Metodologia Cientifica
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| ( | ) Para a elaboração de trabalhos acadêmicos, utilizamos as normas definidas |
pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
| ( | ) Segundo os ditos populares, não podemos comer uva e melancia ao mesmo |
tempo, porque isso causa dor de estômago.
| ( | ) Angino-Rub ungüento é um composto de cânfora e mentol + associações e é |
indicado ao alívio da tosse e ação descongestionante.
| ( | ) O leite de soja sem lactose é um alimento com proteína isolada de soja e é |
indicado para quem não pode beber leite de vaca.
| ( | ) A certificação ISO 9001, versão 2000, que versa sobre Sistema de Gestão da |
Qualidade, garante sucesso ao processo de qualidade implantado pelas organizações.
| ( | ) A melhor coisa para quando a criança está agitada é o benzimento; com isso, |
imediatamente, ela se acalma.
( ) Se alguém tomar todos os dias uma xícara de chá quente com ervas (carqueja, espinheira santa e alcachofra), pode emagrecer até 5 quilos por mês.
| ( | ) O adoçante dietético é composto de sacarina sódica e ciclamato de sódio e |
utilizado por quem está fazendo regime alimentar.
| ( | ) Para elaborar citações, a melhor fonte de informações é a NBR 10520 da |
| ( | ) Antigamente, muitas mulheres, quando concebiam um filho, ficavam de |
resguardo na alimentação e não lavavam a cabeça por 40 dias, porque isso poderia causar problemas de saúde para a vida toda.
| ( | ) O Instituto Nacional de Metrologia (Inmetro) cuida da normalização de |
produtos e serviços de qualidade.
| ( | ) Algumas mães usam algumas gotas de leite materno para curar a dor de |
ouvido das crianças.
Agora que você já sabe a diferença entre conhecimento científico e senso comum e percebe que seus trabalhos devem obedecer ao rigor científico, é importante que se concentre para estudar mais profundamente sobre a natureza do conhecimento.
SEÇÃO 3 A natureza do conhecimento
Você já parou para pensar nos tipos de conhecimento existentes?
Certamente você convive com alguns deles. Fazendo a leitura dessa seção, você conseguirá identificar os conhecimentos que fazem parte da sua vida. Então, vamos lá!
Existem pelo menos quatro níveis de conhecimento fundamentais: empírico, científico, filosófico e teológico.
Cabe lembrar que, na academia, você utilizará somente o conhecimento científico, porém é necessário conhecer todos, para entendê-lo melhor.
Veja o que dizem os autores Cervo e Bervian (2002, p. 8-12) sobre o assunto.
• Empírico: é o conhecimento popular (vulgar), guiado somente pelo que adquirimos na vida cotidiana ou ao acaso, servindo-nos da experiência do outro, às vezes ensinando, às vezes aprendendo, num processo intenso de interação humana e social. É assistemático, está relacionado com as crenças e os valores, faz parte de antigas tradições. Como exemplo de conhecimento empírico, você já deve ter ouvido o dito popular de que tomar chá de macela, mais conhecida como marcela, cura dor de estômago, mas ela precisa ser colhida na Sexta-feira Santa, antes do sol nascer.
| segundo Cervo e Bervian (2002), a ciência é um processo em construção |
• Científico: é o conhecimento real e sistemático, próximo ao exato, procurando conhecer além do fenômeno em si, as causas e leis. Por meio da classificação, comparação, aplicação dos métodos, análise e síntese, o pesquisador extrai do contexto social, ou do universo, princípios e leis que estruturam um conhecimento rigorosamente válido e universal. Neste, são feitos questionamentos e procuradas explicações sobre os fatos, através de procedimentos que possam levar ao resultado com comprovação. Não é considerado algo pronto, acabado e definitivo, busca constantemente explicações, soluções, revisões e reavaliações de seus resultados, pois,
Analisar o mesmo exemplo anterior no contexto científico, poderia, mediante o estudo, verificar a relação de causa e efeito e o princípio ativo que determina o desaparecimento do sintoma “dor de estômago”, quando da ingestão do chá de macela.
