem fatores econômicos, ambientais, técnicos e as preferências pessoais do viveirista. Recomenda-se não instalar viveiros no mesmo terreno por mais de 2 anos. Deve-se proceder rotação com culturas anuais ou adubação verde. Assim procedendo, obtém-se maior desenvolvimento das mudas.

A área do viveiro a ser escolhida deve considerar: - Exposição preferencialmente ao Norte;

- Isolada do pomar, observando a legislação para a cada espécie;

- Afastada de estradas públicas;

- Isenta de ervas daninhas de difícil controle;

- Evitar áreas sujeitas a geadas, principalmente no caso dos citros;

- Em terrenos de mata, proceder a destoca total, no mínimo 2 anos antes da instalação do viveiro; - Disponibilidade de água para o uso com irrigação e com tratamentos fitossanitários;

- Não usar áreas encharcadas ou áreas sujeitas à inundação;

- Preferir solos profundos e medianamente arenosos;

- Evitar áreas sujeitas a ventos constantes que podem quebrar as mudas na região da enxertia;

- Escolher solos ricos em matéria orgânica; - Terrenos isentos da infestação de nematóides;

- Não repetir o cultivo da mesma espécie pelo menos, por três anos, na mesma área;

- Preferir topografia plana ou levemente ondulada, executando-se, neste caso, práticas para a conservação do solo.

2.2.1 Condições edáficas e biológicas

Deve-se dar preferência a solos areno-argilosos, profundos, levemente ondulados ou planos, porém na maioria dos casos não se tem essa situação, devendo-se, então, utilizar os solos com as melhores condições possíveis. Os solos argilosos são geralmente de difícil mecanização e dificultam o desenvolvimento do sistema radicular das mudas, predispondo às podridões de raízes e ao excesso de manganês.

Deve-se realizar uma rigorosa escolha nas características físicas do solo, já que as químicas podem ser substancialmente modificadas.

O viveiro deve estar livre de fitonematóides nocivos, tiririca (Cyperus spp.), capim bermuda (Cynodon dactylon), pérola da terra (Eurhizococus brasiliensis) e do ataque de qualquer praga ou doença que se hospede na muda e que seja motivo de infestação em outras mudas. Uma análise microbiológica do solo ajuda na avaliação da população de fitonematóides e de outras doenças importantes para a espécie a ser explorada.

Recomenda-se o cultivo de gramíneas, tais como o milho, aveia, azevém, entre outras, antes de serem instalados os viveiros, principalmente quando no solo houver material lenhoso em decomposição. Esta prática diminui o ataque de fitonematóides e deve ser repetida por um período de dois anos. A produção das culturas deve ser incorporada na forma de adubo verde.

No caso de viveiros e pomares de macieiras, o ataque de podridões do sistema radicular causa prejuízos significativos. Dentre elas, destaca-se aquela provocada por fungos do gênero Phytophthora, que a partir de trabalhos desenvolvidos, pode ser controlada por fungos do gênero Trichoderma sp.. Estes fungos fazem o controle biológico das podridões de raiz e já possuem distribuição comercial para o produtor. Eles são utilizados por ocasião do plantio e produzem substâncias antibiológicas e enzimas que inibem o desenvolvimento do patógeno. Agem também como parasita de outros fungos, desta forma alcançam uma taxa de reprodução e crescimento mais elevada do que a do patógeno, passando a predominar no ambiente.

As plantas frutíferas liberam fitotoxinas que podem se acumular no solo, prejudicando o desenvolvimento das mudas. A nogueira libera uma fitotoxina chamada jiglone; a macieira libera floridzina; e o pessegueiro e a ameixeira prunazina e amigdalina. Estas substâncias desenvolvem efeitos alelopáticos sobre as mudas em desenvolvimento. Também devem ser evitados solos infectados com Agrobacterium tumefasciens.

O viveiro deverá ser instalado em área onde não houve pomar há pelo menos 5 anos e viveiros nos últimos 3 anos; estar distanciado pelo menos a 50 metros de qualquer pomar e, no mínimo, 5.0 metros para o caso do morangueiro.

