Livro - Administração Aplicada a Enfermagem

Livro - Administração Aplicada a Enfermagem

(Parte 1 de 7)

I. Princípios Gerais de Administração03
I. Funções ou Elementos administrativos05
IV. Modelos de Gestão em Organizações Hospitalares06
VGerencia, liderança, supervisão e auditoria ............................08
VI. Elaboração de Instrumentos Administrativos18
VII. Administração de recursos materiais e recursos humanos24
VIII.Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde43
IXRelacionamento interpessoal. ...............................................47

Fayol define o ato de administrar como: PREVER, ORGANIZAR, COMANDAR,

COORDENAR E CONTROLAR. Atualmente, sobretudo com as contribuições da Abordagem Neoclássica da Administração, em que um dos maiores nomes é Peter Drucker, os princípios foram retrabalhados e são conhecidos como Planejar, Organizar, Dirigir e Controlar - PODC. Ressalte-se, então, que destas funções as que sofreram transformações na forma de abordar foram "comandar e coordenar" que hoje chamamos de Dirigir (Liderança).

Ênfase Teorias administrativas Principais enfoques

TAREFAS Administração científica Racionalização do trabalho no nível operacional

Teoria clássica Teoria neoclássica

Organização Formal; Princípios gerais da Administração; Funções do Administrador

Teoria da burocracia Organização Formal Burocrática;

Racionalidade Organizacional; ESTRUTURA

Teoria estruturalista

Múltipla abordagem:

Organização formal e informal;

Análise intra-organizacional e análise interorganizacional;

Teoria das relações humanas

Organização informal; Motivação, liderança, comunicações e dinâmica de grupo;

Teoria comportamental

Estilos de Administração; Teoria das decisões; Integração dos objetivos organizacionais e individuais;

Teoria do desenvolvimento organizacional

Mudança organizacional planejada; Abordagem de sistema aberto;

Teoria estruturalista Teoria neo-estruturalista

Análise intra-organizacional e análise ambiental;

Abordagem de sistema aberto; AMBIENTE

Teoria da contingência

Análise ambiental (imperativo ambiental); Abordagem de sistema aberto;

TECNOLOGIA Teoria dos sistemas Administração da tecnologia (imperativo tecnológico);

A teoria geral da administração começou com a ÊNFASE NAS TAREFAS, com a administração científica de Taylor. A seguir, a preocupação básica passou para a ÊNFASE NA ESTRUTURA com a teoria clássica de Fayol e com a teoria burocrática de Max Weber, seguindo-se mais tarde a teoria estruturalista. A reação humanística surgiu com a ÊNFASE NAS PESSOAS, por meio da teoria comportamental e pela teoria do desenvolvimento organizacional. A ÊNFASE NO AMBIENTE surgiu com a Teoria dos Sistemas, sendo completada pela teoria da contingência. Esta, posteriormente, desenvolveu a ÊNFASE NA TECNOLOGIA. Cada uma dessas cinco variáveis - tarefas, estrutura, pessoas, ambiente e tecnologia - provocou a seu tempo uma diferente teoria administrativa, marcando um gradativo passo no desenvolvimento da TGA. Cada TEORIA ADMINISTRATIVA procurou privilegiar ou enfatizar uma dessas cinco variáveis, omitindo ou relegando a um plano secundário todas as demais.

O CORPO SOCIAL é o órgão e o instrumento da função administrativa; tal função restringe-se ao pessoal (chamado corpo social). Para o bom funcionamento de tal corpo, são necessárias certas condições, as quais ele denomina princípios, afastando a idéia de rigidez e aplicando, em seu lugar, a de flexibilidade.

Conforme Fayol, não existe limitação ao número de tais princípios e enumera aqueles que teve oportunidade de aplicar com mais freqüência:

● DIVISÃO DO TRABALHO – consiste em dividir cada uma das tarefas em operações mais simples (especialização) A divisão proposta por Fayol em muito se assemelha à segunda parte do método para pesquisa científica proposto por RENÉ

DESCARTES, na qual ele propõe a divisão do assunto a ser estudado em tantas partes quantas forem necessárias para o seu entendimento.

