Gentil Lopes - TEORIA DA RELATIVIDADE ONTOLOGICA E EPISTEMOLOGICA

Gentil Lopes - TEORIA DA RELATIVIDADE ONTOLOGICA E EPISTEMOLOGICA

(Parte 1 de 5)

Gentil, o iconoclasta

1a edicao

Boa Vista-R Edicao do autor

Copyright c©2016 Gentil Lopes da Silva

Todos os direitos reservados ao autor 1 ed. 2016

Site do autor → w.profgentil.com.br email → gentil.iconoclasta@gmail.com

Editoracao eletronica e Diagramacao: Gentil Lopes da Silva

Capa: Gentil Lopes da Silva

Ficha Catalografica

S586d Silva, Gentil Lopes da

Teoria da Relatividade Ontologica e

Epistemologica. / Gentil Lopes da Silva.-- 1.ed.− Boa Vista, 2016

1. Filosofia. 2. Matematica. 3. Fısica. 4. Consciencia. 5. Gentil, o iconoclasta. I. Tıtulo. CDU:511

(Ficha catalografica elaborada por Bibliotecaria Zina Pinheiro CRB 1/61)

Na capa constam algumas pinturas do artista peruano Pablo Amaringo (1943-2009). Amaringo retrata em suas pinturas as viagens cosmicas, os processos de cura, a fauna e flora amazonicas e o cotidiano dos rituais de consagracao da Ayahuasca − tambem conhecida como planta mestra ou planta professora.

Prefacio

100 anos depois da Teoria da Relatividade Geral de Einstein, surge a nossa Teoria da Relatividade Ontologica e Epistemologica (TROE), a qual fundamentada em um unico postulado afirma que tanto o existir quanto a verdade sao relativos a um referencial, a um observador. Em outras palavras, aqui defendemos a tese de que nada no Universo possui existencia absoluta, ou ainda: “nada existe por si mesmo”; tudo o que existe, reiteramos, existe em relacao a um referencial. Ademais, nao existe uma verdade absoluta, de outro modo, “toda verdade guarda uma relacao sensitiva ou racional com a inteligencia humana”. Uma citacao famosa do filosofo Immanuel Kant e:

A realidade, tal como ela e, em sua essencia (noumeno) e incognoscıvel, ou seja, nao podemos conhece-la.

Portanto, jamais conhecemos as coisas em si (noumeno), mas somente tal como elas nos aparecem (fenomenos). (Immanuel Kant/Crıtica da Razao Pura)

Na TROE mostramos que o eminente filosofo, neste curto enunciado, comete dois equıvocos, primeiro, “nao existe uma realidade tal como ela e”, isto e, independente de um observador; segundo, “nao existe uma ‘coisa em si’ dos objetos ”.

Um outro tema de extrema relevancia para varias disciplinas cientıficas da atualidade (neurobiologia, filosofia, ciencias cognitivas, linguıstica, inteligencia artificial, etc.) diz respeito a Consciencia; aqui, atualmente, nos encontramos frente a uma verdadeira Torre de Babel, os pesquisadores nao se entendem, nao conseguem chegar a um denominador comum − por sinal, nem desconfiam de qual seja este denominador comum. Na TROE damos o diagnostico (isto e, dizemos por que os cientistas estao batendo a testa contra o muro) e apontamos um caminho promissor para o estudo da Consciencia.

Muitas questoes filosoficas na fısica e na matematica foram debeladas por uma simples mudanca de perspectiva, isto e, a partir do momento em que alguem decidiu olhar a mesma questao a partir de um novo angulo; foi precisamente isto que fizemos com uma questao que tem desafiado grandes pensadores ao longo da historia da humanidade: a morte. Esta e uma outra questao explorada dentro da teoria da relatividade ontologica, no ultimo capıtulo do livro, “A morte e mais uma ilusao criada pela mente humana”, defendemos isto mesmo: que “a morte nao tem existencia real, em si”.

Depois de chegarmos a esta revolucionaria conclusao nos deparamos na literatura com outros pesquisadores afirmando o mesmo, por exemplo, o cientista Robert Lanza, um respeitado pesquisador norte-americano, professor adjunto do Instituto Regenerativo de Medicina da Universidade de Wake Forest, na sua teoria do biocentrismo.

Gentil, o iconoclasta Boa Vista-R, 15 de novembro de 2016.

