90000004-ebook-pdf - Amendoim

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O produtor pergunta, a Embrapa responde O produtor pergunta, a Embrapa responde

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

Embrapa Algodão Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

O produtor pergunta, a Embrapa responde

Roseane Cavalcanti dos Santos Rosa Maria Mendes Freire

Taís de Moraes Falleiro Suassuna

Editores Técnicos

Embrapa Informação Tecnológica

Brasília, DF 2009

Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na:

Embrapa Informação Tecnológica Parque Estação Biológica (PqEB), Av. W3 Norte (final) 70770-901 Brasília, DF Fones: (61) 3340-9 Fax: (61) 3340-2753 vendas@sct.embrapa.br w.sct.embrapa.br/liv

Embrapa Algodão Rua Osvaldo Cruz, 1.143, Centenário Caixa Postal 174 58428-095 Campina Grande, PB Fone: (83) 3182-4300 Fax: (83) 3182-4367 sac@cnpa.embrapa.br w.cnpa.embrapa.br

Produção editorial: Embrapa Informação Tecnológica Coordenação editorial: Fernando do Amaral Pereira

Mayara Rosa Carneiro Lucilene M. de Andrade

Supervisão editorial: Juliana Meireles Fortaleza Copidesque e revisão de texto: Francisco C. Martins Projeto gráfico da coleção: Mayara Rosa Carneiro Editoração eletrônica: Mário César Moura de Aguiar Ilustrações do texto: Comunicare/Silvio Ferigato Arte-final da capa: Carlos Eduardo Felice Barbeiro Fotos da capa: Roseane Cavalcante dos Santos

1ª edição 1ª impressão (2009): 3.0 exemplares

Todos os direitos reservados

A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610).

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Embrapa Informação Tecnológica

Embrapa 2009

Amendoim : o produtor pergunta, a Embrapa responde / editores técnicos,

240 p. il. ; 2 cm - (Coleção 500 perguntas, 500 respostas).
ISBN 978-85-7383-453-6

Roseane Cavalcanti dos Santos, Rosa Maria Mendes Freire, Taís de Moraes Falleiro Suassuna - Brasília, DF : Embrapa Informação Tecnológica, 2009.

1. Biocombustível. 2. Comercialização. 3. Melhoramento. 4. Planta oleaginosa. 5. Processamento. 6. Sistema de cultivo. I. Santos, Roseane Cavalcanti dos. I. Freire, Rosa Maria Mendes. II. Suassuna, Taís de Moraes Falleiro. IV. Embrapa Algodão. V. Coleção. CDD 633.368

Autores

Aurelir Nobre Barreto (In memoriam) Engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Engenharia Civil, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Ayicê Chaves Silva Técnico agroindustrial, M.Sc. em Sociologia Rural, assistente de pesquisa da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Bill Jorge Costa Químico, D.Sc. em Ciência e Engenharia de Materiais, técnico do Instituto de Tecnologia do Paraná, Curitiba, PR

Genira Pereira de Andrade Bióloga, D.Sc. em Fitopatologia, técnica de Apoio a Pesquisa, Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Recife, PE

Gilvan Pio-Ribeiro Engenheiro-agrônomo, pós-doutor em Fitopatologia, professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Recife, PE

Giuliano Fernandes Zagonel Químico, M.Sc. em Química, bolsista do Instituto de Tecnologia do Paraná, Curitiba, PR

Juliano Rodrigo Coró Engenheiro-agrônomo, gerente do Departamento Técnico e de Fomento da Divisão de Grãos, Sementes Esperança, Jaboticabal, SP

Julita Maria Frota Chagas Carvalho Engenheira-agrônoma, D.Sc. em Recursos Fitogenéticos, pesquisadora da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Liziane Maria de Lima Bióloga, D.Sc. em Biologia Molecular, pesquisadora da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Marcos Aparecido Gimenes Biólogo, pós-doutor em Genética, pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Brasília, DF

