90000005-ebook-pdf - Gergelim

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(Parte 1 de 4)

1 O produtor pergunta, a Embrapa responde

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

Embrapa Algodão Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

O produtor pergunta, a Embrapa responde

Embrapa Informação Tecnológica

Brasília, DF 2009

Nair Helena Castro Arriel

Napoleão Esberard de Macêdo Beltrão Paulo de Tarso Firmino

Editores Técnicos

Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na:

Embrapa Informação Tecnológica Parque Estação Biológica (PqEB), Av. W3 Norte (final) CEP 70770-901 Brasília, DF Fones: (61) 3340-9 Fax: (61) 3340-2753 vendas@sct.embrapa.br w.sct.embrapa.br/liv

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Embrapa Informação Tecnológica Coordenação Editorial: Fernando do Amaral Pereira

Mayara Rosa Carneiro Lucilene Maria de Andrade

Supervisão editorial: Juliana Meireles Fortaleza Revisão de texto: Rafael de Sá Cavalcanti Projeto gráfico da coleção: Mayara Rosa Carneiro Editoração eletrônica: Mário César Moura de Aguiar Ilustrações do texto: Via Brasília Arte-final da capa: Mário César Moura de Aguiar Foto da capa: Sérgio Cobel

1ª edição 1ª impressão (2009): 3.0 exemplares

Todos os direitos reservados.

A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610).

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Embrapa Informação Tecnológica

CDD 635.7 ©Embrapa 2009

Gergelim : o produtor pergunta, a Embrapa responde / editores técnicos, Nair Helena Castro

Arriel, Napoleão Esberard de Macedo Beltrão, Paulo de Tarso Firmino. – Brasília, DF : Embrapa Informação Tecnológica, 2009. 209 p. : il.; 2 cm – (Coleção 500 perguntas, 500 respostas).

ISBN 978-85-7383-442-0

1. Cultura do gergelim. 2. Melhoramento genético. 3. Planta oleaginosa. 4. Produção.

I. Arriel, Nair Helena Castro. I. Beltrão, Napoleão Esberard de Macêdo. II. Firmino, Paulo de Tarso. IV. Embrapa Algodão.

Autores

Ayicê Chaves Silva Técnico agroindustrial, assistente da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Francisco Pereira de Andrade Engenheiro-agrônomo, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Joffre Kouri Economista, Mestre em Economia, analista da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

José Janduí Soares Biólogo, Mestre em Entomologia, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

José Renato Cortez Bezerra Engenheiro-agrônomo, Mestre em Irrigação e Drenagem, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Nair Helena Castro Arriel Engenheira-agrônoma, Doutora em Produção Vegetal, pesquisadora da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Napoleão Esberard de Macêdo Beltrão Engenheiro-agrônomo, Doutor em Fisiologia da Produção, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Odilon Reny Ribeiro Ferreira Silva Engenheiro agrícola, Doutor em Agronomia, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Paulo de Tarso Firmino Químico industrial, Mestre em Tecnologia de Alimentos, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Rosiane de Lourdes Silva de Lima Engenheira-agrônoma, Doutora em Agronomia (Produção Vegetal) pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), bolsista da Embrapa/Fapesq/CNPq, Jaboticabal, SP

Tarcísio Marcos de Souza Gondim

Engenheiro-agrônomo, Mestre em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Vicente de Paula Queiroga Engenheiro-agrônomo, Doutor em Sementes, pesquisador da Embrapa Algodão, Campina Grande, PB

Agradecimentos

Os autores e colaboradores agradecem a colaboração dos estagiários do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento da Cultura do Gergelim Augusto Lima Diniz, Bruno Freire Araújo, Edna Silva Oliveira, Fernanda Kelly Gomes da Silva, Irlany Cristina Alves Figueiredo e Stefânia Morais Pinto, que contribuíram na elaboração das perguntas que compõem este livro.

