Manual de identificação de plantas daninhas

Manual de identificação de plantas daninhas

(Parte 2 de 3)

Dionisio L.

P. Gazziero

Emilia sonchifolia

Nome comum: Falsa-serralha

Planta anual que se reproduz por semente. Vegeta melhor em solos ricos, embora infeste também solos de baixa fertilidade. Requer boa luminosidade e temperatura relativamente alta para se desenvolver, não crescendo bem em áreas sombreadas ou frias. Planta ereta, de caule roliço, com coloração verde e superfície com poucos pêlos. As folhas têm aspecto variado, sendo as inferiores em formato oval, quase circular. As folhas medianas não têm pecíolos e as superiores têm forma de ponta de lança, com base larga envolvendo o caule no ponto de inserção.

As folhas apresentam pilosidade, têm as margens recortadas, coloração verde clara em plantas novas e verde intenso nas adultas. As flores têm forma de tufos roliços verdes com pétalas vermelhas, saindo na extremidade. O fruto tem coloração cinza-amarelado, com pêlos pequenos em sua superfície e brancos, sedosos e compridos na extremidade, o que facilita sua dispersão pelo vento. É uma das primeiras plantas daninhas a colonizar áreas de expansão agrícola e, com os anos de agricultura, vai diminuindo sua importância relativa pela chegada de outras espécies mais competitivas.

Fotos: Dionisio L. P. Gazziero

Conyza spp.

Nome comum: Buva

O gênero Conyza contempla um grande número de espécies. Três delas estão registradas como de importância para a agricultura brasileira: Conyza bonariensis, Conyza canandensis e Conyza sumatrensis. São plantas anuais, eretas, que produzem grande quantidade de sementes chegando, a 200 mil ou mais por planta. São fotoblasticas positivas ou seja de luz para germinar, por isso sua presença é mais restrita nas áreas ocupadas por culturas com boa formação de palhada, como trigo, aveia e braquiária ruziziensis. Nas áreas de pousio as sementes de buva encontram condições ideais para germinação e desenvolvimento. As sementes são pequenas, pesando cerca de 2000 vezes menos que o peso de um grão de soja, não são dormentes e se disseminam com facilidade pelo vento. Estas espécies germinam bem no período de entressafra, momento ideal para o controle, pois plantas acima de 5 a 10 cm costumam rebrotar e recuperar o desenvolvimento. Foram identificadas no Brasil biótipos das três espécies resistentes ao glifosato, inibidor da EPSPs (glifosato), e de C. sumatrensis também ao clorimuron, inibidor da ALS. A identificação a campo não é fácil de ser realizada, sendo preciso considerar inúmeras características em detalhes, mas cabe destacar algumas facilmente visíveis. A Conyza bonariensis possui folhas com margens lisas, podendo em certas variedades apresentar finos dentes. Os ramos da parte central da planta são maiores e ultrapassam o topo do caule. A Conyza canadenses possui folhas com margens dentadas e os ramos laterais não excedem ao topo, deixando a planta em forma piramidal. A Conyza sumatrensis também apresenta forma piramidal, porém a haste principal apresenta maior pilosidade do que a C. canadenses.

Fotos: Dionisio L.

P. Gazzier o

Bidens spp.

