90000008-ebook-pdf - Fruticultura Irrigada

90000008-ebook-pdf - Fruticultura Irrigada

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O produtor pergunta, a Embrapa responde O produtor pergunta, a Embrapa responde

Elder Manoel de Moura Rocha Marcos Antônio Drumond

Editores Técnicos

O produtor pergunta, a Embrapa responde

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária

Embrapa Semiárido Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento

Embrapa Informação Tecnológica

Brasília, DF 2011

Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na:

Embrapa Informação Tecnológica Parque Estação Biológica (PqEB) Av. W3 Norte (final) 70770-901 Brasília, DF Fone: (61) 3448-4236 Fax: (61) 3448-2494 vendas@sct.embrapa.br w.embrapa.br/liv

Produção editorial: Embrapa Informação Tecnológica Coordenação editorial: Fernando do Amaral Pereira

Lucilene Maria de Andrade Juliana Meireles Fortaleza

Supervisão editorial: Juliana Meireles Fortaleza Revisão de texto: Francisco C. Martins Normalização bibliográfica: Márcia Maria Pereira de Sousa Projeto gráfico da coleção: Mayara Rosa Carneiro Editoração eletrônica e arte final da capa: Mário César Moura de Aguiar Ilustrações do texto: Daniel Brito e Thiago P. Turchi Foto da capa: Lázaro Eurípedes Paiva

1ªedição 1 impressão (2011): 1.0 exemplares

Todos os direitos reservados

A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte, constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610).

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Embrapa Informação Tecnológica

Fruticultura irrigada : o produtor pergunta, a Embrapa responde / editores técnicos, Elder Manoel de

ISBN 978-85-7383-510-6

1. Fitotecnia. 2. Citricultura. I. Rocha, Elder Manoel de Moura. I. Drumond, Marcos Antônio.

I. Embrapa Semiárido. IV. Coleção. CDD 634.421

©Embrapa 2011

Editores Técnicos

Elder Manoel de Moura Rocha Engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Irrigação e Drenagem, analista da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Marcos Antônio Drumond Engenheiro florestal, D.Sc. em Ciências Florestais, pesquisador da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Autores

Alessandra Monteiro Salviano Mendes Engenheira-agrônoma, D.Sc. em Solos e Nutrição de Plantas, pesquisadora da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Alineaurea Florentino Silva Engenheira-agrônoma, M.Sc. em Fitotecnia/Produção Vegetal, pesquisadora da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Antônio Heriberto de Castro Teixeira Engenheiro-agrônomo, Ph.D. em Ciências Ambientais, pesquisador da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Beatriz Aguiar Jordão Paranhos Engenheira-agrônoma, D.Sc. em Ciências Biológicas, pesquisadora da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Cícero Antônio de Sousa Araújo Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Solos e Nutrição de Plantas, professor do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Sertão Pernambucano, Petrolina, PE

Clemente Ribeiro dos Santos Engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Irrigação e Drenagem, pesquisador aposentado da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Clementino Marcos Batista de Faria Engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Fertilidade do Solo, pesquisador aposentado da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Daniela Biaggioni Lopes Engenheira-agrônoma, D.Sc. em Fitopatologia, pesquisadora do Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento (DPD), Embrapa-Sede, Brasília, DF

Davi José Silva Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Solos e Nutrição de Plantas, pesquisador da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Flávia Rabelo Barbosa Moreira Engenheira-agrônoma, D.Sc. em Produção Vegetal, pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão, Santo Antônio de Goiás, GO

Francisca Nemaura Pedrosa Haji Engenheira-agrônoma, D.Sc. em Entomologia, pesquisadora aposentada da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Francisco Pinheiro Lima Neto Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Genética e Melhoramento de Plantas, pesquisador da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Gilberto Gomes Cordeiro Engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Irrigação e Drenagem, pesquisador aposentado da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

João Antônio Silva de Albuquerque Engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Fruticultura de Clima Temperado, pesquisador aposentado da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

