trabalho didatica

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Resumo

O currículo esta implicado em relações de poder,

o currículo transmite visões sociais particulares e interessadas,

o currículo produz identidades individuais e sociais particulares.”

(MOREIRA e SILVA)

Em sua criação o currículo tinha o intuito de trazer as sala de aula e aos alunos padrões éticos da sociedade de sua época, formando assim pessoas em sua excelência de moralidade exigidas de um homem, para um “controle social”. Essas medidas porem, com o passar dos anos já não eram satisfatória, exigindo assim, mudanças das visões de como trabalhar o currículo, nasce aí o currículo como ciência.

Esse inclui as ciências sociais como parâmetro para o ensino do currículo, visando assim o tratamento das diferentes classes, com essas mudanças o currículo não tinha mas só objetivo didático mas ideológico. Ele deveria transmitir as ideias sociais vista pela classe dominante, disseminando assim a ideia de poder e hierarquia dentro da sala de aula.

Em ensino de historia e currículo, Geraldo Balduíno Horn, descontrói essa visão citada por Moreira e Silva, expondo principalmente no currículo trabalhado na disciplina de historia. Ele incita o dever do professor em criticar o currículo e transpô-lo a sala de aula mediante a situação social do aluno, trabalhando o conteúdo didático, despertando o senso critico no aluno e a sua visão para questões sociais e políticas. Geraldo cita também, as formas de trabalhar esses conteúdos, colocando exemplo os estudos de Marx e autores marxistas que tratam sobre o desenvolvimento histórico.

Os autores citados, trazem em seus textos afinidades como, a influência do poder no currículo, e como ele deve ser trabalhado na escola.

Introdução

Ao analisarmos a educação observamos que a divisão da “grade curricular” (nome dado ao conjunto de matérias que compõe o ensino), tem a função do melhor entendimento do aluno para a respectiva matéria.

Partindo disso entendemos que, o currículo tem o intuito pedagógico de estabelecer padrões de ensino a ser trabalhado em sala de aula. Por anos estes padrões tratavam de ideais sobre moralidade e ética compatíveis a sociedade da época, a fim de desenvolver no aluno esse senso cívil, e ensinar-lhe as principais características de um “bom adulto”. Apesar dos intuitos sociais se valerem com sua época, as divisões de classe não contribuíam para uma aceitação genuína desse currículo, é preciso mais.

Tratando-se do estudo história, é interessante entender o surgimento do currículo, seus propósitos e ideologias para assim, desempenha-lo com competência em sala de aula. Entendermos seus aspectos, pontos positivos e negativos.

Como professor, é interessante pensarmos se vale a pena seguirmos a proposta curricular ao “pé da letra”. Se tais proposta são compatíveis ao contexto cultural e social do aluno. E se a ideologia pregada neste currículo influenciaria de forma positiva ou negativa no contexto social ou familiar que esse aluno vive.

Conhecer esses aspectos trazem mais sentidos ao “ensinar historia”, e auxiliar na construção passado presente para melhor entendimento do aluno.

Com isso apresentaremos a seguir as intenções curriculares vista de um ângulo pedagógico sua apropriação por determinadas classes, as abordagens em sala de aula, sua transformação em ciência e sua utilização no estudo histórico, bem como as formas de pensar esse ensino e como leva-lo a sala de aula.

1Surgimento do currículo

Hoje o currículo não é mais visto como uma questão técnica e sim, construído levando em consideração questões sociológicas, políticas e epistemológicas. Lembrando que essas diferentes formas de abordagem só é possível considerá-las, se entendermos seu sentido, seus meios e seus fins, na construção do conhecimento didático.

Ao pensarmos em currículo, os autores dizem, o mesmo currículo, como sendo um artefato social e cultural. É um produto manipulado, passível de críticas, se analisarmos em uma perspectiva social, histórica, de relações de poder. Ou seja, ao analisarmos o contexto histórico é possível identificarmos as diferentes formas de poder e ideologias. Reforçando essa ideia o currículo é produto de uma determinada época.

