90000002-ebook-pdf - Manga

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O produtor pergunta, a Embrapa responde. O produtor pergunta, a Embrapa responde.

República Federativa do Brasil

Luiz Inácio Lula da Silva Presidente

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Roberto Rodrigues Ministro

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Conselho de Administração

Luis Carlos Guedes Pinto Presidente

Silvio Crestana Vice-Presidente

Alexandre Kalil Pires Ernesto Paterniani Hélio Tollini Marcelo Barbosa Saintive Membros

Diretoria-Executiva

Silvio Crestana Diretor-Presidente

José Geraldo Eugênio de França Kepler Euclides Filho Tatiana Deane de Abreu Sá Diretores-Executivos

Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

José Carlos Nascimento Chefe-Geral

Embrapa Informação Tecnológica

Fernando do Amaral Pereira Gerente-Geral

Embrapa Informação Tecnológica

Brasília, DF 2005

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

O produtor pergunta, a Embrapa responde.

Editores Técnicos

Márcio Eduardo Canto Pereira

Nelson Fonseca Fernanda Vidigal Duarte Souza

Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na:

Embrapa Informação Tecnológica Parque Estação Biológica (PqEB), Av. W3 Norte (final) CEP 70770-901 Brasília, DF Fone: (61) 340-9 Fax: (61) 340-2753 vendas@sct.embrapa.br w.sct.embrapa.br

Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical Rua Embrapa, s/n Caixa Postal 7 CEP 44380-0 Cruz das Almas, BA Fone: (75) 3621-8000 Fax: (75) 3621-1118 sac@cnpmf.embrapa.br w.cnpmf.embrapa.br

Coordenação Editorial: Lillian Alvares e Lucilene Maria de Andrade Supervisão Editorial: Carlos M. Andreotti Revisão de Texto e Tratamento Editorial: Raquel Siqueira de Lemos Editoração Eletrônica: José Batista Dantas Ilustrações do Texto: Rogério Mendonça de Almeida Fotos da Capa:Nelson Fonseca

1 edição 1 impressão (2005): 3.0 exemplares

Todos os direitos reservados.

A reprodução não-autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei n 9.610).

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Embrapa Informação Tecnológica

© Embrapa

Manga: o produtor pergunta, a Embrapa responde / editores técnicos, Márcio Eduardo

Canto Pereira, Nelson Fonseca, Fernanda Vidigal Duarte Souza. – Brasília, DF : Embrapa Informação Tecnológica, 2005. 184 p. : il. – (Coleção 500 perguntas, 500 respostas).

ISBN 85-7383-294-0

1. Colheita. 2. Comercialização. 3. Doença. 4. Irrigação. 5. Fruticultura. 6. Plantio. 7. Praga. 8. Processamento. 9. Produção. 10. Propagação. 1. Taxonomia vegetal. 12. Variedade. I. Pereira, Márcio Eduardo Canto. I. Fonseca, Nelson. II. Souza, Fernanda Vidigal Duarte. IV. Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical. V. Série.

CDD 634.4

Autores

Ana Lúcia Borges Engenheira agrônoma, Doutora em Solos e Nutrição de Plantas, pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

Antônia Fonseca de Jesus Magalhães Engenheira agrônoma, pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

Antônio Souza do Nascimento Engenheiro agrônomo, Doutor em Entomologia, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

Aristoteles Pires de Matos Engenheiro agrônomo, Pós-doutor em Fitopatologia, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical,

Carlos Estevão Leite Cardoso Engenheiro agrônomo, Doutor em Economia Aplicada, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

Clóvis Oliveira de Almeida Engenheiro agrônomo, Doutor em Economia Aplicada, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

Eugênio Ferreira Coelho Engenheiro agrônomo, Doutor em Engenharia de Irrigação, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical,

Fernanda Vidigal Duarte Souza Bióloga, Doutora em Biologia Celular – Biotecnologia Vegetal, pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical,