João Gomes da Costa

Engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Genética e Melhoramento de Plantas, pesquisador da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Aracaju, SE

José Adalberto de Alencar Engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Fitossanidade, pesquisador da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

José Egídio Flori Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Fitotecnia/Manejo e Tratos Culturais, pesquisador da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

José Lincoln Pinheiro Araújo Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Economia Alimentar, pesquisador da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

José Maria Pinto Engenheiro-agrícola, D.Sc. em Irrigação e Drenagem, pesquisador da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

José Mauro da Cunha e Castro Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Fitopatologia, pesquisador da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

José Moacir Pinheiro Lima Filho Engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Ecofisiologia Vegetal, pesquisador aposentado da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

José Monteiro Soares Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Irrigação e Drenagem, pesquisador aposentado da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Joston Simão de Assis Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Fisiologia Pós-Colheita, pesquisador da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Lázaro Eurípedes Paiva Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Agronomia/Fitotecnia, analista da Embrapa Transferência de Tecnologia/Escritório de Negócios de Petrolina, Petrolina, PE

Luís Henrique Bassoi Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Ciências/Energia Nuclear na Agricultura, pesquisador da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Luiz Gonzaga Neto Engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Fitotecnia/Produção Vegetal, pesquisador aposentado da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Magna Soelma Beserra de Moura Engenheira-agrônoma, D.Sc. em Recursos Naturais, pesquisadora da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Maria Aparecida do Carmo Mouco Engenheira-agrônoma, D.Sc. em Agronomia/Horticultura, pesquisadora da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Maria Auxiliadora Coelho de Lima Engenheira-agrônoma, doutora em Fisiologia Pós-Colheita, pesquisadora da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Mirtes Freitas Lima Engenheira-agrônoma e engenheira florestal, D.Sc. em Fitopatologia/Virologia Vegetal, pesquisadora da Embrapa Hortaliças, Brasília, DF

Mohammad Menhazuddin Choudhury Biólogo, D.Sc. em Ciências Agrárias/Fitopatologia, pesquisador aposentado da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Natoniel Franklin de Melo Biólogo, D.Sc. em Ciências Biológicas, pesquisador da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Patrícia Coelho de Souza Leão Engenheira-agrônoma, D.Sc. em Genética e Melhoramento de Plantas, pesquisadora da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Patrícia Moreira Azoubel Engenheira-química, DSc. em Engenharia de Alimentos, pesquisadora da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Regina Ferro de Melo Nunes Engenheira-agrônoma, D.Sc. em Produção Vegetal, pesquisadora aposentada da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Rita Mércia Estigarribia Borges Engenheira-agrônoma, M.Sc. em Genética e Melhoramento de Plantas, pesquisadora da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Tâmara Cláudia de Araújo Gomes Engenheira-agrônoma, M.Sc. em Solos e Nutrição de Plantas, pesquisadora da Embrapa Tabuleiros Costeiros, Aracaju, SE

Tarcizio Nascimento Engenheiro-agrônomo, M.Sc. em Irrigação e Drenagem, pesquisador da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Teresinha Costa Silveira de Albuquerque Engenheira-agrônoma, D.Sc. em Solos e Nutrição de Plantas, pesquisadora da Embrapa Roraima, Boa Vista, R

Wellington Antônio Moreira Engenheiro-agrônomo, D.Sc. em Fitopatologia, pesquisador aposentado da Embrapa Semiárido, Petrolina, PE

Apresentação

Na Embrapa Semiárido, tão importante quanto gerar técnicas e conhecimentos, é torná-los acessíveis à diversidade de segmentos produtivos e econômicos da agricultura brasileira. Integrar os resultados das pesquisas a formas dinâmicas de transferência de tecnologias faz essa instituição contribuir para boas e sustentáveis colheitas, fortalecendo a fruticultura tropical do País.