Nome comum: Picão-preto

O gênero Bidens apresenta duas espécies comumente encontradas no Brasil, Bidens pilosa e Bidens subalternans, plantas anuais que se reproduzem por semente. Suas populações têm grande diversidade genética, o que confere plasticidade fenotípica, tanto no indivíduo, principalmente com relação às épocas de florescimento e frutificação, como na população, com o desenvolvimento de sub-populações resistentes aos herbicidas inibidores da enzima ALS (Acetolactato sintase). Com isso, o picão-preto é planta invasora desde ambientes de olericultura até pastagens mal manejadas. Essa plasticidade a torna uma das plantas daninhas com maiores densidades populacionais, em culturas agrícolas no Brasil. Bidens pilosa tem caule ereto, liso ou levemente piloso, de cor verde, podendo apresentar manchas vermelhas. As folhas têm margens serrilhadas e pilosidade variável. A flor tem pétalas brancas. Os frutos são aquênios de coloração negra fosca com pequenas protuberân-cias de onde se originam pêlos; numa das extremidades, há aristas duras, bem abertas, pontiagudas, geralmente em número de três, essenciais para a dispersão da espécie. Bidens subalternans tem características bastante semelhantes à Bidens pilosa, diferenciando-se principalmente pelas seguintes características: número de aristas nos aquênios (frutos), predominantemente quatro, sem protuberâncias e com pêlos somente no ápice; flores com lígulas de cor amarela ou creme; base sem ramificações; ramos alternados a partir de certo ponto na haste principal. Uma terceira espécie, Bidens alba também pode ser encontrada, especialmente na região litorânea. Diferencia-se por possuir frutos com predominância de duas aristas e grandes lígulas brancas.

31 Fotos: Dionisio L. P. Gazziero

Galinsoga parviflora

Nome comum: Picão-branco, fazendeiro

Planta anual, com altura variando de 10 cm a 80 cm dependendo das condições em que se desenvolve. Pode, em sistema aberto, ter amplo crescimento lateral e atingir pequena altura, mas quando submetida a forte competição com outras plantas, tem crescimento mais ereto. O caule é cilíndrico, de coloração verde clara, liso na parte inferior e com pêlos curtos na parte superior. A raiz principal é pivotante, ocorrendo inúmeras raízes secundárias que crescem paralelamente à superfície do solo. Possui folhas simples e opostas, sendo as inferiores com pecíolo e as superiores sésseis. O período de florescimento é bastante longo e quase sempre se encontram plantas com flores de cor amarelada. Suas sementes são dispersas facilmente pelo vento. É planta de ciclo curto e é mais comum em ambientes de agricultura intensiva, com áreas sob pivô central.

Fotos: Edson de Oliveira

Melampodium perfoliatum

Nome comum: Estrelinha

Planta anual que se reproduz por semente. Possui caule ereto, roliço nas partes mais velhas e um pouco achatado com estrias nas partes novas, ramos de coloração vermelhoamarronzada e superfície áspera. As folhas têm forma variável, normalmente tipo ovo, com a parte inferior estreita, envolvendo o caule/ ramos, coloração verde na folha e vermelha nas nervuras. As folhas opostas se dispõem duas a duas. A flor tem haste comprida que a liga ao caule, saindo dos pontos de inserção do ramo ao caule e dos pontos de fixação da folha aos ramos. Ao redor da flor, há cinco folhas de tamanho relativamente grande e coloração verde, contrastando com o amarelo da flor. Os frutos têm superfície brilhante, sem pêlos e levemente rugosa. Devido ao peso, os frutos não são dispersos pelo vento, mas se destacam facilmente, caindo perto da planta mãe. Por isso, novas infestações destas plantas têm distribuição agregada.

Fotos: Reinaldo T. Moriyama

Parthenium hysterophorus

Nome comum: Losna-branca

Planta anual que se reproduz por semente. Cresce bem em solos revolvidos, argilosos e ricos em matéria orgânica, ocorrendo o ano todo, em regiões tropicais e subtropicais. A planta é sempre verde e ereta. O caule se desenvolve lentamente. Inicialmente, há só uma roseta e, mais tardiamente, aparece o caule que é pouco ramificado na base, mas com muitos ramos na parte superior. O caule tem consistência carnosa, mas de difícil rompimento; coloração verde com sulcos verde escuro e pêlos brancos ao longo. Apresenta maior densidade de folhas na parte basal, as quais são alternas opostas, com margem intensamente recortada e nervuras salientes, na parte de trás. As folhas apresentam cor verde com pêlos curtos e fortes que podem causar efeito alérgico nas pessoas. As flores são brancas ou amarelas e ocorrem na parte terminal da planta, na ponta dos ramos. O fruto, cujo formato lembra pinhões, tem superfície enrugada, sem pêlos, sendo quase todo envolto pela flor. A dispersão se dá pelos frutos, que se prendem a partes das flores que servem como alas que são carregadas pelo vento. Esta espécie tem histórico no Brasil de biótipo resistente aos herbicidas inibidores da enzima ALS.

