projecto G10

projecto G10

Uso de vísceras de galinha na produção de ração para alevinos de tilápia de Moçambique (O. mossambicus) no Laboratório de Química da Escola Superior de Ciências Marinhas e Costeiras, Chuabo Dembe, cidade de Quelimane, província de Zambézia.

  1. Introdução

A tilápia de Moçambique consome uma grande variedade de alimentos, embora seja, predominantemente, um alimentador bentônico em material vegetal, incluindo algas filamentosas e unicelulares, ervas daninhas, plantas terrestres e detritos orgânicos. Também consome cianobactérias, invertebrados aquáticos, como larvas de insetos, pequenos crustáceos, moluscos e alimenta-se, oportunisticamente, de ovos de peixe e peixes pequenos (Webb & Maughan, 2007).

Com o avanço no conhecimento sobre nutrição de peixes e processamento de alimentos, rações mais adequadas puderam ser disponibilizadas para o setor, culminando no aumento da eficiência produtiva e crescimento da aquicultura (Hardy & Barrows, 2002).

A farinha de vísceras de aves, da mesma maneira que a farinha de peixe, é um alimento de composição bastante variável e com alta percentagem de cinzas, pois depende da proporção de penas e de outras partes, como pés, cabeças, carcaças e restos de produção de filés. A farinha de víceras possui coeficiente de digestibilidade aparente de 82,03 e 72,09%, respectivamente para a proteína e energia bruta, com valores de 47,65% de proteína digestível e 3.651 kcal/kg e energia digestível, apresentando bom potencial para ser utilizada na formulação de rações para tilápias (Meurer et al., 2003; Hardy, 1996).

Considerando que as rações representam de 40 a 60% do custo total de produção, segundo Scorvo et al. (2010), é importante conhecer todas as variáveis que podem influenciar no aproveitamento desse insumo em sistemas de produção aquícolas.

  1. Problematização e justificativa

Visto que os alevinos de tilápia têm uma exigência nutricional mais elevada em comparação com os adultos, há necessidade de se produzir uma ração rica em nutrientes que seja capaz de suprir essa exigência, sendo assim, o défice de proteínas na alimentação, assim como vitaminas essenciais para o desenvolvimento e bom funcionamento metabólico destes organismos nesta faixa etária, não irá fornecer energia suficiente para o seu crescimento e pode causar deformações fisiológicas a longo prazo. O presente projecto será realizado com a finalidade de se avaliar o desempenho produtivo de alevinos de tilápia de Moçambique (Oreochromis mossambicus) alimentadas com rações contendo níveis diferentes de farinha de vísceras de galinha, pois esta contém uma óptima quantidade de aminoácidos e vitaminas capazes de suprir as exigências nutricionais destes organismos para que tenham um bom desenvolvimento.

  1. Objectivos

    1. Geral

  • Estudar a constituição protéica das vísceras de galinha para a formulação de ração para alevinos de tilápia de Moçambique (Oreochromis mossambicus).

    1. Específicos

  • Identificar o conteúdo protéico das vísceras de galinha necessário para a tilápia de Moçambique (Oreochromis mossambicus);

  • Formular a ração a partir das vísceras de galinha;

  • Avaliar o desempenho zootécnico dos alevinos alimentados com a ração produzida.

  1. Revisão de Literatura

Maclean (1984) descreveu tilapias, apropriadamente, como “galinhas aquaticas” devido a sua habilidade de converter eficientemente uma ampla gama de material alimentar em proteina.

O. mossambicus exibe um alto grau de plasticidade, tanto fenotípicamente quanto em seu estilo de vida. Sua distribuição natural varia do sul do Quênia ao longo das regiões costeiras e continentais do sul-leste da África ao sul até o Cabo Oriental, África do Sul (Philippart & Ruwet 1982).

A tilápia, o gênero Oreochromis, está amplamente distribuída na natureza e cultivada em fazendas piscícolas devido à sua natureza resistente, taxas de crescimento rápido e tolerância à variável salinidade do ambiente (Pullin, 1991).