Tabela de Codigos

Todo o universo atual da informatica e computacao so e possıvel porque utilizamos dois sımbolos (estados) “0” e “1”. Por exemplo, veja como o teclado do seu computador − ou celular − e codificado.

A seguir vemos o diagrama de blocos de uma calculadora.

Teclado

Entrada

Display

Saida

Codificador

Decodificador

Sumario

1.1 As bizarras consequencias de um postulado18
1.2 A regua quantica21

1 Postulado, o germe de uma teoria 9

2.1 O postulado da teoria da relatividade ontologica38
2.1.1 A estrutura cognitiva de referencia38
2.1.2 Dialogo entre Einstein e Tagore39
2.2 Deus existe?46
2.3 O que existe?48
2.4 O Nada: a massa de modelar do universo51

2 Teoria da relatividade ontologica 37

3.1 O postulado da teoria da relatividade epistemologica68
3.2 O que e a verdade?73
3.2.1 A epistemologia do Vazio74
3.3 O postulado de Nagarjuna78
3.4 A lei de Deus83

3 Teoria da relatividade epistemologica 67

4.1 O misterio da consciencia103
4.2 Uma Prova do Ceu104
4.3 DMT-Ayahuasca105
4.4 A filosofia da vacuidade114

4 Contributo ao enigma da Consciencia 101

5.1E no meio do caminho tinha uma pedra . . . . . . . . . . 140
5.2 O problema da inducao vulgar150
5.3 Outros visionarios, ou loucos152
5.4 Resumo do capıtulo158
5.5 Conclusao161

5 A morte e mais uma ilusao criada pela mente 131 5

6.1 Como se resolveu um impasse de 1500 anos?176
6.2 A ambiguidade do zero180
6.3 E necessaria uma mudanca de perspectiva183
6.3.1 Onde encontra-se o erro capital dos pensadores?184
6.3.2 Adendo: O efeito devastador de uma gaiola186

EPISTOLA PREAMBULAR (De Giordano Bruno) PARA O ILUSTRISSIMO SENHOR MICHEL DE CASTELNAU

Se eu, ilustrıssimo Cavaleiro, manejasse o arado, apascentasse um rebanho, cultivasse uma horta, remendasse um fato, ninguem faria caso de mim, raros me observariam, poucos me censurariam, e facilmente poderia agradar a todos. Mas, por eu ser delineador do campo da natureza, atento ao alimento da alma, ansioso da cultura do espırito e estudioso da actividade do intelecto, eis que me ameaca quem se sente visado, me assalta quem se ve observado, me morde quem e atingido, me devora quem se sente descoberto. E nao e so um, nao sao poucos, sao muitos, sao quase todos. Se quiserdes saber porque isto acontece, digo-vos que a razao e que tudo me desagrada, que detesto o vulgo, a multidao nao me contenta, e so uma coisa me fascina: aquela, em virtude da qual me sinto livre em sujeicao, contente em pena, rico na indigencia e vivo na morte; em virtude da qual nao invejo aqueles que sao servos na liberdade, que sentem pena no prazer, sao pobres na riqueza e mortos em vida, pois que tem no proprio corpo a cadeia que os acorrenta, no espırito o inferno que os oprime, na alma o error que os adoenta, na mente o letargo que os mata, nao havendo magnanimidade que os redima, nem longanimidade que os eleve, nem esplendor que os abrilhante, nem ciencia que os avive. Daı, sucede que nao arredo o pe do arduo caminho, por cansado; nem retiro as maos da obra que se me apresenta, por indolente; nem qual desesperado, viro as costas ao inimigo que se me opoe, nem como deslumbrado, desvio os olhos do divino objeto: no entanto, sinto-me geralmente reputado um sofista, que mais procura parecer subtil do que ser verıdico; um ambicioso, que mais se esforca por suscitar nova e falsa seita do que por consolidar a antiga e verdadeira; um trapaceiro que procura o resplendor da gloria impingindo as trevas dos erros; um espırito inquieto que subverte os edifıcios da boa disciplina, tornando-se maquinador de perversidade. Oxala, Senhor, que os santos numes afastem de mim todos aqueles que injustamente me odeiam; oxala que me seja sempre propıcio o meu Deus; oxala que me sejam favoraveis todos os governantes do nosso mundo; oxala que os astros me tratem tal como a semente em relacao ao campo, e ao campo em relacao a semente, de maneira que apareca no mundo algum fruto util e glorioso do meu labor, acordando o espırito e abrindo o sentimento aqueles que nao tem luz de intelecto; pois, em verdade, eu nao me entrego a fantasias, e se erro, julgo nao errar intencionalmente; falando e escrevendo, nao disputo pelo amor da vitoria em si mesma (pois que todas as reputacoes e vitorias considero inimigas de Deus, abjectas e sem sombra de honra, se nao assentarem na verdade), mas por amor da verdadeira sapiencia e fervor da verdadeira especulacao me afadigo, me apoquento, me atormento. E isto que irao comprovar os argumentos da demonstracao, baseados em raciocınios validos que procedem de um juızo recto, informado por imagens nao falsas, que, como verdadeiras embaixadoras, se desprendem das coisas da natureza e se tornam presentes aqueles que as procuram, patentes aqueles que as miram, claras para todo aquele que as aprende, certas para todo aquele que as compreende. Apresento-vos agora a minha especulacao acerca do infinito, do universo e dos mundos inumeraveis.

