90000004-ebook-pdf - Amendoim

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(Parte 4 de 4)

Aurelir Nobre Barreto † Maria José da Silva e Luz

2Irrigação e Drenagem

Na cultura do amendoim, é compensador para o agricultor investir em irrigação?

Como toda planta necessita de água para crescer e se desenvolver, a irrigação pode ser viável, também, na cultura do amendoim, já que se trata de leguminosa com ciclo relativamente curto. Além disso, o amendoim é bem aceito no mercado.

Em regiões onde as chuvas ocorrem de forma regular – e em quantidade suficiente para suprir de água a lavoura – a irrigação é desnecessária, a não ser durante estiagens longas (veranicos), como irrigação suplementar.

É recomendável irrigação na cultura do amendoim?

Sim. Em se tratando da Região do

Semiárido, onde normalmente não há condições regulares de precipitação pluvial – com frequência e distribuição suficientes para atender de forma adequada às necessidades hídricas das plantas – a irrigação da cultura do amendoim (principalmente em escala comercial), que demanda elevada produtividade e segurança de safra, é

recomendável.

Que métodos de irrigação podem ser adotados na cultura do amendoim?

Todos os métodos e sistemas de irrigação podem ser usados, exceto a inundação total que, além de provocar desperdício de água, pode prejudicar o desenvolvimento das plantas ou mesmo matá-las, porque o solo fica encharcado por longo período.

Caso adote-se a irrigação por sulcos, esta deve ser feita com cuidado e só mediante a sistematização da área, para evitar a ocorrência de pontos de encharcamento.

Qual o sistema de irrigação mais indicado para a cultura do amendoim?

Por tratar-se de uma cultura com plantio muito adensado, podese adotar o sistema de irrigação por aspersão em áreas maiores, e a microaspersão em áreas menores. Além desses sistemas, a irrigação por sulco também poderá ser adotada, desde que a gleba seja devidamente sistematizada.

A irrigação de uma lavoura de amendoim causa algum impacto ambiental?

Sim. Os principais problemas ambientais observados em lavouras de amendoim são: • Erosão.

•Compactação e salinização do solo.

•Contaminação da água de superfície e subterrânea. A principal causa desses impactos ambientais – verificados no solo e na água – é a ausência de práticas conservacionistas, tanto em condições irrigadas como em condições de sequeiro.

Como evitar a degradação dos solos em áreas irrigadas e cultivadas com amendoim?

Adotando-se as seguintes práticas: • Terraceamento.

•Plantio em contorno.

•Cordões de vegetação permanente.

•Plantios de cobertura

•Adubação verde.

Nota: o sistema de cultivo mínimo, no qual se evita o uso de implementos agrícolas (grade aradora e enxadas rotativas) é uma medida correta no manejo e na conservação do solo, para evitar sua degradação.

Nota: a escolha do sistema de irrigação dependerá do relevo do terreno, da textura do solo, do poder de compra do produtor e de outros fatores da propriedade rural.

Qual o objetivo do estudo da irrigação na cultura do amendoim?

Sugerir alternativas técnicas para o planejamento de irrigação em variados tipos de solo e de clima, buscando otimizar sua produção e minimizar o uso de recursos naturais, principalmente água e energia.

A programação adequada da irrigação consiste em suprir, integralmente, as necessidades de água da planta nos diferentes estágios de seu desenvolvimento.

Qual o aumento de produtividade do amendoim irrigado em relação ao cultivo de sequeiro?

Esse aumento só poderia ser quantificado caso se avaliassem as duas condições de cultivo do amendoim.

No entanto, já se sabe que essa cultura responde bem à irrigação, duplicando o rendimento em relação ao cultivo de sequeiro. Contudo, é oportuno lembrar que, com a técnica da irrigação, devese buscar atingir a máxima produtividade, sem causar prejuízos ao meio ambiente.

Na cultura do amendoim, quais as técnicas usadas para calcular a quantidade de água na irrigação?

Ao calcular a quantidade de água a ser aplicada na irrigação, o agricultor deve recorrer a um especialista, que por sua vez deve valerse de metodologias distintas integradas a técnicas práticas e eficientes.

Os métodos a serem aplicados são: •Demanda climática ou atmosférica.

•Monitoramento da umidade no solo.

•Medida direta da seiva na planta.

