Manual de Boas Práticas de Classificação de Soja
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Define-se, portanto, a amostra como sendo a parte ou porção de grãos, representativa de um lote, que é selecionada para a análise e classificação e que deverá conter todas as características médias similares do lote do qual foi retirada, indicando sua natureza, qualidade e tipo.
Pela sua importância, recomenda-se seguir os procedimentos detalhados na sequência.
Essa amostra balizará todo o processo de classificação, recepção (descarga), limpeza e secagem e, se necessários, conferência, monitoria da qualidade durante o armazenamento e, principalmente a remuneração do produto. Destaca-se que a responsabilidade pela amostragem é do classificador.
Para realizar uma classificação confiável e representativa das características do lote amostrado, é fundamental total atenção com este procedimento.
Seguem recomendações para uma amostragem representativa:
Cuidados com a segurança: toda operação de coleta de amostras em caminhões ou diretamente na moega deve seguir as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego. Os EPIs mínimos, tais como capacetes, botinas de segurança e sistema de proteção contra quedas deverão ser utilizados de forma a prevenir acidentes de trabalho. No caso específico dos embarques FOB onde não existam linhas de vida e plataformas de acesso, recomenda-se o uso de escadas apropriadas para acesso à carga, bem como uso de cordas para descer a amostra antes da descida do classificador. No Anexo I, poderão ser encontrados mais detalhes sobre os procedimentos de segurança mínimos recomendados.
5.1. Procedimentos de coleta em compartimentos de carga
Tanto em embarques FOB, quanto CIF, deve-se coletar amostras representativas e aleatórias conforme sugestões nos desenhos abaixo, usando calador pneumático ou manual:

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O calador deve ser inserido até atingir o fundo. No caso de calador com janelas, as aberturas devem estar em posição fechada e no sentido vertical, para produtos a granel. Uma vez aberto deve-se girar de forma a abrir as janelas inferiores e posteriormente as superiores, agitar levemente ou esperar o enchimento e a seguir, fechar e retirar cuidadosamente.
5.2. Cuidados durante a amostragem Ao realizar a amostragem de cargas de grãos em veículos, tomar os seguintes cuidados:
Solicitar que o caminhão seja desenlonado totalmente antes de coletar a amostra. Em toda e qualquer amostragem de grãos, os veículos deverão estar totalmente desenlonados.
Sinalizar ao motorista que será retirada uma amostra de modo a evitar que o caminhão se mova e danifique o calador pneumático ou ponha em risco a pessoa que executa a amostragem sobre o caminhão. Podem ser utilizados os semáforos.
5.3. Procedimento de amostragem
Unidades Armazenadoras: coletar a amostra conforme as regras dos itens 5.1 e 5.2. Cargas com dificuldades de amostragem com o calador por excesso de impurezas, umidade, ou veículos com carrocerias muito altas deverão ser amostradas na moega com pelicano durante o descarregamento. É facultado ao produtor ou ao seu preposto o direito de acompanhar a operação de retirada de amostra respeitando as normas de segurança locais;
Fazendas/Terceiros: coletar a amostra conforme as regras dos itens 5.1 e 5.2.-
Deve-se acompanhar o carregamento das cargas, para confirmar a homogeneidade, do contrário as cargas devem ser descarregadas e carregadas novamente com a presença do classificador. Cargas com dificuldades de amostragem com o calador por excesso de impurezas, umidade ou outro fator devem ser descarregadas e carregadas novamente.
Atenção: durante a amostragem, independente do acondicionamento do produto, atentar para as características de todo o produto coletado com objetivo de detectar qualquer anormalidade de maior expressão, conforme item 3.g deste procedimento. Comunicar-se imediatamente com os responsáveis pelo embarque sugerindo uma ação corretiva.
Obs.: a desuniformidade do lote pode gerar erros de amostragem.

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5.4. Procedimento de homogeneização
Retirar a amostra do recipiente de amostras (balde ou caixa de acúmulo do coletor pneumático) homogeneizar a amostra e quarteá-la até obter a amostra de trabalho de 500 a 800 gramas.
