(Parte 1 de 4)

Resumido por : Manuel Luisinho Sampanha. Quimica .UPQuelimane

SUMARIO DAS AULAS DE FILOSOFIA DE EDUCAÇÃO

Filosofia

AULAS DA TUTORIA 1

Aula 1: Introdução a filosofia

  • A problemática da filosofia de educação

  • Filosofia

É a ciência das causas supremas (finalidade, causa material, imaterial, a origem) do ente.

  • Ideologia

O conjunto de ideias ou crenças empregadas por um grupo para persuadir e controlar de modo inconsciente o comportamento de pessoas tidas como simples.

  • Educação

É atualização das potencialidades boas da pessoa em quanto pessoa.

Aula 2: cont,

  • Filosofia de Educação

E a ciência especulativamente pratica das causas supremas da educação.

  • Ciências de Educação (distinção, relação e influencias mútuas independência e complementaridade)

A formação do Homem ideal na Grécia

Esparta teve educação severa para formar guerreiros, Atenas chegou ao estágio superior –destacava-se a formação intelectual…

A sociedade grega, estratificada e sustentada por colônias, desenvolvida numa região geográfica que facilitava o comércio com o Oriente e o Ocidente, serviu de berço da cultura, da civilização e da educação ocidental (GADOTTI: 2001). Apesar da Grécia ser constituída por unidades políticas autônomas, as diferentes cidades têm em comum o idioma e a religião, além das similaridades nas instituições sociais e políticas.

Com as transformações sociais e políticas, o advento das cidades-estado (pólis) e a divisão da sociedade em classes – com base na escravidão, desenvolveu-se o comércio. A ampla produção nas artes, literatura e filosofia delineou a herança cultural no mundo ocidental. Os gregos realizaram a síntese entre educação e cultura. Na política nasceu uma nova ordem - a democracia. No entanto, na democracia grega, cidadãos eram apenas os homens livres, não incluindo os escravos, as mulheres e as crianças. Os cidadãos se dedicavam às funções teóricas, políticas e de lazer, consideradas mais dignas.

Os gregos tinham uma visão universal. As explicações predominantemente religiosas são substituídas pelo uso da razão autônoma, da inteligência crítica e pela atuação da personalidade livre, capaz de estabelecer uma leitura humana e não mais divina (ARANHA: 1998; p.41). Surgia, assim, a necessidade de formação, atingindo o nível mais avançado da educação na Antiguidade – a paideia , uma educação integral, que consistia na integração entre a cultura da sociedade e a criação individual de uma outra cultura numa influência recíproca, em seus amplos aspectos. “[...] A educação do homem integral consistia na formação do corpo pela ginástica, na da mente pela filosofia e pelas ciências, e na da moral e dos sentimentos pela música e pelas artes” (GADOTTI: 2001; p.30).

Com o advento da pólis (cidades), começam a aparecer as primeiras escolas. Porém, somente no período clássico, sobretudo em Atenas, a instituição escolar foi estabelecida. Esta instituição atendia principalmente aos jovens de famílias tradicionais da antiga nobreza ou dos comerciantes enriquecidos. A escola permanecia elitizada – o ideal de educação da época estava em consonância com os ideais e aspirações da sociedade. Para os gregos, a palavra escola – scholé – significa inicialmente ‘lugar do ócio’. “O ócio digno significa a disponibilidade de gozar o tempo livre, privilégio daqueles que não precisam se ocupar da própria subsistência” (ARANHA: 1998; p.50).

A Grécia clássica pode ser considerada o berço da pedagogia , pois, ao discutir os fins da paideia, esboçaram as primeiras linhas conscientes da ação pedagógica, influenciando por séculos a cultura ocidental. Questões como: o que é melhor ensinar? Como é melhor ensinar? Para que ensinar? enriquecem as reflexões filosóficas e marcam as tendências no mundo grego. Na história da educação grega, Luzuriaga distingue quatro períodos essenciais:

A educação heróica, cavalheiresca, representada pelos poemas homéricos.2) A educação cívica, representada por Atenas e Esparta. A educação clássica, humanista, representada por Sócrates, Platão e Aristóteles.4) A educação helenística, enciclopédica, representada pela cultura Alexandrina (LUZURIAGA: 2001; p.34).