Maria José da Silva e Luz Engenheira-agrônoma, M.Sc. em Engenharia Agrícola, pesquisadora aposentada da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Napoleão Esberard de Macêdo Beltrão Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Nelson Dias Suassuna Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Fitopatologia, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Odilon Reny Ribeiro Ferreira da Silva Engenheiro agrícola, D.Sc. em Engenharia Agronômica, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Péricles de Albuquerque Melo Filho Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Fitopatologia, professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Recife, PE

Raul Porfirio de Almeida Engenheiro-agrônomo, Ph.D. em Ecologia de Produção e Conservação de Recursos, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Rejane Jurema Mansur Custódio Nogueira Bióloga, D.Sc. em Ecologia e Recursos Naturais, professora da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), Recife, PE

Renata Martins Administradora de empresas, pesquisadora do Instituto de Economia Agrícola (IEA), São Paulo, SP

Rosa Maria Mendes Freire Química industrial, M.Sc. em Ciência e Tecnologia de Alimentos, pesquisadora da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Roseane Cavalcanti dos Santos Engenheira-agrônoma, D.Sc. em Biologia Molecular, pesquisadora da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Silene Maria de Freitas Socióloga, especialista em Formulação e Análise de Políticas Públicas e Agroindustriais, pesquisadora do Instituto de Economia Agrícola (IEA), São Paulo, SP

Soraya Cristina de Macedo Leal-Bertioli Bióloga, Ph.D. em Biologia Molecular de Microrganismos, pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, Brasília, DF

Taís de Moraes Falleiro Suassuna Engenheira-agrônoma. D.Sc. em Genética e Melhoramento, pesquisadora da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Tarcísio Marcos de Souza Gondim Engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Valdinei Sofiatti Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Vicente de Paula Queiroga Engenheiro-agrônomo, pós-doutor em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Waltemilton Vieira Cartaxo Administrador de empresas, especialista em Marketing para a Gestão Empresarial, analista da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Wirton Macêdo Coutinho Engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Fitopatologia, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Apresentação

O amendoim é um produto cultivado em várias regiões fisiográficas do País. Nos últimos 5 anos, a produção vem crescendo gradativamente, estimando-se 300 mil toneladas ao ano.

Esse incremento na produção refletiu ganhos consistentes em produtividade obtidos em safras anteriores, devidos principalmente à adoção de cultivares mais produtivas, entre outras tecnologias. Essa mudança permitiu, inclusive, a exploração do mercado externo, após 20 anos de interrupção das exportações de volumes significativos de amendoim (em vagem e descascado).

A maior eficiência do processo produtivo implica tanto na redução dos custos quanto no controle de pragas e doenças, resultando em maiores produtividades. Neste livro, as perguntas selecionadas incluem os questionamentos mais frequentes de agricultores, estudantes, técnicos e demais clientes interessados no agronegócio do amendoim.

No entanto, a qualidade do produto tem sido o maior desafio de sua cadeia produtiva, para atender às exigências dos mercados interno e externo. Assim, informações mais detalhadas sobre nutrição, propriedades bioquímicas, agroenergia e segurança alimentar também foram contempladas nesta obra, visando agregar conhecimentos fundamentais para esclarecer aspectos determinantes do consumo do amendoim e de seus derivados.

Para atender aos interesses mais diversos relacionados à cultura do amendoim – e à demanda por informação atualizada – esta publicação reuniu autores e colaboradores de diferentes áreas do conhecimento e instituições, oferecendo ao leitor uma visão abrangente dessa cultura extremamente versátil.

