Monografia - guilherme pereira

Monografia - guilherme pereira

(Parte 2 de 2)

Figura 3 – Corte do perfil metálico ao nível do solo

Fonte: SARUBI, Rodrigo Cunha. Análise numérica de um perfil de telha zipada. Belo Horizonte: UFMG, 2012.

Para telhas mais longas, com comprimento superior a 30 metros, a perfiladeira trabalha ao nível da cobertura para a fabricação das telhas próximo ao local de aplicação, conforme a figura 4.

23 Figura 4 – Corte do perfil metálica ao nível do telhado

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Assim como as telhas convencionais, devido à constante busca por um perfil com um design atrativo e com resistência adequada às condições em que as peças ficam expostas, diversos perfis de telhas zipadas estão disponíveis no mercado. A figura 5 ilustra algumas opções.

As diferenças básicas encontradas entre as seções transversais são em relação à altura e à largura útil das peças, que normalmente não ultrapassa 610mm.

Figura 5 – Exemplos de perfis zipados encontrados no mercado. Fabricantes: (a) e (c) Roofway (2010), Brasil; (b) Merchant e Evans, EUA; (d) Ultra Seam e Fabral, EUA; (e) Centria, EUA; (f) Varco Pruden, EUA.

Fonte: IABR

A seção transversal das telhas zipadas é composta por duas nervuras externas também chamadas de cristas e uma região central praticamente plana. As nervuras externas são projetadas como regiões de fixação, ou seja apresentam diferentes medidas para que na união entro dois perfis a crista de uma telha se encaixe sobre a crista da telha adjacente, unindo os perfis.

Na região dos apoios são utilizados clipes para fixação do sistema, normalmente em forma de gancho, com geometria similar à forma das cristas das telhas. Os clipes são parafusados sobre a estrutura de suporte do telhado com a utilização de parafusos.

Há dois tipos de clipes: o fixo e o de dilatação. Conforme mostrado na figura 6 os clipes de dilatação são utilizados principalmente para telhas de comprimento acima de 20 metros, permitindo sua expansão e contração causada pela variação da temperatura a que estão expostas e evitando ações não previstas na estrutura de sustentação.

Figura 6 – Clipes de fixação: fixo (esq.), dilatação (dir.), Roofway (2010)

Fonte: Página da Roofway2

A montagem da cobertura, neste caso o zipamento da coberta, a telha é disposta sobre a estrutura acompanhando o esquadro, em seguida são posicionados e fixados os clipes na estrutura e fixadas as terças sem perfuração nas telhas (observe a figura 7).

2 ROOFWAY. Coberturas. Disponível em: <http://w.roofway.com/pt>. Acesso em: 20 ago. 2017.

25 Figura 7 – Montagem da cobertura

Fonte: PILLAR, Rafaela Veiga. Estudo de viabilidade de cobertura metálica com alternativas em perfis formados a frio, laminados abertos ou tubulares. [S.L.]: UFRJ, 2013.

Fixados os clipes na estrutura com sua aba superior sobre a crista da telha, impedindo-a de se movimentar, coloca-se uma telha adjacente a esta citada onde a crista sobre as abas dos clipes, repetindo assim sucessivamente até a colocação da última telha, a figura 8 ilustra bem o processo de dobramento do clip e a figura 9, mostra em detalhe o clip fixado.

Figura 8 – Clipagem das telhas

Fonte: Página do Portal Metalica3

3 METALICA. Sistema de telhas zipadas para coberturas. Disponível em: <http://wwwo.metalica.com.br/sistema-de-telhas-zipadas-para-coberturas>. Acesso em: 20 ago. 2017.

26 Figura 9 - Detalhe de fixação

Fonte: Página do Portal GTEC4

Após a etapa de clipagem, executa-se o processo de isolamento termoacústico (figura 10), pois a cobertura zipada do Camará Shopping possui este tipo de revestimento citado, onde aplica-se lã de vidro neste camada inferior de telhas zipadas.

Figura 10 – Fixação da lã de vidro

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

A sequência de montagem das telhas, a zipagem deve ser executada para dar maior segurança a telha na estrutura de suporte.

4 GTECONSTRUCOES. Cobertura zipada. Disponível em: <http://w.gtecconstrucoes.com.br/cobertura-zipada.php>. Acesso em: 20 ago. 2017.

O processo de zipagem é feito em duas etapas: a zipagem manual, seguida da zipagem mecânica (feita fazendo uso de máquinas). Faz-se uso da zipagem manual (figura 12) apenas em alguns trechos da coberta. Coloca-se uma segunda camada de superior de telhas zipadas para efetuar o fechamento da coberta (ver figura 1).

Figura 1 – Camada superior de telhas zipadas

Fonte: Página da Isoeste5

A conclusão do processo de zipagem é realizado através do zipamento mecânico, usando uma seladora elétrica, conforme mostrado na figura 13, fixando assim a telha ao respectivo clipe. A figura 14 ilustra como fica a “crista” da telha zipada antes e depois do zipamento.

