Pedagogias em educação musical

Pedagogias em educação musical

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Esta obra reúne de forma inédita ensaios sobre o trabalho de dez grandes pedagogos musicais, sendo leitura fundamental para quem deseja, de fato, compreender as concepções de educação musical que temos na atualidade.

De ponta a ponta, seja no Brasil, seja na América Latina ou pelo mundo afora, essas pedagogias fazem parte dos currículos de educação musical das principais instituições de formação docente e de milhares de escolas de ensino básico e conservatórios.

Há imenso valor histórico, sociológico, educacional, filosófico e psicológico nas ideias desses clássicos. Conhecer seu legado pedagógico implica entender as múltiplas formas de pensar e atuar no ensino de música. Afinal, essas pedagogias constituem parte da história e dos fundamentos da educação musical e conhecê-las é também um modo de compreender melhor a nossa educação.

Textos de:

Maura Penna Silvana Mariani Walênia Marília Silva Enny Parejo Melita Bona Vânia Malagutti Fialho Juciane Araldi Beatriz Ilari Jusamara Souza Teresa Mateiro

Marisa Trench de Oliveira Fonterrada

Graça Boal Palheiros Luís Bourscheidt

Teresa Mateiro

Beatriz Ilari (Org.)

Esta obra reúne de forma inédita ensaios sobre o trabalho de dez grandes pedagogos musicais:

Émile Jaques-Dalcroze

Zoltán Kodály Edgar Willems

Carl Orff

Maurice Martenot

Shinichi Suzuki

Gertrud Meyer-Denkmann

John Paynter

Raymond Murray Schafer Jos Wuytack

Pedagogias em educação musical

Teresa Mateiro Beatriz Ilari (Org.)

Pedagogias em educação musical

Émile Jaques-Dalcroze

Zoltán Kodály Edgar Willems

Carl Orff

Maurice Martenot

Shinichi Suzuki

Gertrud Meyer-Denkmann

John Paynter

Raymond Murray Schafer Jos Wuytack

1ª edição, 2012. Foi feito o depósito legal. Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores a emissão de conceitos.

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Editora InterSaberes.

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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Pedagogias em educação musical [livro eletrônico] / Teresa Mateiro, Beatriz Ilari, (Org.). – Curitiba: InterSaberes, 2012. – (Série Educação Musical). 2 MB / PDF.

Vários autores. Bibliografia. ISBN 978-85-65704-39-7

1. Música – Estudo e ensino 2. Música na educação 3. Música na educação – Aspectos psicológicos 4. Pedagogia I. Mateiro, Teresa. I. Ilari, Beatriz. II. Série.

12–06374 CDD-371.9

Índices para catálogo sistemático: 1. Música: Educação371.9

Conselho editorial Dr. Ivo José Both (presidente); Drª. Elena Godoy;

Dr. Nelson Luís Dias; Dr. Ulf Gregor Baranow.

Editor-chefe Lindsay Azambuja Editor-assistente Ariadne Nunes Wenger Editor de arte Raphael Bernadelli Preparação de originais Eliane Felisbino Revisão de texto Cristiane Marthendal de Oliveira Capa e diagramação Regiane Rosa Projeto gráfico Bruno Palma e Silva; Regiane Rosa Iconografia Danielle Scholtz Ilustrações Marcelo Lopes

Av. Vicente Machado, 317 . 14º andar Centro . CEP 80420-010 . Curitiba . PR . Brasil Fone: (41) 2103-7306 w.editoraintersaberes.com.br editora@editoraintersaberes.com.br

Sumário

Apresentação, 9 Introdução, por Maura Penna, 13

Capítulo 1 ~ Émile Jaques-Dalcroze A música e o movimento, por Silvana Mariani, 25

Ideias, 27 1.1 Transformação na pedagogia musical no limiar do século X, 27 Vida e obra, 34 1.2 A música como meio para uma experiência poética do corpo, 34 Proposta pedagógica, 39 1.3 Compreensão musical através da interação mente-corpo, 39 Sala de aula, 46 1.4 O corpo que vive, expressa e se desenvolve, 46