Apresentação

A Embrapa Algodão vem, ao longo de 20 anos, realizando pesquisas para a cultura do gergelim nas áreas de recursos genéticos, melhoramento de plantas, manejo cultural, fitossanidade e tecnologia de alimentos. Além do avanço do conhecimento, várias tecnologias foram geradas e/ou adaptadas, a fim de promover o fomento da cultura, especialmente na Região Nordeste, envolvendo cultivares, adubação, herbicidas e suas dosagens, usos de máquinas simples para semeadura e outras tecnologias importantes para a sustentabilidade da cultura. Essas tecnologias foram direcionadas para o atendimento da demanda dos produtores e de todos os segmentos da cadeia produtiva do gergelim.

Nos últimos anos, houve um crescimento no interesse de novos empresários e produtores brasileiros que buscam uma cultura alternativa para alimentação e exploração agrícola viável, assim como na necessidade por informações atualizadas solicitadas por produtores tradicionais ou por aqueles de áreas em expansão. Tais solicitações chegam à Embrapa Algodão por via do Serviço de Atendimento ao Cidadão e, em seguida, são direcionadas aos pesquisadores e técnicos.

Este livro reúne uma coletânea tanto de questionamentos feitos em eventos de transferência de tecnologia (dias de campo, seminários e excursões técnicas, dentre outros) como aqueles registrados pelo Serviço de Atendimento ao Cidadão da Embrapa, resultando em uma obra que aborda 500 perguntas cuja finalidade é despertar o interesse do leitor em usar a publicação como uma fonte permanente de consultas sobre os mais variados aspectos que envolvem o agronegócio do gergelim.

Nesse contexto, nos capítulos que compõem este livro, descrevem-se desde a origem e a introdução do gergelim no Brasil, as pesquisas de melhoramento e de desenvolvimento de cultivares, as exigências edafoclimáticas da cultura, o sistema de cultivo envolvendo correção de solo, adubação, controle de plantas daninhas, mecanização, irrigação, controle de pragas e doenças, colheita e beneficiamento e a produção de sementes, além da agroindustrialização e dos aspectos econômicos.

Ao colocar esta publicação à disposição da sociedade, a

Embrapa Algodão cumpre seu papel de transferir e difundir tecnologias e resultados de pesquisa que possibilitem promover o desenvolvimento da cultura do gergelim no Brasil.

Napoleão Esberard de Macêdo Beltrão Chefe-Geral da Embrapa Algodão

Introdução13
1 Origem e Evolução17
2 Taxonomia, Citogenética e Fitologia27
3 Melhoramento Genético39
4 Cultivares49
5 Clima57
6 Solo, Calagem e Adubação69
7 Sistemas de Cultivo83
8 Controle de Plantas Daninhas101
9 Mecanização107
10 Irrigação117
1 Pragas125
12 Doenças137
13 Colheita e Beneficiamento153
14 Produção de Sementes159
15 Agroindustrialização169

Introdução

O gergelim (do árabe vulgar gilgilan, do árabe clássico ìulìulãn, que significa “grão de coentro”) ou sésamo é uma planta anual herbácea originária do Oriente. Suas sementes contêm em média 50 % de óleo de elevada qualidade nutricional e são muito apreciadas como tempero e alimento energético. Suas propriedades medicinais o tornam apto para uso nas indústrias óleo-química e farmacológica, principalmente aquelas relacionadas à sua constituição em antioxidantes naturais, como as ligninas, fitosteróis e vários constituintes secundários, que conferem ao óleo elevada resistência à oxidação, sendo considerado por muitos a Rainha das Oleaginosas. O óleo é ingrediente fundamental na culinária oriental.

Atualmente, um interesse especial tem sido dado aos antioxidantes naturais presentes no gergelim em virtude das evidências sobre o efeito anticarcinogênico, o de redução do colesterol no sangue e inibição de reações de oxidação nocivas que ocorrem no corpo. E, em decorrência de suas propriedades antioxidantes, o óleo dessa [Pedaliaceae] também é usado como aditivo para estender a vida de prateleira dos óleos e dos alimentos que contêm lipídios.

