ACESSANDO O HEMISFÉRIO DIREITO DO CÉREBRO - Lidia Peychaux

ACESSANDO O HEMISFÉRIO DIREITO DO CÉREBRO - Lidia Peychaux

(Parte 1 de 5)

Lidia Peychaux

Acessando o Hemisfério Direito do Cérebro

A Arte Como Ferramenta Para Desenvolver a Criatividade

Rio de Janeiro 2003

Copyright © 2003 por Lidia Peychaux Título Original: Acessando o Hemisfério Direito do Cérebro - A Arte Como Ferramenta Para Desenvolver a Criatividade

Editor-Chefe Tomaz Adour

Editoração Eletrônica Luciana Figueiredo

Copidesque Karine Fajardo

Desenhos Luna Belo

PAPEL VIRTUAL EDITORA Avenida das Américas, 3.120 sala 201 - Bloco 5 Barra da Tijuca - Rio de Janeiro - RJ - CEP: 2.640-102 Telefone: (21) 3329-2886 E-mail: editor@papelvirtual.com.br Endereço Eletrônico: w.papelvirtual.com.br

Agradecimentos5
Introdução7
Capítulo 1 Como se tornar mais criativo, sensível e intuitivo?9

Sumário

atividade específica?43
Capítulo 3 Em busca da unidade e do equilíbrio59
Capítulo 4 A proporção através das relações espaciais79
Capítulo 5 O desenho de rostos de perfil97
Capítulo 6 O rosto de frente: conhecendo seus mistérios109
Capítulo 7 O rosto de meio perfil123
Capítulo 8 A percepção da luz e a sombra131
Capítulo 9 Percebendo a cor141
Capítulo 10 Como incentivar a criatividade157
Capítulo 1 A mandala171
Capítulo 12 A observação das emoções usando o Eneagrama183
Capítulo 13 A dupla linguagem do ser humano217
Capítulo 14 A terceira idade237
Conclusão257

Capítulo 2 Como discernir o uso de cada hemisfério cerebral em uma Bibliografia ........................................................................................259

Agradecimentos

A meu mestre khristian Paterhan, filósofo e escritor, Diretor do IDHI

– Instituto para o Desenvolvimento Humano Integral – do qual sou membro há doze anos. Sem a sua orientação, esse trabalho não existiria. Aos membros do instituto, meus irmãos, que sempre me apoiaram em todos os meus projetos. Um reconhecimento especial ao Dr. Roger Sperry e sua equipe pelo aporte fundamental de sua descoberta científica, assim como, a Dra. Betty Edwards pela sua valiosa aplicação. À Dra. Laura Mello Machado, psicóloga-clínica, com mestrado em envelhecimento, Vice-diretora e coordenadora do Instituto de Gerontologia da Universidade Candido Mendes (Ipanema, Rio de Janeiro) e à terapeuta ocupacional e especializada em Gerontologia Paula Travassos coordenadora do mesmo Instituto, por terem apoiado e contribuído para o nosso trabalho; à Dra. Eleanor Luzes, medica–psiquiatra e analista junguiana com mestrado em psicologia, por ter sempre impulsionado e prestigiado nosso eventos e nossa atividade. A meus assistentes: a jovem e talentosa Lucia Belo e à professora Eci Estanciola. A Carlos Peychaux, meu companheiro de todas as horas, pela sua dedicação incondicional; a meus filhos, Guy e Ivana, pelo seu apoio e carinho. A meus pais, que têm feito todos os esforços possíveis para me tornarem uma pessoa à altura de suas expectativas. E, finalmente, agradeço a todos os que de uma maneira ou de outra tornaram – por meio da realização de palestras, conferências, workshops e exposições – possível o desenvolvimento deste trabalho; e a todos os alunos que, ao longo de todo esse tempo, tenho tido o privilégio de conhecer e aprender tanto quanto pude ensinar.

Lídia Peychaux

Introdução

O método apresentado neste livro, pela facilidade de aplicação, tem permitido a um grande número de pessoas ingressar num estado de maior confiança, constatando um notável aumento de seu potencial criativo. Há casos, em que algumas delas chegaram a se destacar como desenhistas ou artistas premiados.