Capítulo 2 ~ Zoltán Kodály Alfabetização e habilidades musicais, por Walênia Marília Silva, 5

Ideias, 57 2.1 Filosofia e concepções, 57 Vida e obra, 63 2.2 Trajetórias na música, 63 Proposta pedagógica, 68 2.3 Materiais, conteúdos e habilidades, 68 Sala de aula, 81 2.4 Kodály na sala de aula brasileira, 81

Capítulo 3 ~ Edgar Willems Um pioneiro da educação musical, por Enny Parejo, 89

Ideias, 91 3.1 Um momento histórico especial, 91 Vida e obra, 9 3.2 Uma vida de estudos, 9 Proposta pedagógica, 103 3.3 O método Edgar Willems em ação, 103 Sala de aula, 114 3.4 Um dia na iniciação musical Willems, 114

Capítulo 4 ~ Carl Orff Um compositor em cena, por Melita Bona, 125

Ideias, 127 4.1 Palco e bastidores, 127 Vida e obra, 131 4.2 Caminhos percorridos, 131 Proposta pedagógica, 138 4.3 Obra escolar: sons e palavras em movimento, 138 Sala de aula, 149 4.4 Práticas de música elementar, 149

Capítulo 5 ~ Maurice Martenot Educando com e para a música, por Vania Malagutti Fialho e Juciane Araldi, 157

Ideias, 159 5.1 Música, corpo e alma, 159 Vida e obra, 165 5.2 Martenot: músico, inventor, pedagogo musical, 165 Proposta pedagógica, 169 5.3 Aprender a pensar musicalmente, 169 Sala de aula, 177 5.4 Exemplos práticos de jogos e atividades, 177

Capítulo 6 ~ Shinichi Suzuki A educação do talento, por Beatriz Ilari, 185

Ideias, 187 6.1 A Educação do talento: questionando ideias vigentes, 187 Vida e obra, 193 6.2 De estudante dedicado a educador, 193 Proposta pedagógica, 196 6.3 Origens culturais e filosóficas, 196 Sala de aula, 206 6.4 Integrando o individual e o coletivo, 206

Capítulo 7 ~ Gertrud Meyer-Denkmann Uma educadora musical na Alemanha pós-Orff, por Jusamara Souza, 219

Ideias, 221 7.1 O contexto da educação musical na Alemanha nos anos 1960 e 1970, 221 Vida e obra, 226 7.2 Pedagoga, musicóloga e intérprete, 226 Proposta pedagógica, 230 7.3 Fundamentos, teses e aspectos característicos, 230 Sala de aula, 235 7.4 Experimentos e experiências musicais, 235

Capítulo 8 ~ John Paynter A música criativa nas escolas, por Teresa Mateiro, 243

Ideias, 245 8.1 A educação dos sentimentos, 245 Vida e obra, 256 8.2 Pensando, fazendo e escrevendo música e sobre música, 256 Proposta pedagógica, 259 8.3 Pesquisar o sonoro para descobrir o musical, 259 Sala de aula, 267 8.4 Experimentando ideias e materiais, 267

Capítulo 9 ~ Raymond Murray Schafer O educador musical em um mundo em mudança, por Marisa Trench de Oliveira Fonterrada, 275

Ideias, 277 9.1 Ecologia acústica, teatro de confluência e relação arte/sagrado, 277 Vida e obra, 287 9.2 Biobibliografia de Murray Schafer, 287 Proposta pedagógica, 291 9.3 Existe uma metodologia schaferiana?, 291 Sala de aula, 295 9.4 Propostas para uma educação sonora, 295

Capítulo 10 ~ Jos Wuytack A pedagogia musical ativa, por Graça Boal Palheiros e Luís Bourscheidt, 305

Ideias, 307 10.1 Propondo uma pedagogia musical ativa, 307 Vida e obra, 312 10.2 O pedagogo e o compositor musical, 312 Proposta pedagógica, 315 10.3 Aprendendo música fazendo música, 315 Sala de aula, 326 10.4 Algumas ideias para a sala de aula, 326