Seus grãos são encontrados com casca ou descascados para fabricação de pães, extração de óleo e farelo, massa para biscoito, bolachas, bolos, doces, sopas, mingaus e pastas (tahine), e também no enriquecimento de alimentos. O uso de suas sementes tem crescido em torno de 15 % ao ano graças ao aumento da quantidade de produtos industrializáveis para o consumo. A maior parte das sementes produzidas no mundo é processada para obtenção de óleo e produtos alimentícios.

No mundo, o gergelim é cultivado em 65 países, especialmente na Ásia e África, destacando-se como principais produtores Índia, Myanmar, Sudão e China, responsáveis por aproximadamente 70 % da superfície cultivada mundialmente. No Brasil, é cultivado tradicionalmente na maioria dos estados nordestinos e na Região Centro-Sul do País. Especialmente no Estado de São Paulo, é explorado há mais de 60 anos para atender aos segmentos agroindustrial oleaginoso e de alimentos in natura. Os estados de Goiás (maior produtor), Mato Grosso e Minas Gerais vêm ampliando sistematicamente suas áreas de cultivo com a cultura.

Apesar de o gergelim apresentar um grande potencial econômico e agronômico, sua posição em relação às demais oleaginosas comestíveis de origem vegetal não é das mais vantajosas no que se refere às quantidades tanto produzidas quanto transacionadas no comércio mundial. Muito embora com produtividade inferior à maioria das oleaginosas cultivadas, o gergelim merece um grande incentivo na sua exploração graças à sua ampla adaptabilidade às condições edafoclimáticas dos locais de clima quente, bom nível de resistência à seca e por representar uma excelente opção agrícola ao alcance do pequeno e médio produtor, exigindo práticas agrícolas simples e de fácil assimilação. É uma cultura que se insere tanto nos tradicionais sistemas de cultivo como na agricultura sustentável e orgânica, podendo ser usada em rotação, sucessão e consórcios com outras culturas.

O cultivo do gergelim, em condições de sequeiro no semiárido nordestino, tem apresentado, entre os produtores, produtividades entre 800 kg e 1.0 kg de sementes por hectare com o uso de poucos passos tecnológicos, tais como cultivares sintetizadas na região pela Embrapa Algodão – CNPA G2, CNPA G3, BRS 196 (CNPA G4) e a mais recente, BRS Seda –, manejo, espaçamentos e configurações de plantios corretos. Em sistema de cultivo irrigado, o gergelim tem possibilidades reais de produzir mais de 2.500 kg de sementes por hectare.

É importante ressaltar que o crescente aumento da população mundial, especialmente nas regiões subdesenvolvidas, é motivo para que se amplie as opções de alimento. Nesse contexto, a exploração do gergelim, se bem organizada, poderá trazer grandes benefícios, não só para os agricultores, que terão à disposição uma fonte a mais de alimento e renda, mas também para o mercado brasileiro, que poderá dispor de uma excelente alternativa para exploração comercial.

Espera-se que a partir desta coletânea de perguntas e respostas, a Embrapa Algodão possa atender aos questionamentos da cadeia produtiva da cultura, possibilitando o fortalecimento do agronegócio do gergelim no Brasil.

Origem e Evolução1

Nair Helena Castro Arriel Napoleão Esberard de Macêdo Beltrão

Qual é o local de origem do gergelim?

Existem controvérsias sobre a origem do gergelim. Muitos autores sugerem que o gergelim é de origem africana, enquanto para outros o gergelim se originou na Ásia. Alguns estudos registram que o centro primário do gergelim não é a Ásia, apesar da riqueza de formas e variedades que ali se encontra, e sim a África, onde estão os tipos primitivos dessa cultura. Outros mencionam que o gergelim pode ter se originado nas regiões da Etiópia e Índia independentemente, pois essas regiões possuem em comum numerosos gêneros e espécies.

