Manual de identificação de plantas daninhas
(Parte 1 de 3)
Documentos
2ª edição
Manual de identificação de plantas daninhas da cultura da soja

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embrapa Soja Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Embrapa Soja Londrina, PR 2015
Documentos
Manual de identificação de plantas daninhas da cultura da soja
2ª edição
Dionísio Luiz Pisa Gazziero, Romulo Pisa Lollato, Alexandre Magno Brighenti, Robinson Antonio Pitelli, Elemar Voll Autores
ISSN 2176-2937 Abril, 2015
1ª edição 1ª impressão (2006): 5.0 exemplares
2 edição Versão on-line(2015)
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| / Dionísio Luiz Pisa Gazziero | [et al. ]. – 2.ed. – Londrina: |
Manual de identificação de plantas daninhas da cultura da soja Embrapa Soja, 2015.
| 126 p. :il color.; 18cm. - - (Documentos / Embrapa Soja, ISSN |
2176-2937; n. 274).
| 1.Erva daninha. 2. Soja-Erva daninha-Identificação. I.Gazziero, |
D.L.P. I.Lollato, R.P. II.Brighenti, A.M. IV.Pitelli, R.A. V.Voll, E. VI.Título. VII.Série.
CDD: 632.5 (21.ed).
Dionisio Luiz Pisa Gazziero Engenheiro Agrônomo, Dr. Pesquisador, Embrapa Soja, Londrina/PR dionisio.gazziero@embrapa.br
Rômulo Pisa Lollato Engenheiro Agrônomo, Dr. Professor da Kansas State University Manhattan, Kansas, Estados Unidos. lollato@ksu.edu
Alexandre Magno Brighenti Engenheiro Agrônomo, Dr. Pesquisador, Embrapa Gado de Leite, Juiz de Fora/MG alexandre.brighenti@embrapa.br
Autores
Robinson Antonio Pitelli Engenheiro Agrônomo, Dr. UNESP - Jaboticabal/SP rapitelli@ecosafe.agr.br
Elemar Voll Engenheiro Agrônomo, Dr. Pesquidador, Embrapa Soja, Londrina, PR elemar.voll@embrapa.br
Colaboradores
Edson de Oliveira Técnico em Agropecuária da Embrapa Soja, Londrina/PR edson.oliveira@embrapa.br
Reinaldo Teruhiko Moriyama Técnico em Agropecuária da Embrapa Soja, Londrina/PR reinaldo.teruhiko@embrapa.br
Apresentação
A infestação com plantas daninhas pode ser responsável por perdas significativas na produção de soja. Para que o controle dessas espécies seja bem feito é preciso conhecer suas características, o que se inicia pela correta identificação de cada uma delas.
Ainda que a comunidade das plantas infestantes seja muito diversificada em um país tropical como o Brasil, sabe-se que algumas espécies aparecem com maior frequência nas lavouras comerciais de soja.
O presente documento é resultado do esforço da Equipe de Plantas Daninhas da Embrapa Soja. Tem por objetivo, contribuir com informações que ajudem na identificação das principais plantas infestantes da soja e servir como uma publicação de apoio técnico a estudantes, agricultores e profissionais que desenvolvem atividades nessa área.
Nesta segunda edição, foram adicionadas novas plantas daninhas de ocorrência recente.