A aplicação dos exercícios oferece possibilidade a um vasto público, que abrange desde crianças da faixa etária dos nove ou dez anos até indivíduos da terceira idade mais avançada.

Se você gosta de desenhar e “pensa que não sabe” ou acha seu desenho de nível primário, esta é sua oportunidade de provar a si mesmo que tem capacidade para desenvolver habilidades que estão relacionadas aos processos visual e perceptivo.

Agora, se você é um profissional do desenho, a utilização dessa metodologia lhe propiciará a chance de aumentar ainda mais a sua confiança e criatividade, baseada na adequação das técnicas e nos descobrimentos que a ciência tem realizado sobre as funções diferenciadas dos hemisférios cerebrais. Essas técnicas foram desenvolvidas com base no método Desenhando com o lado direito do cérebro, de autoria da Dra. Betty Edwards; método este aplicado por nós ao longo de 10 anos e que nos capacitou a transmitir nossa experiência.

Vale salientar que a habilidade de desenhar requer apenas quatro requisitos básicos:

3)Percepção das relações entre partes (proporção)

1)Percepção dos contornos da forma (linha) 2)Percepção dos espaços vazios (superfície) 4)Percepção das luzes e da sombra (volume)

Outras questões não menos importantes como a cor, também merecem destaque neste livro. O capítulo 1 contém uma bela síntese do pintor

Kandynski, extraída de sua obra ”Do espiritual na arte”. E, aproveitando a menção do tema cor, farei aqui uma importante ressalva: muitas pessoas chegam a nossa oficina manifestando sua intenção de querer apenas pintar, sem querer passar pela experiência do desenho. Sobre isso, me vejo obrigada a fazer duas ponderações da maior importância: 1) o exemplo nos remete a uma analogia, a de que seria normal aprender a ler e escrever sem conhecer as letras e 2) a ordenação das cores se orienta em função dos claros-escuros ou nuanças que são percebidas, entre os extremos que vão do preto ao branco. O iniciante que prescinde desta experiência essencial que só acontece durante a exercitação do desenho, não chega a sentir a cor na sua verdadeira experiência, tornando o aprendizado da pintura mais difícil e incompleto por carecer do ensinamento básico.

Os temas: Mandalas e Eneagrama tem merecido um destaque especial por sua importância como ferramentas para o desenvolvimento humano, motivo pelo qual são aprofundados nos capítulos 1 e 12.

Damos também um destaque à experiência realizada com pessoas da terceira idade. A aplicação do método tem contribuído para a ativação da saúde cerebral, com melhorias comprovadas em termos de memória e concentração. Através dos resultados obtidos com a prática de exercícios, percebemos ótimos resultados, inclusive em indivíduos que foram acometidos por acidentes vasculares cerebrais, como é apresentado no capitulo catorze.

E, para finalizar, faço minha a reflexão da Dra. Betty Edwards, quando ela chama a atenção para o fato de que o cérebro participa ativamente na percepção visual dos objetos mediante a observação do entorno. No entanto, essa informação é deformada pelo ponto de vista do observador, em razão das experiências por ele vivenciadas. Ao que tudo indica, parece haver uma tendência a ver o que se quer ver, isto é, o próprio cérebro altera essa informação sem uma participação consciente do observador. Por isso, aprender a ver ou perceber mediante o desenho muda esse processo e permite uma visão mais direta e objetiva. Pode-se dizer que, durante o tempo que uma pessoa dedica a desenhar, seu cérebro permanece suspenso, em termos de julgamento, permitindo ao observador ver de um modo mais integral e completo, o que leva algumas pessoas a expressarem esse sentimento por meio de frases do tipo: “Estou vendo o que antes não via!”.

Aprender a desenhar para experimentar essa sensação, até o momento inédita, é apenas uma das razões para justificar o porquê deste velho e ancestral hábito de desenhar ter sido sempre, um ato de magia.

Capítulo 1 Como se tornar mais criativo, sensível e intuitivo?

um mundo, exigente, rápido echeio de problemas!

