90000004-ebook-pdf - Amendoim

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(Parte 3 de 4)

Qual a vantagem do uso de mistura de herbicidas na cultura do amendoim?

As misturas de herbicidas são muito usadas, devido a uma série de vantagens, como as citadas a seguir: • Maior seletividade.

• Menor risco de toxicidade para o aplicador.

• Uso de doses menores do produto, geralmente 20% a 30% a menos do que se fossem usadas isoladamente.

• Redução da possibilidade do surgimento de indivíduos resistentes, entre outras.

Geralmente, em mistura, usa-se um graminicida e um latifolicida, como pendimethalin + metolachor, aplicação de pré-emergência, reduzindo o custo de aplicação.

O que é herbicida de pré-emergência e como deve ser aplicado na cultura do amendoim?

É aquele aplicado depois do plantio da cultura e antes da emergência das plântulas ou das plantas daninhas. Antes da aplicação, o solo deve ser bem preparado, sem torrões grandes e com umidade suficiente para que o produto a ser aplicado seja ativado.

O que é herbicida de ação total?

São herbicidas de última geração, que podem ser aplicados em pós-emergência total, sobre a cultura, sem causar-lhes danos. Graminicidas, como o sethoxidym e outros, inclusive latifolicidas.

Esses herbicidas são muito práticos, pois geralmente a seletividade é muito alta. No entanto, devem-se analisar os custos da aplicação e os estágios de desenvolvimento e de crescimento das plantas daninhas, que implica na eficiência de seu controle.

Como deve ser calibrado o pulverizador costal para ser usado na cultura do amendoim?

Na cultura do amendoim, um dos pontos mais importantes no uso de herbicidas é o uso correto dos equipamentos de aplicação, seja ele o pulverizador costal (com volume normal ou de baixo volume), o pulverizador manual ou não, e o pulverizador tratorizado.

Os bicos da barra de pulverização devem ter a mesma vazão, a mesma malha nos filtros e estar sempre limpos. O pulverizador deve estar em pleno funcionamento e com manutenção garantida.

Admitindo-se que a dose recomendada do produto seja 1,1 kg/ha do princípio ativo (p.a.) e que o produto comercial possua 80% do p.a., enche-se o pulverizador com água, munido de bico apropriado para herbicidas, como o Teejet 80.02 (abre-se a 50 cm do solo, em ângulo de 80o e vazão de 0,2 galão/minuto) ou bicos de porcelana, e marca-se uma distância de 10 m no solo.

O pulverizador (com esse tipo de bico) cobre uma distância de 50 cm. Logo, em 10 m lineares, ele cobrirá 10 m x 0,5 m = 5,0 m².

Para se estimar o volume, aplica-se água pura nessa área, por três vezes e tira-se a média. Admitindo-se que foram gastos 125 mL nos 5 m², em 1 ha (10.0 m²), serão gastos 250 L.

Assim, para se aplicar herbicida em 1 ha, serão necessários 12,5 pulverizadores de 20 L de capacidade cada. Considerando-se que a dose é de 1,1 kg/ha do p.a. e 1,0 kg do produto comercial tem 0,8 kg do p.a., 1,1 kg do p.a. estará contido em 1,375 kg do produto comercial.

Como serão gastos 12,5 pulverizadores/ha, em cada um deles devem ser colocados 110 g (1,375/12,5) do produto comercial, para cobrir uma área de 800 m².

Quais os tipos de bicos de pulverizadores recomendados para aplicação de herbicidas na cultura do amendoim?

Existem vários tipos de bicos usados em pulverizadores, os quais dependem: • Do nível tecnológico do produtor.

• Do tamanho da propriedade.

• Do tipo do equipamento de pulverização, entre outros fatores. Por sua vez, os bicos dos pulverizadores devem ser da mesma marca, estar sempre limpos, ter ângulo de abertura e vazão, para uma mesma barra de pulverização.

Os bicos de inundação – que são de vazão variável e só suportam pequenas pressões – não devem ser usados com herbicidas (geralmente necessitam de 40 PSI ou 2,8 kg/cm²).

