• Casos Clínicos de Bioquímica Clínica

    CASO CLÍNICO 01
    Foi retirada uma amostra de sangue de uma mulher de 65 anos para verificar sua concentração de potássio no soro, já que durante algum tempo ela tomou diuréticos à base de tiazida. Sem querer, o atendente deixou a amostra na bancada e na manhã seguinte a centrifugou para retirar o soro e a colocou juntamente com as outras amostras. Imediatamente após a análise da amostra, o resultado foi hiperpotassemia. O bioquímico chamou o atendente. Por quê?


    CASO CLÍNICO 02
    Uma menina de 12 anos de idade tem uma história clínica de hipertrigliceridemia. Quando ela foi examinada inicialmente, a concentração de triglicerídios plasmáticos estava na faixa de 1.200 mg/dl. Uma análise das lipoproteínas revelou níveis reduzidos de HDL e uma elevação nos níveis dos quilomicrons e VLDL. Análise das apoproteínas indicaram um conteúdo anormal de apo-C-II (medida através de técnicas imunohistoquímicas), mas a apo-C-II tinha um baixo peso molecular e alto ponto isoelétrico (dados obtidos através da análise da proteína em géis de eletroforese bidimensional ). Então a apo-C-II era defeituosa, e um diagnóstico de deficiência de apo-C-II foi feito. O paciente foi tratado com uma dieta com baixo teor de gordura, e a concentração de triglicerídeo plasmático foi mantida entre 500mg/dl.

    Questões
    01.Quais as lipoproteínas que ordinariamente contém apo-C-II?
    02.Por que uma deficiência de apo-C-II causaria uma hipertrigliceridemia?
    03.Qual a razão para o tratamento com baixo teor de gordura na dieta?


    CASO CLÍNICO 03
    Um homem de 50 anos procurou seu clínico para uma avaliação de rotina. Ele aparentava ser saudável. Queixou-se de dor no peito ocasional, que era acompanhada por uma sensação de tontura, falta de ar e formigamento dos dedos. Isto geralmente acontecia no final da tarde, durante a caminhada que ele fazia após o jantar. A dor no peito tinha duração muito curta e desaparecia quando ele parava de caminhar. Por este motivo ele parou com suas caminhadas recentemente. Ao exame físico não apresentou nenhuma anormalidade. O paciente tem história familiar de doença arterial coronariana: seu pai foi diagnosticado aos 60 anos e submeteu-se a cirurgia de ponte safena e seu avô paterno morreu de ataque cardíaco aos 60 anos. O paciente relata grande estresse, e sua esposa o acusa de ser um “workaholic”. Os exames laboratoriais são mostrados na tabela abaixo.

    Colesterol total - 190ml/dL (Desejavel)
    Triglicerideos - 376ml/dL (limitrofe alto)
    LDL - 120ml/dL (Desejavel)
    HDL - 28ml/dL (Alto risco)

    Paciente também fez um eletrocardiograma e um teste de esforço que tiveram resultados dentro da normalidade. Apesar destes últimos exames estarem normais, os exames laboratoriais, a história familiar e seu estilo de vida sugerem um alto risco para aterosclerose. O que o faz ser um candidato a tratamento.

    Questões
    01.Explique os resultados dos exames laboratoriais.
    02.Por que níveis baixos de HDL significam alto risco para doença coronariana?
    03.O que é aterosclerose? Qual a influência das lipoproteínas, do colesterol e da homocisteína na formação das placas ateromatosas?
    04.Qual o(s) possível(s) tratamento(s) para este paciente (farmacológico e não-farmacológico)? Quais suas bases bioquímicas?


    CASO CLÍNICO 04
    Paciente de 76 anos de idade, sexo masculino, branco, com falência renal crônica e hipertensão de longa data, foi internado para realização de cirurgia não-cardíaca. O paciente passou por um período de hipotensão intraoperatória que se estendeu para o período pós-operatório e necessitou de tratamento com agentes pressóricos. Várias horas depois a rotina do pós-operatório mostrou alterações no eletrocardiograma (ECG) entretanto o paciente não tinha nenhuma dor no peito, dispnéia ou qualquer outro sintoma. O primeiro resultado de dosagem de enzimas cardíacas (CK, CK-MB, troponina I) foi consistente com um novo infarto do miocárdio. O paciente permaneceu assintomático e seu ECG continuou a apresentar as mesmas alterações. Dosagens repetidas das enzimas cardíacas confirmaram a presença de infarto do miocárdio.

    DIA | HORA | CK (normal 0-200 IU/L) | CK-MB (Normal <7 IU/L | Troponina I (Normal <1,5ng/ml)
    1 | 00:15 | 1494 | 33,9 | 66,6
    2 | 10:40 | 1544 | 54,2 | 83,1
    3 | 17:24 | 2286 | 64,5 | 125,7
    4 | 23:40 | 2536 | 65,4 | 141,7

    Questões
    1)Qual a importância do uso de marcadores bioquímicos no diagnóstico do IAM em relação ao eletrocardiograma e aos sinais clínicos?
    2) Comente sobre as isoenzimas da creatino-quinase.
    3) Explique como a análise de uma isoenzima da creatino-quinase poderia ser útil no diagnóstico desta doença.
    4) Qual a relação do aumento da concentração da creatino-quinase e da lactato-desidrogenase com o dano causado ao miocárdio?
    5) Comente sobre a importância da troponina no diagnóstico e acompanhamento do IAM, comparando com outros marcadores bioquímicos.
    6) O que seria um marcador bioquímico ideal do IAM?


    CASO CLÍNICO 05
    J.A.M., 37 anos, masculino, deu entrada na emergência do Hospital Universitário sentindo dor precordial de forte intensidade, com irradiação para o membro superior esquerdo e região mandibular esquerda. O exame eletrocardiográfico foi sugestivo de infarto agudo do miocárdio (IAM). Ao entrevistar o paciente, você pode constatar que havia história importante de cardiopatia na família (pai e um irmão com história de IAM e dislipidemia). Durante o exame físico você observou xantomas nos tendões de Aquiles e nos tendões extensores da mãos; xantelasmas ao redor das pálpebras, além da presença de arco corneal senil bilateralmente. Os exames laboratoriais solicitados apresentaram os seguintes resultados:
    triglicerídeos -> 150 mg/dl (normal: até 200 mg/dl)
    colesterol total -> 550 mg/dl (normal: até 200 mg/dl)
    HDL – colesterol -> 32 mg/dl (normal: 35 – 55 mg/dl)
    LDL – colesterol -> 488 mg/dl (normal: até 159 mg/dl)
    VLDL – colesterol -> 40 mg/dl (normal: até 36 mg/dl)
    Aspecto do soro -> límpido (normal: límpido)
    CK-MB (creatino kinase) -> muito aumentada

    01.Explique a possível causa da hipercolesterolemia neste caso.
    02.Qual tratamento (farmacológico e não-farmacológico) deveria ser indicado ao paciente? Por quê?
    03.Qual tipo de diabetes mellitus tem maior chance de evoluir com um quadro semelhante ao do paciente em questão (dislipidemia)? Por quê?
    04. Este paciente apresentou infarto agudo do miocárdio (IAM)? Se afirmativo, correlacione o desenvolvimento do IAM com o quadro de hipercolesterolemia.

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