● AUTORIDADE E RESPONSABILIDADE – Conceitua a autoridade como o poder de dar ordens e de se fazer obedecer; não sendo possível concebê-las individualmente. Afirma que toda regra tem de ser provida de sanção, sem a qual desaparece na empresa o espírito de responsabilidade.

● DISCIPLINA – Respeito às regras estabelecidas. A boa direção inspira obediência.

● UNIDADE DE COMANDO – Cada agente, para cada ação, só deve receber ordens de um único chefe. Aqui caberia uma comparação com o jargão ‘muito chefe para pouco índio”: a pluralidade de chefes para um único setor dilui a autoridade de cada um deles sobre seu subordinado.

● SUBORDINAÇÃO – Prevalência dos interesses gerais da organização. A conceituação de Fayol em muito se assemelha a um princípio jurídico do Direito Administrativo: o interesse geral prevalece sobre o pessoal (ou seja: em havendo divergência entre os interesses da Sociedade e os do indivíduo, os primeiros prevalecem sobre o segundo).

● REMUNERAÇÃO DO PESSOAL – tem de ser eqüitativa, justa, evitando-se a exploração. Deve haver equilíbrio entre os interesses da empresa e os dos funcionários. O tipo de remuneração depende da apreciação deste equilíbrio.

● CENTRALIZAÇÃO – Deve Haber um único núcleo de comando centralizado, atuando de forma similar ao celebro, que comanda o organismo. Tudo o que aumenta a importância das funções dos subordinados é do terreno da descentralização, tudo o que diminui a importância, pertence á centralização.

● HIERARQUIA – Cadeia de comando por escalas. Afirma a necessidade de comunicação lateral entre as escalas de comando.

● ORDEM – Por meio da racionalização do trabalho, estabelece-se o lugar de cada coisa e de cada pessoa.

● EQÜIDADE – Distingue a diferença entre justiça e eqüidade. Justiça poderia ser conceituada como a realização das convenções estabelecidas, enquanto que equidade seria o uso da razão onde não há convenção; seria a capacidade de estimular o pessoal a empregar, no exercício de suas funções, toda a vontade de devotamente que é capaz.

● ESTABILIDADE DO PESSOAL – O funcionário precisa de tempo para adaptar-se à tarefa que lhe foi incumbida, deslocá-lo sem que este tempo lhe for concedido (sem que sua iniciação tenha sido finalizada) e adotar esta atitude como premissa na administração de um organismo acarretará que nenhuma função jamais seja desempenhada a contento.

● INICIATIVA – Os liderados devem ser incentivados a buscarem por si só, as soluções para os problemas que surgirem.

● ESPÍRITO DE EQUIPE – O corpo social deve experimentar uma união similar à união de organismos biológicos, sem que isso ocorra, os objetivos não serão comuns e os esforços não serão dirigidos de forma adequada às aspirações da empresa.

FAYOL AFIRMA A EXISTÊNCIA DE CINCO ELEMENTOS DE ADMINISTRAÇÃO:

1) Previsão, 2) Organização, 3) Comando, 4) Coordenação e 5) Controle, que podem ser sintetizados na sigla POCC.

1 - PREVISÃO – Fayol conceitua previsão como o ato de calcular o futuro e preparar as ações para que as metas sejam atingidas, tal previsão se faz com um programa de ação. Estabelece que existem vantagens e desvantagens na previsão. Como vantagem afirma que um programa de ação facilita a utilização dos recursos da empresa e a escolha dos melhores meios a empregar para atingir os objetivos; estabelece que a desvantagem reside na dificuldade de se confeccionar um bom programa anual.

2 - ORGANIZAÇÃO – É o ato de dotar uma empresa de tudo quanto for útil ao seu funcionamento (matérias-primas, utensílios, capital e pessoal). Subdivide a organização em organização material e social, tratando apenas do segundo.