Excertodo livro: ACERCADO INFINITO,DO UNIVERSO E DOSMUNDOS (Giordano Bruno).

Giordano Bruno (1548-1600) foi queimado vivo em 1600 pelo Papa (Pontıfice) “representante maximo de Deus sobre a Terra”.

Capıtulo 1 Postulado, o germe de uma teoria

Quando o espırito se apresenta a cultura cientıfica, nunca e jovem. Alias e bem velho, porque tem a idade de seus preconceitos. Aceder a ciencia e rejuvenescer espiritualmente, e aceitar uma brusca mutacao que contradiz o passado. (Gaston Bachelard/grifo nosso)

Introducao:

Existem pensamentos que, aos meus ouvidos, soam como verdadeira poesia, proporcionam deleite. E o caso deste do eminente Bachelard. Sao pensamentos que conseguem encerrar − em curto espaco − uma alta densidade de ensinamentos, nao triviais. Na minha atividade de magisterio tenho constatado quase que diariamente a veracidade e precisao destas palavras. Apenas para contextualizar, ontem mesmo estava tentando ensinar a meus alunos o que e um numero. A dificuldade − e que dificuldade! − se devia ao arraigado preconceito de se vincular a ideia de numero ao processo de contar e medir. E grande o numero de preconceitos com que os alunos chegam a Universidade, e isto torna-se um grande obstaculo ao aprendizado. Certa feita, ao iniciar o estudo de vetores, disse-lhes: esquecam tudo o que voces sabem (ou pensam que sabem) sobre este assunto, pois isto sera um obstaculo. Um outro ensinamento precioso − de ouro − e: “aquele que deseja ter acesso a ciencia deve estar preparado para aceitar uma brusca mutacao que contradiz o passado”. E com este espırito que o leitor devera adentrar as paginas do presente livro.

O que e uma teoria?

“A ciencia nao passa do bom senso exercitado e organizado” (Aldous Huxley)

A Academia Nacional de Ciencias dos EUA define uma teoria como sendo “uma explicacao plausıvel ou cientificamente aceitavel, bem fundamentada, que explica algum aspecto do mundo natural. Um sistema organizado de conhecimento aceito que se aplica a uma variedade de circunstancias para explicar um conjunto especıfico de fenomenos e predizer as caracterısticas de fenomenos ainda nao observados”.

O dicionario Michaelis On-line define teoria como sendo uma “hipotese ja posta a prova, no mundo real, confirmada e, assim, aceita por cientistas orientados e experimentados no assunto; esta, porem, sempre sujeita a modificacao de acordo com novas descobertas”.

Uma teoria cientıfica representa o conhecimento cientıfico tido como mais correto, e se compoe de hipoteses testaveis, e hipoteses que foram testadas, alem de fatos que as evidenciam. As teorias nao sao transformadas nunca em leis ou verdades definitivas. Elas podem ser abandonadas ou aperfeicoadas pelas evidencias descobertas pela investigacao cientıfica. Alem disso, as teorias sao usadas para fazer previsoes que mais tarde sao testadas ou investigadas em laboratorio ou na natureza, e que tambem servem para refutar as teorias ou aumentar a confianca que temos nelas.