No período da educação heróica ou cavalheiresca, visava-se à formação cortês do nobre, com base nos valores aristocráticos: força, coragem, lealdade, prudência, glória e desafio à morte. A educação, nessa fase, é aristocrática e de incumbência da família. O traço essencial é o desejo de ser superior – ‘ser o melhor e distinguir-se dos demais’ e de educar integralmente - ‘pronunciar discursos e realizar ações’. Nessa época, a educação era recebida nos palácios ou castelos dos nobres, através de preceptores e mentores. Os poemas homéricos serviram de fundamentos para a educação grega, tanto no período arcaico quanto no período clássico. Os seus textos ofereciam os temas básicos para toda a educação escolar.

Após a fase heróica, a educação de Esparta, cidade-estado importante na época, ao contrário das demais cidades gregas, continuava a valorizar as atividades guerreiras e a educação severa; voltada para a formação militar. Esse Estado é o que mais se aproxima aos Estados totalitários modernos, como o nazismo e o fascismo. “Ao contrário dos atenienses, os espartanos não são educados para os refinamentos intelectuais, nem apreciam os debates e discursos longos” (ARANHA: 1998; p.51). No entanto, além da formação militar que era predominante, ela era musical e esportiva. A educação espartana clássica estava inteiramente nas mãos do Estado. Era nas cidades espartanas que as mulheres tinham maior atenção, participando das atividades físicas. Os cuidados com o corpo tinham sua razão de ser: fortalecer as mulheres para gerar filhos robustos e sadios. Na época era recomendado abandonar as crianças deficientes e frágeis (ARANHA: 1998; LUZURIAGA: 2001).

Enquanto Esparta se deteve na fase guerreira e autoritária, Atenas chegou ao estágio superior – o da vida política democrática. Atenas é tida com a ‘escola de toda a Grécia’. Ao lado dos cuidados com a educação física, destacava-se a formação intelectual. Essa formação tinha uma razão de ser: a participação dos atenienses na vida da cidade (pólis).

A formação do homem prático-humanista: imagem ideal de Roma

se estende à formação do homem virtuoso, como ser moral, político e literário…, a educação destinada aos romanos era uma educação pela ação, para a vida, pela vida, e sem escolas, já que era exercida por professores particulares…

O império romano conquistou a Grécia e absorveu sua filosofia de educação. Os estudos eram essencialmente humanistas. Tratava-se de uma educação nacional, mas de ensino do tipo universal, humanístico, baseado em cultura alheia superior, a servir de inspiração.

De acordo com Luzuriaga (2001) e Aranha (1998), podemos dividir a história da cultura e a história da educação romana em três períodos:

  1. Realeza, referente à educação da época heróico-patrícia, do século V ao século III a.C.

A realeza, tem início na fundação de Roma e termina na queda do último rei etrusco. A educação da primeira República tinha caráter eminentemente aristocrático e somente mais tarde começaram a participar dela os plebeus. A educação destinada aos aristocráticos visava perpetuar os valores de sangue e cultura dos ancestrais. Nessa época, a influência da família era poderosa. O pai exercia a autoridade máxima. A mulher ocupava uma posição mais elevada que na Grécia, principalmente na educação dos filhos, que estava aos seus cuidados na infância. A partir dos sete anos, as meninas continuavam no lar aprendendo os serviços domésticos e os meninos, dos sete aos quinze anos, acompanhavam os pais nas festas para ouvir relatos das histórias de heróis e dos antepassados, e nas atividades de comércio. Após os dezasseis anos, eram encaminhados para uma função militar ou política, desenvolvendo então a consciência histórica, o civismo e o patriotismo.

Para Luzuriaga, a educação romana era eminentemente moral, mais que intelectual: “[...] Os ideais, tomava-os da história e dos heróis da própria pátria, e não da poesia épica, como foi na Grécia; nesses ideais se acentuava o sentido do patriotismo” (2001; p.60). Assim, a educação destinada aos romanos era uma educação pela ação, para a vida, pela vida, e sem escolas, já que era exercida por professores particulares.

2) República, época de influência helênica, do séculoIII ao século I a.C

A República, tem início com a queda do último rei etrusco. Nessa fase, os únicos a exercerem cargos políticos eram os patrícios: “[...] o poder executivo é representado por dois cônsules eleitos. O Senado, composto por membros vitalícios, é o principal órgão da República” (ARANHA: 1998; p.60).