Hermes Peixoto Santos Filho Engenheiro agrônomo, Mestre em Fitopatologia, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

Janay Almeida dos Santos-Serejo Engenheira agrônoma, Doutora em Genética e Melhoramento de Plantas, pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

Laerte Scanavaca Júnior Engenheiro florestal, Mestre em Ciências Florestais, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

Manoel Teixeira de Castro Neto Engenheiro agrônomo, Doutor em Fisiologia Vegetal, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

Marcelo do Amaral Santana Administrador, especialista em Economia Financeira e Análise de Investimentos, técnico de nível superior da Embrapa Mandioca e

Fruticultura Tropical

Márcio Eduardo Canto Pereira Engenheiro agrônomo, Mestre em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

Nelson Fonseca Engenheiro agrônomo, Doutor em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

Rossana Catie Bueno de Godoy Engenheira agrônoma, Mestre em Tecnologia de Alimentos, pesquisadora da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical,

Apresentação

A Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical, no exercício da sua missão de viabilizar soluções para o desenvolvimento sustentável do agronegócio fruticultura tropical, apresenta aos mangicultores, estudantes e profissionais da agricultura o livro Manga – 500 Perguntas, 500 Respostas.

Trata-se de uma elaborada e criteriosa seleção de perguntas e dúvidas encaminhadas pelos usuários do Sistema Embrapa ao nosso Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC) por meio de cartas, telefone, fax ou e-mail, e por meio de consultas diretas aos pesquisadores da equipe de manga.

Esta publicação visa sanar as principais dúvidas pertinentes ao cultivo da mangueira sem, contudo, ser a única fonte de consulta para a cultura.

Assim, colocamos à disposição da sociedade mais uma prova do esforço e do envolvimento institucional com o agronegócio da manga, esse expressivo ramo da atividade agrícola brasileira.

José Carlos Nascimento Chefe-Geral da Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical

Sumário

Introdução13
Classificação e Descrição Botânica15
Variedades19
Clima e Solo31
Propagação39
Instalação do Pomar59
Adubação e Calagem69
Irrigação81
Fertirrigação89
Podas95
Florescimento e Frutificação105
Monitoramento e Controle de Pragas123
Monitoramento e Controle de Doenças131
Colheita e Pós-Colheita159
Processamento167

Introdução

A mangicultura é uma das principais atividades do agronegócio frutícola do Brasil, apresentando desempenho crescente nos últimos anos. Sendo o nono maior produtor mundial de manga e o segundo maior exportador dessa fruta, o Brasil vem ampliando sua participação nas exportações mundiais e gerando empregos e renda em todo o território nacional, especialmente no Nordeste.

Mas o crescimento por si, não basta. É preciso haver, também, incremento de qualidade do produto a fim de atender às crescentes demandas dos consumidores por qualidade e segurança alimentar, notória tendência nacional e mundial. Para que esse objetivo seja alcançado, é necessário lançar mão de tecnologias modernas e adaptadas às regiões produtoras.

O acesso ao conhecimento, à informação tecnológica oriunda da pesquisa científica permite que produtores e profissionais do agronegócio da manga sejam cada vez mais capacitados para alcançar os desejados incrementos de produtividade e qualidade. A Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical vem preenchendo essa lacuna há mais de duas décadas, cumprindo sua missão de “viabilizar soluções para o desenvolvimento sustentável do agronegócio mandioca e fruticultura por meio da geração, adaptação e transferência de conhecimentos e tecnologias em benefício da sociedade”.

Este novo título da coleção 500 Perguntas, 500 Respostas vem fornecer, em linguagem adequada, informações úteis para melhorar o agronegócio da manga em qualquer nível de produção. É a Embrapa Mandioca e Fruticultura Tropical contribuindo, mais uma vez, com a agricultura e o agricultor brasileiros.

Janay Almeida dos Santos-Serejo

1Classificação e Descrição Botânica

Qual a classificação botânica da mangueira?

