Conservação pós-colheita de rosas de corte
(Parte 2 de 2)
O manuseio correto e cuidadoso das hastes é fundamental, em toda a cadeia pós-colheita, para evitar danos ao produto que podem aparecer imediatamente (como quebra das hastes, queda de botões florais, quebra de folhas e pétalas) ou acelerar processos metabólicos que resultam em diminuição da vida útil. É importante que as hastes sejam hidratadas e refrigeradas para que não murchem devido ao grande estresse sofrido e a quantidade de água perdida. O resfriamento pode ser feito através de lavagem com água fria ou através de um armazenamento em câmaras frias, porém deve-se observar que no caso de utilização de câmaras de refrigeração deve ser observada a temperatura ideal de armazenamento para cada espécie com a finalidade de evitar danos causados pelo frio (MATAVELLI, 2013).
Inúmeros trabalhos de pesquisa têm demonstrado o efeito benéfico da adição de produtos químicos conservantes nas soluções de manutenção das flores de corte. Estes produtos, constituídos principalmente por açúcares e germicidas, como os ésteres de 8-hidroxiquinolina e nitrato de prata, podem duplicar ou triplicar a longevidade das flores (LIMA; MORAES; SILVA, 2006).
O fornecimento de açúcares nas soluções conservantes tem como objetivo repor carboidratos consumidos durante a respiração. A concentração ideal de glicose na solução conservante também pode variar com a temperatura do ambiente em que as flores estão expostas. Uma elevação na temperatura, em uma mesma concentração de sacarose, causa um aumento no potencial osmótico da solução, podendo dificultar a absorção de água pela haste floral (BRACKMANN, et al., 2003)
Segundo Ranwala; Miller (2009) existem pelo menos três diferentes vias nas quais os açucares que são absorvidos na região do corte podem chegar até as flores. Primeiro, o açúcar pode chegar diretamente até as flores via xilema através da transpiração. Segundo, o açúcar inicialmente absorvido pelo xilema pode se mover lateralmente para o floema e, então, se translocar por essa via. Terceira, a transpiração pode conduzir o açúcar até as folhas, onde será carregado no interior do floema e translocado para as flores por via floema. Enquanto as três vias podem ocorrer simultaneamente, a dominância relativa de uma via isoladamente depende, provavelmente, de fatores como espécie, idade da haste, distância entre a região do corte e a flor e se há ou não folhas na haste.
Segundo Nowak; Rudnicki (1990), o ácido cítrico atua na redução do pH da água e, consequentemente, pela redução da proliferação de bactérias, as quais bloqueiam os vasos do xilema na região do corte. Uma vez bloqueado, ocorre uma interferência no fluxo normal de água ao longo da haste. O ácido cítrico na solução de pulsing, geralmente, é associado a algum outro produto como a sacarose, citocinina e ácido giberélico.
De todos os hormônios conhecidos as giberelinas são os que mostram os mais espetaculares efeitos quando aplicadas às plantas. Ocorrem em todos os grupos vegetais e em certas espécies de fungos e bactérias, embora não esteja claro como agem nestes últimos. As giberelinas estão presentes por toda a planta, podendo ser detectadas em folhas, caules, raízes, sementes, embriões e pólen. Em geral, considera-se que as giberelinas causam o crescimento por um efeito no alongamento celular (COSTA, 2000).
A refrigeração é o método de armazenamento mais indicado devido a sua alta eficiência e o baixo custo, esta se mostra eficiente tanto para retardar os processos metabólicos das hastes que tende a senescência como para desacelerar o desenvolvimento dos microrganismos deteriorantes que são responsáveis pelo aumento das perdas nesta etapa. É aconselhado que os demais métodos de armazenamento sejam realizados em consorciação com a refrigeração pois este é responsável por manter por um determinado período de tempo a qualidade das hastes. A temperatura indicada para armazenamento de rosas está entre 1 a 4 ºC, e Umidade relativa do ar mais apropriada está entre 70 – 85%.