José Renato Bouças Farias
Chefe-Geral Embrapa Soja

| Introdução | 1 |
| Família Amaranthaceae | 13 |
| ♦ Alternanthera tenella | 15 |
| ♦ Amaranthus deflexus | 16 |
| ♦ Amaranthus hybridus | 17 |
| ♦ Amaranthus spinosus | 18 |
| ♦ Amaranthus viridis | 19 |
| Família Asteraceae (Compositae) | 21 |
| ♦ Acanthospermum hispidum | 23 |
| ♦ Acanthospermum australe | 24 |
| ♦ Ageratum conyzoides | 26 |
| ♦ Emilia sonchifolia | 27 |
| ♦ Conyza spp | 28 |
| ♦ Bidens spp | 30 |
| ♦ Galinsoga parviflora | 32 |
| ♦ Melampodium perfoliatum | 3 |
| ♦ Parthenium hysterophorus | 34 |
| ♦ Porophyllum ruderale | 35 |
| ♦ Senecio brasiliensis | 36 |
| ♦ Tridax procumbens | 39 |
| Família Brassicaceae | 41 |
| ♦ Coronopus didymus | 43 |
| ♦ Raphanus raphanistrum | 4 |
| Família Commelinaceae | 45 |
| ♦ Commelina benghalensis | 47 |
| ♦ Murdannia nudiflora | 48 |
| Família Convolvulaceae | 51 |
| ♦ Ipomoea grandifolia | 53 |
| ♦ Ipomoea nil | 54 |
| ♦ Ipomoea purpurea | 5 |
| Família Euphorbiaceae | 57 |
| ♦ Chamaesyce hirta | 59 |
| ♦ Chamaesyce hyssopifolia | 60 |
| ♦ Croton glandulosus | 61 |
| ♦ Euphorbia heterophylla | 62 |
| ♦ Phyllanthus tenellus | 63 |
| Família Fabaceae | 65 |
| ♦ Desmodium tortuosum | 67 |
| ♦ Senna obtusifolia | 68 |
| Família Lamiaceae | 69 |

| ♦ Leonurus sibiricus | 73 |
| Família Malvaceae | 75 |
| ♦ Sida rhombifolia | 7 |
| Família Poaceae | 79 |
| ♦ Avena fatua | 81 |
| ♦ Brachiaria brizantha | 82 |
| ♦ Brachiaria decumbens | 83 |
| ♦ Brachiaria plantaginea | 84 |
| ♦ Cenchrus echinatus | 85 |
| ♦ Chloris spp | 86 |
| ♦ Digitaria insularis | 87 |
| ♦ Digitaria spp | 8 |
| ♦ Echinochloa colonum | 90 |
| ♦ Eleusine indica | 91 |
| ♦ Lolium multiflorum | 92 |
| ♦ Panicum maximum | 93 |
| ♦ Pennisetum setosum | 94 |
| ♦ Rhynchelytrum repens | 95 |
| ♦ Setaria geniculata | 96 |
| ♦ Portulaca oleracea | 101 |
| ♦ Talinum paniculatum | 102 |
| Família Rubiaceae | 103 |
| ♦ Richardia brasiliensis | 105 |
| ♦ Spermacoce latifolia | 106 |
| ♦ Spermacoce vertticilata | 107 |
| Família Sapindaceae | 109 |
| ♦ Cardiospermum halicacabum | 1 |
| Família Solanaceae | 113 |
| ♦ Nicandra physaloides | 115 |
| ♦ Solanum americanum | 116 |
| Plantas Daninhas resistentes a herbicidas | 118 |
| Espécies resistentes a herbicidas de diferentes mecanismos de ação, relatadas no Brasil | 119 |
| Glossário de termos botânicos | 120 |
Introdução
Desde que a soja foi introduzida comercialmente no Brasil, o controle das plantas infestantes tem se caracterizado como uma das operações mais complexas e caras do sistema de produção. As plantas daninhas vivem em comunidades, compostas por indivíduos, cada um com características próprias. É fundamental conhecer a biologia de cada individuo e detalhes das especificações dos produtos disponíveis para seu controle. Tanto para a soja convencional como para a soja geneticamente modificada (soja R) para tolerância ao glifosato, é imprescindível considerar os conceitos básicos do manejo de plantas daninhas, para que seja possível a manutenção das áreas de cultivo livres dessas espécies. Para isso, é preciso utilizar rotação de culturas e rotação do mecanismo de ação dos herbicidas, controlar as espécies infestantes durante o ano todo não permitindo o aumento no banco de sementes, realizar o manejo adequado na pré-semeadura para a eliminação total das plantas daninhas antes do início da safra e programar aplicações únicas ou seqüenciais, levando-se em conta os efeitos da mato-competição.
Este documento apresenta as plantas daninhas mais facilmente encontradas nas lavouras de soja, as quais foram agrupadas por famílias e descritas com informações para ajudar na sua identificação, uma vez que esse é o passo inicial para que o manejo das plantas infestantes seja feito com sucesso.
Família Amaranthaceae Família Amaranthaceae
A família Amaranthaceae tem dois gêneros que são bastante importantes na cultura da soja, Alternanthera e Amaranthus. Normalmente, são plantas com elevada produção de sementes pequenas que se dispersam com facilidade. Algumas espécies, como o Amaranthus retroflexus, apresentam metabolismo fotossintético C4, o que lhes confere alta capacidade competitiva em períodos de boa insolação e restrição de chuvas. Algumas espécies são importantes não só pela redução na produtividade de soja, como também pela interferência na colheita mecânica e por serem hospedeira intermediária de nematóides. A importância relativa das amarantáceas tende a aumentar com a elevação do pH e da fertilidade do solo. As principais espécies que ocorrem na cultura da soja são citadas a seguir.