Segundo o Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal (2004, como citado em Silva et al., 2011), a farinha de vísceras de aves é o produto resultante da cocção, prensagem e moagem de vísceras de aves, sendo permitida a inclusão de cabeças e pés. Não deve conter penas, exceto aquelas que podem ocorrer não intencionalmente, nem resíduos de incubatório e de outras matérias estranhas à sua composição, bem como ser isento de materiais estranhos à sua composição e microrganismos patogênicos.

Os alimentos e ingredientes devem ser escolhidos e combinados de tal maneira que permitam uma formulação de ração que seja nutricionalmente equilibrada, palatável e económica. O conhecimento das informações nutricionais é importante não só para a combinação racional dos ingredientes da ração, mas também para eventuais substituições. Os possíveis factores antinutricionais dos alimentos devem ser conhecidos, obedecendo a níveis máximos de inclusão para os diferentes estágios de vida do animal (Sakomura & Rostagno, 2007).

O Quadrado de Pearson é um método simples e o mais fácil de se usar para balancear uma ração. Leva em consideração o valor relativo (percentual) de um determinado nutriente, normalmente a proteína. Nesse método, podem ser usados dois alimentos ou grupos de alimentos previamente misturados (Sakomura & Rostagno, 2007).

  1. Metodologia

O experimento será realizado no Laboratório de Química da Escola Superior de Ciências Marinhas e Costeiras (ESCMC) e terá duração de 30 dias. Serão usados 400 alevinos de tilápia de Moçambique com cinco dias de idade e peso médio de 100g.

As matérias-primas que irão constituir a ração consistem em farinha de vísceras de galinha, farelo de soja, milho e farinha de peixe contendo 45%, 12%, 11% e 42% de prteina bruta (PB), respectivamente. Usar-se-á o método de Quadrado de Pearson para o cálculo de incorporação das matérias para que a ração tenha 30% de conteúdo protéico.

Dados

Farinha de vísceras= 45% PB

Farinha de peixe= 42% PB

Farelo de soja= 12% PB

Milho= 11% PB

Obectivo= 30% PB

Resolução

Pré-mistura 1 (PM1):

f. vísceras 45%

29 partes de f. vísceras

40

milho 11%

5 partes de milho

34 partes totais de PM1 (f. vísceras + milho)

Pré-mistura 2 (PM2):

PM1 40%

13 partes de PM1

25

f. soja 12%

28 partes totais de PM2 (PM1 + f. soja)

15 partes de f. soja

Mistura final (MF):

5 partes de f. peixe

f. peixe 42%

30

12 partes de PM2 (PM1 + f. soja)

PM2 25%

17 partes totais de MF (f. peixe + PM2)

Cálculo de incorporação das matérias

100% ---- 17 partes totais de MF

X ---- 5 partes de f. de peixe

70,6% ---- 28 partes totais de PM2

X ---- 15 partes de f. de soja

32,8% ---- 34 partes totais de PM1

X ---- 5 partes de milho

Verificação:

A unidade experimental para a realização do projecto será composta por três tanques PVC de 25L contendo cerca de 130 alevinos cada um. Os tanques irão ter uma aeração constante, por meio de pedras microporosas ligadas a um soprador e serão verificadas duas vezes ao dia (de manhã e de tarde). Os parâmetros físico-químicos da água, como o pH, oxigênio dissolvido (mg/L) e a temperatura (oC) também serão monitorados diariamente.

Cerca de 5g de rações com três níveis diferentes de inclusão de farinha de vísceras de galinha serão fornecidas aos alevinos nos tanques duas vezes por dia pelo método manual, para poder se observar

se a quantidade de ração fornecida está sendo consumida adequadamente. Será fornecida uma ração contendo 20% de vísceras de galinha para o tanque 1, 40% para o tanque 2 e 60% para o tanque 3.

A farinha de vísceras de galinha será obtida de um abatedouro de frangos e deve ser composta por vísceras e partes de frangos descartadas, sem incluir as penas, enquanto a farinha de peixe será feita com resíduos de uma indústria de processamento de peixes de origem marinha.