Figura 12 – Zipagem manual

Fonte: Camará Shopping S/A

5 ISOESTE. Sistema de cobertura telha zipada. Disponível em: <http://w.isoeste.com.br/portfolio_item/telha-zipada/>. Acesso em: 20 ago. 2017.

28 Figura 13 – Zipagem mecânica

Fonte: Camará Shopping S/A Figura 14 – Antes e depois do zipamento

Fonte: Página do Portal Metalica6

Após o processo de zipamento das telhas, obtém-se uma membrana metálica impermeável garantindo estanqueidade máxima. Não havendo emendas e furos por onde as águas percolariam, as inclinações das coberturas zipadas são mínimas variando de 2-2,5%. Observa-se a cobertura instalada na figura 15.

6 METALICA. Sistema de telhas zipadas para coberturas. Disponível em: <http://wwwo.metalica.com.br/sistema-de-telhas-zipadas-para-coberturas>. Acesso em: 20 ago. 2017.

29 Figura 15 – Cobertura do Camará Shopping instalada

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

5. O CAMARÁ SHOPPING

A montagem da estrutura da cobertura do Camará Shopping inicia-se quando iça-se o primeiro perfil metálico do último pavimento, no caso estudado o pavimento L3 do Camará Shopping, conforme a figura 16. Consultar Anexo A.

O Camará Shopping vem a atender uma demanda dos moradores da zona oeste recifense e dos moradores da zona da mata pernambucana. O shopping está inserido em uma área de 34.000m2 (área locável) e de área construída tem-se

61.000m2 . O projeto contempla 290 lojas, onde são 8 lojas âncoras e 1 praça de alimentação que possui 26 operações alimentícias (fast-food/restaurantes), 1500 vagas de estacionamento (10 são cobertas), 5 salas de cinema, bankmall, área para Boliche, terraço panorâmico e mais de 1,5 km de vitrine.

30 Figura 16 – Início da instalação dos pilares da cobertura

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Observe na figura 17 que os pilares começam a dar “forma” a estrutura do último pavimento do empreendimento.

Figura 17 – Continuação do içamento dos pilares

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Em paralelo a montagem dos pilares outra etapa inicia-se, a da montagem e instalação das terças metálicas, conforme a figura 18.

31 Figura 18 – Montagem e içamento de uma terça

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

A instalação das terças se dá via içamento pelo caminhão munk e posteriormente operadores atuando em plataformas móveis (boom-plataforma) de 12m, fixa as terças aos seus respectivos apoios nos pilares (observe a figura 19).

Figura 19 – Içamento e fixação das terças

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Observe na figura 20 que uma parte da estrutura da coberta está instalada (pilares e terças), mas em paralelo inicia-se a fixação das telhas zipadas.

Figura 20 - Preparação para instalação das telhas zipadas

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

As figuras 21 e 2 mostram a superestrutura do último pavimento com um bom avanço, restando apenas algumas terças a serem instaladas.

Figura 21 – Evolução na instalação da estrutura, restando apenas algumas terças a serem fixadas.

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

3 Figura 2 – Evolução da montagem da cobertura

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Observe que a parte estrutural da cobertura está praticamente concluída, conforme a figura 23.

Figura 23 – Estrutura metálica da cobertura praticamente instalada

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Observe na figura 24 o procedimento de fixação de terças aos pilares e a utilização das plataformas móveis no auxiliando o montador.

34 Figura 24 – Fixação das terças aos pilares

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A Nota-se pela figura 25 o caminhão munk içando uma terça metálica

Figura 25 – Içamento e instalação de mais terças

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Na figura 26 é mostrada a superestrutura no último pavimento do Camará Shopping instalada e o processo de corte (perfilamento) das telhas zipadas sendo feito ao nível do telhado.

Figura 26 – Perfiladeira cortando telha zipada ao nível da cobertura

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Aqui tem-se uma perfiladeira cortando as telhas ao nível do telhado, prática bastante usual quando as telhas são maior que 30 metros. Outra perfiladeira efetuando o mesmo procedimento citado anteriormente, figura 27.

Figura 27 – Produção (corte) de telha ao nível da cobertura

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Observe na figura 28, a fixação das telhas zipadas a estrutura metálica ao qual estão apoiadas.

Figura 28 – Fixação das telhas zipada à estrutura

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

A evolução no telhamento já é bastante notória e a cobertura começa a ganhar “forma”, como se vê na figura 29.

Figura 29 – Evolução no telhamento da cobertura

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Na figura 30 observa-se que ao menos 50% da cobertura encontra-se instalada. Figura 30 – Instalação das telhas zipadas

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

A superestrutura encontra-se finalizada, o processo de telhamento está bastante avançado, conforme a figura 31.

Figura 31 – Avanço no telhamento

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Imagem de perfil da cobertura, conforme mostrado na figura 32. Figura 32 – Telhamento apresenta grande evolução

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Observe na figura 3 o telhamento concluído, restando apenas a fixação de rufos e acabamento dos ralos.

Figura 3 –Telhamento finalizado

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Parte inferior da cobertura com toda a superestrutura instalada e o processo de telhamento quase concluído, conforme a figura 34.

