Controle químico da mancha alvo na cultura da soja
(Parte 2 de 2)
Foram realizadas inoculações com o patógeno, a fim de obter uma porcentagem expressiva da doença, visando contribuir para uma elevada severidade.
O inoculo utilizado nesse trabalho foi obtido de folhas de soja, oriundos de Rio Verde em Goiás no ano de 2011, provenientes da mesma região onde foi instalado o experimento, preservados no Laboratório de Fitopatologia da Universidade de Rio Verde.
Com auxílio de uma agulha histológica flambada, foram transferidos fragmentos da colônia de C. cassiicola preservada em placas de petri para outras placas contendo meio de cultura BDA (200 g de batata, 20 g de sacarose e 17 g de Agar + 200 ppm de sulfato de estreptomicina), preparado segundo Zauza et. Al. (2007). Essas placas permaneceram em câmara de crescimento a 25ºC com uma variação 2ºC para mais ou para menos e fotoperíodo de 12 horas durante 15 dias, até obter-se esporulação abundante.
Após o período de incubação, o patógeno presente em 30 placas, foi retirado da superfície das mesmas com o auxílio de um pincel e água autoclavada passando para um Béquer com capacidade volumétrica de 2 L. A partir das culturas puras esporuladas, preparou-se uma suspensão de conídios em água destilada e esterilizada + polioxietilenosorbitano (Tween 20 duas gotas por litro), fazendo um volume final de 10 L.
A inoculação foi realizada por aspersão do inoculo através de um pulverizador costal manual, no final da tarde, visando eliminar a exposição do inoculo aos raios solares, proporcionando clima favorável à infecção. No momento da inoculação as plantas estavam no estádio R1 (início do florescimento) até o ponto de escorrimento.
As avaliações de danos causados por C. cassiicola foram em função da severidade da doença e do rendimento de grãos (Produtividade). Foram realizadas oito avaliações de severidade, sendo amostradas oito plantas por parcela útil. Para tanto, foi utilizada a escala diagramática proposta por Soares et al. (2009) (figura 2). Também para quantificar a intensidade da mancha alvo, foi realizada a contagem do número de lesão por folíolo e o diâmetro das lesões (mm) com auxílio de um paquímetro digital.
1% 2% 5% 9% 19% 33% 52%
Fonte: Soares et al. (2009).
Figura 2. Escala diagramática para avaliação da severidade da mancha-alvo da soja.
As plantas foram colhidas manualmente, quando estas atingiram o estádio ideal para a colheita. A colheita foi realizada no período de 04 de março a 08 de abril, de acordo com o ciclo de cada cultivar. A área colhida de cada parcela, ou seja, a parcela útil foi de 8m² e estimada a produtividade em kg ha-1 e o massa de mil grãos. A umidade dos grãos foi corrigida para o valor de 13%. O cálculo do dano causado pela Mancha alvo foi expresso em porcentagem, pela diferença entre o tratamento que apresentou a maior produtividade e a testemunha, sem controle com fungicida.
Durante os estudos no campo, as médias das temperaturas se mantiveram entre 23,0 e 25,4°C. Os meses de outubro a março apresentaram precipitação de 62,2; 291,8; 194,4; 551; 196,4 e 599,4 mm, respectivamente (Figura 1). Essas condições climáticas, no período de condução do experimento, foram favoráveis para a ocorrência e desenvolvimento do patógeno, contribuindo para a infecção e colonização, proporcionando o aparecimento dos sintomas clássicos da mancha-alvo.
Conforme Alves & Dal Ponte (2007), as condições climáticas ocorridas foram favoráveis ao desenvolvimento da doença nas plantas de soja. O molhamento foliar prolongado e a temperatura que se encontra em uma faixa entre 20 e 32°C em longos períodos, acima de 16 horas, de alta umidade relativa favorece a infecção (Blazquez, 1991). Os sintomas aparecem 5 a 7 dias após a penetração, quando as plantas são submetidas a temperatura de 20 a 30°C e umidade relativa do ar acima de 80% (AGRIOS, 1988).
Ao avaliar a severidade entre as cultivares no tratamento sem fungicida, observou-se que houve diferenças significativas. A cultivar NA 5909 RR apresentou maior severidade, quando comparada com as cultivares BMX Potência RR e TMG 132 RR que foram semelhantes, sendo 35,66%, 31,25% e 30,88% respectivamente. Ao observar cada tratamento com fungicida, verificou que a severidade entre as cultivares variou significativamente apenas no tratamento contendo uma única aplicação no estádio R2 (pleno florescimento).