3 - COMANDO – Fayol afirma que constituído o corpo social , é preciso fazê-lo funcionar, sendo esta a missão do comando. Conceitua a arte de comandar como o conjunto de certas qualidades pessoais e sobre o conhecimento dos princípios gerais de administração. O comando requer certos preceitos, dos quais Fayol separa oito: c.1) ter conhecimento profundo de seu pessoal; c.2) excluir os incapazes; c.3) conhecer bem os convênios que regem as relações entre a empresa e seus agentes; c.4) dar bom exemplo; c.5) fazer inspeções periódicas do corpo social, recorrendo nestas inspeções ao auxílio de quadros sinópticos; c.6) reunir seus principais colaboradores em conferências, onde se preparam a unidade de direção e a convergência dos esforços; c.7) não se deixar absorver pelos detalhes e c.8) incentivar no pessoal a atividade, a iniciativa e o devotamento.

4 - COORDENAÇÃO – Fayol conceitua coordenar como o ato de estabelecer a harmonia entre todos os atos de uma empresa de maneira a facilitar o seu funcionamento e o seu sucesso. É dar ao organismo material e social de cada função as proporções convenientes para que eles possa desempenhar seu papel segura e economicamente.

5 - CONTROLE – Consiste em verificar se tudo corre de acordo com o programa adotado (programa de ação – item ‘a’ do presente), as ordens dadas e os princípios admitidos.

► 1 - O MODELO DE GESTÃO

enfermagem daquela unidade é quem recebe todas as queixas e elogios periodicamente

Neste modelo, as decisões são descentralizadas, as equipes de enfermagem participam ativamente da tomada de decisões, assumindo a responsabilidade sobre os resultados. Em média, 80% das decisões locais, que envolvem assuntos de enfermagem, podem ser resolvidas no local de prestação da assistência, sem necessidade de envolver as gerências. O conceito empregado tem, como meios de operação, fóruns de decisão (Times Assistenciais, Conselhos da Prática, Gerenciamento e Educação e Pesquisa), que são compostos por membros de todos os níveis hierárquicos, desde diretores até profissionais que prestam assistência à beira do leito. Para exemplificar o exposto, um paciente queixa-se da técnica utilizada para a troca de sua bolsa de diálise. A líder de

Nesse caso, ela encaminha a reclamação ao Time Assistencial, que analisa localmente e toma decisões para correção do problema. O Time Assistencial é um fórum composto de representantes de todos os profissionais de enfermagem daquela Unidade, especialmente os da linha de frente. O problema só será encaminhado a um dos Conselhos se envolver o Sistema de Enfermagem como um todo. A grande diferença é que no modelo anterior de gestão, a líder de enfermagem tomaria a conduta final.

► 2 – MODELOASSISTENCIAL

O Sistema de Enfermagem do hospital desenvolve um cuidado integral e individual, fundamentado em evidências científicas e no trabalho interdisciplinar. Baseia suas decisões no julgamento clínico do enfermeiro, de forma a melhor atender às necessidades do paciente e família, obtendo sua participação ativa nas decisões sobre o cuidado a ser prestado. O paciente é o centro do processo de cuidar, integrado na tomada de decisão e participante do planejamento e implementação deste cuidado. Esta visão do cuidado, como principal foco da Enfermagem, deriva da Filosofia e Ciência do Cuidar desenvolvida pela teorista de enfermagem Jean Watson, que combina uma visão humanista e uma base sólida de conhecimentos científicos. Nesta visão de mundo, associada às habilidades de pensamento crítico, a ciência do cuidado tem como foco a promoção da saúde e não somente a cura da doença.

Neste cenário, o profissional central é o Enfermeiro Assistencial. Ele é o responsável pelo planejamento dos cuidados e estabelecimento de vínculo com o paciente e sua família.

O Enfermeiro, neste modelo, possui igualmente o papel de integrador, facilitador e coordenador das relações entre paciente, equipe multiprofissional, médicos e instituição, à beira do leito.

Importante lembrar que o modelo assistencial adotado pela Instituição é uma diretriz clara de como a organização propõe-se a atingir sua excelência assistencial. É essencial que o enfermeiro tenha a clareza de seu papel neste contexto e aproprie-se dele com autoridade e responsabilidade. Assim, dentre os vários papéis que este profissional possa agregar no transcorrer do processo assistencial, sua atividade deve estar alinhada com sua atuação ético-profissional.