Ftoos: Dionísio L.P. Gazziero

Porophyllum ruderale

Nome comum: Couve-cravinho

Planta anual, herbácea, ereta, caule ramificado e liso na parte superior com 60 a 120 cm de altura, que se reproduz por semente. Todas as partes expostas da planta têm a superfície recoberta por fina camada de cera. A coloração é verde clara, frequentemente com pigmentação violácea. A raiz principal é pivotante, folhas simples, pecioladas, alternas ou quase opostas. Os aquênios (sementes) são lineares, retos ou arqueados com aproximadamente 8 m de comprimento e 0,4 m de largura. A semente com papilho é facilmente dispersa pelo vento.

Sua ocorrência vem crescendo com a adoção do sistema de semeadura direta.

Fotos: Edson de Oliveira

Senecio brasiliensis

Nome comum: Maria-mole

Planta perene, que se reproduz por semente. Vegeta em solos ácidos, aumentando sua agressividade em solo com pH corrigido e adubado. Caule é cilíndrico e muito ramificado. Possui ramos lisos na base, com estrias na parte terminal. Nas partes novas, apresenta coloração verdeclara e leve pigmentação vermelha e, à medida que crescem vão se tornando acinzentadas. Por volta do segundo ano, o caule se apresenta lenhoso. As folhas surgem ao longo do caule e dos ramos, e as da base do caule vão caindo e deixando cicatrizes. As folhas têm a margem profundamente recortada e são de coloração verde escura. As flores se concentram na parte terminal da planta, são de coloração amarela, saindo de alturas variadas dos ramos. Os frutos têm coloração castanha, com curtos pêlos grossos e brancos, envoltos por um anel de pêlos sedosos, que auxiliam na dispersão da espécie através do vento. Esta espécie era de ocorrência quase que exclusiva em pastagens e era pouco importante na cultura da soja até que o sistema de semeadura direta fosse implantado de forma generalizada. Tem grande interferência na colheita mecanizada.

Fotos: Dionísio L. P. Gazziero

Siegesbeckia orientalis

Nome comum: Botão-de-ouro

Planta anual que se reproduz por semente. Vegeta melhor em locais úmidos, tolerando pouca iluminação. Planta ereta e ramificada, com caule roliço, de cor verde ou vermelhoacastanhado. Apresenta entre-nós curtos na base e no ponto de onde nasce uma folha, se desenvolve um ramo. Folhas saindo de quatro em quatro de um mesmo ponto, uma para cada lado, com forma oval ou lanceolada, com margens irregularmente recortadas, superfície verde e com poucos pêlos brancos. As flores saem do ponto de junção das folhas superiores ao caule. Têm folhas grossas, com pêlos ao seu redor, que formam de quatro a seis pontas agudas. Também tem folhas mais finas envolvendo a parte interna que é de coloração amarela. Os frutos têm coloração escura, superfície brilhante, áspera, ocorrendo dentro de uma folha rudimentar com pêlos.

Fotos: Reinaldo T. Moriyama

Sonchus oleraceus

Nome comum: Serralha

Planta anual que se reproduz por sementes que são facilmente carregados pelo vento. O caule é levemente carnoso, com superfície lisa, ramificado na parte superior. Na parte inferior da planta, as folhas têm longa haste alada que as ligam ao caule, geralmente com três pontas agudas, enquanto as superiores têm apenas uma. As margens têm vários “dentes” agudos e moles, superfície lisa e lustrosa, de cor verde escura. As hastes das flores saem a partir do topo do caule e são protegidas por uma folha de coloração verde. Enquanto a flor não abre, só é visível a folha que a envolve e, à medida que as flores se abrem, a parte amarela vai aparecendo. Os frutos são plumosos, relativamente compridos, com coloração castanho clara ou avermelhada, superfície fosca, com as laterais divididas por um sulco.

