90000007-ebook-pdf - Pesca e Pisicultura no Pantanal

90000007-ebook-pdf - Pesca e Pisicultura no Pantanal

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Coleção u 500 Perguntas u 500 Respostas O produtor pergunta, a Embrapa responde

O produtor pergunta, a Embrapa responde

Débora Karla Silvestre Marques André Steffens Moraes

Editores Técnicos

Embrapa Informação Tecnológica

Brasília, DF 2010

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

Embrapa Pantanal Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Todos os direitos reservados

A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610).

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Embrapa Informação Tecnológica

Pesca e piscicultura no Pantanal : o produtor pergunta, a Embrapa responde / editores técnicos,

Débora Karla Silvestre Marques, André Steffens Moraes. – Brasília, DF : Embrapa Informação Tecnológica, 2010. 191 p. : il. – (Coleção 500 perguntas 500 respostas).

ISBN 978-85-7383-486-4

1. Desenvolvimento pesqueiro. 2. Ecossistema. 3. Peixes de água doce. I. Marques, Débora Karla Silvestre. I. Moraes, André Steffens. II. Embrapa Pantanal. IV. Série.

CDD 639.3 (21. ed.)

© Embrapa 2010

Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na:

Embrapa Informação Tecnológica Parque Estação Biológica (PqEB), Av. W3 Norte (final) CEP 70770-901 Brasília, DF Fone: (61) 3448-4236 Fax: (61) 3448-2494 vendas@sct.embrapa.br w.embrapa.br/liv

Produção editorial: Embrapa Informação Tecnológica Coordenação editorial: Fernando do Amaral Pereira

Mayara Rosa Carneiro Lucilene Maria de Andrade

Supervisão editorial: Wesley José da Rocha Revisão de texto: Maria Cristina Ramos Jubé Normalização bibliográfica: Celina Tomaz de Carvalho Projeto gráfico da coleção: Mayara Rosa Carneiro Editoração eletrônica: Júlio César da Silva Delfino Vetorização das ilustrações: Thiago Turchi

Daniel Brito

Arte-final da capa: Carlos Eduardo Felice Barbeiro Foto da capa: Luciano Fernades de Barros

1ª edição 1ª impressão (2010): 1.300 exemplares

Embrapa Pantanal Rua 21 de Setembro, 1880 Caixa Postal 109 CEP 79320-900 Corumbá, MS Fone: (67) 3234-5800/5900 Fax: (67) 3234-5815 sac@cpap.embrapa.br w.cpap.embrapa.br

Débora Karla S. Marques

Ilustrações do texto: Eliney Gaertner Revisão de texto: Ana Maria Dantas Maio Normalização bibliográfica:Viviane de Oliveira Solano Padronização eletrônica dos originais: Débora Karla S. Marques André Steffens Moraes

Autores

Agostinho Carlos Catella Biólogo, Doutor em Biologia de Água Doce e Pesca Interior, pes quisador da Embrapa Pantanal, Corumbá, MS

André Steffens Moraes Oceanógrafo, Doutor em Economia, pesquisador da Embrapa Pan tanal, Corumbá, MS

Débora Fernandes Calheiros Bióloga, Doutora em Ciências – Ecologia Isotópica, pesquisadora da Embrapa Pantanal, Corumbá, MS

Débora Karla Silvestre Marques Bióloga, Doutora em Genética e Evolução de Peixes, pesquisadora da Embrapa Pantanal, Corumbá, MS

Flávio Lima Nascimento Biólogo, Doutor em Ecologia de Ambientes Aquáticos Continentais, pesquisador da Embrapa Pantanal, Corumbá, MS

Jorge Antônio Ferreira de Lara Médico-veterinário, Doutor em Biotecnologia Animal, pesquisador da Embrapa Pantanal, Corumbá, MS

Júlio Ferraz de Queiroz Oceanógrafo, Doutor em Recursos Pesqueiros e Engenharia de Pesca, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente, Jaguariúna, SP