Para uso com herbicidas, recomendam-se bicos tipo leque em metal (série 80.02; 80.03; 80.04, etc.) ou de porcelana, cuja cor indica sua vazão (podem ser de cone cheio ou oco) e os bicos dinâmicos, mais modernos que, geralmente, já vêm no pulverizador.

Os bicos coloridos da série APG, com 3,2 kg/cm² (45 PSI), são os seguintes: • APG 110J (amarelo), com vazão de 605 mL/min.

• APG 110O (laranja), com vazão de 855 mL/min.

• APG 110R (vermelho), com vazão de 1.210 mL/min.

• APG 110V (verde), com vazão de 1.710 mL/min.

Existem ainda bicos especiais os quais apresentam baixa deriva, como os dos jatos planos de baixa deriva, das séries DG, LD e ADI, que produzem gotas grandes, para reduzir os riscos de deriva.

Como atuam os herbicidas "amarelos", do grupo das dinitroanilinas, nas plantas daninhas e no amendoinzeiro? Qual o mecanismo de ação?

Os herbicidas ditos "amarelos" são derivados das dinitroanilinas, com núcleo central de tolueno. Quando aplicados, deixam a superfície do solo amarela, em especial o pendimethalin.

Geralmente, esses herbicidas são aplicados no pré-plantio incorporado (PPI), pois na maioria das formulações comerciais, apresentam elevada pressão de vapor. Por isso, necessitam de incorporação e/ou de pré-emergência das plantas daninhas e da cultura do amendoim.

Os herbicidas "amarelos" apresentam mecanismo de ação bem característico, inibindo a proteína tubalina, que está envolvida na formação do fuso acromático, necessário à divisão celular ou mitose.

Geralmente, as células atingidas não se dividem e ficam poliploides antes de morrer. No caso do amendoinzeiro, nas plantas resistentes, o produto não tem ação muito pronunciada.

Na cultura do amendoim, como devem ser usados os herbicidas graminicidas como o sethoxidym?

Esses produtos são graminicidas, podendo ser usados em aplicação total (pós-emergência total) sobre a própria cultura. O estágio de desenvolvimento das plantas daninhas deve ser considerado, uma vez que elas não devem estar adultas no momento da aplicação, pois se tornam mais resistentes à ação fitotóxica do herbicida.

Geralmente, aplica-se um produto latifolicida em pré-emergência e o graminicida em pós-emergência total.

A maioria desses produtos (principalmente o sethoxidym), deve ser associada ao óleo mineral, como coadjuvante.

Na cultura do amendoim, quais as plantas daninhas mais comuns e como podem ser diferenciadas?

Embora desconhecidas do ponto de vista botânico (ou sistemático), plantas daninhas são aquelas que em dado momento estão no lugar não desejado. Segundo alguns teóricos, elas não existem, por estarem sempre vinculadas a uma atividade ou atitude humana.

Mesmo assim, dependendo da duração do ciclo e da forma de propagação – que pode ser por sementes, tubérculos, rizomas, bulbos, estolhões, etc. –, as plantas daninhas são classificadas em anuais, bianuais e perenes.

As anuais são as mais comuns e devem ser controladas logo cedo, antes de formarem sementes. As espécies anuais mais frequentes são: • Cenchrus equinatus L. (capim-carrapicho).

• Eleusine indica (L.) Gaertn, que é uma poaceae muito comum no Brasil, em especial na região Nordeste, conhecida por vários nomes, entre eles, capim-de-ganso.

• Acanthospermum hispidum D.C., é uma asteraceae, também muito comum no Brasil, conhecida por espinho-de-cigano.

• Amaranthus spp., com várias espécies anuais ou bianuais, conhecidas como bredo ou bredo-de-porco.

• Ageratum conizoides L., outra asteraceae comum no Brasil, com várias denominações locais, entre elas, vassoura. • Portula oleraceae (bredo).

• Sorghum halepense (L.) Pers, perene, muito competitiva, metabolismo fotossintético C4, conhecida como capimsudão, em especial no Nordeste.