O presente trabalho teve como objetivo a avalição de três métodos de armazenamento de rosas de corte ‘Vega’ para verificação se estes são capazes de aumentar em número de dias a longevidade comercial.
3 METODOLOGIA
O presente estudo experimental foi realizado nas dependências do Laboratório de Entomologia do curso de Agronomia do Departamento de Biologia e Química da Universidade Estadual do Maranhão – UEMA, Centro de Estudos Superiores de Imperatriz- CESI.
3.1 PESQUISA BIBLIOGRÁFICA
Para a realização desta pesquisa, foi utilizada a metodologia básica para todos os projetos, como uma pesquisa bibliográfica com informações adquiridas em artigos científicos pesquisados em plataformas de bases de dados confiáveis da internet, revista online com a Revista Brasileira de Horticultura Ornamental, Scielo, Ibraflor – Instituto Brasileiro de Floricultura, entre outros.
3.2 AQUISIÇÃO DAS ROSAS
Primeiramente para realização do presente estudo foi necessário realizar a aquisição das rosas, como aqui na região não existe produção comercial de rosas de corte foi necessário fazer pedido para que elas viessem de São Paulo através da mesma empresa que faz distribuição de rosas, flores e plantas ornamentais nas floriculturas na cidade de Imperatriz. As rosas chegam com mais ou menos 5 (cinco) dias após a colheita.
3.3 DESCRIÇÃO DO EXPERIMENTO
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com três tratamentos, quatro repetições e três hastes por parcela onde no Tratamento 01 foi avaliado somente a refrigeração, no Tratamento 02 foi avaliado o consórcio de refrigeração com pulsing de glicose e no Tratamento 03 foi avaliado o consórcio de refrigeração com pulsing de ácido giberélico.
3.4 PREPARO DAS SOLUÇÕES DE PULSING
Para o tratamento envolvendo glicose foram utilizadas 24 g.L-1 de glicose e para o outro tratamento foi utilizado 25 mg.L-1 de GA3. Para o pulsing, as hastes foram mantidas por 12 horas com as bases imersas nas soluções, e após esse período, colocadas em vasos com água de torneira. As hastes foram mantidas a 25±2 °C.
3.5 AVALIAÇÃO QUANTO À VARIAÇÃO DE MASSA
No quarto dia foi realizado avaliações de peso através da utilização de uma balança analítica que avaliaram o ganho ou perda de massa durante o período de armazenamento. A variação da massa fresca foi calculada em relação à massa inicial.
3.6 AVALIAÇÃO QUANTO À QUALIDADE VISUAL
No terceiro e quarto dia foram realizadas avaliações referentes aos estágios de abertura, escurecimento, turgescência e curvatura das hastes utilizando-se critério de notas.
Tabela 01: Características em relação a qualidade visuale notas atribuídas de acordo com o escurecimento das pétalas.
| Escurecimento das pétalas | Nenhuma Pétala Escurecida | 5 a 19% de pétalas escurecidas | 20 a 29% de pétalas escurecidas | 30% ou valor acima |
| NOTA | 4 | 3 | 2 | 1 |
Tabela 02: Características em relação a qualidade visuale notas atribuídas de acordo com a turgescência.
| Turgescência | Túrgida | Levemente murcha | Murcha | Totalmente murcha |
| NOTA | 4 | 3 | 2 | 1 |
Tabela 03: Características em relação a qualidade visuale notas atribuídas de acordo com a curvatura da flor em relação ao pedúnculo.
| Curvatura da flor em relação ao pedúnculo | Flor reta | Ângulo entre 1 e 30° | Ângulo entre 31 e 90°; | Ângulo maior que 90° (considerado descarte comercial) |
| NOTA | 4 | 3 | 2 | 1 |
Para a avaliação do processo de expansão das pétalas (abertura floral) foi estabelecido um padrão baseado nos estágios de abertura que são de 1 a 5.
