90000003-ebook-pdf - Uva

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O produtor pergunta, a Embrapa responde O produtor pergunta, a Embrapa responde

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

Embrapa Uva e Vinho Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

O produtor pergunta, a Embrapa responde

Jair Costa Nachtigal Adriano Mazzarolo Editores Técnicos

Embrapa Informação Tecnológica

Brasília, DF 2008

Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na:

Embrapa Informação Tecnológica Parque Estação Biológica (PqEB), Av. W3 Norte (final) 70770-901 Brasília, DF Fone: (61) 3340-9 Fax: (61) 3340-2753 vendas@sct.embrapa.br w.sct.embrapa.br/liv

Embrapa Uva e Vinho Rua Livramento, 515, Caixa Postal 130 95700-0 Bento Gonçalves, RS Fone: (54) 3455-8000 Fax: (54) 3451-2792 sac@cnpuv .embrapa.br w.cnpuv.embrapa.br

Coordenação editorial: Fernando do Amaral Pereira

Mayara Rosa Carneiro Lucilene Maria de Andrade

Supervisão editorial: Wesley José da Rocha Revisão de texto: Wesley José da Rocha Editoração eletrônica: José Batista Dantas Ilustrações do texto: Rogério Mendonça de Almeida – Result Marketing Promocional Arte-final da capa: Carlos Eduardo Felice Barbeiro Foto da capa: Jair Costa Nachtigal

1ª edição 1ª impressão (2008): 3.0 exemplares

Todos os direitos reservados.

A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei n 9.610).

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Embrapa Informação Tecnológica

©Embrapa 2008

Uva : o produtor pergunta, a Embrapa responde / editores técnicos, Jair Costa

Nachtigal, Adriano Mazzarolo. – Brasília, DF : Embrapa Informação Tecnológica, 2008. 202 p. : il. – (Coleção 500 perguntas, 500 respostas).

ISBN 978-85-7383-440-6

1. Colheita. 2. Comercialização. 3. Doença de planta. 4. Plantio. 5. Praga. 6. Variedade. I. Nachtigal, Jair Costa. I. Mazzarolo, Adriano. II. Embrapa Uva e Vinho. IV. Coleção.

CDD 634.8

Autores

Alberto Miele Engenheiro agrônomo, doutor em Viticultura-Enologia, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Celito Crivellaro Guerra Engenheiro agrônomo, doutor em Ciências Físicas e Biomédicas, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Francisco Mandelli Engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

George Wellington Bastos de Melo Engenheiro agrônomo, doutor em Ciência dos Solos, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Gilmar Barcelos Kuhn Engenheiro agrônomo, mestre em Fitopatologia/Virologia, pesquisador aposentado da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Henrique Pessoa dos Santos Engenheiro agrônomo, doutor em Fisiologia Vegetal, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Jair Costa Nachtigal Engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS

João Dimas Garcia Maia Engenheiro agrônomo, mestre em Melhoramento Genético Vegetal, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho – Estação Experimental de Viticultura Tropical, Jales, SP

Jorge Tonietto Engenheiro agrônomo, doutor em Ecologia e Biologia da Evolução, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Loiva Maria Ribeiro de Mello Economista, mestre em Socioeconomia, pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Lucas da Ressurreição Garrido Engenheiro agrônomo, doutor em Fitopatologia, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Lucimara Rogéria Antoniolli Engenheira agrônoma, doutora em Pós-colheita, pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Luís Fernando Revers Biólogo, doutor em Biologia Molecular, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Luiz Antenor Rizzon Engenheiro agrônomo, doutor em Enologia, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Marco Antonio Fonseca Conceição Engenheiro civil, doutor em Irrigação e Drenagem, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho – Estação Experimental de Viticultura Tropical, Jales, SP

Marcos Botton Engenheiro agrônomo, doutor em Entomologia, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Maria Auxiliadora Coêlho de Lima Engenheira agrônoma, doutora em Fitotecnia, pesquisadora da Embrapa Semi-Árido, Petrolina, PE

Olavo Roberto Sônego Engenheiro agrônomo, mestre em Fitopatologia, pesquisador aposentado da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Patrícia Silva Ritschel Engenheira agrônoma, doutora em Biologia Molecular, pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Regina Beatriz Bernd Bióloga, doutora em Biologia Molecular, pesquisadora da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Aracaju, SE

Reginaldo Teodoro de Souza Engenheiro agrônomo, doutor em Fitotecnia, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho – Estação Experimental de Viticultura Tropical, Jales, SP

Rosemeire de Lellis Naves Engenheira agrônoma, doutora em Fitopatologia, pesquisadora da Embrapa Uva e Vinho – Estação Experimental de Viticultura Tropical, Jales, SP

Thor Vinícius Martins Fajardo Engenheiro agrônomo, doutor em Fitopatologia, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Umberto Almeida Camargo Engenheiro agrônomo, mestre em Melhoramento Genético Vegetal, pesquisador da Embrapa Uva e Vinho, Bento Gonçalves, RS

Apresentação

Como parte da missão institucional da Embrapa Uva e Vinho, que consiste em viabilizar soluções tecnológicas para as cadeias produtivas da uva, do vinho e das frutas de clima temperado, esta Unidade de Pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária tem a satisfação de apresentar este livro da Coleção 500 Perguntas, 500 Respostas.