Em todas as cultivares (TMG 132 RR, BMX Potência RR e NA 5909) verificou-se que a severidade da doença diminuiu de acordo com o aumento do número de aplicação do fungicida piraclostrobina + fluxapyroxad. Quando realizou uma única aplicação deste fungicida no estádio fenológico R2, não foram encontradas diferenças significativas quando comparado com o tratamento sem nenhuma aplicação. A partir do momento em que se efetuaram duas aplicações, observou-se que ocorreu redução significativa da severidade da mancha alvo em relação ao tratamento sem fungicida em todas as cultivares. Quando se utilizaram três a quatro aplicações verificou menor severidade, o que diferiu significativa dos tratamentos com duas aplicações, entretanto quando se efetuou quatro aplicações não houve diferenças significativas comparado com o tratamento contendo três aplicações, apresentando uma redução na intensidade da doença (severidade) de 40, 40 e 53% nas cultivares TMG 132 RR, BMX Potência RR e NA 5909 RR respectivamente (Tabela 3).
Tabela 3. Severidade da mancha-alvo na cultura da soja e porcentagem de controle em relação ao tratamento sem fungicida nas cultivares BMX Potência RR, NA 5909 RR e TMG 132 RR. Rio Verde, GO, safra 2012/2013.
| Tratamentos | Cultivar | ||||||
| Ingrediente Ativo | Épocas de aplicação | ||||||
| 1ª | 2ª | 3ª | 4ª | TMG 132 RR | BMX Potência RR | NA 5909 RR | |
| Testemunha | ... | ... | ... | ... | 30,88 b A | 31,25 b A | 35,66 a A |
| piracl. + flux1,2. | R2 | ... | ... | ... | 27,92 b AB | 28,75 b A | 33,58 a A |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | ... | ... | 24,46 a B | 23,50 a B | 23,00 a B |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | 28 daa | ... | 19,06 a C | 18,50 a C | 18,50 a C |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | 28 daa | 42 daa | 18,50 a C | 18,88 a C | 16,87 a C |
| CV (%) = 7,74 |
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| Porcentagem de controle | |||||||
| Ingrediente ativo | Épocas de aplicação | Cultivar | |||||
| 1ª | 2ª | 3ª | 4ª | TMG 132 RR | BMX Potência RR | NA 5909 RR | |
| Testemunha | ... | ... | ... | ... | ... | ... | ... |
| piracl. + flux1,2. | R2 | ... | ... | ... | 10 | 8 | 6 |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | ... | ... | 21 | 25 | 36 |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | 28 daa | ... | 38 | 41 | 48 |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | 28 daa | 42 daa | 40 | 40 | 53 |
* Médias seguidas com a mesma letra minúscula na linha e maiúscula na coluna não diferem significativamente entre si pelo teste Tukey, a 5% de probabilidade.
Obs.: piracl + flux = piraclostrobina + fluxapyroxad.
Quanto à produtividade, verificou-se que houve diferenças significativas entre as cultivares, independente do tratamento de fungicida utilizado. No entanto, a comparação destes dados é menor relatividade, pois varia em função das características agronômicas de cada cultivar.
Ao analisar a produtividade de cada cultivar em função do número de aplicação do fungicida piraclostrobina + fluxapyroxad observou-se que não houve diferenças significativas entre os tratamentos nas cultivares BMX Potência RR e NA 5909 RR observou-se incremento de produtividade com o aumento do número de aplicação, entretanto, quando se efetuou três e quatro aplicações, não foram observados incrementos na produtividade que justifique o aumento do número de aplicação superior a três aplicações.
Diferenças significativas na produtividade proporcionadas pelo efeito do número de aplicação foram verificadas na TMG 132 RR. Para essa cultivar, verificou-se que os tratamentos contendo três (R2, 14 daa e 28 daa) e quatro aplicações (R2 + 14 daa + 28 daa + 42 daa) apresentaram as maiores produtividades, diferindo significativamente do tratamento sem fungicida, porém a adição de quatro aplicações do fungicida piraclostrobina + fluxapyroxad não contribuiu para o incremento de produtividade, sendo este tratamento semelhante ao tratamento com três aplicações.