► 3 - O MODELO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA.

O desenvolvimento técnico-científico, como uma das principais diretrizes do Sistema de Enfermagem, visa propiciar a capacitação profissional e a humanização do atendimento, fornecendo subsídios à implantação do modelo assistencial institucional e o atendimento ao paciente e médico.

O modelo é descentralizado, realizado localmente junto à equipe de enfermagem e inclui um plano diretor voltado a atender as necessidades de desenvolvimento e capacitação de enfermeiros e do nível médio de enfermagem.

Esta iniciativa exigiu, entre outras ações, a revisão das competências clínicas dos enfermeiros e a implantação do Plano de Desenvolvimento das Competências Clínicas do Enfermeiro (PDCCE), que entre as suas finalidades tem como meta consolidar o pensamento crítico do enfermeiro e otimizar a interface com a equipe multidisciplinar. O PDCCE é um método educacional que possibilitou identificar e classificar os enfermeiros de acordo com as suas competências clínicas e a aplicação do conhecimento científico na prática assistencial . Este processo é liderado por enfermeiros experientes, com mestrado ou doutorado, e cujo diferencial está em sua atuação direta junto a pacientes e equipes e não em salas de aula.

O plano de Treinamento e Desenvolvimento de Auxiliares e Técnicos do Sistema de

movendo para que estabeleçam um serviço de excelência no novo contexto do século XXI

Enfermagem tem seus objetivos direcionados para implementação de uma sistemática regular de capacitação, de modo a facilitar atitudes proativas e permanente interação destes profissionais com os assuntos referentes à assistência ao paciente e de gestão organizacional. O trabalho de uma liderança desafia pessoas por meio da idéia de que uma mudança não é tão simples, mas inevitável. As mudanças podem causar conseqüências que nem sempre poderão ser antecipadas ou evitadas. Existe um hiato entre o ontem e o contexto atual. Ao invés de ficarem congelados com o temor de encontrarem o lado escuro da mudança, os líderes nunca devem desistir de continuar se

É preciso construir um meio para que transitemos de um lado para o outro.

Precisamos definitivamente pensar como líderes num novo contexto. Se tomarmos tempo para criarmos uma visão e um propósito para nossa vida, possivelmente conseguiremos pensar nosso trabalho com um olhar mais abrangente, mais crítico e estratégico.

O trabalho de enfermagem, enquanto parte do trabalho coletivo em saúde, apresentado anteriormente, realiza-se em diferentes instituições de saúde, sejam elas públicas ou privadas.

O processo de trabalho de enfermagem particulariza-se em uma rede ou subprocessos que são denominados cuidar ou assistir, administrar ou gerenciar, pesquisar e ensinar.

além dos diferentes saberes administrativos

No processo de trabalho gerencial, os objetos de trabalho do enfermeiro são a organização do trabalho e os trabalhos e os recursos humanos de enfermagem. Para a execução desse processo, é utilizado um conjunto de instrumentos técnicos próprios da gerencia , ou seja, o planejamento, o dimensionamento de pessoal de enfermagem, o recrutamento e seleção de pessoal, a educação continuada e/ ou permanente, a supervisão, a avaliação de desempenho e outros. Também utilizam-se outros meios ou instrumentos como força de trabalho, os materiais, equipamentos e instalações,

das práticas sociais e sua historicidade, ou seja, o modelo histórico-social

A gerência tomada enquanto processo de trabalho de enfermagem pode ser aprendida por dois grandes modelos: o primeiro com foco no indivíduo e nas organizações, denominado de modelo racional; e o segundo centrado na abordagem

O modelo racional corresponde ao enfoque predominante nos estudos e na pratica do gerenciamento de enfermagem e esta fundamentado na Teoria Geral da

Administração (TGA). Neste modelo, a tarefa atual da administração é interpretar os objetivos propostos pela organização e transformá-los em ação organizacional através do Planejamento, Organização, Direção e controle de todos os esforços realizados em todas as áreas e em todos os níveis da organização, a fim de alcançar tais objetivos da maneira mais adequada à situação.

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