1.1 As origens no campo nos Estados Unidos

O currículo sempre foi alvo de discussão “mesmo antes de se tornar um objeto de estudo de uma especialização do conhecimento pedagógico”. (MOREIRA e SILVA)

Porém mesmo havendo muitos especialistas interessados no currículo. Foi no final do século XIX e começo do XX, onde essa temática começou a ganhar destaque. Havendo uma grande produção da parte de especialistas norte-americanos preocupados em problematizar esse novo campo da educação.

O objetivo desses teóricos eram organizar a escola e os métodos pedagógicos de uma forma cientifica. Evitando a dispersão do aluno, e sua vida cotidiana.

o sucesso na vida profissional passou a requerer evidencias de mérito escolar...” (MOREIRA E SILVA pág. 10.)

Já hoje o currículo pelo menos pensando como um problema social, leva-se em consideração ao contexto social e econômico em que cada aluno está inserido, é desejável ou se espera isso do educador.

1.2 O contexto americano na virada do século

Todas essas mudanças no entender currículo aconteceram em um Estados Unidos pós-guerra Civil. Onde houve a quebra de monopólios, em um contexto que foi preciso entregar mais pessoas nos processos produtivo industrial. Visando a socialização desses sujeitos, com o predomínio da industrialização a vida rural passou a perder suas características. E com as muitas imigrações de diferentes povos da Europa. Foi preciso reformular e dar atenção ao currículo.

A escola passou a ser considerada a instituição fundamental e principal para á socialização desses sujeitos. Para se adaptarem as “novas transformações econômicas, sociais e culturais.

1.3 As primeiras tendências

Os autores vão dizer não só a fase inicial do currículo, mas também o seu discorrer (currículo). Citando alguns pesquisadores como Klielard, dizendo em construir ou elaborar um currículo visando os interesses dos alunos ou também, um currículo visando a fase adulta (como as escolas técnicas) essas tendência irão influenciar até mesmo o Brasil. Essas mudanças tiveram como personagem principal. John Dewey (1859-1952O filósofo norte americano influenciou a elite brasileira com o movimento da Escola Nova). Para John Dewey a Educação, é uma necessidade social. Por causa dessa necessidade as pessoas devem ser aperfeiçoadas para que se afirme o prosseguimento social, assim sendo, possam dar prosseguimento às suas ideias e conhecimentos.

Dewey e Kilpatrick, que defendia um currículo voltado para valorização dos interesses dos alunos e no Brasil, ficaram conhecidas como escolanovismo.  A segunda foi proposta por Bobbit e defendia a construção científica de um currículo voltado ao desenvolvimento dos aspectos desejáveis da personalidade humana e ficou conhecido no Brasil por tecnicismo.

Escolanovismo e tecnismo representam a adaptação de um currículo que sofriam grandes transformações econômicas, sociais e culturais e se adaptando ao sistema Capitalista. Esse tipo de currículo que dialogava com os modos de produção capitalista e influenciado pela ideia tradicional de currículo, prevaleceu nos anos vinte até o final da década de sessenta.

1.4 O desenvolvimento posterior

Os americanos no final dos anos 50 propuseram uma reforma no currículo da escola. Nas suas disciplinas em geral, para isso contaram com o apoio do governo federal. “Novos programas, materiais, estratégias e propostas de treinamento” de professores foram elaborados e implementado. O objetivo era a valorização individual de cada disciplina curricular.

o campo do currículo tem sido associado, tanto em suas origens, como seu posterior desenvolvimento, ás categorias de controle social eficiência social, consideradas uteis para desvelar os interesses subjacentes à teoria e a prática emergentes.”(MOREIRA E SILVA pág. 11.)

Essa nova estrutura curricular gerou muitas críticas e toda essa imposição nos currículos e obrigações tradicionais e ideológicas, manifestou-se uma contra cultura. Voltada aos prazeres sexuais liberdade sexual, gratificação imediata, uso de drogas etc.