Tabela 4. Produtividade (kg/ha-1) em função de diferentes cultivares e do número de aplicação do fungicida piraclostrobina + fuxapyroxad e porcentagem de redução de produtividade (RP) em relação ao tratamento com a maior produtividade. Rio Verde, GO, safra 2012/2013.
| Tratamentos | Cultivar | ||||||
| Ingrediente Ativo | Épocas de aplicação | ||||||
| 1ª | 2ª | 3ª | 4ª | TMG 132 RR | BMX Potência RR | NA 5909 RR | |
| Testemunha | ... | ... | ... | ... | 3555,29 ab B | 3739,09 a A | 3125,79 b A |
| piracl. + flux1,2. | R2 | ... | ... | ... | 3783,54 a AB | 3707,98 ab A | 3260,35 b A |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | ... | ... | 3836,01 a AB | 3901,68 a A | 3456,80 a A |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | 28 daa | ... | 4133,63 a A | 3913,35 a A | 3419,50 b A |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | 28 daa | 42 daa | 4157,14 a A | 3906,33 a A | 3373,64 b A |
| CV (%) = 7,73 |
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| Redução de produtividade | |||||||
| Tratamento | Épocas de aplicação | Cultivar | |||||
| 1ª | 2ª | 3ª | 4ª | TMG 132 RR | BMX Potência RR | NA 5909 RR | |
| Testemunha | ... | ... | ... | ... | 14 | 4 | 10 |
| piracl. + flux1,2. | R2 | ... | ... | ... | 9 | 5 | 6 |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | ... | ... | 8 | 0,3 | 0 |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | 28 daa | ... | 0,6 | 0 | 1 |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | 28 daa | 42 daa | 0 | 0,2 | 2 |
* Médias seguidas com a mesma letra minúscula na linha e maiúscula na coluna não diferem significativamente entre si pelo teste Tukey, a 5% de probabilidade.
Obs.: piracl + flux = piraclostrobina + fluxapyroxad.
Ao avaliar a massa de mil grãos, observou-se diferenças significativas entre as cultivares analisadas. A cultivar NA 5909 RR apresentou a maior massa de mil grãos, diferindo significativamente das cultivares BMX Potência e TMG 132 RR.
Ao analisar o rendimento da cultura, para o peso de mil grãos em função do número de aplicação do fungicida piraclostrobina + fluxapyroxad dentro de cada cultivar, observou-se que para as cultivares TMG 132 RR e NA 5909 RR os tratamentos variou significativamente em função do número de aplicação. Para a cultivar TMG 132 RR quanto para a cultivar NA 5909 RR observou-se que a partir de uma única aplicação houve incremento no peso de mil grãos. Na cultivar BMX Potência RR não houve diferenças significativas entre os tratamentos.
Tabela 4. Massa de mil grãos (g) em função de diferentes cultivares de soja e do número de aplicação do fungicida piraclostrobina + fluxapyroxad. Rio Verde, GO, safra 2012/2013.
| Tratamentos | Cultivar | ||||||
| Ingrediente Ativo | Épocas de aplicação | ||||||
| 1ª | 2ª | 3ª | 4ª | TMG 132 RR | BMX Potência RR | NA 5909 RR | |
| Testemunha | ... | ... | ... | ... | 120,93 c B | 139,76 b A | 148,88 a B |
| piracl. + flux1,2. | R2 | ... | ... | ... | 123,29 c AB | 145,26 b A | 152,52 a AB |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | ... | ... | 126,83 c AB | 147,01 b A | 156,10 a AB |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | 28 daa | ... | 127,11 c AB | 146,26 b A | 158,25 a A |
| piracl. + flux1,2. | R2 | 14 daa | 28 daa | 42 daa | 129,97 c A | 145,50 b A | 154,71 a AB |
| CV (%) = 2,84 |
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* Médias seguidas com a mesma letra minúscula na linha e maiúscula na coluna não diferem significativamente entre si pelo teste Tukey, a 5% de probabilidade.
Obs.: piracl + flux = piraclostrobina + fluxapyroxad.
A cultivar NA 5909 RR apresentou maior severidade no tratamento sem fungicida, quando comparada com as cultivares BMX Potência RR e TMG 132 RR, provavelmente por apresentar maior densidade de plantas.
Quanto a produtividade as cultivares BMX Potência RR e NA 5909 RR apresentaram incremento de produtividade com o aumento do número de aplicação, porém não ouve diferença significativa que justificasse uma quarta aplicação.
Nas cultivares TMG 132 RR e NA 5909 RR a partir de uma única aplicação houve um incremento na massa de mil grãos. Na cultivar BMX Potência RR não houve diferenças significativas.
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