Esta pergunta, formulada por pesquisadores de quase todos os países do mundo, é motivo de incansáveis estudos. E todos eles foram unânimes ao concluir que essas qualidades – criatividade, sensibilidade e intuição – existem potencialmente em cada um de nós, seres humanos. Em razão dessa constatação, nos fazemos a seguinte pergunta: como podemos aceder esses recursos criativos e fazer de nós mesmos seres inventivos, indagadores, ousados e expressivos? Uma certeza temos: a de que enfrentar o quotidiano, acompanhados de velhos padrões mentais, não nos parece ser a forma mais adequada de viver a vida, uma vez que, você e eu vivemos em

Portanto, qual é nossa atitude diante de tal desafio?

Estou certa de que, às vezes, você já deve ter experimentado a mesma sensação que eu, a sensação de dispor de um arsenal mental precário, lento e ultrapassado.

Por quê?

Porque nós, seres humanos, não utilizamos todas as armas de que dispomos! Isto é, todas as nossas capacidades e potencialidades mentais.

Dito de uma outra forma: não colocamos o cérebro humano, em sua íntegra, para funcionar!

E por que isso acontece? Para responder a essa pergunta, é necessário conhecer um pouco mais a natureza humana.

Cada ser humano tem o que chamamos de personalidade. A personalidade humana pode ser dividida em quatro centros. Cada um desses centros dispõe de inteligência própria, também conhecida como “eu”. São eles:

•Centro Intelectual •Centro Emocional

•Centro Físico

•Centro Energético

Os diferentes centros que formam o “eu” inferior estão conectados à nossa máquina mais importante: o cérebro. Conhecer e identificar os diferentes “eus” permite observá-los com o objetivo de atingir harmonia, e controle sobre si mesmo. Porém, conhecer-se integralmente não é uma tarefa fácil e a dificuldade existe porque, desde crianças, nos é ensinado a usar e respeitar um programa mental de costumes e influências adquirido e dirigido pelo centro intelectual. Este programa despreza a participação consciente dos outros centros como, por exemplo, o centro emocional, que tem grande importância para nossa vida, como será visto mais adiante. A inteligência proveniente apenas do centro intelectual em detrimento do conhecimento inteligente dos outros centros traz como resultado um comportamento parcial e inadequado para enfrentar as necessidades diárias do ser humano. Para ser inteligente, no sentido mais completo da palavra, não é suficiente apenas pensar, você deve aprender a sentir e não a pensar que sente. Aprender a sentir nos permite olhar o mundo de uma forma diferente! E essa mudança é necessária para romper com velhos hábitos, deixando-os de lado, e incorporar novos direcionamentos para a vida. Assim, o ser humano pode se tornar capaz de atingir metas insuspeitas escondidas em seu interior, as quais, se dependessem do intelecto, nunca poderiam ser conquistadas.

Sobre esse assunto parece haver também um consenso generalizado que garante que, para o ser humano se tornar mais criativo, sensível intuitivo e ampliar-se mentalmente, é necessário transpor as barreiras que o bloqueiam e, para isso, precisa conhecer suas reais potencialidades. O acesso a tais capacidades permite ao ser humano se autoconhecer em todos os sentidos, oferecendo, assim, a possibilidade de exercer pleno controle sobre a sua própria vida, o que, normalmente não ocorre com a maioria das pessoas.

Desenvolver a criatividade para evoluir e crescer não acontece apenas porque se usa o raciocínio ou se pratica a leitura. Isso não basta! A realidade deve ser sentida, isto é compreendida e não apenas entendida intelectualmente. Compreensão exige emoção, coração, em definitivo; enxergar a vida sob uma ótica diferente.

Acredita-se que os artistas, por exemplo, desenvolvem mais esses potenciais, pois tais pessoas trabalham com a linguagem da imagem, linguagem esta que está ligada ao mundo da emoção. Por esse motivo, eles são capazes de gerar “um ponto de vista diferente”, um ponto de vista criativo, fora dos padrões lineares e repetitivos comandados pelo velho programa mecânico e racional.

Gerando um “ponto de vista diferente”

A imagem serve para ilustrar um exemplo do que significa “ter um ponto de vista diferente”.