A mangueira (Mangifera indica L.) pertence à classe

Dicotiledônea e à família Anarcadiaceae. O gênero Mangifera inclui cerca de 60 espécies, das quais a M. indica é a mais importante, embora existam outras espécies que produzem frutos comestíveis, como M. altissima, M. caesia, M. lagenifera, M. macrocarpa, M. odorata e M. sylvatica.

A mangueira é nativa do sul da Ásia, especificamente da Índia e do Arquipélago Malaio, de onde se espalhou para outras partes do mundo, inclusive as Américas.

Quando a cultura da mangueira foi introduzida no Brasil?

As variedades de mangueira foram introduzidas no Brasil pelos portugueses, no início do século 16, sendo o primeiro país a cultivar mangueira nas Américas. Atualmente, o Brasil encontra-se entre os dez maiores produtores mundiais de manga, sendo um dos maiores exportadores dessa fruta.

Quais as principais características botânicas da mangueira?

A mangueira é uma árvore frondosa, de porte médio a grande, com copa simétrica, de forma arredondada baixa a piramidal alta, variando de baixa e densa a ereta e aberta, e com folhas sempre verdes.

Américas

O sistema radicular é caracterizado por uma raiz pivotante e por raízes de superfície, as quais apresentam ramificações compostas por raízes finas e fibrosas.

A inflorescência é polígama, ou seja, apresenta flores hermafroditas e masculinas, na mesma panícula. O número de flores por panícula pode variar de 500 a mais de 4 mil.

O fruto é uma drupa de tamanho, peso, forma e cor (da casca e polpa) variáveis. A polpa pode ser mais ou menos fibrosa, e em seu interior encontra-se a semente ou caroço, com diferentes formas e tamanhos, de acordo com a variedade.

Quantos cromossomos tem a mangueira?

A espécie é bastante estável e apresenta 2n=40 cromossomos, embora a ocorrência de plantas com maior número de cromossomos (2n=80) também tenha sido relatada.

Nelson Fonseca

Laerte Scanavaca Júnior

Fernanda Vidigal Duarte Souza Janay Almeida dos Santos-Serejo

O que é uma variedade?

É um grupo de indivíduos que se assemelham fenoticamente em relação a várias características uniformes e estáveis, que o distinguem de outro grupo ou variedade.

O que é uma cultivar?

É uma variedade cultivada. Um grupo de indivíduos que se apresenta uniforme quanto às características fenotípicas.

Em quantos grupos se dividem as variedades de mangueira e qual a diferença entre eles?

O grupo Indiano inclui variedades monoembriônicas, fortemente aromáticas, de casca cuja coloração varia de rosa a vermelho intenso, e suscetíveis à antracnose.

As do grupo Indochinês (ou filipínicas) são poliembriônicas, com caro- ços longos e achatados, pouco aromáticas, geralmente de casca verde-amarelada quando maduras, e medianamente resistentes à antracnose.

Quais as principais variedades americanas, sul-africanas e indianas introduzidas no Brasil?

As principais variedades americanas introduzidas no Brasil são: •Tommy Atkins

• Haden • Keitt

•K ent

• Palmer

As variedades sul-africanas são:

• Heidi • Joa

• Néldica

As variedades indianas são:

• Alphonso • Amrapali

• Dashehari

• Langra

• Mallika

• Mulgoba

• Neelum

Quais as variedades nacionais mais conhecidas e quais suas principais características?

A ‘Espada’ é a mais antiga e comum no País, com árvore muito vigorosa e produtiva. O fruto é verde-intenso ou amarelo-esverdeado, alongado, com base côncava e de tamanho médio (200-300 g).

A variedade Rosa é importante no Nordeste e de boa aceitação no País. O fruto varia de amarelo a rosa-avermelhado, de forma alongada, cordiforme, e de peso médio em torno de 350 g.