Integrante da Coleção 500 Perguntas – 500 Respostas, este livro não deixa dúvidas do quanto essa Unidade se empenha pela eficácia em suprir demandas de produtores, empresários da agroindústria, agricultores familiares, agrônomos, profissionais vinculados à assistência técnica e de estudantes do ensino médio e superior.

A base do seu conteúdo são perguntas e questionamentos levantados junto a esse público durante eventos organizados pela Embrapa Semiárido, e por meio das cartas e mensagens eletrônicas recebidas no seu Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC).

A maioria das perguntas busca informações sobre manejo das principais fruteiras exploradas nas áreas irrigadas do Submédio do Vale do São Francisco, desde o preparo do solo à racionalização do uso de água na irrigação, controle de pragas e doenças, póscolheita e comercialização.

sobre práticas de plantio e manejo dessas culturas

Um dos critérios de escolha e formulação das perguntas foi que elas abrangessem todo o ciclo produtivo das culturas aqui abordadas, o que faz desta obra um excelente material de consulta

De forma didática, as respostas explicam o conjunto de informações e de conhecimentos gerados nos projetos de pesquisa em execução na Embrapa Semiárido, para solucionar problemas dos sistemas produtivos dessas fruteiras. Uma consulta a este livro poderá significar melhoria nos índices de produtividade, incremento da renda das unidades produtivas e aproveitamento mais racional – e menos degradante – dos recursos naturais.

Natoniel Franklin de Melo Chefe-Geral da Embrapa Semiárido

Introdução ......................................................................15
1Agrometeorologia ...........................................................19
2Relação Solo–Água–Planta .............................................27
3Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas .......................37
4Manejo Orgânico do Solo ..............................................5
5Salinidade do Solo .........................................................63
6Irrigação .........................................................................71
7Fertirrigação ...................................................................85
8Fitossanidade .................................................................95
9Biotecnologia ...............................................................105
10Colheita e Pós-Colheita ................................................1
1Processamento .............................................................19
12Qualidade Mercadológica ............................................123
13 Comercialização133
14Manejo da Cultura da Banana ......................................139
15Manejo da Cultura da Goiaba ......................................157
16Manejo da Cultura da Manga .......................................189

Introdução

A fruticultura tropical – implantada em áreas irrigadas do

Semiárido brasileiro – é um segmento dinâmico do agronegócio do País. De pomares de uva e de manga cultivados, principalmente, no Submédio do Vale do São Francisco, são colhidas mais de 90% das frutas exportadas para os Estados Unidos e a União Europeia.

O ambiente quente e seco do sertão, aliado à disponibilidade de água para irrigação, à competência empreendedora de agricultores e de empresários – e a um contínuo e abrangente programa de pesquisa e desenvolvimento – compõem arranjos produtivos e institucionais que transformaram o Semiárido num dos principais polos frutícolas do Brasil.

Essas vantagens se complementam na região do Polo Petrolina/

Juazeiro, com moderna infraestrutura formada por boa malha rodoviária para exportação de suas frutas pelos portos de Recife, de Salvador e de Fortaleza, além de uma excelente estrutura de exportação pelo aeroporto de Petrolina, que possui pista de 3.250 m, 6 câmaras frias e 2 túneis de resfriamento para armazenagem, com condição de receber grandes aviões com capacidade de transporte de 110 t de frutas.

Essa região conta, também, com grande quantidade de packing houses (local onde se selecionam as frutas, na pós-colheita), com cerca de 160.0 m2 instalados e com capacidade frigorífica de 68.200 m3.

Na região do Polo Petrolina/Juazeiro, a produção de frutas tropicais perdura por todo o ano, ou seja, o agricultor pode programar o mês de colheita para as principais espécies exploradas, uma vantagem sem precedentes em qualquer região do País. O emprego de tecnologias modernas de produção e de gestão não apenas repercute em elevação de produtividades e qualidade dos cultivos, como credencia a produção regional a se inserir em mercados competitivos do Brasil e do exterior.

