90000003-ebook-pdf - Uva

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Quais são as características do método de seleção clonal?

Em tal caso, o melhoramento genético de uma cultivar tradicional é feito pela seleção e perpetuação de variações de sua forma original, decorrentes de mutações somáticas espontâneas do tipo quimera, propagáveis vegetativamente. A metodologia clássica utilizada para a seleção clonal é realizada conforme as etapas:

•Prospecção de plantas em áreas comerciais – As plantas selecionadas devem ser marcadas e receber um número de identificação, sob o qual serão coletadas todas as informações. A coleta de dados de produção e a avaliação sanitária devem ser realizadas por 2 ou 3 ciclos.

•Avaliação em coleção clonal – As plantas promissoras devem ser multiplicadas para avaliação em coleção clonal. Além de características de interesse específico em cada programa de seleção, na coleção clonal devem ser avaliados o comportamento fenológico, a produção, a qualidade da uva, o vigor e a incidência de doenças e pragas. Depois de três a cinco ciclos produtivos, já é possível a realização da seleção.

Quais são as características do método de melhoramento por hibridação?

O método de hibridação é a obtenção de novas cultivares de uva por meio da reprodução sexuada, ou seja, pela realização de fecundações artificiais. Por este método, é possível reunir as características desejáveis de variedades – e até de espécies diferentes – de uva numa só cultivar. As etapas do melhoramento da videira por hibridação são as seguintes: •Seleção de progenitores.

•Realização das hibridações.

•Preparo das sementes e sementeira.

O que é clone e qual é sua importância para a viticultura?

Clones são plantas produzidas a partir de um tecido qualquer de uma planta matriz e, portanto, possuem o mesmo conteúdo genético da planta matriz. A importância da clonagem é esta: quando temos uma planta matriz com qualidades agronômicas superiores ou livre de vírus, podemos propagá-la e fazer inúmeras plantas idênticas a ela, ou seja, com as mesmas características.

Como se obtém um clone de videira?1 utilizando meio de cultura apropriado, determinado por pesquisa científica.

O que é uma videira transgênica?

Uma videira transgênica ou geneticamente modificada é uma planta que contém um gene artificialmente inserido, em vez de adquirido naturalmente por polinização. O gene inserido, conhecido como “transgene”, pode vir de outra planta ou mesmo de outra espécie completamente diferente. A planta resultante é denominada geneticamente modificada (GM), embora na realidade todas as culturas sejam modificadas geneticamente a partir de seu estado silvestre original, o que ocorre por domesticação, por seleção ou por cruzamentos controlados durante longos períodos.

Como são feitas as videiras transgênicas?

Existem dois métodos para a obtenção de videiras geneticamente modificadas. O primeiro envolve um dispositivo chamado canhão de genes, onde o DNA a ser introduzido nas células vegetais é coberto por pequenas partículas metálicas. Então, com o uso de um dispositivo que utiliza gás hélio em alta pressão, essas partículas são aceleradas em direção às células vegetais. Uma parte do DNA introduzido nas células vegetais é incorporado ao DNA da planta receptora.

Um clone é obtido por propagação assexuada, que pode ser da forma tradicional, por estacas, ou utilizando a biotecnologia, por meio de uma técnica chamada micropropagação, que é o cultivo de gemas ou meristemas em tubos de ensaio,

O segundo método usa um vetor natural modificado, uma bactéria chamada Agrobacterium, para inserir os genes de interesse no DNA da videira, explorando a capacidade infectiva do microorganismo.

Por que produzir videiras transgênicas?15

A engenharia genética é uma alternativa para resolver os problemas sem solução do melhoramento genético convencional, como é o caso das doenças virais para as quais não são conhecidas fontes naturais de resistência no gênero Vitis. Com o uso da engenharia genética, é possível inserir em videiras genes que promovam a resistência a vírus. Ou ainda, a engenharia genética permite agilizar o processo de introdução de resistência a doenças, pragas e estresses em variedades suscetíveis, sem se limitar pela necessidade de compatibilidade sexual imposta pelo melhoramento genético convencional.