Prevalece, então, a luta entre os patrícios e os plebeus. Com oenriquecimento de algumas camadas da plebe, principalmente as que se dedicam ao comércio, conquistam alguns direitos, dentre eles a publicação da Lei das Doze Tábuas, de grande importância para a constituição do primeiro código escrito romano. Surge, então, uma nova aristocracia, não mais determinada pelo nascimento, mas pela riqueza. Posteriormente, ocorre o expansionismo militar, “[...] ampliando consideravelmente a escravidão, que se torna uma instituição importante na evolução da economia e das relações sociais na Roma Antiga”.Os prisioneiros de guerra, assim com os plebeus endividados, eram transformados em escravos, que trabalhavam, quando instruídos, na função de preceptores.

Com o desenvolvimento do comércio, o enriquecimento de uma certa camada de plebeus e início da expansão romana tornam mais complexa a sociedade emergente, o que exige um novo modo de educar, sendo criadas escolas elementares particulares, nas quais se aprende a ler, a escrever e a contar, dos sete aos doze anos; a escola dos gramaticos, para jovens de doze a dezesseis anos, ampliando os conhecimentos literários – clássicos gregos, e os de geografia, geometria, aritmética e astronomia; e as escolas superiores – escolas de retórica, que preparavam para a vida pública, assembleias e tribunas, acentuando-se o valor jurídico-político desta sociedade. (ARANHA: 1998). Ainda de acordo com Aranha:

Por volta dos séculos III e II a.C, as incursões militares e o comércio colocam os romanos em contato com os povos helênicos e o esplendor de sua cultura. Inúmeros professores gregos ensinam sua língua, dando início à formação bilíngue dos romanos (ARANHA: 1998; p.65).

Segundo a tradição helênica, o homem livre deve ter uma educação encíclica, isto é, enciclopédica. Compreendendo a escola dos gramáticos e as escolas superiores. Diferentemente dos gramáticos, os retores, professores de retórica, são os professores mais bem pagos e respeitados.

3) Imperial, época do século I a.C ao século V da era cristã.

Nesta época, há a expansão de Roma, tanto na cultura quanto na urbanização. No processo de expansão, os grandes latifúndios se desenvolvem e se especializam, e o escravismo continua sendo a base do processo econômico.

O surgimento do cristianismo foi um fato marcante. Eles não se rendiam ao culto ao imperador, além de ter como adeptos principais os pobres e escravos.

A educação nesta fase não é muito diferente da oferecida na fase anterior, a não ser por sua organização. A educação deixa de ser assunto particular, privado, para converter-se em educação pública. Crescente é a intervenção do Estado nos assuntos educacionais, devido ao crescimento da máquina burocrática para a administração do Império, estimulando a criação de escolas municipais em todo o Império.

As escolas romanas foram veículos de universalização de sua cultura. Alguns benefícios foram concedidos aos professores do ensino médio e superior, um deles a isenção no pagamento de impostos; e para estudantes, de bolsas sob forma de ‘instituições alimentícias’. Inúmeras bibliotecas foram criadas e os romanos se apropriavam dos manuscritos nas regiões conquistadas. Continuavam florescendo o Museu de Alexandria, o Círculo de Pentágono e a Universidade de Atenas.

O Império Romano, com uma máquina burocrática poderosa, necessitava de escolas que preparassem administradores. A educação romana era utilitarista e militarista, organizada pela disciplina e justiça. A orientação educacional se adequou ao modelo da elite dirigente.

A cultura universalizada pode ser expressa na palavra humanitas – no sentido literal de humanidade e, mais propriamente, de educação, cultura de espírito – equivalente à paideia grega. Distingui-se desta, no entanto, por se tratar de uma cultura predominantemente humanística e, sobretudo, cosmopolita e universal, buscando aquilo que caracteriza o homem, em todos os tempos e lugares [...] se estende à formação do homem virtuoso, como ser moral, político e literário (ARANHA: 1998; p.62).

A formação do homem de fé: imagem ideal da Europa medieval

ensino baseada no caráter religioso e não pedagógico, de preparação para a vida ultraterrena e para o batismo …A educação nada mais é que um meio para atingir o ideal da verdade e do bem, superando as tentações do pecado..