Napoleão Esberard de Macêdo Beltrão Chefe-Geral da Embrapa Algodão

Introdução13
1 Ecofisiologia e Manejo Cultural15
2 Irrigação e Drenagem39
3 Doenças61
4 Insetos-Praga75
5 Colheita e Pós-Colheita91
6 Mecanização105
7 Mercado e Comercialização117

Sumário

da Produção135
9 Melhoramento e Cultivares Nacionais147
10 Avanços da Biologia Molecular163
1 Propriedades Nutricionais e Processamento179
12 Propriedades Bioquímicas e Funcionais201

8Transferência de Tecnologia e Organização

Fonte de Biodiesel211

13Potencial do Óleo de Amendoim como

Introdução

No Brasil, a cultura do amendoim já foi uma das mais expressivas no mercado nacional de oleaginosas, gerando divisas tanto pelo abastecimento interno de óleo vegetal quanto pela exportação de subprodutos. Contudo, a partir da década de 1980, houve forte reversão no agronegócio dessa cultura, decorrente de vários fatores, especialmente de ordem tecnológica e de mercado, que levaram à redução na área de cultivo e na participação do produto na balança comercial.

Diante dessas transformações, o amendoim passou a ser cultivado, visando, principalmente, atender ao mercado interno de grãos in natura e à indústria de alimentos. Para mudar esse cenário, foram necessários vários ajustes nos processos que limitavam o crescimento da cadeia produtiva dessa cultura, sendo os mais expressivos:

• A adoção de sistemas de produção tecnificados.

• A redução dos custos de produção agrícola.

• Adoção de novas cultivares e alto investimento na qualidade do produto, de modo a retomar a confiabilidade das indústrias de alimentos e do mercado internacional.

Atualmente, o mercado de amendoim expandiu-se nos segmentos in natura e de confeitaria. Com as novas demandas que surgem com a agroenergia, abre-se mais um nicho de oportunidades para o emergente mercado de biodesel.

No entanto, a melhoria do processo produtivo, ocorrida nos últimos anos, gera novos desafios, que demandam conhecimentos atualizados em diversos aspectos. Este livro fornece aos leitores informações relevantes sobre ciência e tecnologia, reunidas de maneira a propiciar uma leitura agradável e acessível.

Napoleão Esberard de Macêdo Beltrão

Roseane Cavalcanti dos Santos

Tarcísio Marcos de Souza Gondim Rejane Jurema Mansur Custódio Nogueira

Péricles de Albuquerque Melo Filho

1Ecofisiologia e Manejo Cultural

Quais os fatores climáticos mais importantes para o crescimento da planta e o desenvolvimento do amendoim?

O fator climático mais importante para o crescimento da planta e o desenvolvimento do amendoim é a temperatura. Por sua vez, tanto o florescimento quanto a maturação e o crescimento dos frutos estão diretamente ligados à temperatura.

O amendoinzeiro tem metabolismo fotossintético do tipo C3 e apresenta taxa fotossintética líquida máxima a 30 oC. A máxima taxa de produção de matéria seca, ou produtividade da cultura, é de 19,6 g/m².dia. A velocidade de germinação atinge níveis máximos sob temperaturas entre 32 oC e 34 oC.

No entanto, em temperaturas inferiores a 18 oC, o poder germinativo é bastante reduzido e a velocidade do processo germinativo cai proporcionalmente com a redução da temperatura.

A fase vegetativa da planta é prolongada em temperaturas abaixo do ótimo, adiando o início da floração. Contudo, o período entre germinação e florescimento é determinado não apenas pela temperatura, mas também pelo genótipo.

A demanda de água durante o ciclo varia, sendo maior na fase de enchimento das vagens. Geralmente, o consumo de água varia de 665 m para variedades de ciclo longo a 490 m para as de ciclo curto.

Qual a faixa de latitude e de altitude de maior adaptação para o amendoim?

O amendoim é cultivado predominantemente em regiões de latitude até 30o N e S. Alguns países o cultivam em latitudes maiores. Nos Estados Unidos, essas coordenadas situam-se entre 30o e 35o N.