A cultura da videira apresenta uma importância crescente no

Brasil, e sua expansão para diferentes regiões, climas e solos tem demandado, com freqüência, informações sobre tecnologia de produção e sobre seus mercados. Essas demandas têm sido apresentadas, em sua maioria, por meio do Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC), mas também por contatos com pesquisadores e técnicos da Unidade.

Este compêndio de perguntas e respostas foi elaborado por uma ampla equipe de pesquisadores e colaboradores da Embrapa Uva e Vinho, que buscaram efetuar uma criteriosa seleção de aspectos relevantes da cultura, apresentados de forma objetiva, clara e simples, o que permite o rápido acesso à informação quando esta é buscada pelo produtor ou interessado na cultura.

Este conjunto de dados, embora abrangente, não se destina a esgotar as informações que a Embrapa Uva e Vinho coloca à disposição, mas sim permite um acesso facilitado a detalhes técnicos que sirvam de base para um cultivo racional, eficiente e rentável de uma cultura que, dia a dia, amplia suas regiões de cultivo e sua importância como geradora de emprego e renda.

Alexandre Hoffmann Chefe-Geral da Embrapa Uva e Vinho

Introdução13
1 Melhoramento Genético e Biotecnologia15
2 Variedades25
3 Clima3
4 Propagação43
5 Instalação do Vinhedo57
6 Adubação e Calagem73
7 Irrigação e Fertirrigação85
8 Manejo e Práticas Culturais95
9 Florescimento e Frutificação109
10 Pragas121
1 Doenças135
12Tecnologia de Aplicação de Produtos Fitossanitários157
13 Colheita e Pós-colheita169
14 Processamento181

Introdução

No Brasil, a vitivinicultura é uma atividade relativamente recente. Embora a uva houvesse sido introduzida no País pouco tempo após o Descobrimento, seu cultivo comercial esteve fortemente vinculado aos imigrantes italianos radicados na Serra Gaúcha, a partir de 1875, e a outras regiões tradicionais de cultivo, sobretudo no Sul e Sudeste brasileiros.

A ampla capacidade de adaptação da videira a diferentes climas e o aprimoramento da tecnologia de produção foram fundamentais para que a cultura esteja hoje disseminada em várias regiões brasileiras. Essa expansão decorre também da alta rentabilidade do cultivo, tanto para a produção de uvas de mesa quanto para a obtenção de sucos, vinhos e demais derivados, o que torna a atividade fortemente atrativa. Atualmente, há vários pólos vitivinícolas nas regiões Sul, Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste, que proporcionam renda e empregos, caracterizando a importância social e econômica da vitivinicultura do Brasil. Porém, trata-se de uma atividade complexa, que requer constante aprimoramento tecnológico para alcançar a necessária rentabilidade e o retorno do investimento. Daí, a importância do acesso objetivo e simples a informações que sirvam de base à orientação de produtores de uvas, vinhos e outros derivados, desde quem cultiva a videira de forma doméstica até os produtores comerciais.

Parte significativa da tecnologia vitivinícola do Brasil tem sido gerada, validada e transferida pela Embrapa Uva e Vinho. Portanto, além das demais estratégias de transferência de tecnologia, justificase plenamente dispor de meios de difusão da informação tecnológica, de modo a contribuir para o aprimoramento da produção brasileira. O grande interesse do público que recorre à Embrapa Uva e Vinho justifica a importância de colocar à disposição essas informações.

O objetivo desta publicação é contribuir para que produtores de uvas e elaboradores de seus derivados obtenham as informações que proporcionem a qualidade e a produtividade compatíveis com a constante utilização de tecnologias que levem à tão almejada rentabilidade, ao acesso a mercados e ao respeito ao ambiente natural.

1 Melhoramento Genético e Biotecnologia

Patrícia Silva Ritschel

Umberto Almeida Camargo

João Dimas Garcia Maia

Luís Fernando Revers Regina Beatriz Bernd

Quais são os métodos usados no melhoramento genético da videira?

O melhoramento da videira pode ser realizado com sucesso por hibridação ou por métodos convencionais, como a introdução de plantas, a seleção massal e a seleção clonal. Novas abordagens, como biotecnologias e o uso de mutagênicos para aumento da variabilidade, vêm sendo paralelamente utilizadas e têm contribuído para diminuir o tempo necessário de obtenção de novas cultivares e clones de uva.

Quais são os objetivos do melhoramento genético de uvas?

Os objetivos de um programa de melhoramento genético devem estar sempre diretamente ligados às demandas do setor produtivo. Essas demandas estão relacionadas com a adaptação de cultivares às diferentes regiões produtoras, à resistência a doenças e pragas e à qualidade da uva e são específicas para cada segmento da cadeia produtiva brasileira de uva (uvas para mesa, finas e comuns; vinhos, finos e comuns; e sucos).