Além dessas, existe a variedade Bourbon, com fruto pesando em torno de 300 g, com porção apical estreita e encurvada, difundida em São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

A ‘Ubá’, com fruto de forma alongada-oval, peso entre 100 e 150 g e polpa muito utilizada na indústria, em Minas Gerais, e a variedade Coquinho, com fruto de cor amarelo-clara a esverdeada, pesando de 120 a 150 g, muito utilizada como porta-enxerto, em São Paulo.

Na Região Nordeste, a variedade Carlotinha (parecida com a

‘Coquinho’) tem boa aceitação na Bahia, e a ‘Itamaracá’, de fruto pequeno de até 200 g, com base plana provida de pequena cavidade e ápice arredondado, em Pernambuco, dentre outras.

Por que há um predomínio da variedade Tommy Atkins, no Brasil?

A variedade

pós-colheitaPossui

Tommy Atkins responde por 80% dos plantios de manga por causa de sua maior tolerância a pragas e doenças e, também, por sua maior durabilidade casca de coloração avermelhada, requisito básico para a exportação. Entretanto, não tem cheiro e é medianamente fibrosa.

Por que o predomínio de uma única variedade representa um risco?

A predominância de uma única variedade representa um risco porque, além de limitar o mercado, qualquer mudança na preferência do consumidor, ou a ocorrência de pragas e doenças pode comprometer a cultura.

Outro aspecto que deve ser considerado na utilização de uma única variedade é a erosão genética, que reduz a capacidade de adaptação de uma espécie a condições de adversidade. Deve-se, portanto, estimular a diversificação de variedades comerciais, a exemplo das comercializadas em mercados regionais.

Que variedades podem ser indicadas como opções de plantio?

As variedades locais ou mais tradicionais em cada região devem ser priorizadas, uma vez que já estão bem adaptadas. Variedades como a Espada, Rosa, Bourbon e Ubá, dentre outras, são boas opções de diversificação por sua boa aceitação no mercado interno, algumas para consumo ao natural, outras para processamento. Existem também novas variedades, oriundas de melhoramento genético.

Como se obtém uma nova variedade?

Obtém-se uma nova variedade pela introdução de variedades de outra região ou por melhoramento genético.

Como pode ser realizado o melhoramento genético?

O melhoramento genético pode ser feito por seleção natural, hibridações, autofecundação, polinização controlada, indução de mutações e uso de métodos biotecnológicos.

Existem variedades nacionais oriundas de melhoramento genético?

Sim. Existem as seguintes variedades nacionais oriundas de melhoramento genético:

•Embrapa 142, oriunda do cruzamento entre as variedades

Mallika e Van Dyke. •Beta, resultado do cruzamento entre ‘Amrapali’ e ‘Winter’.

•IAC Espada Vermelha, que descende da variedade Carabao.

•Lita, originada do cruzamento entre ‘Amrapali’ e ‘Tommy

Atkins’. •Natalina, seleção de polinização aberta.

•Roxa Embrapa 141, também oriunda de cruzamento entre ‘Amrapali’ e ‘Tommy Atkins’, entre outras.

Como é realizada a seleção de variedades?

A seleção de variedades baseia-se nas variações espontâneas de características julgadas importantes, sendo o método mais utilizado no Brasil e no mundo. Consiste em selecionar plantas em áreas de plantio e avaliar as progênies, que são resultado de polinização aberta. É também o método mais utilizado em vários países para a obtenção de novas variedades. Praticamente todas as variedades da Flórida, Índia e Israel foram obtidas dessa maneira.

Quais as vantagens desse método?

É fácil, simples e de baixo custo, embora sua eficácia seja muitas vezes questionada, uma vez que é eficiente para características de alta herdabilidade.

Quais as principais variedades obtidas por esse método?

A variedade Haden, por exemplo, originou-se da variedade

Mulgoba, e, por sua vez, deu origem a diversas variedades, incluindo a Tommy Atkins. Na realidade, as variedades mais importantes foram obtidas por seleção.

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