Tabela 04: Características em relação a qualidade visuale notas atribuídas de acordo com o estágio de abertura das rosas.
| Estágio de abertura das rosas | | | | | |
| NOTA | 1 | 2 | 3 | 4 | 5 |
As aplicações tanto de Ácido Giberélico como de Glicose através de pulsing resultaram em longevidade total das hastes de quatro dias e comercial de três dias. Durante o período de armazenamento das hastes de rosas “Vega” a 25±2 °C verificou-se que tanto o ácido giberélico quanto a glicose não influenciaram significativamente na variação da massa das hastes quando comparado com o tratamento que utilizou apenas a refrigeração e água de torneira. Constatou-se ainda que a aplicação tanto de Ácido Giberélico como de Glicose via pulsing, não manteve significativamente a qualidade das hastes por maior período de tempo.
A perda de massa fresca aumentou ao longo do período de armazenamento, principalmente entre os dias três e quatro, em todos os tratamentos. Esta pode ser causada pela transpiração, pela diminuição na absorção de água devido à obstrução da haste por microrganismos ou por fatores geneticamente determinados.
Tabela 05: Variação de massa verde acumulada de hastes de rosa “Vega” submetidos a três tratamentos de pós – colheita e mantidas a 25±2 °C.
| Tratamentos | Médias de tratamento |
| T1 | 67.01 a |
| T2 | 59.31 a |
| T3 | 58.99 a |
| CV% | 12.10 |
Tabela 06: Características qualitativas de estágio de abertura, escurecimento e turgescência das hastes de rosa ‘Vega’ submetidas a três tratamentos e mantidas a 25±2 °C.
| Tratamentos | Estágios de abertura | Escurecimento | Turgescência | Curvatura das hastes |
| T1 | 3.50 a | 1.50 a | 1.25 c | 1.17 a |
| T2 | 3.50 a | 2.50 a | 2.20 b | 1.15 a |
| T3 | 3.50 a | 2.50 a | 3.22 a | 1.25 a |
| CV% | 16.50 | 26.65 | 9.20 | 9.99 |
Há diferença significativa ao nível de 5% de probabilidade na turgescência das rosas onde demostrou que o ácido giberélico conseguiu manter uma maior turgescência nas rosas quando comparado com a água de torneira e a glicose teve melhor resultado quando comparada com os outros dois tratamentos. Ao que se refere a variação de massa verde e as outras características qualitativas que são estágio de abertura e escurecimento não houveram diferenças significativas quando avaliadas no Teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.
Pietro (2012) afirmaque a menor taxa respiratória favorece o aumento da vida de vaso que, neste caso, é caracterizado principalmente pelo menor uso de reservas como substrato respiratório e, por sua vez, gera energia vital a elas, influenciando positivamente as características qualitativas das flores. Devido a isso se busca uma solução que seja capaz de retardar os processos metabólicos das hastes resultando no aumento de sua longevidade.
A concentração ideal de glicose na solução conservante também pode variar com a temperatura do ambiente em que as flores estão expostas. Uma elevação na temperatura, em uma mesma concentração de sacarose, causa um aumento no potencial osmótico da solução, podendo dificultar a absorção de água pela haste floral. (BRACKMANN, et al., 2003)
Analisando as condições é possível afirmar que a temperatura foi o fator crucial que acelerou os processos metabólicos das hastes e foi responsável pela rápida perda das características qualitativas.
5 CONCLUSÃO
- As rosas de corte do tipo ‘Vega’ não tiveram as suas características qualitativas conservadas por um maior número de dias com o uso da glicose e do ácido giberélico nas proporções utilizadas;
- Recomenda-se que sejam realizados novos experimentos com outras proporções para averiguar se esses são capazes de vir a prolongar a longevidade das hastes.
- Pode-se também afirmar que a temperatura avaliada não contribuiu para a desaceleração dos processos metabólicos.
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