Mil anos é o período que perdurou a Idade Média, desde a queda do Império Romano (476) até a tomada de Constantinopla (1453), marco que determina o limite da influência da cultura greco-romana. Com a insegurança provocada pelas invasões bárbaras e a expansão mulçumana, há o despovoamento das cidades, culminando com o processo de ruralização. Uma nova ordem se estabelece sob a égide de suserania e vassalagem. O Rei tem o poder enfraquecido com a divisão dos territórios. No alto da pirâmide, estão a nobreza e o clero. A condição social dos homens é determinada pela sua relação com a terra, por isso a nobreza e o clero (proprietários de terra) têm poder e liberdade. Do outro lado, estão os servos, que são obrigados a prestar serviços para os detentores da terra.

O cristianismo surge, nesse contexto, como elemento agregador. Uma nova força espiritual se sucedeu à cultura antiga, preservando-a, mas submetendo-a a seu crivo ideológico – a igreja cristã. Com o aparecimento do cristianismo, muda o rumo da história ocidental. No que tange à educação, o significado do cristianismo historicamente, pode reduzir-se:

  1. Reconhecimento do valor do indivíduo como obra da divindade;

  2. Superação dos limites de nação e Estado e criação da consciência universal humana;

  3. Fundamentação das relações humanas no amor e na caridade;

  4. Igualdade essencial de todos os homens, seja qual for a posição econômica ou classe social;

  5. Valorização da vida emotiva e sentimental sobre a puramente intelectual;

  6. Consideração da família como a mais imediata comunidade pessoal e educativa;

  7. Desvalorização da vida terrena presente ante o além e, portanto, subordinação da educação à vida futura;

  8. Reconhecimento da igreja como órgão de fé cristã e, logo, como orientadora da educação (LUZURIAGA: 2001; p. 70).

A educação cristã, desde os primeiros tempos, realizou-se direta e pessoalmente. Os educadores foram o próprio Jesus, os apóstolos, os evangelistas e os seus discípulos. É uma educação sem escolas, como foram as religiões em seus primeiros tempos: judaica, budista. Nesse contexto, surge pouco a pouco uma forma de ensino baseada no caráter religioso e não pedagógico, de preparação para a vida ultraterrena e para o batismo. Anuncia-se então a instrumentação catequista e a instrução fica por conta dos didáscalos .

Posteriormente, surgem as escolas propriamente ditas, que tinham a seu cargo os sacerdotes. Assim, há a necessidade de contar com professores preparados para esse novo modelo de educação, no qual emergem as escolas de catequistas, a escola episcopal e a escola paroquial ou presbiterial. O horizonte dessas escolas era limitado – formação de eclesiásticos. A maioria da população ficava sem instrução. A minoria que conseguia ter acesso à educação era através dos mosteiros, únicos mantenedores da educação e da cultura: “[...] toda essa educação, como a anterior, continuava reservada a certa minoria; naquela, de eclesiásticos; nesta, de monges” (LUZURIAGA: 2001; p.73).

Ao lado do clero, a nobreza realizava sua própria educação: seu ideal era o perfeito cavaleiro com formação musical e guerreira. As classes trabalhadoras nascentes não tinham senão a educação oral, transmitida de pai para filho. As mulheres, consideradas pecadoras pela Igreja, só poderiam ter educação se fossem ‘vocacionadas’ para ingressar nos conventos femininos. A Igreja não considerava a educação física, pois considerava o corpo pecaminoso. Os estudos medievais têm como base o estudo clássico das sete artes liberais, cujas disciplinas começam a ser delineadas desde os tempos dos sofistas gregos. Os conteúdos de ensino compreendiam: o trivium e o quadrivium. “No trivium constam as disciplinas de gramática, retórica e dialética, correspondentes ao ensino médio. A Igreja cristã exerce não só o controle da educação, como também a fundamentação dos princípios morais, políticos e jurídicos da sociedade medieval. Através da adaptação do pensamento grego ao novo modelo de homem – cristão, impõe uma sistematização, conhecida como filosofia cristã, caracterizada, segundo Aranha (1998), por dois grandes períodos:

  1. Patrística

A Patrística, filosofia dos padres da Igreja, do século II até o V; caracteriza-se pela defesa da fé e conversão dos não-cristãos. Conciliou a fé cristã com as doutrinas greco-romanas e difundiu as escolas catequéticas por todo Império. Os copistas, monges, reproduziam as obras clássicas nos conventos. A partir de Constantino (século IV), o Império adotou o cristianismo como religião oficial, surgindo um novo tipo histórico de educação, uma nova visão de mundo e da vida.