• Ipomoea spp., anual ou perene, ciclo muito variável, conhecida como corda-de-viola.

• Cyperus rotundus L., perene, muito competitiva, alelopática, metabolismo fotossintético C4, multiplica-se por sementes, bulbos, tuberculoides e rizomas, sendo muito comum em áreas irrigadas no Nordeste. É considerada a planta mais daninha do mundo.

O que é controle cultural de plantas daninhas?

O controle cultural é um dos mais baratos métodos de controle e envolve as características da própria cultura e das práticas culturais incluídas no manejo, como adubação localizada, orientação espacial de plantio, amontoa, etc.

No controle cultural, o componente mais importante é o uso de elevadas populações da cultura, como o plantio adensado. Na cultura do amendoim, recomenda-se espaçamento de 0,3 m x 0,2 m, com duas plantas por cova. A densidade é de 3.3 plantas/ ha, que cobre rapidamente o solo e as plantas daninhas.

A adubação localizada – que favorece a cultura e desfavorece as plantas daninhas – também pode ser uma importante componente do controle cultural. Contudo, o custo dessa operação deve ser considerado.

O preparo do solo por método invertido é outra opção na qual primeiro se usa uma grade leve que tritura restos culturais, para em seguida arar-se o solo (úmido ou seco), com arado de aiveca.

Além da grade leve – que ajuda no controle das plantas daninhas – pode-se lançar mão também do arado de aiveca que, ao revolver o solo, enterra as sementes das plantas daninhas, fazendo com que a maioria delas sejam impedidas de germinar. Já a grade aradora deve ser descartada porque em vez de arar, ela compacta o solo.

O que é controle físico de plantas daninhas e como pode ser usado na cultura do amendoim?

O controle físico de plantas daninhas envolve métodos físicos, como uso de fogo com queimadores a gás butano, gás natural e outros combustíveis. Nesse tipo de controle, as plantas daninhas são mortas pelo calor de até 1.0 oC, com uma espécie de aplicação dirigida de fogo, que coagula o protoplasma das células.

Esse método também pode ser aplicado na agricultura orgânica. Outro método físico é a inundação, usado para debelar plantas daninhas perenes e de difícil controle, como a tiririca (Cyperus rotundus) que pode ter seu crescimento retardado com a inundação. Contudo, essas práticas são pouco adotadas.

Por que deve ser feita a rotação de culturas, no cultivo do amendoim?

Por ser plantado ano após ano no mesmo local, o amendoim promove empobrecimento do solo. Daí, a necessidade de se fazer a rotação cultural, que também reduz a ocorrência de plantas daninhas e o surgimento de doenças e pragas, responsáveis pela queda da produtividade e pelo aumento do custo de produção.

Quais as culturas que podem ser usadas em rotação, no cultivo do amendoim?

Na prática, por apresentar ciclo curto e boa fixação de nitrogênio (N), o cultivo do amendoim em rotação é feito em áreas de renovação do canavial, no Estado de São Paulo, onde proporciona maior rentabilidade de diversas culturas, além da cana-de-açúcar.

Quando o amendoim é cultivado em rotação com algodão, a tolerância a alguns nematoides (Meloydogine incognita, raças 1 e 4) proporciona redução da população desses organismos.

Diante disso, sugere-se que a cultura a ser rotacionada com o amendoim seja escolhida entre as opções tradicionalmente cultivadas na região, que preferencialmente não tenha pragas e doenças em comum e que seja o mais diferente possível do amendoim, quanto à exigência nutricional e ao sistema radical, como gramíneas.

Sempre que possível, o esquema de rotação deve conter uma espécie que produza muita biomassa (palhada) para cobrir o solo e ser fonte de matéria orgânica, e outra, da família das leguminosas, que fixe nitrogênio no solo.

São opções de esquemas de rotação, sequências usadas no

Cerrado como amendoim, mamona, milho e algodão. No Semiárido, recomenda-se a rotação de amendoim, gergelim e mamona.

Em que consiste o plantio consorciado ou cultivo intercalar?

Plantio consorciado ou cultivo intercalar consiste em plantar outra cultura nas entrelinhas da cultura principal, ao passo que cultivo solteiro é o plantio isolado.