Glossário, 343

Apresentação

Por que organizar um livro sobre pedagogias musicais em pleno século XXI? Uma pergunta que muitos devem estar se fazendo, afinal de contas, pesquisas recentes em educação musical vêm apontando a importância dos contextos na delimitação do repertório e das metodologias de ensino apropriadas aos espaços de aprendizagem. Então, por que, conhecer e estudar sobre Kodály, Martenot ou Dalcroze a “esta altura do campeonato?” A resposta é simples: porque, em conjunto, o trabalho desses e outros pedagogos foi fundamental na construção das concepções que temos hoje do que é educação musical, de como ensinar, de quais repertórios utilizar, e assim por diante. Há um imenso valor histórico, sociológico, educacional, filosófico e psicológico nas ideias desses clássicos com projeção internacional. Conhecer o legado pedagógico implica entender as formas de pensar o ensino de música, muitas das quais em voga nos tempos atuais. Em outras palavras, somos defensoras da ideia de que essas pedagogias, e muitas outras, constituem parte da história e dos fundamentos da educação e da educação musical, em particular. Conhecê-las é também um modo de compreender melhor a área. Talvez isso explique oporquê de essas pedagogias fazerem parte dos currículos de educação musical das principais instituições de formação docente, do Brasil e do mundo.

Acreditamos que um livro como este, inspirado no livro Pedagogias do Século X, possa ser muito útil, não apenas para educadores que atuam em instituições superiores de formação docente, mas também para todas as pessoas interessadas em ensinar e aprender música, mas que têm pouco ou nenhum acesso a bibliotecas e periódicos especializados, em que aparecem artigos esparsos sobre as pedagogias da educação musical. Ao organizar este livro, nosso objetivo foi o de unir, em um único volume, textos compreensivos, para que estudantes de licenciatura e professores de música possam conhecer e fundamentar sua prática, sobretudo em um momento histórico tão importante como o que estamos vivendo, em que a música deve retornar às salas de aula do país como conteúdo obrigatório1.

Outra questão central à organização deste volume diz respeito à conceituação de método, um termo complexo e com múltiplos significados. Talvez a definição mais difundida seja a ideia de método como “uma fórmula ou receita”, que já vem pronta e que necessita apenas de um “aplicador”. Muitos educadores musicais se opõem às pedagogias apresentadas aqui por confundi-las com fórmulas prontas e pouco adaptadas à realidade dos alunos, adotando, ainda que sem perceber, essa ideia tão limitadora de método. Apesar de, em sua essência, o significado do termo método ir muito além dessa visão reducionista, devido ao seu desgaste e, em alguns casos, de definições que beiram o pejorativo, optamos por usar o termo pedagogias ao nos referirmos às ideias dos dez educadores musicais que compõem este livro. Esse termo nos parece muito pertinente, sobretudo porque, enquanto alguns educadores musicais chegaram a propor tarefas sequenciadas e experiências que funcionavam em suas práticas, outros não o fizeram, deixando que suas ideias fossem livremente apropriadas e transformadas, oportunamente, pelo leitor. O termo pedagogias contempla, igualmente, essas duas maneiras de compartilhar ideias. Entendemos, porém, que uma discussão mais aprofundada sobre os métodos em educação musical seria oportuna e extremamente complementar à apresentação do conteúdo deste livro. Atendendo a este apelo, a professora Dra. Maura Penna, do Departamento de Educação Musical da Universidade Federal da

1 A Lei nº 1.769, de 18 de agosto de 2008, altera a Lei de Diretrizes e Bases da Educação no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para dispor sobre a obrigatoriedade do ensino da música na educação básica brasileira.

Paraíba (UFPB), escreve uma seção introdutória com o título A função dos métodos e o papel do professor: em questão, “como” ensinar música. A autora apresenta, discute e provoca o debate acerca da articulação entre o que e o como ensinar no desenvolvimento do processo educativo, assim como o papel do professor como um executor de uma proposta pedagógica concebida por especialistas e/ou o professor como um profissional reflexivo que toma decisões e avalia a sua própria prática. Esse é um texto valioso que certamente auxiliará o leitor a refletir sobre os dez capítulos que apresentamos em seguida. Como seria praticamente impossível contemplar, em um único volume, todas as pedagogias musicais relevantes para a área de educação musical, tomamos algumas decisões para selecionar os dez pedagogos que dão vida ao presente livro. Tornando-se este um projeto do Grupo de Pesquisa Educação Musical e Formação Docente2, dialogamos com o grupo, fizemos várias listas provisórias de nomes dos músicos-