• Filosófico: procura conhecer a realidade em seu contexto universal, sem soluções definitivas para a maioria das questões; busca constantemente o
Não há controle; adquire-se independentemente de estudos, pesquisas ou aplicações de métodos e investigações.
Controlado por registros e observações, fazendo-se controles do observador e do observado.
sentido da justificação e a possibilidade de interpretação a respeito do homem e de sua existência concreta. A tarefa principal da filosofia resume-se na reflexão.
Cervo e Bervian (2002) apresentam alguns exemplos que deixam claro esse conceito, verifique:
- A máquina substituirá o homem?
- As conquistas espaciais comprovam o poder ilimitado do homem?
- O que é valor hoje?
A filosofia procura compreender a realidade em seu contexto universal. Não produz soluções definitivas para grande número de questões, mas habilita o ser humano a fazer uso de suas faculdades para entender melhor o sentido da vida, concretamente.
• Teológico: é o estudo de questões referentes ao conhecimento da divindade, implicando sempre em uma atitude de fé diante de revelações de um mistério ou sobrenatural, interpretados como mensagem ou manifestação divina. Esse conhecimento está intimamente relacionado a um Deus, seja este Jesus Cristo, Buda, Maomé, um ser invisível, ou qualquer entidade entendida como ser supremo, dependendo da cultura de cada povo, com quem o ser humano se relaciona por intermédio da fé religiosa.
Exemplo disso são os conhecimentos adquiridos e praticados pelos homens tendo como base os textos da Bíblia Sagrada ou quaisquer outros livros sagrados.
Você já pode diferenciar os diversos tipos de conhecimento, mas vale a pena apresentarmos algumas contribuições de outros autores.
Oliveira (2003) contribui, ainda, sobre o assunto, sintetizando os tipos de conhecimento, conforme Quadro 1:
Vulgar Científico Filosófico Religioso valorativo reflexivo falível assistemático verificável inexato real contingente falível sistemático verificável exato valorativo racional infalível sistemático não-verificável exato valorativo inspiracional infalível sistemático não-verificável exato
Quadro 1: As várias formas de conhecimento Fonte: Oliveira (2003, p. 37).
Tudo o que é oculto, que provoca curiosidade e busca; pode estar ligado a dados da natureza, da vida futura, da existência do absoluto, entre outros.
A seguir, procuramos sintetizar o quadro apresentado por Oliveira (2003, p. 37- 41), somado às contribuições de Galliano (1986, p. 18-20), sobre as formas de conhecimento:
• Conhecimento vulgar ou popular: é utilizado por meio do senso comum, geralmente passado de geração em geração, disseminado pela cultura baseada na imitação e experiência pessoal; é empregado pela experiência pessoal do dia-a-dia, sem crítica.
• Conhecimento filosófico: não é passível de observações sensoriais, utiliza o método racional, no qual prevalece o método dedutivo antecedendo a experiência; não exige comparação experimental, mas coerência lógica, a fim de procurar conclusões sobre o universo e as indagações do espírito humano.
• Conhecimento religioso ou teológico: é incontestável em suas verdades, por tratar de revelações divinas; não é colocado à prova e nem pode ser verificado.
• Conhecimento científico: por meio da ciência, busca um conhecimento sistematizado dos fenômenos, obtido segundo determinado método, que aponta a verdade dos fatos experimentados e sua aplicação prática.
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O conhecimento científico pode ser: contingente (hipóteses traduzem resultado através da experimentação); sistemático (procedimento ordenado forma um sistema encadeado de idéias); verificável (afirmações podem ser comprovadas); falível (novas proposições podem mudar as teorias existentes); real (lida com o real, conforme ocorrência dos fatos) isso é o que enfatiza Oliveira (2003, p. 39-
Chegou o momento de fazermos uma parada, para refletir. Você entendeu a classificação dos diferentes tipos de conhecimento? Então, faça a auto-avaliação 2.
AUTO-AVALIAÇÃO 2
Leia o que é solicitado no enunciado de cada questão e responda.