Alternanthera tenella
Nome comum: Apaga-fogo
Planta anual ou perene, dependendo das condições que habita, com reprodução por semente. Adapta-se bem em solos de textura média e argilosos. Planta herbácea, muito ramificada, com tendência de crescimento lateral, quando isolada e de crescimento ereto, quando sob competição. O caule é lenhoso na base e bastante ramificado. Os ramos são cilíndricos, com entrenós variando em média de 1 a 7 cm de comprimento, lisos nas porções mais velhas e pilosos nas porções mais novas. A raiz principal é pivotante, com raízes adventícias a partir de nós que permanecem em contato com o solo úmido. As folhas são simples, sésseis e opostas. Nas plantas novas, as folhas são maiores; à medida que a planta envelhece, emite folhas de menor tamanho. As flores têm coloração creme ou esbranquiçada na maturação. A semente tem formato ovalado, superfície lisa e brilhante de coloração castanho-amarelada a castanho-avermelhada, sendo mais escura na região do hilo. Suas populações apresentam elevada taxa de absorção de nutrientes do solo.
Fotos: Dionisio L. P. Gazziero
Amaranthus deflexus
Nome comum: Caruru-rasteiro
Planta anual que se reproduz por semente. Desenvolve-se bem em solos férteis, preferindo locais sombreados e úmidos. Planta herbácea, intensamente ramificada, com caules cilíndricos, carnosos e lisos. Tem aspecto geralmente prostrado, apenas com a parte superior ereta. As folhas são simples e alternadas, com pecíolo longo e nervuras bem acentuadas. Formamse espigas relativamente compactas com coloração verde pálida, na parte terminal do caule, devido à junção das inflorescências. A flores possuem nervura mediana verde escura e a semente é lisa e brilhante e têm forma de ovo. Entre as plantas do gênero Amaranthus, esta espécie é mais frequente em áreas de cultivo intensivo.Foto: K.G. Kissmann Foto: Edson de Oliveira
Amaranthus hybridus
Nome comum: Caruru-gigante
Planta anual, herbácea com caule ereto, cilíndrico, liso ou ligeiramente piloso, sulcado longitudinalmente, com grande variabilidade de cores, existindo desde o verde (variedade patulus) até o vermelhopúrpura (variedade panicatulus). Possui folhas simples, alternadas, abundantes na parte superior da planta, em forma ovalada ou lanceolada, de margens regulares ou levemente onduladas e o caule apresenta de cores variadas. As inflorescências formam espigas cilíndricas e densas, na parte terminal do caule nas axilas das folhas, com a cor predominante variando do verde à avermelhada ou púrpura. Os frutos se abrem por uma linha transversal, expondo a semente com superfície lisa e brilhante. A dispersão é feita através da semente, pela abertura espontânea dos frutos.
Fotos: Edson de Oliveira
Amaranthus spinosus
Nome comum: Caruru-de-espinho
Planta ereta anual, com reprodução por semente, muito ramificada e com espinhos. O caule é robusto, formando lenho na base, onde é muito ramificado, roliço, liso ou com poucos pêlos, de cor verdeavermelhada ou vermelho escura. No local da junção das folhas ao ramo, ocorre um par de espinhos rígidos. As folhas têm forma de ponta de lança, com margens levemente onduladas, coloração verde escura ou avermelhada, saindo uma para cada lado, mas de pontos diferentes. A inflorescência apresenta flores em forma de espiga muito densa, saindo da parte terminal dos ramos ou da junção da folha ao caule. As flores são de cor amarelo-esverdeada, rosada ou castanha. O fruto é liso, envolto por cinco folhas em forma de ponta de lança, com uma espécie de tampa que se abre mostrando uma urna. A semente é oval, brilhante, de coloração castanho-aver-melhado e superfície sem pêlos. A dispersão é feita por frutos e sementes.