A água deverá estar disponível em quantidade para a irrigação, quando necessária, e mesmo para realização de tratamentos fitossanitários.

2.2.2 Condições de clima 18

Os ventos podem prejudicar o desenvolvimento e quebrar as mudas na região da enxertia. Para tanto deve-se utilizar quebra-ventos para proteger as plantas dos ventos dominantes.

A temperatura limita o crescimento das mudas. Uma muda cítrica que, nas condições de São Paulo, pode ser produzida em menos de 24 meses, nas condições do Rio Grande do Sul, pode demorar até 36 meses.

2.2.3 Preparo e correção do solo do viveiro

Fazer uma aração profunda, atingindo 20-30cm de profundidade. Os corretivos devem ser baseados na análise do solo, sendo que a calagem e a aplicação de potássio e fósforo devem ser antes da instalação do viveiro. Caso houver necessidade, é possível aplicar-se quantidades de matéria orgânica com o objetivo de aumentar a disponibilidade de nitrogênio e, ao mesmo tempo, melhorar as propriedades físicas do solo.

As linhas de plantio das mudas devem ser distanciadas de 1,2 a 1,5m entre si, ou então pode-se utilizar filas duplas distanciadas de 0,6m entre si e 1,2 a 1,5m entre filas duplas. A distância entre filas pode ser modificada em função do implemento a ser utilizado. Dentro das filas as mudas ficam distanciadas em torno de 15cm.

2.3 Mercado

A muda deve ser produzida, de preferência, próximo ao local de consumo e deve considerar a existência de mão-de-obra qualificada, bem como de estradas que facilitem o acesso.

2.4 Infra-estrutura 2.4.1 Benfeitorias

Deve-se dispor de galpões para embalagem e controle do material propagado, guarda de equipamentos, defensivos e fertilizantes. Em alguns casos, também é necessário que se tenha estufas, telados, ripados, entre outros.

2.4.2 Equipamentos

Deve-se ter todos os equipamentos que possibilitem o preparo da área, tratos culturais, tratamentos fitossanitários, irrigações e embalagem das mudas.

2.5 Formação da muda

As mudas podem ser formadas a partir de sementes ou a partir de partes vegetativas, como a enxertia, a estaquia, a mergulhia, a micropropagação, entre outras.

2.5.1 Obtenção das sementes e preparo da sementeira

Na fruticultura, a utilização de sementes basicamente está restrito à obtenção de portaenxertos e ao melhoramento genético, pois, comercialmente, poucas espécies frutíferas têm suas mudas obtidas por este método.

O uso de sementes e a época de semeadura decorrem da época da maturação das frutas e do poder germinativo das mesmas. Normalmente, as sementes devem ser semeadas logo após a colheita das frutas, principalmente no caso dos citros e da nogueira-pecan. Entretanto, existem espécies que necessitam um período de repouso para germinarem (estratificação), superando-se a dormência e favorecendo a maturação fisiológica, como acontece em sementes de pessegueiro.

As sementes devem ser provenientes de plantas sadias, adultas, possuírem um bom vigor e características varietais definidas.

A semente deve ser separada da polpa logo após o coleta das frutas para evitar a sua fermentação. Na polpa das frutas existem inibidores que impedem a germinação das sementes. Por esta razão, nunca se deve fazer a semeadura de frutas inteiras.

Nas plantas cítricas, colhem-se as frutas maduras (inverno); corta-se a fruta ao meio com faca de madeira, para evitar lesões nas sementes e, em seguida, espreme-se em peneiras; lava-se com água corrente ou água de cal e seca-se à sombra, em local ventilado. Já com o pessegueiro, os caroços devem ser de cultivares de maturação tardia (Capdeboscq e Aldrighi), não podem ser cozidos e a polpa deve ser removida para evitar-se a fermentação. Para tanto, eles devem ser mantidos em locais sombreados e úmidos, com baixa temperatura <10°C, o que faz com que a maturação fisiológica seja completa.

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