Figura 34 – Vista inferior da cobertura

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

A cobertura encontra-se finalizada, mas sem seus respectivos arremates laterais (leia-se: rufos, cumeeiras e afins), como se vê na figura 35.

Figura 35 – Cobertura zipada instalada sem arremates

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Instalação de rufos e demais arremates laterais à cobertura, figura 36. Figura 36 – Início dos arremates na cobertura

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

Fixação de rufos nas extremidades das telhas zipadas e acabamento dos ralos garantindo a máxima estanqueidade, figuras 37 e 38 respectivamente.

Figura 37 – Instalação dos rufos

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

41 Figura 38 – Preparação de ralos

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A Rufos já instalados figura 39 e fixação dos mesmos em regiões de quinas figura 40.

Figura 39 – Rufos instalados

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

42 Figura 40 – Fixação de rufos nas quinas

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A Fixação entre os rufos, figura 41.

Figura 41 – Emenda entre rufos

Fonte: Empresa Camará Shopping S/A

43 6. LOCAIS ONDE SÃO MAIS EMPREGADOS ESSE CONCEITO

No Brasil emprega-se o conceito de cobertura zipada em estruturas de grandes vãos, tais como: estádios de futebol, galpões, shoppings, dentre outros. Observe alguns gráficos onde exemplifica-se a utilização deste conceito por regiões no gráfico 2.

Gráfico 2 – Quantidade de obras por macrorregião

N NE S SE CO 0

Q u a n t i d a de de

O b r a s

Macrorregiões

Quantidade de Obras versus Macrorregiões

Fonte: Elaborado pelo autor

O gráfico 3 explica bem as comparações de quantidade de obras em função do tempo em anos.

4 Gráfico 3 - Quantidade Obras em função do Ano

Q u a n t i d a de de

O b r a s

Ano

Quantidade de Obras versus Ano

Fonte: Elaborado pelo autor

E analisando a Quantidade de Obras em função do Tipo de Empreendimento, esta comparação está expressa no gráfico 4, observe onde é mais incidente o uso do conceito de cobertura zipada no Brasil.

Gráfico 4 - Quantidade de Obras por tipo de empreendimento

Fonte: Elaborado pelo autor Os dados obtidos na elaboração do gráfico 4 provém da tabela 3.

Das trinta obras analisadas (ver Apêndice A), estudou-se o núcleo do material que atuam como isolante termoacústico conforme mostrado no gráfico 5 e observe a predominância do materiais empregados.

45 Gráfico 5 – Núcleo da telha zipada

Fonte: Elaborado pelo autor

Observe que o material lã de vidro (ou lã de rocha) predomina nos empreendimentos estudados. A tabela 4 mostra os coeficientes de condutibilidade térmica da lã de vidro, EPS e PU e suas respectivas espessuras (m).

Tabela 1 – Propriedades dos materiais termoacústico

Fonte: Panisol

O fato da lã de vidro ser o material predominante no núcleo das telhas zipadas é devido ao fato de ser mais utilizadas em obras de médio e grande porte, pois pode-se fazer o revestimento termoacústico ‘in loco’ e é passível de ajustes, já quando se faz uso do PU ou EPS as telhas já chegam pré-fabricadas.

Para efeito comparativo a telha zipada com núcleo de PU, é 50% mais de eficiente que a mesma telha com núcleo de EPS.

Segundo Almeida (2014):

O que poucos sabem é que o EPS ou isopor, na verdade, possui muito menos isolamento térmico sendo inclusive proibido seu uso em alguns países por força de regulamentações, normas técnicas e fiscalização. O EPS ou isopor não possui laudo anti-chama. O lado anti-chama visa certificar que o produto se extingue à chama e não atua na propagação do fogo em caso de incêndio. O isopor ainda produz fumaça tóxica nesses casos. Outra questão é que o isopor ou EPS, quando utilizado em telhas térmicas, é colado na telha e não injetado. Sendo colado, fica sujeito à riscos de descolar da lâmina metálica da telha, principalmente quando se usa peças longas. As peças das telha, em geral são um pouco flexíveis, assim é natural que flexionem e sendo a lâmina apenas colada no isopor, o risco de descolar é muito maior.

Já a telha zipada que utiliza o PU como material termoacústico possui uma maior durabilidade e laudo anti-chamas assim como a lã de vidro.

7. O CUSTO BENEFÍCIO

A telha zipada possui inúmeros benefícios em relação as telhas convencionais, no caso a ser estudado (Camará Shopping), usou-se a telha zipada com proteção termoacústica ou vulgarmente chamada de sanduíche. Em geral usase três tipos de materiais na proteção termoacústica são eles: Poliuretano (PU), EPS (isopor) e a lã de vidro, onde este último material foi o utilizado no empreendimento em questão.

Segundo o gerente da comercial da Dânica, Oliveira (2016) a telha zipada alia leveza e durabilidade à montagem limpa. Até 70% mais rápida que a de outros tipos de telha. Tem resistência à corrosão, a choques, impactos, abrasões, calor e outros efeitos climáticos, além de oferecer excelente estanqueidade.

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