Para a fabricação da ração, a farinha de vísceras de galinha deverá ser moída em um triturador e posteriormente misturada com os outros ingredientes secundários, previamente triturados para a mistura, até adiquirir uma aparência homogênea.

A ração produzida deverá ser do tipo extrusada; os péletes produzidos dos ingredientes serão posteriormente triturados para a obtenção do pó ou farelo. Esse método é melhor pois aumenta a digestibilidade dos ingredientes e, consequentemente da ração, visto que os alevinos apresentam um trato digestivo pequeno. Além disso, é de baixa densidade, facilitando a visualização do consumo da ração pelos peixes, já que os péletes flutuam na água.

Ao final de 30 dias, todos os indivíduos serão contados, medidos e pesados individualmente, para avaliar o peso médio final, a sobrevivência e o comprimento médio total.

  1. Resultados esperados

  • O conteúdo protéico dos ingredientes que irão compor a ração deve satisfazer a exigência alimentar dos alevinos de tilápia de Moçambique (O. mossambicus) e que estes tenham um bom desenvolvimento.

  • O método proposto de Quadrado de Pearson para a incorporação das matérias deve ser eficaz para a formulação da ração, visto que o resultado dos cálculos efectuados corresponde com o objectivo pretendido de 30% de PB.

  • Ao final de 30 dias espera-se que haja baixa taxa de mortalidade, maior tamanho e aumento na percentagem de ganho de peso em músculo para os alevinos alimentados com as rações que contenham níveis mais altos de inclusão de farinha de vísceras de galinha.

Referências Bibliográficas

-Compêndio Brasileiro de Alimentação Animal. 2004. São Paulo: Sindirações/Anfal. Campinas CBNA/SDR/MA. 298p.

-Hardy, R. W. (1996). Alternate protein sources for salmon and trout diets. Animal Feed Science Technology.

-Hardy, W. R.& Barrows, F. T. (2002). Diet formulation and manufacture. USA: Academic Press, Elsevier Science.

-Maclean, J., 1984. Tilapia - the Aquatic Chicken. ICLARM Newsletter 7(1): 17.

-Meurer, F.; Hayashi, C.; Boscolo, W. R. (2003). Digestibilidade aparente de alguns alimentos protéicos pela tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus). Revista Brasileira de Zootecnia.

-Philippart, I. C. L. & Ruwet, I. C. (1982). Ecology and distribution of tilapias. In: The biology and culture of tilapias. (eds.). ICLARM Con/. Proc. 7. Manila.

-Pullin, R. V. (1991). Cichlids in Aquaculture. In “Cichlid Fishes: Behaviour, Ecology and Evolution” Ed by MA Keenleyside, Chapman and Hall, London.

-Scorvo, J. D.; Frasca-Scorvo, C. M. D.; Alves, J. M. C.; Souza, F. R. A (2010). A tilapicultura e seus insumos, relações econômicas. Revista Brasileira de Zootecnia, v.39.

-Sakomura, N. K. & Rostagno, H. S. (2007). Métodos para formular rações e avaliar alimentos.

-Silva, E. D.; Lima, M. B.; Rabello, C. B. V.; Ludke, J. V.; Albino, L. F. T.; Sakomura, N. K. (2011); Aspectos Nutricionais de Farinhas de Vísceras de Aves e Sua Utilização em Rações de Frangos de Corte. Acta Veterinaria Brasilica, v.5.

-Webb, A. C. & Maughan, M. (2007); Pest fish profiles: Oreochromis mossambicus - Mozambique tilapia. James Cook Universityof North Queensland, Queensland.

Anexos

Fig.1: Ração do tipo extrusada

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Fig.2: Ração do tipo farelada

Fig.3: Ração do tipo peletizada

Nível de participação

Elisa Joaquim 75%

Félix Cardoso 57%

Isabela Marqueza 80%

Neto Arrota 75%

Sádia Acub 90%

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