A indução de florescimento, o uso de reguladores de crescimento, a fertirrigação, o manejo integrado de pragas e doenças, a normatização de boas práticas agrícolas, como a produção integrada nos cultivos de manga e de uva, o manejo de podas, entre outros, são exemplos de áreas do conhecimento agrícola que tiveram significativos avanços tecnológicos nos últimos anos.

No Submédio do Vale do São Francisco – entre Bahia e

Pernambuco – a exploração da agricultura irrigada ocupa área superior a 120.0 ha, onde parte significativa é de perímetros públicos de irrigação implantados pelo governo federal. Em toda essa área, ocorre o cultivo de mais de 50 espécies, com maior ênfase para a fruticultura irrigada, onde se destacam as culturas da banana, da goiaba, da manga e da uva.

No Brasil, a banana é a segunda fruta em produção, perdendo apenas para a laranja. Contudo, é a mais consumida por aqui, o equivalente a 30 kg/habitante/ano. Cerca de 95% da safra da banana ficam no País. No Submédio do Vale do São Francisco, a área cultivada com essa fruta abrange 6.380 ha, sendo a Pacovan a principal variedade explorada.

Por sua rusticidade, a cultura da goiaba se adaptou às diversas condições climáticas predominantes nas diferentes regiões do País. São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco são os principais estados produtores. No Submédio do Vale do São Francisco, a produção dessa fruta ocupa uma área aproximada de 4.189 ha, sendo a variedade Paluma a mais explorada.

Rica em vitaminas, a goiaba é uma das frutas mais consumidas in natura, no Brasil, e uma das principais matérias-primas usadas pela indústria de conserva, por permitir várias formas de aproveitamento (polpa, néctar, suco, compota, sorvete e doces).

A produção nacional de manga cresce a um ritmo entre 8% e 10% ao ano, enquanto a área aumentada é de 2% a 3%. A safra de 2009 foi de 1,2 milhão de toneladas, produzida em 75.416 ha. A Bahia é o maior produtor, com 30.700 ha e produção de 625.812 t, seguida de Pernambuco, com 9.200 ha e 170.0 t. Outros estados com considerável produção são: São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Norte e Ceará.

Em 2008, o Brasil exportou 133.724 t de manga, que renderam

U$ 101,123 milhões. Desse total, 93% do volume exportado e dos valores arrecadados tiveram origem e destino nos produtores do Submédio do Vale do São Francisco. Nessa região, há cerca de 25,6 mil hectares cultivados com manga, onde são colhidas 508.0 t. Desse total são exportados mais de 30%. Em cerca de 90% da área plantada, predomina a variedade Tommy Atkins. Outras variedades plantadas são: Kent, Keitt, Palmer e Haden.

A uva é a principal fruta brasileira em faturamento pela exportação (U$ 169,2 milhões). Em 2008, o Brasil exportou 82.242 t de uva. O Submédio do Vale do São Francisco foi responsável por 9,1% de todas as exportações, assim como por 9,4% de todo o faturamento nacional com a exportação de uvas.

Em 2009, a área de parreirais no Brasil chegou a 81.677 ha, o que permitiu uma colheita de 1.365.491 t de uvas em seus variados gêneros. O principal produtor é o Rio Grande do Sul (54% da área plantada e 52% da produção nacional). Em Pernambuco e na Bahia, a área plantada com videira é de aproximadamente 1.208 ha, o que representa 12,4% da área total cultivada no País.

Este livro aborda uma série de tecnologias que podem ser adotadas na exploração agrícola das principais espécies frutíferas cultivadas no Submédio do Vale do São Francisco. Com ele, esperase incentivar e promover o incremento da fruticultura nessa região.

Antônio Heriberto de Castro Teixeira Magna Soelma Beserra de Moura

Agrometeorologia

Como o clima afeta a produção de plantas?

Antes da implantação de uma cultura, as condições climáticas locais devem ser consideradas, em função das exigências peculiares de cada espécie vegetal.

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