Nota: diante da impossibilidade de se usar os três métodos ao mesmo tempo, busca-se pelo menos um desses recursos, para que a irrigação seja efetiva e mais precisa.

Quais os dados climáticos usados no cálculo da quantidade de água a ser aplicada no solo na irrigação do amendoim?

O cálculo da quantidade de água a ser aplicada pode ser feito usando-se os dados da evaporação do tanque classe A (ECA), da evapotranspiração de referência ou de origem (ETo) e o coeficiente da cultura (Kc).

A evapotranspiração de referência é medida nas estações meteorológicas automáticas. Esses dados podem ser usados num raio de 100 km de distância da área de plantio em regiões de clima uniforme.

Para o amendoim, podem-se aplicar os valores de Kc disponíveis na literatura, conforme mostrados na Figura 1.

Com base nas variáveis climatológicas e no coeficiente da cultura (Kc), como calcular a quantidade de água necessária para suprir o amendoim por meio de irrigação?

O cálculo da quantidade de água necessária para irrigar o amendoim pode ser feito por meio da equação a seguir, sem transformações de unidades:

Nota: para cada fase de desenvolvimento, o valor do coeficiente da cultura (Kc) é determinado por meio de experimentação científica.

Figura 1. Aspectos de segmentos de Kc para as fases fenológicas do amendoim, considerando-se um período de cultivo de 80 dias em regime de irrigação.

Fonte: adaptado de Doorenbos e Kassam (1994).

VolN = ET0 x Kc x A em que:

VolN = volume de água necessário à cultura (m3/dia)

ET0 = evapotranspiração de referência (m/dia) Kc = coeficiente da cultura (adimensional)

Por meio de pesquisas, o valor de Kc pode ser determinado para cada região de cultivo. Para o cálculo do volume de água total – considerando-se as perdas peculiares ao sistema de irrigação e às propriedades do solo – aplica-se a seguinte equação:

VolT = 1/Ea (VolN) em que:

VolT = volume total a ser aplicado (L/fileira/dia) Ea = eficiência de aplicação de água (em decimal)

VolN = volume de água necessário à cultura (L/fileira/dia).

Como saber o tempo necessário de funcionamento do sistema de irrigação para a aplicação da água na área irrigada?

O tempo de aplicação (Ta) de água por um sistema de irrigação pode ser medido pela seguinte equação:

em que:

Ta = tempo de aplicação de água

VolT = volume total de água Pm = precipitação média medida no sistema (m/h) .

Ta= VolT

Pmm

Quais as características do solo usadas no cálculo da quantidade de água de irrigação a ser aplicada?

As características físicas do solo – usadas no cálculo da quantidade de água de irrigação e determinadas em laboratório – são as seguintes:

•Capacidade de campo – Percentual ou teor máximo de água que um solo pode reter.

•Ponto de murcha permanente – Percentual ou teor de água que está presente no solo, mas as plantas não conseguem absorver.

•Densidade do solo – Constante física inerente ao solo que relaciona seu peso e seu volume.

Como calcular a quantidade de água total para irrigação, por meio das características do solo e do monitoramento da umidade no solo?

Para que a quantidade de água total a ser aplicada na irrigação seja calculada, é preciso levar em consideração: •Os dados da análise física do solo.

O cálculo é feito pela equação a seguir:

em que:

QAT = quantidade de água total a ser aplicada à cultura (m) Ea = eficiência de aplicação de água do sistema usado (em decimal)

0CC = teor de água na capacidade de campo (%)

0PMP = teor de água no ponto de murcha permanente (%) Ds = densidade do solo (g/cm3)

FiQAT =10CC - 0 PMP . Ds . P . Fr 100Ea

P = profundidade da camada de solo em que as raízes se encontram (m) Fr = fator de reposição ou de disponibilidade de água (decimal <1) Fi = frequência de irrigação (dia).

No cálculo do tempo de aplicação (Ta), usa-se a seguinte equação:

Ta = QAT/Pmm em que: Pm = precipitação média medida no sistema (m/h).

A quantidade de água a ser aplicada é a mesma, quando se usa qualquer sistema de irrigação?

A quantidade de água que precisa ser aplicada ao solo é a mesma, independentemente do sistema de irrigação adotado.

No entanto, a eficiência de cada sistema é variável. Por isso, é preciso que se considere um fator de correção no cálculo da quantidade de água a ser aplicada. Devido a essas variações, a quantidade de água a ser aplicada num sistema eficiente é bem menor que a de um sistema pouco eficiente.