Observe atentamente. O que você vê? Provavelmente, verá a imagem de uma jovem com chapéu vestindo um elegante agasalho de pele. Mas, se você continuar a observar, mais longa e atentamente, perceberá que, além da imagem da jovem existe também, oculta, a imagem de uma velha senhora desdentada. Você a viu? Isso é o que chamamos de olhar com base num “ponto de vista diferente”.

Olhar de um “ponto de vista diferente” significa fazer emergir uma visão que está oculta à simples maneira de olhar, tal qual estamos acostumados a fazer. Para ser capaz de visualizar elementos que se encontram ocultos em uma imagem, basta “aprender a ver” de outra forma. Isso nos é ensinado a partir dos treinamentos que visam estimular o desenvolvimento pleno das potencialidades cerebrais. Ao longo deste livro, você terá outros exemplos interessantes que ilustram esse apaixonante assunto. Por meio deles, procure ir além do que vê. Um mundo novo poderá se abrir para sua mais plena realização.

Desenvolver essas potencialidades nos oferece a possibilidade de conhecer conscientemente a parte do cérebro que menos utilizamos. Parte esta que é conhecida pelo nome de hemisfério direito do cérebro. É ela que detém a chave que nos conduz para desvendar grandes mistérios. Entre os meios mais eficientes destinados a estimular o desenvolvimento do lado direito pode ser mencionada a prática do desenho, uma vez que para desenhar bem, é necessário, antes de tudo, que a pessoa seja capaz de “ver de um ponto de vista diferente”. Em resumo, o que tem de mudar nas pessoas é nada mais do que “a maneira como elas vêem as coisas”.

Para isso, é preciso ter a mesma atitude e desenvolver a mesma percepção que os artistas utilizam ao olhar o mundo que os rodeia. Se as pessoas aprenderem essa “nova maneira de ver”, certamente poderão atingir os potenciais e capacidades que ainda se encontram ocultos a seus olhos.

Para conhecer um pouco mais o nosso cérebro, esse grande e enigmático computador humano, é fundamental saber como ele se compõe e quais são as suas funções.

O nosso cérebro

O cérebro humano é formado por duas metades às quais chamamos de hemisférios esquerdo e direito, respectivamente. O sistema nervoso humano está em comunicação com o cérebro mediante uma conexão cruzada: o hemisfério esquerdo controla o lado direito do corpo; enquanto o hemisfério direito, o lado esquerdo. Dessa forma, é fácil compreender que as mãos respondem ao uso invertido dos comandos cerebrais, ou seja, a mão esquerda está conectada ao hemisfério direito e a mão direita, ao hemisfério esquerdo. Vale salientar que, nos animais, os hemisférios cerebrais são simétricos no que diz respeito às suas funções; mas nos seres humanos o funcionamento dos hemisférios cerebrais é assimétrico e o seu desenvolvimento está relacionado à exercitação da função de cada um.

Como é possível verificar essa assimetria? A forma mais simples é observar a predominância do uso da mão direita na maioria das pessoas. Os pesquisadores são unânimes ao declarar que a maioria das culturas incentiva às pessoas a usar exclusivamente a mão direita para realizar atividades que exigem alguma habilidade manual.

A bilateralidade cerebral

A imagem da página anterior nos mostra a conformação de nosso cérebro, que, como já foi dito, é composto por dois hemisférios, estes unidos pelo corpo caloso. Esses dois hemisférios regem nosso corpo de maneira invertida, o que nos permite concluir que, se ativarmos o lado esquerdo do corpo (mão esquerda), estaremos exercitando o lado direito de nosso cérebro.

A predominância do uso da mão direita na maioria das sociedades põe em evidência que o hemisfério mais desenvolvido pelos seres humanos é o esquerdo, em detrimento do direito. Este, por sua vez, não se exercita o suficiente, tornando desconhecidas as suas capacidades derivadas.

Por meio da observação de pacientes com lesões cerebrais, a ciência, aos poucos, descobriu que uma lesão ocorrida no hemisfério esquerdo, dependendo da sua intensidade, pode provocar a perda da fala. Isso ocorre porque, ao que tudo indica, a capacidade de falar e o domínio da linguagem oral estão relacionados ao hemisfério esquerdo e este, por sua vez, compreende a capacidade de raciocínio, pensamento e desempenho das atividades intelectuais.

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