Luiz Marques Vieira Engenheiro-agrônomo, Doutor em Ecologia e Recursos Naturais, pesquisador aposentado da Embrapa Pantanal, Corumbá, MS

Márcia Divina de Oliveira Bióloga, Doutora em Ecologia, Manejo e Conservação da Vida Silvestre, pesquisadora da Embrapa Pantanal, Corumbá, MS

Márcia Mayumi Ishikawa Médica-veterinária, Doutora em Parasitologia Veterinária, pesquisa dora da Embrapa Agropecuária Oeste, Dourados, MS

Marco Aurélio Rotta Engenheiro-agrônomo, Doutor em Agronegócios, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS

Renata Daniella Vargas Bióloga, Mestre em Ecologia e Conservação, Reserva Biológica Tapirapé, Parauapebas, PA

Ricardo Pinheiro Lima Biólogo, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Joinville, SC

Rosana Aparecida Cândido Pereira Santos Bióloga, Mestre em Desenvolvimento Sustentável: Política e Gestão Ambiental, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Corumbá, MS

Apresentação

A pesca é uma das principais atividades econômicas do Pantanal, exercida há mais de 200 anos na região na modalidade pesca profissional artesanal e, desde a década de 1980, na modalidade pesca amadora ou turismo de pesca.

Mais recentemente, a fim de promover o desenvolvimento regional, tem sido incentivada a adaptação de sistemas de cultivos às peculiaridades do Pantanal.

Estão aqui respondidas as perguntas mais frequentes para o desenvolvimento da pesca e da piscicultura com bases sustentáveis no Pantanal, abordando características gerais desse ecossistema e dessas atividades na região, além de manejo, sanidade e legislação.

As respostas foram elaboradas com informações e tecnologias levantadas ao longo dos anos de existência da Embrapa Pantanal, Embrapa Meio Ambiente e Embrapa Agropecuária Oeste, com parceria do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

José Aníbal Comastri Filho Chefe-Geral da Embrapa Pantanal

Introdução1
1 O Ecossistema Pantanal e os Recursos Pesqueiros15
dos Recursos Pesqueiros27
3 Manejo e Gestão dos Recursos Pesqueiros39
(Bacia do Alto Paraguai)51

Sumário 2 O Pescador Profissional e a Conservação 4 Pesca no Pantanal do Mato Grosso do Sul 5 Aplicação da Valoração Econômica para o

no Pantanal59
6 Piscicultura – Sistemas de Cultivo e Manejo71
7 Piscicultura – Sanidade e Qualidade9
8 Piscicultura – Tanques-Rede109
9 Legislação para a Pesca no Pantanal117
10 Conservação e Composição do Pescado133
do Pescado149
12 Contaminação por Mercúrio e Pesticidas165

Desenvolvimento Regional e do Setor Pesqueiro 1 Tecnologia, Processamento e Comercialização 13 Espécies Aquáticas Exóticas .........................................179

Introdução

A pesca é uma das mais antigas atividades humanas, tendo sido praticada por todas as sociedades primitivas. A presença da atividade de pesca no Pantanal é descrita por colonizadores espanhóis desde cerca de 1540, e sempre teve fundamental importância como meio de sobrevivência dos índios. Como atividade comercial, a pesca teve seu início na região em meados do século XVII. Apesar da feição comercial e de toda a evolução ocorrida desde então, a pesca segue como uma atividade extrativa e mantém sua característica de garantia de subsistência familiar até nossos dias.

A importância do pescado na alimentação humana é reforçada em regiões como o Pantanal, onde grande parte das populações ribeirinhas depende da pesca de subsistência para satisfazer suas necessidades de proteína animal. No contexto econômico e social das populações locais, a real dimensão da importância da pesca se dá, também, em termos da geração direta de emprego e renda aos pescadores profissionais, que capturam e vendem o peixe principalmente in natura.

Os pescadores do Pantanal possuem um grande conhecimento sobre o ambiente aquático bem como sobre as espécies e seu comportamento, tornando a pesca parte integrante da cultura regional.