5.5. Contra-amostras e procedimento de contestação de classificação
Deve ser arquivada uma amostra de 500 a 800 gramas de cada carga recebida, independente da qualidade, pelo prazo de 3 dias, para fins de confirmação do resultado, caso necessário.
A contra-amostra (amostra de arquivo) poderá ser reanalisada a pedido do produtor dentro desse prazo. Se a contra-amostra for retirada, esta não deverá ser acompanhada do laudo de classificação nem poderá ser utilizada para contestação de resultados.
O proprietário da carga ou seu representante poderá acompanhar a classificação de seu produto mediante cumprimento normas e diretrizes de segurança da empresa.
Caso desejado, o produtor pode questionar a classificação ANTES da descarga. Nesse caso, a arbitragem deverá ser realizada na unidade recebedora na presença do produtor ou seu representante indicado.
5.6. Procedimentos de classificação
5.6.1. Determinação de matérias estranhas, impurezas e quebrados (quando aplicável)
Despejar a amostra de trabalho (no mínimo 250 g) sobre a peneira, acomodada sobre o respectivo fundo, e realizar movimentos de vai e vem no sentido horizontal. Ao material que vazou na peneira de 3 m, juntar as outras impurezas ou matérias estranhas catadas à mão e que ficaram retidas nas peneiras de 3 m. Pesar, calcular o percentual ou utilizar as teclas função da balança eletrônica. Anotar no Laudo de Classificação Interno.
5.6.2. Determinação de umidade
Após obtenção da amostra de trabalho e passagem pela peneira para retirada de matérias estranhas e impurezas, retirar de cima da peneira a quantidade de grãos requerida para o determinador de umidade.
Colocar a amostra no aparelho, e realizar a determinação de umidade que será informada em porcentagem no visor. Anotar o resultado no laudo de classificação interno.
OBS: A determinação de umidade somente será finalizada com a massa de grãos com temperatura estabilizada, sendo sugerido que esta não exceda a temperatura máxima recomendada pelo fabricante.
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5.6.3. Determinação de avariados
Da mesma amostra limpa e homogeneizada e/ou quarteada, pesar no mínimo 50 g.
Dispor a amostra sobre uma superfície limpa e de cor contrastante (recomenda-se cor azul fosco), separar manualmente os grãos e pedaços de grãos avariados utilizando o estilete ou alicate para cortar os grãos em caso de dúvida, verificando se os cotilédones apresentam alteração visível de coloração e textura normal. Para efeito de arbitragem, cross check, ou outros processos de controle, devem ser cortados todos os grãos da amostra.
Separar os grãos e pedaços de grãos queimados, ardidos, mofados, fermentados, germinados, danificados (exceto picados) imaturos, chochos, pesar esses avariados e calcular o percentual. Grãos ou partes de grãos picados de percevejo devem ser separados e pesados isoladamente, seu percentual dividido por quatro e depois somado aos demais avariados, para formar o total de avariados. Anotar no Laudo de Classificação Interno.
Em anexo a este Guia a referência visual para identificação de fermentados, ardidos e queimados.
5.6.4. Determinação dos esverdeados
Da mesma amostra de trabalho, utilizada na quantificação dos avariados, separar os grãos esverdeados, pesar, calcular o percentual e anotar no Laudo de Classificação Interno.
5.6.5. Determinação dos Quebrados
Da amostra de no mínimo 50g, caso o classificador julgar necessário, poderá ser utilizada uma peneira de crivo oblongo para separação dos quebrados. Serão considerados quebrados os fragmentos de grãos sadios que ficam retidos na peneira 3 m.
Atenção: no caso de grãos ou pedaços de grãos com mais de um defeito, deve-se considerar o mais grave para quantificação, conforme a sequência abaixo:
1. Queimados. 2. Ardidos. 3. Mofados. 4. Fermentados. 5. Esverdeados. 6. Germinados. 7. Danificados/picados. 8. Imaturos. 9. Chochos. 10. Partidos e quebrados/amassados.