-pedagogos mais estudados no Brasil e, paralelamente, identificamos prováveis autores para cada uma das abordagens educativas. Os critérios de seleção foram diversos, entre os quais, citamos: pedagogias estrangeiras minimamente reconhecidas no Brasil e em outros países, predominando os países latinos; existência de material suficiente para elaborar uma monografia de qualidade; identificação da abordagem músico-pedagógica com pelo menos um autor brasileiro; abordagem ou proposta educacional relacionada a metodologias de educação musical, tanto para o ensino da música no ambiente escolar quanto para outros espaços de aprendizagem. Após inúmeras reflexões e discussões saíram da lista nomes importantes como Edwin Gordon, Violeta Hemsy Gainza, Heitor Villa-Lobos, Gazzi de Sá, Liddy Chiaffarelli Mignone, Sá Pereira, Maria Montessori, entre outros, que esperamos poder incluir num próximo volume.

Perante esses critérios, é possível entender as exclusões, entretanto, as possibilidades para este tipo de trabalho são diversas e nós estamos cientes de que nossa escolha deixa de fora importantes contribuições. Outro aspecto a ressaltar é a escolha não proposital, de nove nomes masculinos, tendo sido incluída apenas

2 Esse grupo integra o Diretório dos Grupos de Pesquisa no Brasil na Plataforma Lattes do CNPq, sob a coordenação de Teresa Mateiro. Foi criado no ano de 2004 com o objetivo de estudar e ampliar a pesquisa nas áreas de formação e profissionalização do professor de música.

uma mulher, a educadora musical alemã Gertrud Meyer-Denkmann. Terá a época influência sob a produção intelectual masculina e feminina? Sabemos que sim, contudo, deixaremos essa discussão para outra oportunidade. Os trabalhos desenvolvidos pelos músicos-pedagogos são apresentados neste livro cronologicamente, de Émile Jaques-Dalcroze a Jos Wuytack.

Os dez capítulos deste volume foram escritos e reescritos, lidos e relidos não só pelos próprios autores e as organizadoras, como também por colegas da área e, em alguns casos, pelos próprios pedagogos em questão. Agradecemos a dedicação de John Paynter e sua disponibilidade para revisar o capítulo escrito por Teresa Mateiro e pela troca de ideias tanto por carta quanto pessoalmente; a Raymond Murray Schafer, que desde 1988 tem apoiado as iniciativas de Marisa Fonterrada em relação à sua obra e à sua produção artística; a Jos Wuytack, por suas contribuições e informações dadas a Graça Boal Palheiros e Luís Bourscheidt; a Carmen Maria Mettig Rocha, pela leitura e sugestões dadas ao capítulo escrito por Enny Parejo; a todos os colegas que leram e nos deram importantes contribuições. Estendemos também nossos agradecimentos à equipe da Editora InterSaberes, tão atenciosa e competente, que trabalhou conosco durantes vários meses.

Desejamos a todos uma boa leitura e um bom aproveitamento das ideias aqui contidas, muitas das quais passadas de uma geração a outra, porém sempre com modificações.

Teresa Mateiro e Beatriz Ilari Novembro, 2010

A função dos métodos e o papel do professor: em questão, “como” ensinar música1

Maura Penna2

“Quem sabe, faz; quem não sabe, ensina.” Escrita há mais de um século por Bernard Shaw, dramaturgo inglês, esta célebre máxima – na verdade, um insulto – tornou-se extremamente popular3. Equivocadamente, desmerece o papel do professor.

1 Agradecemos às professoras Maria Guiomar Ribas da Universidade Federal da Paraíba, Rosemary Alves de Melo e Eliane Brito de Lima, da Universidade Estadual da Paraíba, a leitura atenta, comentários e sugestões à versão preliminar deste texto, colaborando, assim, com seu processo de elaboração.

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