Fotos: Dionísio L. P. Gazziero

Tridax procumbens

Nome comum: Erva-de-touro

Planta anual, ou bianual, herbácea, com enraizamento nos nós, se reproduz por semente que é facilmente carregada pelo vento. Os caules são pubescentes, em grande parte prostrados. Possui folhas simples, opostas. As flores apresentam coloração amarelo clara ou creme. É planta que passou a se tornar invasora com a ocupação dos Cerrados brasileiros. Atualmente, pode ser encontrada nas diferentes regiões produtoras de soja do Brasil. É frequente em áreas não agriculturáveis, beiras de estradas, de calçadas, terrenos baldios e mesmo em pomares e pastagens. Produz várias gerações por ano, vegetando com vigor inclusive no período de entressafra. Tem grande capacidade de produção de semente e é considerada como uma das espécies tolerantes ao herbicida glyphosate. Fotos: Dionisio L. P. Gazziero

Família Brassicaceae Família Brassicaceae

A família Brassicaceae, também conhecida como Cruciferae apresenta um grande número de gêneros (320) e um número ainda maior de espécies (3200), muitas delas de grande importância para a alimentação humana como o repolho, a couve, o nabo e a mostarda entre outras. Duas espécies são consideradas importantes plantas daninhas na cultura da soja, e serão citadas a seguir.

Coronopus didymus

Nome comum: Mastruço

Planta anual, herbácea com odor desagradável, muito ramificada, com caules rasteiros, com reprodução por semente. Vegeta bem em solos de textura média. Possui raiz principal pivotante, relativamente delgada de cor branca. As flores são pequenas, em forma de rim e coloração castanhoamarelada. Trata-se de espécie exigente em condições de fertilidade de solo, sendo muito frequente em áreas adubadas e com irrigação, como lavouras sob pivô central. Também pode ser caracterizada como planta daninha de fim de ciclo, com incidência maior no inverno.

Fotos: Edson de Oliveira

Raphanus raphanistrum

Nome comum: Nabiça

Planta anual, ereta, herbácea, aromática, variando de 50 a 100 cm de altura, caule ramificado e reprodução por semente. Quando ocorre no inverno, em solo fértil ou levemente ácido, desenvolve porte maior e compete bastante com os cereais, podendo estar ainda verde na maturação da cultura invadida. No entanto, plantas que se desenvolvem na primavera ou no verão, tendem a apresentar ciclo mais curto e porte menor. Possui raiz principal com grande quantidade de substâncias de reserva. As folhas inferiores são fortemente lobadas e as superiores geralmente menos lobadas, quase sem pecíolo. As flores podem ter coloração amarela, rosada e branca, No passado, a nabiça encontrava-se restrita às áreas do sul do Brasil, mas com a ocupação agrícola dos Cerrados e as tentativas de cultivo de trigo, foi introduzida no Brasil central como contaminante de sementes de gramíneas. Sofreu processo de aclimatação e, hoje, ocorre com relativa importância naquela região. Possui biótipos resistentes a herbicidas inibidores da enzima ALS.

Fotos: Dionísio L. P. Gazziero

Família Commelinaceae Família Commelinaceae

A família Commelinaceae tem muitas espécies morfologicamente similares conhecidas simplesmente como trapoerabas. A mais importante, Commelinna benghalensis, será descrita nesta publicação, assim como a Murdannia nudiflora, inicialmente classificada como Commelina nudiflora. Outras espécies como Commelina difusa, Commelina erecta e Commelina villosa, também ocorrem no Brasil e tem sido motivo de preocupação em lavouras comerciais de soja e milho nas regiões Centro e Sul do Paraná. Embora ocorram em menor freqüência, deve-se tomar todos os cuidados para evitar a disseminação dessas espécies, pois são todas consideradas de difícil controle químico, especialmente a C. villosa, por suportar doses elevadas do herbicida glifosato.

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