1 Todo conhecimento científico é verdadeiro e definitivo. Argumente sua resposta.
2 Correlacione as afirmações sobre os tipos de conhecimento com as situações apresentadas para eles.
a) Empírico b) Científico c) Filosófico d) Teológico
( ) Gelatina diet (sem adição de açúcar), contendo três vitaminas e dois sais minerais, é indicada para quem necessita fazer tratamento de ingestão controlada de açúcar.
| ( | ) O homem poderá ser produzido em série, em tubos de ensaio. |
| ( | ) Benzer cura dor de cabeça, mas tem de ser antes do pôr do Sol. |
| ( | ) Jesus Cristo morreu na cruz para nos salvar dos pecados. |
Você concluiu a seção que trata do conhecimento. Agora, voltaremos nossa atenção ao método e à técnica, pois toda Ciência ou todo acontecimento que pretende tornar-se científico caracteriza-se, pela utilização de métodos científicos.
Mas, nem todos os campos de estudo que se utilizam desses métodos podem ser classificados como Ciência. Vejamos!
SEÇÃO 4 Método e técnica
Iniciaremos os estudos desta seção observando que a utilização de métodos científicos não é uma questão exclusiva da Ciência. Por outro lado, podemos afirmar que não há Ciência sem que haja o emprego sistemático de métodos científicos. Assim, apresentamos alguns conceitos de método científico, para depois apresentarmos a diferença entre o método e a técnica, e você entenderá melhor essa relação com a Ciência.
Veja como Lakatos e Marconi (2003, p. 85) o definem:
[...] o método é um conjunto das atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e verdadeiros –, traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões do cientista.
Também Oliveira (2002, p. 58) contribui, afirmando que método é um conjunto de regras ou critérios que servem de referência no processo de busca da explicação ou da elaboração de previsões, em relação a questões ou problemas específicos. Porém, antes de desenvolver o método, é preciso estabelecer os objetivos que pretendemos atingir, de forma clara, examinando de uma maneira ordenada as questões: Por que ocorre? Como ocorre? Onde ocorre? Quando ocorre? O que ocorre?
| científico, para fornecer subsídios necessários na busca de um resultado para a |
Método é o conjunto de processos empregados em uma investigação. Segundo Cervo e Bervian (2002, p. 23-25), não inventamos um método, ele depende do objeto da pesquisa, pois toda a investigação nasce de algum problema observado ou sentido, por isso o uso do conjunto de etapas de que se serve o método hipótese pesquisada.
Segundo Fachin (2003, p. 28), o método científico é um traço característico da ciência aplicada, pelo qual se coloca em evidência o conjunto de etapas operacionais ocorrido na manipulação para alcançar determinado objetivo científico. Para tanto, consideramos pelo menos dois aspectos do método científico:
• sua aplicação de modo generalizado, denominada método geral;
• sua aplicação de forma particular, ou, relativamente, a uma situação do questionamento científico, denominada método específico.
O método é, portanto, segundo Oliveira (2002, p. 57), “Uma forma de pensar para se chegar à natureza de um determinado problema, quer seja para estudá-lo, quer seja para explicá-lo.”
Você já pode entender que a ciência é constituída de um conhecimento racional, metódico e sistemático, capaz de ser submetido à verificação, buscado através de métodos e técnicas diversas, ou seja, por passos nos quais se descobrem novas relações entre fenômenos que interessam a um determinado ramo científico ou aspectos ainda não revelados de um determinado fenômeno (GALLIANO, 1986, p. 28).
Agora que você leu a contribuição de diversos autores especializados no assunto sobre métodos, apresentaremos uma situação interessante, descrita por Galliano (1986, p. 4-5).
O autor afirma que qualquer pessoa vive diariamente cercada por métodos, ainda que não os perceba. Ao limpar a casa, você não passa, primeiro, o pano molhado, para, depois, varrer o chão; ao fazer um churrasco, você não assa a carne antes de colocar o sal e os temperos; ao comer uma laranja, você não a corta em pedaços para depois tirar a casca; tem de usar o método adequado para atingir um objetivo tão simples.