Foto: Reinaldo T. Moriyama
Amaranthus viridis
Nome comum: Caruru-de-mancha
Planta anual que se reproduz por semente, sendo comum ocorrer aglomerações densas pela sua dificuldade de dispersão a partir das infrutescências. É mais comum em solos trabalhados, e menos comum em solos muito úmidos. É planta herbácea, ereta, de caule cilíndrico, estriado longitudinalmente, liso ou com escassa pilosidade e de pouca ramificação quando ereto. Apresenta folhas simples, alternas, ovaladas, com margens regulares ou levemente onduladas, de coloração verde intensa, podendo ocorrer manchas acinzentadas ou castanho- avermelhadas na parte mediana. As inflorescências formam espigas densas de cor verde pálida, com possibilidade de pigmentação vermelha, na parte terminal dos ramos. Sobre o eixo das espigas estão as flores. Os frutos têm a superfície muito rugosa com coloração variando de castanho claro a castanho escuro. Não apresentam deiscência espontânea e são responsáveis pela dispersão da espécie. A semente tem a superfície lisa e brilhante.
Foto: Edson de Oliveira
Família Asteraceae (Compositae) Família Asteraceae (Compositae)
A família Asteraceae possui diversas espécies que são caraterizadas como infestantes importantes na cultura da soja. As representantes dessa família apresentam grande variabilidade de formas de crescimento, desde plantas prostadas e de pouca biomassa, como o carrapicho-rasteiro, até plantas eretas com grande porte, como a buva e a maria-mole, as quais qual criam problemas para operacionalização da colheita mecânica. Abriga algumas espécies com grande possibilidade de manifestação de resistência aos herbicidas, como o picãopreto, outras com destacada capacidade de produção e dispersão de dissemínulos, como a erva-de-touro, e algumas com condições de crescimento em solos pouco férteis, como o carrapicho-de-carneiro. As principais espécies que ocorrem na soja são:
Nome comum: Carrapicho-de-carneiro
Planta anual que se reproduz por semente. Cresce bem, tanto em solos argilosos quanto arenosos, sendo de difícil controle devido à germinação irregular. Planta sempre verde, ereta, com folhas e ramos desde a base. O caule é roliço, de cor verde-clara com muitos pêlos transparentes. As folhas são ovais, pilosas, com margens irregulares e de cor verde, dispostas duas por nó, diametralmente opostas. As flores têm pilosidade e o formato de estrela, de coloração verde-amarelada na parte externa e amarela na parte interna. Os frutos têm superfície dura, áspera, de coloração castanhoamarelada a castanho-escura, com cerdas e espinhos recurvados, e aspecto parecido com a cabeça de ovinos ou caprinos adultos, daí o nome popular. A dispersão é pelos
Acanthospermum hispidum frutos, que se prendem facilmente à sacaria ao pelo de animais, às roupas de trabalhadores rurais e outras superfícies. A produção dos frutos é muito grande, chegando a milhões por hectare.
Fotos: Dionisio L. P. Gazziero
Acanthospermum australe
Nome comum: Carrapicho-rasteiro
Planta anual, prostrada, que se reproduz exclusivamente por semente. Cresce bem com alta luminosidade, não necessitando de muita umidade para o seu desenvolvimento. Vegeta em solos ácidos e fracos. O caule é roliço, bastante ramificado na parte inferior, com pêlos acinzentados de cor verde ou vermelha. As folhas têm forma oval e margens levemente recortadas, com pelos curtos, podendo emitir pequenos ramos com folhas do caule, que liberam uma substância pegajosa. As flores são de coloração amarela por fora e esbranquiçada por dentro, com forma de tubo e invólucro verde. O fruto tem forma oval envolto por invólucro rígido, com várias cerdas duras. A dispersão é feita pelo fruto, que se prende facilmente à sacaria, ao pêlo de animais e às roupas de trabalhadores rurais, o que constitui o principal meio de dispersão dessa planta daninha a longas distâncias. Em solos com pH corrigido, sua importância na comunidade infestante é reduzida, devido à intensa resposta à calagem.
Foto: Dionísio L. P. Gazziero
25 Fotos: Reinaldo T. Moriyama
Ageratum conyzoides
Nome comum: Mentrasto
Planta anual, que se reproduz por semente. Adapta-se bem em solos argilosos e locais úmidos, mas tolera ambientes relativamente secos. Planta herbácea, caule ereto, cilíndrico, com pêlos esbranquiçados e entrenós longos. As folhas são simples, pecioladas, revestidas de curtos pêlos alvos, em ambas as faces, e margens com recortes em semicírculos. Exalam odor quando amassadas. As flores se originam de vários pontos e alcançam a mesma altura, podendo ser de cor violeta ou branco-azulada. A dispersão se dá através dos frutos e é feita pelo vento ou pela água, devido à esparsos pêlos brancos que se projetam do aquênio. Pode produzir até três gerações por ano. Embora não tolere geadas, desenvolve-se bem no inverno. Fotos:
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