Considerando o ambiente único e magnífico que caracteriza o Pantanal e a quantidade e diversidade de peixes da região, o desenvolvimento da pesca esportiva foi uma consequência natural. Iniciada nos anos 1970, consolidou-se na década de 1980, sendo hoje importante fonte de renda e emprego e responsável pela maior parte dos desembarques de pescado da região.

A manutenção da atividade pesqueira em qualquer ambiente depende da integridade dos ecossistemas explorados. Alterações ambientais decorrentes das atividades humanas e níveis de exploração que ultrapassam a capacidade de recuperação do ambiente e das populações de peixes podem modificar profundamente as características da pesca no Pantanal. O conhecimento do pescador pantaneiro pode e deve ser aproveitado para a solução desses problemas.

Na verdade, a integração de conhecimentos adquiridos pelos pescadores com aqueles gerados pelo conhecimento científico pode estabelecer um plano de ordenamento que considere todas as condicionantes – culturais, ecológicas, econômicas e sociais –, viabilizando, dessa forma, um projeto de desenvolvimento sustentado. Quando se trata de políticas públicas que têm como objetivo o desenvolvimento sustentável, a questão da participação da sociedade torna-se ponto essencial.

Além da pesca, uma alternativa importante para o aumento da produção de pescado na região é a criação de peixes em cativeiro. O bom potencial de cultivo de algumas espécies de peixes do Pantanal, aliado ao aumento contínuo na demanda mundial por alimentos, conduziu a um interesse crescente pela piscicultura na região. A expansão de projetos de piscicultura, particularmente a partir da década de 1990, está transformando a piscicultura em mais uma alternativa para geração de emprego e renda no Pantanal.

A Embrapa Pantanal, desde o início de sua atuação na região, tem produzido informações e tecnologias capazes de contribuir para o desenvolvimento sustentável do Pantanal. Nesse contexto, o presente livro constitui um conjunto de informações sobre a pesca e piscicultura no Pantanal, produzido ao longo de vários anos de pesquisa e sintetizado nesta coleção 500 Perguntas 500 Respostas – O produtor pergunta, a Embrapa responde. Embora a pesca e a piscicultura sejam o mote principal, outras áreas do conhecimento, como manejo e gestão de recursos pesqueiros (incluindo políticas e legislação para a pesca), tecnologia de processamento e conservação do pescado, contaminantes do ecossistema Pantanal e introdução de espécies exóticas também são tratadas.

Para a confecção deste livro foi realizada uma seleção dos assuntos e dos questionamentos mais comumente demandados pelos principais clientes da Embrapa Pantanal e pelo público em geral, incluindo os pescadores, no que se refere à pesca e piscicultura na região. Pesquisadores de diversas áreas da Embrapa Pantanal foram consultados para a elaboração das respostas. Procurou-se apresentar as informações de forma objetiva, em linguagem aces sível e sem muitos termos técnicos, visando a uma leitura agradável e de fácil entendimento.

Espera-se que este livro possa contribuir para conduzir as pes carias do Pantanal para um processo harmonizado, que considere o contexto mais amplo das condições econômicas e sociais das diferentes comunidades que exploram os recursos pesqueiros, contribuindo para integrar os diferentes segmentos e valorizar a pesca na região.

Débora Karla Silvestre Marques

Renata Daniella Vargas Ricardo Pinheiro Lima

Rosana Aparecida Cândido Pereira Santos

Débora Fernandes Calheiros Márcia Divina de Oliveira

O Ecossistema Pantanal e os Recursos Pesqueiros1

O que são recursos pesqueiros?

São organismos que vivem nos ambientes aquáticos ou fortemente vinculados a esse ambiente, que estão disponíveis para a pesca ou aproveitamento pelo homem. No Pantanal, os recursos pesqueiros incluem os peixes e também os crustáceos e moluscos utilizados como iscas.

O que são comunidades de peixes?

Comunidade de peixes de uma região é o conjunto de espécies de peixes que ali ocorrem ao mesmo tempo, com suas características de diversidade, abundância, riqueza e estrutura trófica.

De que forma as comunidades de peixes são importantes para um ecossistema como o Pantanal?