Galliano cita um exemplo, o de estar calçado com meia e sapato, que deixa ainda mais clara a explicação. Se não seguir a ordem correta das ações, primeiro você calçará o sapato, depois verificará que não é possível pôr a meia, já calçado com o sapato, assim, terá de descalçá-lo, para então colocar a meia e novamente calçálo.
O que o autor quis demonstrar com o exemplo?
Que, ao deixar de seguir a ordem correta das ações no emprego do método, o resultado não é alcançado na primeira tentativa. Para chegar ao resultado esperado, você deve voltar ao início da seqüência e fazê-la de forma correta, ou seja, observar o método, já que quando o método não é observado, você gasta tempo e energia inutilmente. O autor complementa: o método nada mais é do que o caminho para chegarmos a um fim.
Reflita um pouco.
Você consegue lembrar de outros métodos que estão presentes na sua vida cotidiana? Analise o que existe de comum entre eles, assim, poderá fazer sua própria definição sobre método.
Como se classificam os métodos científicos?
Racional: constituído por conceitos, tendo como ponto de partida e ponto de chegada apenas idéias (hipóteses), não os fatos.
Metódico: segue etapas, normas e técnicas, cuja aplicação obedece a um método preestabelecido.
Sistemático: constitui-se de um sistema de idéias interligadas logicamente que se apresentam como um conjunto de princípios fundamentais, adequados a uma classe de fatos, que compõem uma teoria.
Verificação: o conhecimento é válido, quando passa pela prova da experiência ou, da demonstração.
Para esclarecer melhor o assunto, apresentaremos as diversas formas de classificação dos métodos científicos, segundo alguns autores especializados no assunto.
Dentre os métodos mais usuais para o desenvolvimento e a ordenação do raciocínio, Bastos e Keller (2002, p. 84-85) destacam:
• dedução: descobre uma verdade a partir de outras verdades que já conhecemos;
• indução: parte da enumeração de experiência ou casos particulares, para chegar a conclusões de ordem universal; inclui quatro etapas: observação, hipótese, experimentação e a constatação de que a hipótese levantada, para explicar o fato observado, é confirmada pela experimentação e transformada em teoria ou lei.
Saiba Mais
O livro “Aprendendo a aprender: uma introdução à metodologia científica”, de Bastos e Keller (2002, p. 87-90), apresenta um exemplo muito interessante do método de indução.
Para a compreensão dos fatos pela ciência, os procedimentos fundamentais na pesquisa devem ser processados, conforme Fachin (2003, p. 29-31), pelo método indutivo (análise) e pelo método dedutivo (síntese):
• indutivo: é um procedimento do raciocínio que, a partir de uma análise de dados particulares, encaminhamos para as noções gerais. A autora apresenta o seguinte exemplo: partindo da observação empírica de que a prata é minério condutor de eletricidade e que se inclui no grupo dos metais, ela faz, por sua vez, parte dos minérios. Disso se infere, por análise indutiva, que a prata é condutor de eletricidade;
• dedutivo: parte do geral para o particular. Sobre o mesmo exemplo, a autora afirma que todos os metais são condutores de eletricidade. A prata é um metal, logo, é condutor de eletricidade. Pelo raciocínio dedutivo, se os metais pertencem ao grupo dos condutores de eletricidade e se a prata conduz eletricidade, necessariamente, entendemos que a prata é um metal.
Conclui Fachin (2003, p. 31) que os métodos indutivo e dedutivo não se opõem e constituem uma única cadeia de raciocínio. Cita, ainda, como exemplo: a varíola é curável com a vacina X; ora, um paciente tal é portador de varíola, logo, é curado com a vacina X. Houve uma intuição para estabelecer a ordem geral do conhecimento quanto ao medicamento, por meio do raciocínio dedutivo, com o aproveitamento de uma experiência conhecida e induzida anteriormente. O método indutivo é uma fase meramente científica, é o espírito experimental da ciência, que oferece probabilidades, enquanto o dedutivo é a fase da realização da atividade, oferecendo certezas.
Oliveira (2002, p. 63) complementa, sobre os métodos indutivo e dedutivo, quando observa que:
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