Além disso, as hibridizações do melhoramento genético convencional geram novas variedades que precisam ser batizadas com um novo nome, introduzidas no mercado e aceitas pelo consumidor. A engenharia genética é a forma atual mais eficiente para introduzir uma nova característica agronômica em cultivares tradicionais sem alterar a identidade varietal.

Quais são os potenciais benefícios de videiras GM para a viticultura?

O principal alvo da transgenia aplicada à viticultura no mundo é a incorporação de resistência às doenças fúngicas. Se bem sucedida, a incorporação de genes de resistência às doenças na videira possui um efeito multiplicador de benefícios na cadeia produtiva. A possível utilização de cultivares de videira geneticamente modificadas com maior resistência a doenças permitirá aos produtores uma redução do uso de fitodefensivos (agrotóxicos), o que resultará na redução do custo de produção, na diminuição da exposição dos trabalhadores rurais a esses produtos tóxicos, na redução do impacto ambiental (menor contaminação de solos e águas) e, por fim, num produto mais saudável para o consumidor.

Cultivares de videira podem ser identificadas com testes baseados em DNA?

As metodologias de identificação baseadas em testes de DNA foram desenvolvidas, inicialmente, para estudar a variação genética dentro de populações humanas (relações de parentesco e estudos da herança de doenças, por exemplo) e para aplicações forenses, como os testes de paternidade e de identificação criminalística. Atualmente, testes baseados em DNA têm sido utilizados para diferenciar, caracterizar e identificar as cultivares de videira, com elevado grau de certeza.

Umberto Almeida Camargo

Patrícia Silva Ritschel João Dimas Garcia Maia

Como são classificadas as variedades de uva?

A uva pertence ao gênero Vitis, único gênero da família

Vitaceae com importância econômica. O gênero inclui espécies e variedades para consumo como fruta fresca ou seca (passas) e na forma de vinhos, sucos e de outros derivados da uva – destilados (brandy, graspa), geléias, etc.

No Brasil são cultivadas variedades da espécie V. vinifera, originárias da Europa e chamadas uvas européias ou finas, e também variedades originárias dos Estados Unidos, chamadas uvas americanas, comuns ou rústicas e que pertencem principalmente às espécies Vitis labrusca e Vitis bourquina. Híbridos interespecíficos, mais ou menos complexos, envolvendo diversas espécies – como V. riparia, V. rupestris, V. berlandieri, V. champini, V. aestivalis e outras –, são utilizados para a produção de uvas ou como porta-enxertos por causa de sua resistência a pragas e doenças.

Quais são os porta-enxertos mais utilizados no Brasil para o clima temperado?

No Rio Grande do

Sul, os porta-enxertos mais usados são Paulsen 1103 (V. berlandieri x V. rupestris), na Serra Gaúcha, e SO4 (V. berlandieri x V. riparia), na região da Fronteira. Outros porta-enxertos utilizados no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina são Solferino (V. berlandieri x V. riparia), 101-14 (V. riparia x V. rupestris), Riparia Gloire de Montpellier (V. riparia), Rupestris du Lot (V. rupestris), Teleki 8 B (V. berlandieri x V. riparia) e Golia [(V. vinifera x V. riparia) x V. rupestris].

Quais são os porta-enxertos mais utilizados no Brasil para o clima tropical?

Os porta-enxertos mais utilizados para o clima tropical no Brasil são: o IAC 572 ‘Jales’ (V. tiliaefolia x 101-14), o IAC 766 ‘Campinas’ (Riparia do Traviú x V. caribaea) e o IAC 313 ‘Tropical’ (Golia x V. caribaea). O Harmony e o SO4 estão sendo usados na região do Vale do Rio São Francisco, para o cultivo de uvas sem sementes. No norte do Paraná, o porta-enxerto 420A também vem sendo utilizado.