Após essas ondas turbulentas, o pensamento conservador passou a retomar seu lugar. Aí veio diferentes correntes de ideias liberais nas escolas, isso após a vitória de Nixon. Onde não se questionavam mais o sistema capitalista.

1.5 A emergência de uma nova tendência

Pode-se observar 1973 como um marco, nesse ano juntou um grande número de teóricos especialistas em currículo. O congresso aconteceu na Universidade de Rochester, com fins em reformular o entendimento e desenvolvimento do currículo. Todos eles criticavam o caráter dominante do currículo, ou seja, a ideologia dominante nos currículos.

Apontando as falhas desse currículo: “caráter instrumental, apolítico e teórico”. Destacavam que a compreensão do currículo é cultural não natural. A intenção era repensar o currículo como um produto humano. E tentar identificar a ideologia nele presente, que impedia os diferentes sujeitos e classes sociais a exercerem um exercício visando a liberdade do individuo.

Nessa conferência duas linhas ficaram evidentes: a primeira associada as Universidades de Wiscosin e Columbia, embasada nas teorias neomarxista e teoria da crítica. A segunda embasada à tradição humanista e hermenêutica, vista na Universidade de Ohio.

Com o passar dos anos novas tendências ajudaram a complementar o currículo. Os Conceitualistas influenciados pelos neomarxistas, responsável nos Estados Unidos pelo que se denominou Sociologia do Currículo, voltado a análise do currículo e as relações sociais, a propósito dentro dessa análise estão as relações culturais, política, ideológica e de poder. Voltadas sempre a olhar aos oprimidos, esse quesito analisa o currículo teórico, prático e as relações oculta responsáveis por reproduzir desigualdades sociais. Visando uma prática pedagógica libertadora.

Uma nova sociologia da educação floresceu e estabeleceu como seu principal objeto de estudo o currículo escolar, aproximando-se, assim, da sociologia do conhecimento” (MOREIRA E SILVA pág. 19)

Esse conhecimento agora começa a ser repartido com a sociedade por meio do currículo escolar, através da sala de aula.

2 Os fundamentos do currículo

Após todas as a discussões e revalidações do currículo, chegou-se a conclusão de que não haveria currículo sem uma analise social e histórica.

A teoria curricular não pode mais, depois disso, se preocupar apenas com organização do conhecimento escolar, nem pode encarar de modo ingênuo o não-problemático o conhecimento recebido.” (Moreira e Silva pag. 21)

O currículo não pode ser imposto como verdade absoluta sobre a instituição para validar um poder, antes deve ser cercado de das características sociais e históricas, e são essas características que devem e são sempre contestadas na sociedade. Segundo o autor elas conhecidas em um mapeamento de três eixos: ideologia, cultura e poder.

2.1 Ideologia

A ideologia é o mais importante conceito na organização escolar, principalmente do currículo. Afinal é ela quem influencia os padrões, e a escola influencia as massas, logo a ideologia seria um importante dispositivo para levar as ideias da classe dominante. Essas ideias se propagariam através da escola para diferentes classes afim de dar uma visão apropriada as classes destinadas a subordinação.

Essa transmissão diferencial seria garantida pelo fato de que as crianças das diferentes classes sociais saem da escola com diferentes pontos da carreira escolar: os que saem antes “aprenderiam” as atitudes e valores próprios das classes subalternas, os que fossem ate o fim seriam socializados no modo de ver o mundo das classes dominantes.” (Moreira e Silva pag 22)

Segundo Althusser, essas ideias bem valiam em todas as matérias, completamente explicita nos conteúdos sociais e políticos como: Historia Educação Moral e Sociologia. Porém elas também entrariam de forma mais sutil em matérias como Matemática e Literatura.