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6. Resumo da classificação - passo a passo a) Em caso de expedição, antes do carregamento, fazer o Check List para carregamento (avaliação da limpeza do veículo). Em casos de classificação FOB, o classificador deverá acompanhar o carregamento do produto.
b) Realizar a amostragem conforme procedimento. c) Homogeneizar a amostra.
d) Realizar inspeção visual em todo o produto coletado para verificação dos itens de desclassificação conforme item 3.g.
e) Obter duas amostras de 500g a 800g, uma para trabalho e outra para arquivo. f) Determinar as impurezas. g) Reservar a amostra para determinação da umidade. h) Obter amostra mínima de 50g (para verificação dos defeitos). i) Determinar o percentual de defeitos. j) Determinar a umidade da amostra obtida na letra “f”. k) Preencher o Laudo de Classificação e guardar a amostra de arquivo. l) Descartar/devolver o restante da amostra obtida inicialmente.
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Anexo I. Lista de Insetos-Pragas Rhyzopertha Sitophilus Tribolium Oryzaephilus
Cryptolestes Sitotroga
Alphitobius
O inseto Alphitobius não é uma praga de grãos armazenados, não se desenvolvendo ou reproduzindo na massa de grãos, todavia pode eventualmente ser identificado em cargas em períodos de excesso de chuvas na lavoura.
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Anexo I. Aspectos mínimos de segurança do trabalho para amostragem de caminhões
Foi evidenciada a ausência de linha de energia elétrica próximo ao local de embarque? A distância entre a linha de energia e o caminhão é superior a 10 metros?
O posicionamento do caminhão para amostragem e vistoria deve estar afastado a mais de 10 metros de linhas de energia elétrica a fim de evitar contato com energia perigosa através de caladores, escadas móveis etc.
Deve haver acesso seguro para a vistoria prévia da carroceria do caminhão, antes do carregamento.
Deve haver estrutura segura para acesso à carga do caminhão. Escadas fixas ou móveis e passarelas.
Escadas e passarelas devem dispor de corrimão e/ou guarda-corpo.
O acesso com escada móvel à carroceria do caminhão deve ser com apoio em piso revestido e nivelado.
É recomendável a instalação de linhas de vida para ancoragem de cinto de segurança. É necessário prever estrutura ou ajudante para içar o calador, balde, etc.
Para o trabalho de amostragem, o caminhão deverá estar fechado e calçado, com motor desligado e o motorista fora da cabine.
Em caso de imprevistos que impactem na segurança do classificador/amostrador, a operação deve ser paralisada imediatamente, até normalização das condições de trabalho.
Devem ser exigidos EPIs em boas condições de uso, calçados de segurança, capacete, luvas e óculos de proteção.
As condições climáticas como chuvas, ventanias e tempestades com descargas elétricas, devem ser levadas em conta.
Além desses itens, devem ser seguidas as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho e Emprego.
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Anexo I. Referencial fotográfico de grãos
Grão Sadio Grão Sadio Grão Sadio Grão Sadio Grão Sadio
Grão Sadio Grão Sadio Grão Sadio Grão Sadio Grão Sadio
Grão Sadio Grão Sadio Grão Sadio Grão
Fermentado
Grão Fermentado
Grão
Fermentado
Grão
Fermentado
Grão
Fermentado
Grão
Fermentado
Grão Fermentado
Grão
Fermentado
Grão
Fermentado
Grão
Fermentado
Grão
Fermentado
Grão Fermentado
Grão
Fermentado
Grão
Fermentado Grão Ardido Grão Ardido Grão Ardido
Página 26 de 27 Anexo I. Referencial fotográfico de grãos
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Anexo V. Aspectos mínimos de qualidade e segurança
1) Compartimentos de carga limpos e pré inspecionados; 2) Produto livre de pragas e/ou infestações; 3) Produto livre de aglomerados em decomposição e/ou molhado; 4) Lonas em perfeito estado de conservação 5) Produto livre de contaminações físicas (pedras, madeira, EPI's, metal etc.);
6) Deve-se atentar a presença de outros grãos – arroz, milho, feijão etc. – tratados como contaminantes em destinos de exportação de soja, como China.
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