Qual volume total de água deve ser aplicado para compensar as perdas ocorridas durante e após as irrigações?

Para compensar as perdas de água por ineficiência dos sistemas de irrigação adotados e devido às perdas ocorridas no perfil do solo, aplica-se a seguinte equação:

VolT = 1/Ea (VolN) em que:

VolT = volume total a ser aplicado (L/fileira/dia) Ea = eficiência de aplicação de água (em decimal)

VolN = volume de água necessário à cultura (L/fileira/dia).

Para os sistemas de irrigação localizada (microaspersão, gotejamento e difusores), considera-se a eficiência de aplicação (Ea) de 0,90.

Para os sistemas de irrigação por aspersão e por sulcos, consideram-se valores de Ea entre 0,65 e 0,75.

Qual o valor mínimo da eficiência de aplicação de água dos principais sistemas de irrigação?

Os valores mínimos são: •Sistema de irrigação por sulco – A eficiência de aplicação de água deve ser de, no mínimo, 65%. •Sistema de irrigação por aspersão – Deve ser acima de 70%.

•Sistema de irrigação por microirrigação – Que inclui gotejamento superficial, gotejamento subterrâneo, microaspersão e difusores, deve ser superior a 80%.

Como são obtidos os valores de capacidade de campo e o ponto de murcha permanente?

Os valores dos teores de água no solo na capacidade de campo

(0CC) e no ponto de murcha permanente (0PMP) podem ser determinados em laboratório ou estimados por meio de equações que aplicam os teores de silte + argila do solo, conforme as expressões a seguir.

Os teores de silte + argila também devem ser determinados em laboratório, por meio da análise granulométrica.

0CC= 3,1 + 0,629 (S + A) - 0,0034 (S + A)2 em que:

0CC = teor de água à capacidade de campo (%)

0PMP = teor de água no ponto de murcha permanente (%) S+A = soma dos teores de silte e argila.

Como definir o momento de irrigar o solo, com base em medições feitas diretamente na planta?

Já existem instrumentos para medir o teor de água diretamente nas plantas, mas essa tecnologia ainda não está sendo usada amplamente no Brasil.

Esses instrumentos fazem o monitoramento em campo, determinando o teor de água na planta e a quantidade de água transpirada em tempo real. As técnicas são descritas assim:

•Determinação do potencial hídrico na folha. •Porometria (determinação da resistência à transpiração pela folha). •Termometria da folha por infravermelho.

•Monitoramento do fluxo xilemático de seiva.

Entre esses métodos, a medição do fluxo de seiva no xilema das plantas vem se destacando na pesquisa e os resultados obtidos permitem adaptá-lo para determinar o consumo de água da planta em tempo real e automação de sistemas de irrigação.

Atualmente, os métodos de monitoramento do fluxo de seiva são divididos em três grupos:

•Pulso de dissipação térmica.

398,9 (S + A) 1.308,1 + (S + A)0PMP =

Quais os critérios para definir o intervalo ou a frequência entre as irrigações?

As características do solo com relação à capacidade de armazenamento de água disponível à planta, o consumo de água pela planta e o momento de reposição desse consumo definem o intervalo entre as irrigações. Este depende mais da capacidade de armazenamento de água do solo do que do clima da região.

Em solos muito arenosos, recomendam-se intervalos de 1 a 2 dias. Para solos com textura de média a argilosa, o intervalo deve variar entre 4 e 7 dias.

Esses intervalos são recomendados de conformidade com critérios e padrões adequados de cálculos estimativos da quantidade de água, para o manejo de irrigação no âmbito de propriedade agrícola.

Como se monitora a umidade disponível no solo?

Existem diversas formas de monitorar a umidade disponível no solo. Uma delas é colhendo-se amostras de solo da área de cultivo, pesando-se e levando-se para secar numa estufa e em seguida pesar novamente, para ver a diferença correspondente à água que estava na amostra.

No entanto, esse método é muito trabalhoso e demorado.

Atualmente, existem instrumentos capazes de medir o teor de água no solo de forma direta e com muita precisão, como as sondas TDR.

Pode-se decidir o momento de irrigar observando-se quando as folhas murcham?

Como as folhas de outras culturas, as do amendoim podem murchar em certas horas do dia, mesmo havendo bastante água disponível no solo.

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