Na cultura do amendoim, o plantio consorciado com milheto, milho, sorgo, mamona, mandioca e algodão é uma prática agrícola de grande importância para o Semiárido, sobretudo em pequenas propriedades cuja finalidade é diminuir os riscos da irregularidade climática, aumentando a estabilidade da produção.

Como escolher entre cultivo consorciado ou cultivo solteiro?

Cultivo do amendoim consorciado é mais usado por pequenos produtores que, na maioria das vezes, plantam culturas alimentares, a exemplo do milho e do amendoim, usadas tanto para sustento da família quanto para comercialização.

Contudo, em plantios de grandes áreas, raramente se usa cultivo consorciado, pois seu manejo é mais difícil.

Nesse caso, o cultivo solteiro (monocultura) é o sistema recomendado. Para optar entre o cultivo consorciado e o solteiro, o produtor também pode basear-se no preço das culturas a serem consorciadas.

É necessário assegurar maior estabilidade de produção, melhor uso dos recursos naturais e do controle fitossanitário, além de aspectos como otimização do uso de mão de obra e do uso da terra,

Nota: na implantação de cultivos de fruteiras, o amendoim pode ser alternativa viável no uso do solo.

diversificação de matéria-prima para alimentação da família e para a indústria.

Com deve ser feito o consórcio do amendoim com algodão herbáceo?

O amendoinzeiro pode ser consorciado com algodão herbáceo, em pequenas áreas, com até 5 ha por produtor. Nesse sistema, devese levar em consideração a configuração de plantio e a época relativa de plantio do amendoim com relação ao algodoeiro.

O algodão deve ser plantado em fileiras simples, com espaçamento de 1 m. Quanto ao amendoim, este deve ser plantado apenas uma única fileira entre as fileiras de algodão, com 5 a 7 plantas/metro de fileira, 15 dias depois do plantio do algodão.

Outro sistema é plantar o algodão em fileiras duplas, 1,7 m x 0,3 m x 0,2 m com o amendoim plantado em duas fileiras espaçadas entre si, com espaçamento de 0,5 m, com 5 a 7 plantas/metro de fileira, 15 dias após o plantio do algodão, para reduzir a competição entre as duas culturas.

Como deve ser feito o consórcio do amendoim com mamona, em regime de sequeiro?

O consórcio do amendoim com mamona é muito vantajoso para os agricultores familiares, que podem produzir elevada quantidade de óleo por unidade de área.

No caso das cultivares de mamona, sintetizadas pela Embrapa, a BRS Nordestina e a BRS Paraguaçu, bem como as cultivares precoces de amendoim, BR 1, BRS Havana e BRS 151 L 7, o sistema recomendado é o seguinte:

•Preparo convencional do solo ou método invertido, dispensando-se grade aradora, mas usando-se arado de aiveca, com grade leve.

Nota: embora consórcios com mamona e milho sejam bem conhecidos e recomendados, não existe ainda informação suficiente para sua utilização com segurança econômica.

•Plantar a mamona em solos mais férteis, com espaçamento de 3 m x 1 m.

•Plantar o amendoim com três fileiras espaçadas entre si de 0,5 m, com 5 a 7 plantas/metro por fileira, e espaçadas de cada lado das fileiras de mamona em 1 m.

O semeio deve ser feito 20 dias após o plantio da mamona, para reduzir ao máximo a capacidade competitiva do amendoim com relação à mamona, que tem crescimento inicial muito lento e a germinação pode demorar até 20 dias, com média de 12 dias.

As cultivares de mamona da Embrapa têm ciclo médio de 235 dias no primeiro ano e surgimento do primeiro cacho aos 50 dias da emergência das plântulas.

Outro espaçamento para mamona é 4 m x 1 m, deixando-se uma planta por cova. Nesse espaçamento, devem-se inserir quatro fileiras de amendoim com espaçamento de 50 cm entre si, com 5 a 7 plantas/metro de fileira, com espaçamento de 1 m da mamona, também plantada 20 dias após.

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