Com relação à altitude, essa leguminosa pode ser cultivada até 1.0 m acima do nível do mar. Em altitudes mais elevadas, seu cultivo fica restrito, em função das baixas temperaturas.

Qual a relação entre população de plantas, produtividade econômica e produtividade biológica?

Essa relação depende da cultivar e do ambiente onde a cultura está sendo conduzida. Considerando-se a produtividade biológica, a qual envolve toda a produção fotossintética da cultura, a relação é diferente e a população de plantas pode ser bem maior, para alcançar o máximo de produtividade.

Assim, para cada grupo de cultivar e ambiente, tem-se uma população ideal para ser usada pelo produtor, daí a importância de se solicitar informações técnicas aos extensionistas da região.

Quais os componentes da produção do amendoim?

Os componentes que definem a produção do amendoim são baseados na população de plantas. Os principais componentes são: • Número de vagens/planta.

• Peso das vagens/planta.

• Peso de 100 sementes.

• Teor de óleo nas sementes (caso se queira expressar a produtividade na base de óleo). • Percentagem de vagens chochas.

• Percentagem de sementes perfeitas.

Nota: o componente mais importante é o número de vagens por planta.

Como é constituído o sistema radicular do amendoim?

É constituído por uma raiz principal pivotante vigorosa, da qual saem numerosas raízes laterais que se subdividem, formando um conjunto bastante ramificado.

O crescimento da raiz constitui a atividade predominante nos primeiros estágios de desenvolvimento. Após 5 a 6 dias da emergência, a raiz principal pode crescer de 10 cm a 16 cm em profundidade e iniciar a formação do abundante número de raízes laterais.

Nessa fase, a planta é pouco suscetível ao déficit hídrico.

O ritmo de crescimento das raízes varia, sendo influenciado pelo tipo de solo, temperatura e pelo potencial hídrico da atmosfera.

Em solos arenosos, há maior aprofundamento do sistema radicular; nos argilosos, o crescimento das raízes é mais limitado e se tiver argila de elevada atividade do tipo 2:1, do grupo das montmorilonitas, pode haver grande perda de frutos na colheita, devido à elevada aderência de vagens ao solo.

Qual a profundidade que o sistema radicular do amendoim pode atingir?

A distribuição das raízes depende da umidade e do tipo de solo. Apesar do pequeno porte da planta, o sistema radicular pode atingir profundidades consideráveis, superiores a 100 cm. Apesar dessa capacidade, cerca de 60% das raízes encontram-se nos primeiros 30 cm de solo.

No Estado de São Paulo, em terra roxa estruturada, já foram encontradas raízes de amendoim abaixo de 130 cm. No Nordeste, em regime de sequeiro, já foram encontradas raízes a até 100 cm de profundidade em solo arenoso, bem drenado e sem salinização.

Como ocorre a floração do amendoim nas plantas de porte ereto e nas de porte rasteiro?

Nas plantas de porte ereto, a floração inicia-se entre 20 e 35 dias após o plantio, persistindo até o final do ciclo; nas de porte rasteiro, inicia-se entre 35 e 45 dias após o plantio, perdurando, também, até próximo à colheita. Independentemente do hábito de crescimento, o florescimento é mais elevado entre o primeiro e o segundo mês do início da floração, decaindo em seguida.

Quanto à duração e à quantidade de flores, depende do genótipo e das condições ambientais. Em zonas tropicais de clima quente, a floração ocorre mais cedo, com período de duração menor.

Quanto à distribuição das flores na planta, a presença de flores no eixo central também é variável, característico da subespécie fastigiata, enquanto a ausência das flores no eixo central identifica a subespécie hypogaea.

Quais os espaçamentos e configurações mais recomendados para plantio do amendoim de porte ereto?

Para as cultivares eretas de ciclo curto (90 a 100 dias), o espaçamento mais recomendado é 0,5m x 0,2 m, com duas sementes por cova, com densidade populacional entre 160 mil até 200 mil plantas por hectare.

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