De acordo com o vigor, como podem ser classificados os portaenxertos para videira?

Conforme o vigor, os principais porta-enxertos podem ser assim classificados:

•Vigor alto: Rupestris du Lot, Golia, 1103 Paulsen, IAC 572,

IAC 766 e IAC 313. •Vigor alto/médio: Teleki 8B e SO4.

•Vigor fraco: Riparia Gloire de Montpellier, 101-14, 420A e 161-49.

Quais são os porta-enxertos que apresentam resistência aos nematóides?

A maior resistência a nematóides provém da espécie V. champini.

Assim, porta-enxertos provenientes de cruzamentos que envolvem essa espécie, como Harmony, Dog Ridge e Salt Creek, são os que apresentam maior tolerância a nematóides. Os porta-enxertos cultivados no Brasil que apresentam menor resistência a nematóides são: 161-49 e Rupestris du Lot.

Como são classificadas comercialmente as variedades de uva?

As uvas são classificadas em: uvas de mesa (para consumo in natura), as quais podem ser subdivididas em uvas sem sementes e uvas com sementes; uvas para vinho, subdivididas em uvas para vinho fino e uvas para vinho de mesa; uvas para suco; e uvas para passas, geralmente elaboradas com uvas sem sementes.

O que são variedades de uvas finas?

São variedades da espécie européia Vitis vinifera. Em geral, as variedades de uvas finas são muito sensíveis às principais doenças da videira – míldio, oídio, antracnose, podridões de cachos, declínio, cancro bacteriano, etc. Existem variedades de uvas finas específicas para mesa ou para elaboração de vinhos finos.

O que é uma uva vinífera?

É uma uva produzida por cultivar de Vitis vinifera. Não se deve confundir uva vinífera com uva para vinho, pois as uvas finas de mesa Itália, Red Globe e Thompson Seedless, por exemplo, também pertencem à espécie vinifera.

O que são uvas tipo moscatel?

São uvas que têm sabor moscatel, muito apreciado pelo consumidor brasileiro. O exemplo típico é a variedade Itália, mas outras variedades também apresentam esse sabor agradável, como estas: Rubi, Red Meire, Moscatel de Hamburgo, Moscatel Rosada e BRS Lorena. O sabor moscatel pode ser desde leve até bem forte, como é o caso da uva sem sementes Moscatuel.

Quais são as variedades de uvas viníferas mais importantes para a produção de vinhos finos?

As variedade de uvas finas (Vitis vinifera) ocupam a maior área cultivada de videiras no mundo. São plantas exigentes quanto às condições de clima, preferindo os secos, com baixa umidade relativa do ar e bastante insolação. No Brasil, muitas cultivares são plantadas e destinadas à elaboração de vinhos finos. As principais viníferas brancas, em volume de uvas processadas no Brasil, são Moscatel Branco, Riesling Itálico, Trebbiano e Chardonnay. As principais tintas são Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Tannat.

Quais são as principais variedades de uvas finas para vinhos espumantes?

As principais variedades usadas no Brasil para a elaboração de espumantes são Moscatel Branco, Riesling Itálico, Chardonnay, Trebbiano, Prosecco e Itália.

Quais são as principais variedades de uvas americanas?

As uvas americanas, também chamadas uvas comuns ou rústicas, pertencem às espécies Vitis labrusca e V. bourquina. Materiais híbridos, resultantes dos cruzamentos entre essas e outras espécies, como Vitis vinifera, V. aestivalis, V. champini, V. rupestris e V. riparia, também são classificados como uvas comuns. As variedades de uvas desse grupo se caracterizam pela rusticidade e pela maior resistência às principais pragas e doenças que atacam a videira, tolerando melhor as condições de clima com alta umidade relativa. No Brasil, essas uvas são utilizadas tanto para a elaboração de vinho quanto para a elaboração de suco e para o consumo in natura. As principais são: Isabel, Concord, Niágara Branca, Niágara Rosada, Bordô, Moscato Embrapa, BRS Lorena, BRS Violeta, BRS Rúbea, BRS Cora e Isabel Precoce.