As teorias sao constitutivas tanto da matematica quanto da fısica moderna, a seguir o cientista Stephen Hawking nos fala da importancia de uma teoria:

Nao ha, porem, como discernir o que e real no universo sem uma teoria. Assumo por isso o ponto de vista, ja qualificado de simplorio ou ingenuo, de que uma teoria da fısica e nada mais nada menos que um modelo matematico que usamos para expressar os resultados de observacoes. Uma teoria [verdade] e boa se for um modelo elegante, se descrever uma ampla classe de observacoes, e se previr o resultado de novas observacoes. Nao faz sentido ir alem disso, perguntando se ela corresponde a realidade, porque, independentemente de uma teoria, nao sabemos o que e realidade. (Stephen Hawking)

Colocamos em destaque: Independentemente de uma teoria, nao sabemos o que e realidade.

O que e um postulado?

Para o objetivo que temos em vista neste livro e muito importante que o leitor entenda o que e um postulado, bem como qual o seu papel no desenvolvimento de uma teoria. Para fixar as ideias iniciemos por uma analogia bem elementar sobre o papel de um postulado.

Um edifıcio e construido sobre uma base, uma fundacao, um alicerce. De modo similar, uma teoria cientıfica e construida sobre uma base, sobre um alicerce; este alicerce e o que denominamos de um postulado.

Resumindo: Um postulado e o alicerce − ponto de partida − sobre o qual vamos construir uma certa teoria cientıfica.

Apenas a tıtulo de exemplo, a geometria plana de Euclides fundamentase em cinco postulados, dentre eles:

Postulado 1: Pode-se tracar uma reta ligando quaisquer dois pontos.

Postulado 5: “Por um ponto p exterior a uma reta r, considerados em um mesmo plano, existe uma unica reta paralela a reta r ”:

spr sp

Este ultimo postulado e tambem conhecido como “o postulado das paralelas”.

A Teoria da Relatividade de Einstein esta fundamentada em dois postulados, quais sejam∗:

Postulado 1: As leis da fısica sao as mesmas em qualquer sistema de referencia inercial.†

Postulado 2: A velocidade da luz no vacuo e sempre a mesma em qualquer sistema de referencia inercial e nao depende da velocidade da fonte.

Nota: Em realidade e impossıvel encontrar um sistema de referencia inercial, posto que sempre ha algum tipo de forca atuando sobre os corpos, mas sempre e possıvel encontrar um sistema de referencia no qual o problema que estamos estudando se pode tratar como se estivessemos em um sistema inercial. Em muitos casos, supor um observador fixo na Terra e uma boa aproximacao de um sistema inercial.

Suponhamos um observador O fixo em relacao ao solo, e um vagao movendo-se com velocidade constante v em relacao ao solo.

q O v u

Tanto o observador O como o proprio vagao podem ser tomados como referenciais inerciais.

Para o objetivo que temos em vista neste livro e de extrema importancia que o leitor compreenda bem o que e − e o que nao e − um postulado. A seguir tentaremos esmiucar o “alcance” de um postulado.

Um postulado precisa ser evidente ou intuitivo?

Nao, um postulado pode ate mesmo ir de encontro ao senso comum; como e o caso do segundo postulado de Einstein, enunciado acima. A bem da verdade, ainda hoje em dia − decorrido mais de um seculo − encontramos fısicos que nao “engolem” este postulado de Einstein.

∗Teoria da Relatividade Especial ou Restrita, publicada em em 1905. Registre-se tambem que, em 1915, Einstein publicou a Teoria da Relatividade Geral, uma generalizacao da teoria anterior.

†Referencial inercial e um sistema de referencia em que corpos livres (sem forcas aplicadas) nao tem o seu estado de movimento alterado, ou seja: corpos livres nao sofrem aceleracoes quando nao ha forcas sendo exercidas. Tais sistemas ou estao parados ou em movimento retilıneo uniforme uns em relacao aos outros.

Um postulado e verdadeiro?

Um postulado nao e nem verdadeiro nem falso − se fosse, nao seria um postulado −. Ademais, nenhuma quantidade de “experimentos” (verificacoes) e suficiente para validar um postulado, isto e, torna-lo verdadeiro. Por exemplo, vou enunciar o seguinte postulado:

Amanha o sol nascera Perguntamos: Este postulado e verdadeiro ou falso?

Respondemos: Esta afirmacao nao e nem verdadeira e nem falsa. Embora seja verdade que o sol tenha nascido milhares e milhares de vezes, nao podemos afirmar que amanha sucedera o mesmo. Com efeito, podemos exibir inumeras razoes pelas quais isto podera deixar de ser verdade, por exemplo, se um meteorito se chocar com a Terra arrancando-a de sua orbita.

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