Essas ideias foram questionadas, por considerarem que sua visão de ideologia era um tanto quanto utópica, considerando algumas farsas nessa “ideologia”, entre discussões sobre a ideologia falsa ou verdadeira, chegasse ao consenso de que “toda noção ideologia tem como poder o interesse”. Porém a questão central é a ideologia em questão da divisão de sociedade e qual poder sustenta essa divisão. Logo uma ideologia independente de ser falsa ou verdadeira, seu intuito é transmitir a visão social de um grupo interessado, e sempre em vantagem de posição social. Para esses grupos legitimar suas vantagens e justifica-las é a maior intenção dentro do currículo, para que seja aceita e siga em continuidade.

A pergunta correta não é saber se as ideias veiculadas pela ideologia correspondem a realidade ou não, mas saber a quem beneficiam.”

(Moreira e Silva pag 24)

Na construção do currículo desde suas primeiras tentativas podemos ver a ideologia sendo uma imposição de da dominação e ideias da sociedade e do mundo. Sendo assim, ela, é uma apropriação da cultura pertencente ao senso comum e imposta nas escolas. Logo essa ideologia não é uma resistência aos padrões de direção da sua construção.

Porém em suas mudanças e “refinamento”, a ideologia, segue resistindo as imposições e sendo moldada de acordo a classe que a utiliza. De meramente uma ilustração nos livros didáticos a ideologia torna-se pratica nos ritos da sociedade. Logo a ideologia como papel importante na construção do currículo tem por si próprio a critica e deve ser criticada, afim de sempre encontrarmos e sentido devido para sua utilização.

2.2 Cultura

O currículo em sua reformulação na década de 70, nada mais é que, a planejamento curricular para transmitir a cultura, essencialmente na matéria de humanas. Porém apesar de o currículo e a educação estarem inteiramente ligados o currículo é visto como político.

De acordo com a critica a cultura não tem uma transmissão de valores, ou seus valores são pouco representativos, porém com quando inserida no currículo, que representa a são política, flui como uma via de produção em tempo real.

O autor cita sobre a “tradição critica”, que a cultura como algo estático que apenas transmite algo produzido em outro local. Porém a educação e o currículo não trabalham nessa visão. “... mas são partes integrantes e ativas de um processo de produção e criação de sentidos, de significações, de sujeitos.” (Moreira e Silva pag 27), logo a currículo em tem a cultura construída, e a cultura em construção com uma só, em constate movimento.

Apesar de claras essas ideias a cultura não é vista assim, a discussão levantada é, pelo fato de não termos uma cultura homogenia, a cultura como ensino se torna um empasse ou como se refere o autor um “terreno de luta”.

Na perspectiva de cultura como a manifestação das classes sociais, e o currículo com campo desse debate e também forma de transmissão, o currículo perde sua tradição de verdade absoluta e passa a ser o contestador da cultura e também reprodutor dela.

O currículo é, assim, um terreno de produção e de politica cultural, no qual os materiais existentes funcionam como matéria-prima de criação, recriação e sobre tudo, de contestação e transgressão.” (Moreira e silva pag 28)

Neste caso o currículonão é algo que deve ser passado indubitavelmente e recebido passivamente, mas sim, um conjunto de informações a ser explorado e readequando afim de atender as necessidades da educação.

2.2 Poder

O poder se manifesta em relações de poder, isto é, em relações em que certos indivíduos ou grupos estão submetidos a vontade e ao arbítrio de outros.” (Moreira e Silva pag.29)

Visto dessa forma o poder esta inserido, em todas as classes gêneros, etnias e etc. Sendo assim o poder esta inserido no currículo vemos isso na sua ideologia e cultura, tudo resulta de um poder constituinte, e mesmo em suas praticas de visar todo o conteúdo social ele reforça essa relação de poder.

É fato de que o currículo é a expressão das relações de poder, não caracteriza qual, ou, quais poderes, cabe ao professor fazer essa analise e reconhecer esses poderes e o que seva a sua legitimação através do currículo, e ate que influencia ele tem sobre a hierarquia escolar, e situações cotidianas.

A identificação do poder tem como objetivo, a analise de sua característica para quevalores sejam revistos e que aja uma luta para um transformação desse poder, afim de que haver uma compressão dos alunos referentes as lutas de classe, etc.

3 O currículo e o ensino de historia

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