29Quais são as principais variedades de uva para suco?

No Brasil, as variedades de uva tradicionalmente usadas para elaboração de sucos são cultivares de uvas americanas, pertencentes à espécie Vitis labrusca, ou híbridas, principalmente as variedades Isabel, Concord e Bordô. A partir de 1999, a Embrapa Uva e Vinho lançou um conjunto de novas variedades com a finalidade de produção de sucos, como BRS Rúbea, Concord Clone 30, Isabel Precoce, BRS Cora e BRS Violeta. Essas variedades atendem às demandas do setor produtivo e se destacam, por exemplo, pelo alto conteúdo de açúcar, pelo alto conteúdo de matéria corante ou por apresentar ciclos produtivos diferenciados.

Quais são as principais uvas rústicas de mesa?

Niágara Rosada, Niágara Branca, Isabel e Patrícia. Dessas cultivares, a Niágara Rosada, surgida como mutação espontânea a partir da Niágara Branca, tem predomínio absoluto – é de boa aceitação pelo consumidor brasileiro. A variedade Isabel, embora cultivada mais para processamento, é em alguns períodos do ano destinada também para mesa, principalmente nos estados da Região Sul do Brasil. A cultivar Patrícia, de pouca expressão, é cultivada em pequenas áreas em Primavera do Leste, MT.

Quais são as principais variedades de uvas híbridas?

As variedades chamadas uvas híbridas são provenientes de cruzamentos entre espécies diferentes. As principais cultivares híbridas encontradas no Brasil são: Seibel 2, Seibel 1077 (Couderc

Tinto), Couderc 13, Seyve Villard 5276 (Seyval), Moscato Embrapa, BRS Lorena, Seyve Villard 12375, Bailey, Piratininga e Patrícia, estas duas últimas destinadas ao consumo in natura.

Quais são as principais variedades de uvas viníferas com sementes, cultivadas para o consumo in natura?

As cultivares de uvas viníferas mais plantadas para o consumo in natura são a Itália, também chamada Piróvano 65, e suas mutações (Rubi, Benitaka, Brasil e Red Meire). Além dessas, destacam-se as variedades Red Globe, Perlona (Piróvano 54), Moscatel de Hamburgo e Alphonse Lavallée (Ribier).

Quais são as principais variedades de uvas sem sementes para o consumo in natura?

As uvas sem sementes, também chamadas apirênicas, de maior expressão no Brasil são Festival (Sugraone), Thompson Seedless (Sultanina), Crimson Seedless, Centennial Seedless e Vênus. Em 2003, a Embrapa Uva e Vinho lançou três variedades de uvas sem sementes, adaptadas para cultivo em regiões brasileiras, duas com bagas de cor branca – a BRS Clara e a BRS Linda – e uma com bagas pretas, a BRS Morena.

3 Clima

Jorge Tonietto

Francisco Mandelli Marco Antonio Fonseca Conceição

Quais são, do ponto de vista climático, os períodos mais críticos para a videira?

Embora a influência do clima esteja presente em todos os estádios de desenvolvimento da videira, os períodos mais críticos são: o período da brotação, pelo risco de geadas tardias; o período da floração, quando o excesso de chuva ou de umidade pode afetar negativamente a floração e a frutificação e causar doenças; o período da maturação, quando o excesso de chuvas ou de umidade dificulta ou compromete a obtenção de uvas maduras.

Como ocorre a interação entre o clima e o solo no cultivo da videira?

Uma das funções do solo é atuar como reservatório de água para atender às necessidades da videira nos diferentes estádios da planta. Portanto, o solo não só fornece nutrientes à planta, mas sua profundidade, textura e outras características físicas e químicas interagem com as condições climáticas, dando características específicas edafoclimáticas ao cultivo.

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