  1. Escolástica

A Escolástica, filosofia das escolas cristãs ou dos doutores da Igreja, do século IX até o XIV, é a mais alta expressão da filosofia cristã medieval. Chama-se Escolástica por ser uma filosofia ensinada nas escolas.

Essa perspectiva visava conter as heresias, não apenas impondo a crença, mas utilizando o trabalho da argumentação, sustentado nos fundamentos Aristotélicos, sobretudo o silogismo, submetendo então a razão à fé. No apogeu da Escolástica, o principal expoente foi São Tomás de Aquino, que continuou a divulgar e comentar a obra de Aristóteles, adaptando-a à verdade revelada, que é Deus. A educação nada mais é que um meio para atingir o ideal da verdade e do bem, superando as tentações do pecado. A ideia do princípio ordenador do mundo é o cerne do pensamento tomista.

A formação do homem que se torna humano: imagem-ideal da Renascença

Educar torna-se questão de moda e uma exigência, segundo a nova concepção de homem …uma educação que permita formar o homem de negócios e ao mesmo tempo formar o homem culto, conhecedor das letras greco-latinas

Com a Renascença começa, no século XV, uma nova fase na constituição da educação moderna. A Renascença leva esse nome por representar a retomada dos valores greco-romanos, que “[...] é antes de tudo criação, geração de algo novo. [....] A Renascença rompe com a visão ascética e triste da vida, característica da Idade Média, e dá lugar a uma nova concepção humana, risonha, prazerosa e prazenteira da existência” (LUZURIAGA: 2001; p.93). O movimento gerado nesta época, conhecido como humanismo , buscava formar uma nova imagem do homem e da cultura, em contraposição às concepções dominantes na Idade Média.

O olhar do homem desvia-se do céu para a terra. Com a descoberta de Nicolau Copérnico, da teoria heliocêntrica, que contrapõe à visão teocêntrica elaborada na Idade Média, uma nova imagem de mundo é construída.

O Renascimento está ligado a alguns fatores como: as grandes navegações do século XIV, que deram origem ao capitalismo comercial; a invenção da imprensa, realizada por Gutenberg, que difundiu o saber e a revolta; a invenção da bússola, que propiciou as grandes navegações e as descobertas de novos territórios. A Revolução Comercial foi fundamental para a ascensão da burguesia, consolidando os Estados Nacionais e fortalecendo as monarquias absolutistas.

O espírito inovador se manifestou também na religião, através da Reforma Protestante, iniciada por Matinho Lutero, filho de mineiro, no século XVI, com críticas à estrutura autoritária da Igreja, centrada no poder do Papa. Desde o século XII, muitas heresias se disseminavam pela Europa, momento em que é organizada a Inquisição, através do Concílio de Trento, que criou o Index Librorum Prohibitorium (índice de Livros Proibidos), e da Companhia de Jesus, como instrumento de combate aos desvios da fé, que se tornou mais atuante na Contra-Reforma, século XVI, momento em que a Igreja Católica reage prontamente, defendendo seus ideais e combatendo o protestantismo. A educação desenvolvida pelos protestantes sofreu ainda a influência de Calvino, seu representante em Genebra.

Vale ressaltar que a educação pública destinava-se em primeiro lugar às classes superiores burguesas e, de forma secundária, às classes populares, às quais deveria ser ensinada, especialmente, a doutrina cristã reformada.

Em relação à educação proposta pelos jesuítas, organizaram, para orientar suas práticas, o Ratio Institutio Studiorum, publicado em 1599 pelo padre Arquaviva, que continha os planos, programas e métodos da educação católica. No contexto turbulento que marca a renascença, a educação procura bases naturais, não-religiosas, a fim de se tornar instrumento adequado para a difusão dos valores burgueses. A educação renascentista centrou-se na formação do homem burguês, não chegando às massas populares, “[...] Caracterizava-se pelo elitismo, pelo aristocratismo e pelo individualismo liberal. Atingia, principalmente, o clero, a nobreza e a burguesia nascente” (ARANHA: 1998; p.62). Para o povo sobrou apenas o ensino da religião cristã.

Embora seja grande a produção intelectual na Renascença, ainda não há propriamente uma filosofia da educação como sistema de pensamento coerente e organizado [...]. O que há são muitos esboços sobre teoria da educação (ARANHA: 1998; p. 88).

Os principais educadores renascentistas foram:

(Parte 1 de 4)

Comentários