•No segmento de uvas finas para mesa, é prioritário o desenvolvimento de novas cultivares de uvas sem sementes, produtivas, adaptadas às diferentes regiões produtoras e com qualidade compatível com as exigências de mercado.

•Para a agroindústria e produtores de uvas para suco, o elevado teor glucométrico, a cor, o aroma e o sabor das uvas são importantes, bem como o desenvolvimento de cultivares precoces e tardias que permitam a ampliação do período de colheita nas regiões produtoras.

•A boa qualidade da matéria-prima é uma demanda também dos vitivinicultores. Busca-se, no melhoramento, o desenvolvimento de cultivares de uva para elaboração de vinhos tintos de mesa, com boa estrutura e cor, de vinhos brancos de mesa aromáticos e de vinhos finos do tipo moscatel (espumantes).

•Com relação aos porta-enxertos, a maior demanda é para o controle da pérola-da-terra, praga que tem inviabilizado áreas de produção no Sul do País.

O desenvolvimento de cultivares resistentes a doenças e pragas é demanda comum de todos os segmentos da cadeia produtiva de uva.

Qual é o tempo necessário para a obtenção de uma nova cultivar de uva?

Com a utilização dos métodos convencionais de melhoramento genético, pode-se esperar de 15 a 20 anos até a liberação de uma nova cultivar para o setor produtivo. Entretanto, nas condições tropicais do Brasil, com a realização de dois ciclos de produção por ano, este tempo pode ser reduzido à metade.

O uso de biotecnologias, como a cultura de tecidos e os marcadores moleculares, também pode contribuir para a redução do tempo necessário de obtenção de novas variedades. Um exemplo é o desenvolvimento das uvas apirênicas BRS Clara, BRS Linda e BRS Morena pela Embrapa Uva e Vinho, realizado na Estação Experimental de Viticultura Tropical, em Jales, SP, que contou com a contribuição da técnica de resgate de embriões e que demorou cerca de seis anos.

Quais são as características do método de introdução de cultivares?

A introdução de cultivares de origens diversas, seguida da avaliação de seu comportamento agronômico nas condições edafoclimáticas locais, pode ser considerada como um método de melhoramento, pois possibilita, a curto prazo, a seleção de cultivares com as características desejáveis para uma determinada região. Esse método foi particularmente importante para os novos países vitícolas, como o Brasil, onde a viticultura se desenvolveu com base em cultivares importadas, tanto de Vitis vinifera, vindas da Europa, quanto de V. labrusca e de V. bourquina, vindas da América do Norte. A introdução de plantas deve ser cercada de alguns cuidados, pois, no transporte de material vegetal, como estacas de uva, podemos transportar também novas doenças e pragas para a região de destino.

Qual é a diferença entre a reprodução sexuada e a reprodução assexuada da videira?

Na reprodução sexuada, a multiplicação das plantas é realizada por meio de sementes, obtidas pelo cruzamento entre dois indivíduos diferentes. Por esse método, o resultado é um conjunto de plantas de uva que, mesmo procedentes de um mesmo indivíduo, diferem entre si em uma ou mais características.

Na reprodução assexuada, a multiplicação é realizada com o uso de qualquer parte de tecido retirada de uma planta. Essa parte vai originar indivíduos idênticos àquele que lhe deu origem. Comercialmente, a multiplicação de uma variedade de uva é feita por reprodução assexuada, por meio da enxertia de gemas retiradas de um mesmo indivíduo ou pela multiplicação e enraizamento de estacas. Usando este método, também é possível, por exemplo, reproduzir uma planta selecionada por suas características especiais no programa de melhoramento, para testes avançados ou mesmo para sua liberação para o setor produtivo.

Quais são as características do método de seleção massal?

A seleção massal é a marcação de plantas em vinhedos de determinada cultivar, com vista a evitar a propagação de plantas cujo desempenho esteja abaixo dos parâmetros desejados. Ela é chamada seleção massal positiva quando se marcam as melhores plantas, destinadas à coleta de material propagativo. É recomendável que a avaliação das plantas selecionadas em uma primeira etapa seja continuada por ciclos vegetativos sucessivos, de modo a assegurar e a melhorar a qualidade do material propagativo por meio da exclusão de plantas com irregularidade de produção ou que, eventualmente, passem a apresentar sintomas de viroses ou de outras doenças.

O que são mutações somáticas?7

Mutações somáticas são variações que ocorreram no DNA de tecidos vegetativos (não reprodutivos) de um indivíduo. As mutações que afetam caracteres morfológicos de fácil percepção, como cor da uva, tamanho ou forma de cacho e baga, que apresentem algum interesse econômico ou ornamental, são compulsoriamente propagadas por propagação assexuada ou vegetativa. Um exemplo clássico é a variedade Rubi, mutação somática da variedade Itália, com as bagas de coloração rosada. Já as variações referentes a características fisiológicas ou fenológicas, que podem apresentar importância cultural, normalmente são de difícil identificação e passam despercebidas.

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