Há quanto tempo o gergelim é conhecido e usado?

O gergelim é conhecido como a planta oleaginosa mais antiga e usada pelo homem. Sua domesticação data de tempos tão remotos quanto a própria agricultura. Existem registros de uso do óleo e sementes nos países asiáticos e africanos desde 4.300 anos antes da era cristã, e foi importante cultura na região da antiga Pérsia.

Como ocorreu a domesticação do gergelim cultivado?

O gergelim cultivado apareceu pela primeira vez nas regiões da Malásia e Indonésia, e foi provavelmente da Etiópia que o seu cultivo se expandiu para o Sudão, passando para o Egito e, posteriormente, para a Índia, onde se originaram numerosas variedades e novos tipos. Depois seguiu para a China e o Japão, regressando com novas variantes para a Ásia Central, países do Mediterrâneo e norte da África. Hoje, baseando-se em estudos genéticos e botânicos reforçados por marcadores moleculares, está

estabelecido que o gergelim foi domesticado no subcontinente indiano e em seguida, levado para a região da Mesopotâmia.

Quando o gergelim foi introduzido no Brasil?

O gergelim foi introduzido no Brasil por navegantes portugueses no século 16, momentos depois do inicio da nossa colonização, a partir de colônias indianas, quando recebeu a denominação inicial de gergelly.

O que é um Centro de Origem e Centro de Domesticação de uma espécie?

O centro de origem (básico) ou centro de formação primária de uma espécie é a área geográfica em que ela se originou, enquanto o centro de diversidade ou domesticação (secundário) corresponde ao local onde ocorre a maior variabilidade genética entre os indivíduos da espécie cultivada e das espécies relacionadas. O centro de origem e o de diversidade podem coincidir ou não.

Existem outros Centros de Diversidade do gergelim?

Além do Centro Básico na Etiópia e o Secundário na Índia, o gergelim apresenta outros Centros de diversidade ou domesticação, como em Punjab, Cachemira e Afeganistão. No Irã e no Turquemenistão, encontra-se a subespécie bicarpellatum, que constitui um grupo geográfico separado. No Indostão, incluindo Birmânia e Assam, há o centro básico de origem de variedades cultivadas e, na China, o centro secundário, em cujas regiões do centro e oeste se encontram grupos endêmicos de variedades anãs.

Qual é a importância do conhecimento desses centros?

O conhecimento desses locais é fundamental no estudo de evolução da espécie e em trabalhos de recursos genéticos e melhoramento, como, por exemplo, nos trabalhos de conservação e multiplicação de genótipos em que os cientistas têm possibilidades de enriquecer, via introduções ou coletas, a variabilidade genética e constituir importantes bancos de germoplasma.

Qual é o benefício da ampliação da variabilidade genética a partir dos centros de origem e diversidade?

A busca de novas fontes de germoplasma nas regiões onde as espécies de Sesamum são nativas ou silvestres ocorre em função da necessidade de se encontrar recursos genéticos capazes de solucionar problemas específicos, especialmente visando a conferir resistência a doenças, pragas ou estresse ambiental e, em consequência, promover o melhoramento genético da espécie.

O que é germoplasma?

Germoplasma corresponde à soma total de material hereditário de uma espécie que poderá ser na forma de plantas, anteras, pólen, sementes, tecidos (meristema, calo), células ou estruturas mais simples.

O que é um Banco de Germoplasma?

Bancos de Germoplasma são locais onde se armazena a diversidade genética de uma dada espécie. Na realidade, é um banco de alelos (formas alternativas de um mesmo gene) que podem ser usados no desenvolvimento de novas cultivares. A formação e manutenção de um Banco de Germoplasma se constituem na etapa inicial para dar suporte a um programa de melhoramento genético.

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