A estrutura das comunidades interfere na sensibilidade de um ecossistema, dando a este certo grau de resistência e plasticidade para se recuperar das oscilações que ocorrem naturalmente ou por ação do homem.

O que é uma população de peixes?

É o conjunto de peixes de uma mesma espécie, geneticamente relacionados, que se reproduzem e vivem num determinado local.

O que é estoque pesqueiro?

Estoque pesqueiro pode ser definido como um grupo de peixes da mesma espécie, com as mesmas características fisiológicas e populacionais (por exemplo, taxa de crescimento e de mortalidade), que habitam uma mesma área e que já sejam grandes o bastante para serem pescados. Nesse sentido, o estoque pesqueiro corresponde a um subgrupo de uma determinada população.

O que se pode dizer, de uma forma geral, sobre a diversidade de espécies de peixes do Pantanal?

Com 270 espécies identificadas até 2007, o Pantanal apresenta uma diversidade de peixes que representa em torno de 1% em relação à diversidade de peixes do Brasil.

O que é conservação dos recursos pesqueiros?

Conservação é o manejo, administração ou gestão dos recursos pesqueiros, compreendendo a manutenção, a utilização sustentável, a restauração e a recuperação dos estoques pesqueiros.

Qual a diferença entre exploração e explotação?

Exploração é o processo de busca de novos recursos. Ocorre em situações em que não há informação. Explotação é o processo em que há uso de informação previamente conhecida, permitindo tirar proveito econômico de determinada área, sobretudo quanto aos recursos naturais.

O que é preservação dos recursos pesqueiros?

Preservação é o conjunto de métodos, procedimentos e políticas que visem à proteção a longo prazo das espécies, habitats e ecossistemas, além da manutenção dos processos ecológicos. Quando a intenção é preservar determinado recurso, é vetada a sua utilização, exploração ou explotação.

De que forma a preservação das matas ciliares auxilia na conservação dos peixes?

A preservação das matas ciliares auxilia na proteção dos rios, uma vez que as raízes das diversas espécies vegetais seguram o solo, impedindo o deslizamento deste para o leito do rio, evitando o assoreamento. A mata ciliar é também fonte de alimento para diversas espécies de peixes, por exemplo, pacus e piraputangas. Quando inundadas, essas matas abrigam muitas espécies de peixes.

Por que devemos preservar as nascentes dos rios?

A destruição da nascente de um rio significa a destruição do próprio rio e, evidentemente, de toda a vida aquática que nele existe, com prejuízos também para a biodiversidade que se desenvolveu em suas margens.

Quais são as características da água dos rios que podem sofrer alterações pelo mau uso do ambiente e que influen ciam diretamente na vida dos peixes?

As principais características são temperatura, oxigênio dissolvido, CO2 livre, pH, sólidos suspensos e luminosidade.

Em ambiente natural, como a alteração da temperatura da água afeta os peixes?

Nos peixes, a temperatura do corpo depende da temperatura do ambiente, pois são ectotérmicos; portanto, a temperatura tem grande influência sobre o organismo desses animais, embora eles possam tolerar grandes variações de temperatura. Para exemplificar essa influência, podemos dizer que a diminuição brusca de temperatura pode, por exemplo, cessar a liberação de ovos e espermatozoides, quando ocorre na época de reprodução desses peixes, ou fazer com que o peixe pare de se alimentar, o que pode gerar impactos no crescimento e na formação de gametas (ovócitos e espermatozoides).

De que forma o nível de oxigênio dissolvido na água interfere nas funções dos peixes?

Entre as variáveis da água que têm forte influência sobre os peixes, o nível de oxigênio dissolvido é uma das mais importantes. Baixos valores de oxigênio dissolvido desencadeiam reações fisiológicas de compensação interna do organismo. Em resposta a essa variação ambiental, algumas espécies apresentam, por exemplo, redução do número de eritrócitos (células vermelhas) e da concentração de hemoglobina. Outras espécies reagem com aumento do número de eritrócitos e da concentração de hemo globina.

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